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A CAÇADA
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OLIVER FERRI
Merda, merda, merda, merda! Volto para o meu quarto às pressas, surtando e cheio de tesão. Minha respiração está irregular, meu coração bate forte e eu desejo poder controlar a minha pulsação concentrada nos lugares errados. Ela tinha gosto de chiclete.
Isso não devia ter acontecido. Por que eu deixei? Por quê!? Por que caralho ela tem que ser tão gostosa? Me sinto péssimo, ela é tão mais nova. Não, não! Ela é filha do Jonathan, por Deus! Ele estava dormindo na minha casa e eu peguei a filha dele na bancada da minha cozinha? O que deu em mim?!
Tiro a camisa e a atiro no chão, indo direto para o meu banheiro. Banho frio, penso, preciso de um banho congelante. Me tranco no cômodo e entro debaixo do chuveiro, abrindo-o por completo. Recebo um choque térmico com o contato frio. A água gelada bate no meu rosto e nas minhas costas e eu não consigo deixar de pensar em como o beijo foi incrível.
Penso nas suas pernas maravilhosas envolvendo meu quadril e em como eu queria ter seu corpo só para mim. Deus sabe até onde eu iria se não tivesse me assustado e ganhado um vislumbre de sanidade. Parte de mim, sem minha permissão, diz que não deveria ter parado, eu deveria ter prendido ela e me vingado por ter me encurralado.
Ela me deixa furioso por ser algo que posso ver sem tocar. Ela me tortura e eu não aguento mais.
Fico uns bons minutos no chuveiro, rezando para que Ellen Clarke venha até mim e me peça para arrancar as suas roupas para que possamos ficar naquelas quatro posições. Só pode ser sacanagem, é uma obra maligna do universo mandar essa tentação em pessoa para me infernizar.
O que eu fiz para merecer isso?
Quando finalmente saio do banheiro, me aproximo da porta do quarto e fico parado diante dela. A vontade de ir atrás da mulher infernal cresce, mas não posso fazer isso com meu melhor amigo. Se eu tivesse uma filha, com certeza não iria querer que ele fizesse isso comigo. Tranco a porta do quarto e, sem me vestir, me jogo na cama, deitando-me de bruços e afundando a cara no travesseiro.
Uma da manhã se torna duas e eu não consigo dormir. A casa está absurdamente silenciosa e eu quero, desesperada e descaradamente, ir atrás de Ellen Clarke, chamá-la para montar em mim até perder as forças. Quero arrancar aquele sorrisinho arrogante do seu rosto lindo. Quero que ela me toque sem nenhum tecido no meio do caminho para atrapalhar.
Entro em um debate interno enquanto finjo dormir. Listo todos os motivos que me fazem hesitar em chupar aquela mulher até ela chorar:
1° Jonathan;
2° a idade dela;
3° a minha idade;
4° as chances imensas de dar tudo errado;
5° o risco de acontecer mais de uma vez;
6° Minha amizade com Jonathan e meu amor à vida.
Listo os meus desejos porque às vezes vale ser egoísta, não é?
1° Sexo sem compromisso;
2° É a Ellen;
3° as pernas dela;
4° a bunda dela;
5° os lábios dela;
6° sexo.
7° as suas mãos no meu corpo;
8° curiosidade;
9° todo o corpo dela;
10° o gemido dela.
Chega de listas.
Rolo na cama para ficar com a barriga para cima e encaro o teto sem ser capaz de enxergar um palmo diante do rosto. Esfrego os dedos, sentindo falta do calor da sua pele. Maldita garrafa. Por que foi que eu parei?
Ela está a uma parede de distância, minha libido sussurra maldosamente ao pé do meu ouvido. Pego o travesseiro molhado e o enfio no rosto, tentando inutilmente conter a intensa frustração que abraça cada partícula do meu ser.
Eu preciso que Ellen suma antes que eu faça algo irreversível.
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ELLEN CLARKE
Inferno, eu o quero, e dessa vez é para valer. Dormi e acordei e os beijos de Oliver e sua pegada não saíram da minha mente. Nos meus sonhos, não fomos interrompidos.
Me apoio em meus cotovelos quando ouço batidas na porta. Por um segundo irracional, minha mente bêbada de sono se ilude com a expectativa de que seja Oliver do outro lado.
— Ellen? — é o Jonathan. Afundo-me na cama e rolo para o lado.
— Não. — Resmungo estressada e fecho os olhos com força.
— Hora de acordar, Ellie — Jonathan insiste e eu controlo a língua para não o mandar se foder.
— Não, homem. Eu nem dormi direito! — reclamo, o que não é mentira. Culpa do seu amigão, papai. Aquele maldito gostoso.
— Vamos, filha, eu tirei o dia de folga. Oliver também, ele vai sair com a gente — ele diz e eu me sento, deslizo para fora da cama e escancaro a porta.
— Para onde iríamos? — forço desinteresse na voz. Sei que estou descabelada, mas o mais velho faz aquela cara de susto que ofende a minha autoestima.
— Por que está com um ninho de passarinho na sua cabeça? — ele tenta fazer piada. Fecho a porta na sua cara e ele ri. — Eu estava brincando, linda. — Ele bate à porta outra vez. — Vamos, saia daí e se arrume para tomar café, nós vamos dar uma volta, assistir um filme no cinema, talvez.
Ficar com Oliver: bom.
Ficar com Jonathan: nem tanto.
Andar com os dois juntos: piorou.
Ok, eu topo. Quero ver como Oliver vai me encarar depois de ontem à noite. Imagino que não teremos qualquer privacidade, mas eu pegarei pesado para ver até onde ele aguenta. Ninguém mandou ter um beijo tão bom! Eu não vou conseguir descansar até pegar ele porque eu sou como uma vampira, e, uma vez que entro em contato com sangue, tenho que sugar tudo até o final.
Nunca fui de largar o brinquedo tão fácil e eu quero muito esse homem.
— Já vou! — respondo, por fim.
— Desça em vinte minutos — Jonathan pede e seus passos se afastam.
Pego um short e um top pretos, ambos justos e que me deixam uma tremenda gostosa, calcinha e sabonete, escova de cabelo e escova de dentes. A toalha ocupa boa parte da minha mala e eu a puxo com alguma dificuldade, correndo para o banheiro do outro lado do corredor.
Tomo banho rapidamente e me troco, prendo o cabelo em um rabo de cavalo bem alto e me admiro no espelho. Vale a pena pentear o cabelo na força do ódio até chorar. Eu continuo linda. Mando um beijo para o meu reflexo e saio do banheiro após escovar os dentes.
Me demoro no quarto e apanho o celular para mandar mensagem para Louis, pois ele precisa saber de tudo o tempo todo, querendo ou não.
AROS3: a mãe vai caçar hojr
AROS3: me deseja sorte <3
Ele me responde rapidamente, me pergunto se em algum momento saiu de seu celular desde que conheceu aquele burguês gatinho. Ele pergunta:
LOUIVITTON: quem é o desafortunado?
AROS3: lembra do amg do meu pai? Auqele do clube das piscinas
LOUIVITTON: N me diga que vai dar pro amigondo seu pai
AROS3: melhor amigo*
AROS3: sim, eu vou
AROS3: inclusive ja fiz test drive ontem a noite
ROS3: ele beija bem demaaaaaaisss
LOUIVITTON: NÃO!
AROS3: SIM!
LOUIVITTON: sua cachorraaa!!!!
LOUIVITTON: me conte tudo mais tarde
AROS3: pode ter ctz qhe eu cou
AROS3: vou
AROS3: tenhk que ir vaida
AROS3: vadia!!! Porra
LOUIVITOON: Beijo, vadia
Meu pai me grita do andar de baixo e eu saio do quarto, me apressando para descer as escadas. Os senhores estão na sala de estar, Jonathan mexe no seu celular, então, Oliver é o primeiro a notar minha presença, mirando o queixo por cima do ombro. Meu corpo fica quente.
— Bom dia, senhor Ferri. — Falo com as melhores intenções e o lanço uma piscadela pelas costas do meu genitor. Oliver sai do seu transe, olhando de relance para o melhor amigo, engasgando-se com o pão que mastigava. Jonathan me vê, mas se preocupa mais com o amigo tossindo sem parar.
Me aproximo de ambos e me debruço sobre o sofá, deixando a mão no ombro do senhor Ferri. Ele olha para cima. De algum jeito, sei que ele está com raiva quando seus olhos tempestuosos penetram os meus.
— Quer um pouco de água, senhor Ferri? — proponho educadamente, esboçando um sorriso sacana. Ele vira o rosto e se inclina para frente, escapando do meu toque.
— Eu estou bem — ele responde com a voz rouca.
Não por muito tempo, gatinho.
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OLIVER FERRI
Ela quer foder com a minha vida. Ela sabe o que faz e sabe que estou caindo como um patinho na sua armadilha.
No carro, indo em direção ao shopping, fica tudo bem fora o silêncio constrangedor que nenhum de nós ousa romper. Ela se senta no banco de trás e não fala nada, eu não a vejo e está tudo certo, mas quando saímos, ela anda entre Jonathan e eu. Tenho que me afastar diversas vezes pelas suas tentativas discretas de se encostar em mim.
Está insuportável.
Se ela olha na minha direção, logo dá um sorriso convencido e eu não aguentarei esse show por muito mais tempo. Jon quer mimá-la mais um pouco e, após vermos um filme de comédia que não agrada nenhum de nós, vamos em lojas de roupa para que ela possa ver o que deseja. Fica óbvio que esse é o lugar favorito dela, ela fica confortável demais.
Há um momento enquanto esperamos Ellen sair da cabine que Jon recebe uma ligação de um de nossos estagiários prediletos e se afasta para atender. Sua filha cantarola enquanto se troca e, ao notar a voz do pai se afastando, abre a cortina de sua cabine, colocando a cabeça para fora para espiar.
Ao ver que ele está fora de cena, olha para mim com aquele sorriso perverso que me lembra os vilões dos desenhos animados quando têm um plano muito bom em ação. Eles nunca ganham. Desvio o olhar e tiro meu celular do bolso.
— Senhor Ferri? — ela me chama com um tom inocente, puxo o elástico em meu pulso e o deixo estalar na minha pele antes de erguer o olhar.
Ellen escancara a cortina, usando apenas um sutiã preto e uma curta saia de couro. Meu celular quase cai da minha mão. A morena coloca uma mecha atrás da orelha e dá uma voltinha, segurando os longos cabelos.
— Acha que essa saia combina comigo?
Santo Cristo. Tenho certeza de que ela poderia ficar melhor ainda sem ela. Outra vez, cravo os olhos em sua tatuagem de rosa na costela. Na sua cintura, na sua bunda. Minha boca fica seca e eu passo a língua nos lábios.
— Combina, não combina? — ela pergunta outra vez, me arrancando dos meus devaneios. Engulo em seco e ergo o olhar para seu rosto, lutando para esconder a agitação.
— Hã... sim... claro... — bato o pé. Ellen sorri satisfeita e solta os cabelos, deixando-os bagunçados ao caírem sobre os ombros. A desgraçada sabe como ser sexy.
— Que bom! A parte ruim é que é difícil de tirar... — Ela faz beicinho, chateada. — Está vendo? — ela enfia os dedos por baixo da saia e a puxa um pouco para o lado. O couro apertado marca sua pele. — Muito apertado.
Passo a língua na bochecha com o estômago se solidificando em chumbo. Do jeito que ela me testa, eu poderia livrá-la dessa maldita saia em questão de segundos.
Não posso.
— Acha que devo levá-la mesmo assim, senhor Ferri?
Respira fundo, aguenta firme.
— Deve levar, se gostou. — Por favor, leva, e fica desfilando com ela na minha frente.
Porra, para.
— Pois eu gostei. — Seu sorriso se torna radiante e ela fecha a cortina. Quero me jogar no chão e começar a chorar, mas mantenho a postura quando meu amigo retorna e a apressa.
O dia está sendo péssimo e não paro de ter pensamentos contraditórios, sussurrando para que me deixe levar de novo, me lembrando de como aquele beijo foi bom.
Não posso, mas quero. Puta merda, como quero!
Nós passamos as compras e vamos para a Praça de Alimentação. Jon, ainda paparicando a diabinha, pede uma porção de batatas fritas com cheddar e bacon e minutos mais tarde, enquanto eu e ele discutimos sobre o chefão e talvez um novo convite para que ele saia conosco, a porção chega, fulminante.
Ellen larga o celular no qual digitava ferozmente em um movimento brusco e ataca o prato à sua frente como se não comesse há mais de um dia. Eu e Jonathan trocamos um olhar, nos perguntando se sobraria alguma coisa para nós. Ellen sequer muda a postura, como se não estivéssemos junto dela. Ela liga o celular vez ou outra para ver a hora.
— Não vai se engasgar? Está sequer mastigando? — Jonathan não consegue ficar sério.
Ellen o lança um olhar amedrontador e o meu amigo recua na cadeira. Ela continua a comer como se o mundo fosse explodir a qualquer instante. Começo a tossir para tentar abafar a risada, mas não dá muito certo.
A mais nova se levanta, limpa a boca com os dos guardanapos que nos deram e engole todo aquele carboidrato de uma vez. Ela olha fixamente para o pai.
— Louis trabalha num boticário aqui, vou vê-lo e já volto. — Ela sai, deixando o celular na mesa.
Jonathan levanta as mãos, ofendido, mas não a chama de volta.
— Deve custar muito ser gentil e pedir licença — ele bufa com a testa franzida. Eu suspiro de alívio.
— Ela é jovem, seria pedir muito dela — comento e ele me encara.
— Aproveitando que ela saiu, você ouviu o barulho de ontem à noite?
Fico nervoso, mas controlo as expressões.
— Que barulho?
— Tipo daquela sua garrafinha de metal caindo no chão. — Ele não parece desconfiado e, embora eu saiba que não é uma armadilha, não deixo de ficar desconfortável.
— Ah, ouvi sim, não dormi muito bem essa noite, na verdade.
— Sinto muito por isso, ela deve ter deixado alguma coisa cair...
— Ah, não foi por causa disso que não dormi, não precisa dar uma bronca nela, acontece.
Jonathan me olha como se eu tivesse falado algo bizarro.
— O que foi? — sorrio e esfrego as mãos na calça.
— Você não está sendo crítico. — Ele observa e eu solto uma risada nasal.
— Quer que eu fale mal da sua filha?
— Não — ele cerra os olhos, desconfiado, mas não implica. Merda, eu baixei a guarda? Do jeito que ele coloca, parece que eu critico tudo, o tempo todo. Não sou tão ranzinza. — Se quiser, podemos voltar mais cedo para você dormir à tarde. Por que não dormiu bem?
É uma pergunta normal, mas me sinto culpado de mentir para ele. O faço, de qualquer forma.
— Só um pouco de dor de cabeça — dou de ombros e desvio o rosto, observando a praça lotada de jovens e velhos. — Está tudo bem, não se preocupe comigo, aproveita o dia com sua filha. — Esse projeto de demônio.
— Bom, ela não está o aproveitando comigo. — Ele gesticula para a cadeira vazia na minha frente. Ia falar para ele ligar para ela, mas ela deixou o celular na mesa.
— Talvez seja porque estou aqui — sugiro.
— Não. Ela está muito quieta... deve estar tramando algo.
É, eu sei.
— Não seja tão paranoico — brinco e nós comemos o que restou das batatas.
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