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RESISTÊNCIA
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ELLEN CLARKE

Uau.

Ok, ok, eu devia fazer isso? Não. Vou parar? Também não.

Oliver está ficando louco e eu sei que estou jogando baixo, mas pra ser agarrada daquele jeito... ah, eu teria que continuar. Ele virou o jogo por um segundo, me desconcertando com sua falta de controle. Preciso daquilo de novo. Preciso ver a chama em seus olhos frios querendo me devorar. Ainda posso sentir sua mão firme segurando meu pescoço e não deixo de me deleitar com a sensação.

Jonathan fica sentado entre nós durante boa parte do filme e, quando se levanta, é para levar os potes de sobremesa para a pia, mas não demora o suficiente para que eu possa fazer Oliver olhar na minha direção.

Ele é teimoso, mas sei que está no seu limite. Ele falou certo, estou apenas começando a irritar. Nem imagino o que meu genitor fará se descobrir que estou tentando pegar o seu amigão e que por pouco ele não me agarrou pelas suas costas, mas é melhor ser cuidadosa, porque não gosto que tenha alguém achando que é dono do meu corpo e seria um desperdício se Oliver acabasse sendo assassinado.

Como todos os outros adultos velhos, eles se cansam na metade do segundo filme. É alguma ação superexagerada e eu nem presto atenção em seu desenrolar, pra ser sincera. Jonathan boceja e depois Oliver boceja. Tenho que dar risada.

— Mas já? — Implico.

Os dois me encaram e é óbvio que não estou com um pingo de sono. Jonathan empurra minha cabeça para o lado, bagunçando meus cabelos. Os dois se levantam ao mesmo tempo, se espreguiçando. Atrás deles, mordo o lábio por ter o privilégio de ver a camisa de Oliver levantar um pouco e exibir suas costas definidas.

Parece que ele faz de propósito.

— Amanhã é quinta, querida — meu pai grunhe, obrigando-me a desviar o olhar do senhor Ferri. Levanto o meu celular do colo e vejo a hora, não está nem perto da meia noite.

— Eu não quero dormir. — Olho para Oliver, tomando cuidado para não entregar nada com o meu olhar. Não, senhor Ferri, você não me desarmou na cozinha. Pelo contrário. — Tudo bem se eu ficar aqui? — pergunto. O bonitão dá de ombros, pega o controle remoto e o joga no meu colo. Meu genitor aponta para meu rosto.

— Volume baixo — ele diz seriamente.

— Vocês nem vão me notar aqui — ergo as mãos em rendição.

— Tudo bem, mas não durma muito tarde. — Jonathan reforça.

— Não é como se eu fosse para a escola amanhã de manhã. Estou vadiando há um ano, não vou mudar agora.

Oliver ri gostosamente e bate nas costas do melhor amigo.

— Deve estar muito orgulhoso. — Ironiza, dando a volta no sofá antes que o seu amigo consiga o dar uma cotovelada na barriga. — Boa noite, Jon; Clarke Junior. — Ele se despede, sumindo nas escadas.

— Eu vou asfixiá-lo com o travesseiro enquanto ele dorme. — Falo.

— Não devia ter me contado isso, sou advogado, não padre. — O senhor Clarke desenha uma cruz na minha testa com o polegar e me arranca uma risada pela brincadeira boba. — Boa noite, pestinha.

— Boa noite — suspiro, quando ele vai e me levanto para pegar mais sorvete escondido. Ao entrar na cozinha, me lembro dos chicletes azedos e coloco a mão sobre o pacote. — Ponto pra você, Jon. Ponto pra você.

Levo o pacote para a sala, determinada a acabar com ele sozinha. Cáries, por que não?

[...]

Estou assistindo Crush à Altura. O filme está próximo do fim e eu torço o nariz para a roupa que a protagonista escolheu para ir ao baile quando ouço passos descalços descendo a escada rapidamente.

Olho por cima do ombro com certo desinteresse até reconhecer que o vulto é de Oliver, ninguém mais, ninguém menos, que o dono desse sofá que eu estou esparramada como se estivesse em minha própria casa.

Ele veste uma calça de flanela e uma camiseta simples, cinza. Os seus cabelos estão bagunçados, mas, nossa, como essa blusa marca seus braços musculosos que ele usou para me prensar contra a geladeira mais cedo.

Ah, que vontade de morder!

Sorrio e giro no sofá para o dissecar descaradamente. Ele olha na minha direção e continua encarando até entrar na cozinha.

Eu não perderia essa chance nem em um milhão de anos.

Deixo o filme rolando e corro atrás do senhor Ferri como uma boa cadela. No momento em que entro, Oliver puxa uma garrafa d'água da porta da geladeira.

— Você sequer dormiu? — pergunto, me escorando no batente.

Oliver me mede de cima a baixo e me ignora, abrindo a garrafa e tomando goladas enormes dela. Tombo a cabeça de lado, admirando o seu corpo atlético. Ele para de beber e solta aquele "ah", fechando a garrafa de novo.

— Fiquei com sede. — Ele sorri cinicamente para mim e vai para o filtro ao lado a pia para encher a garrafa térmica. Me aproximo e me apoio na bancada ao seu lado, umedecendo os lábios com a certeza de que ele não perderia um movimento. Ele me examina em silêncio, como se perguntasse o que eu estou tramando.

Eu sei que você sabe o que eu estou pensando, queridinho.

— Oi — sorrio, me inclinando na sua direção.

— Oi — ele responde e eu jogo meu cabelo por cima do ombro, deixando-o observar o meu top.

— Eu não estou conseguindo dormir, senhor Ferri. — Faço bico. A garrafa se enche e Oliver a fecha.

— Algo me diz que sequer tentou, Clarke Junior — ele faz caminho para sair, no entanto, entro na sua frente outra vez, travando-o. Ele abaixa os braços e me olha torto.

— Também estou com sede. — Uno as sobrancelhas e estendo a mão na sua direção, ele revira os olhos cinzentos e me passa a garrafa. Era mentira, é claro, mas dou um gole de qualquer forma.

Que divertido é colocar a boca no mesmo lugar que ele.

— Você não para? — ele sorri com raiva quando termino o meu teatro. Coloco a garrafa na bancada e cruzo as mãos atrás de mim.

— Você quer que eu pare, papi? De verdade?

— Eu já falei isso umas... mil vezes? É, mil vezes. — Ele coça os olhos. Sentindo o coração acelerado, fico na ponta dos pés e o dou um beijo no canto dos lábios. Ele me olha, irritado. — Para. — Ele resmunga, mas não se afasta.

Ergo as mãos em rendição.

— Se quiser, pode me fazer parar, senhor Ferri. Prometo não forçar mais a barra.

Ele não se retira e meu sorriso fica muito prepotente.

Mordo o lábio e o puxo para perto, segurando-o pela calça. Ele vem sem resistência e eu me excito pela sua deliciosa proximidade e submissão. Com a mão direita, aliso seu peitoral caloroso e enrolo a sua corrente de prata no indicador.

Oliver parece hipnotizado ao admirar a minha boca. Eu sou a víbora no Éden.

Subo a mão esquerda até sua nuca e emaranho os dedos em seus cabelos. Ele põe as mãos nos meus quadris e me puxa para si de forma possessiva. Um arrepio sobe pela minha espinha e ele ainda resiste, mesmo que pouco, mas eu sei que ele me quer tanto quanto eu o quero.

Queria que tivesse sido ele aquele dia no clube. Tinha que ter sido ele. Suas mãos brincam com o meu top e nós cambaleamos juntos. Eu o dou um outro beijo no canto de seus lábios e Oliver fecha os olhos, segurando-me como se eu fosse escapar. Sorte a dele que eu jamais faria uma tolice dessas.

— Não pensa demais — aconselho em um sussurro. E ele obedece. Sua mão direita me enforca e ele me beija.

Finalmente, eu penso. Seus lábios são mais doces do que eu imaginei e sua barba me faz cócegas. Gosto do seu cheiro e do calor que ele emana. Inferno de homem atraente. Ele desce a mão esquerda para agarrar minha bunda, obrigando meu corpo a ficar contra o seu.

Seus lábios se afastam, mas ele me rouba mais um selo e nós sorrimos. Abraço seu pescoço e ele abraça meu corpo.

Fechamos os olhos e nos beijamos demorada e suavemente. Ele pede passagem com a língua e eu permito. Sua pegada me deixa mais animada e fico à sua mercê conforme ele me guia para o balcão da cozinha e me pega no colo, fazendo com que eu me sente na sua bancada.

Ah, ele é tão forte.

Oliver abre minhas pernas e sobe as mãos pelas minhas coxas, metendo-as debaixo da minha saia. Ele agarra minha bunda e eu o prendo entre as minhas pernas. Oliver aprofunda o beijo e sua mão boba ameaça puxar minha calcinha, arrancando-me arrepios. Minha fantasia não fez jus à realidade. Não. Nem de longe.

Oliver me apalpa e agarra meu seio com sua mão quente, me queimando. Damos tempo para pegar ar e, sem hesitação, voltamos a nos beijar. Ele aperta minhas coxas, me puxa mais para si, e eu enlouqueço ao sentir sua ereção contra minha boceta. Pode vir, penso, estou prontinha pra você.

Enfio a mão entre as pernas e acaricio seu pau. É majestoso. O mais velho arfa entre beijos e me aperta com mais força, atacando meu pescoço com seus lábios úmidos e me fazendo arrepiar de cima a baixo. Eu me entrego totalmente. Só coloca minha calcinha de lado e vai fundo, querido.

Sua língua volta a encontrar a minha e eu puxo seus cabelos com a mão livre. Começaria a masturbá-lo, no entanto, as coisas esquentam demais e, quando ele tenta vir para cima de mim, acabo batendo as costas na garrafa térmica e ela samba, fazendo um barulho, em minha opinião, completamente desnecessário.

Oliver para de me beijar imediatamente e agarra a garrafa que ia rolar para a pia a fim de causar mais estardalhaço. Por algum motivo bobo, nós olhamos para as escadas, congelados no silêncio e no medo de nos deparar com meu pai.

Feliz, me lembro do sono pesado que Jonathan tem e relaxo, tentando beijar Oliver de novo. Viro seu rosto para mim, mas ele parece ter recobrado a consciência e recua, sua mão sai de dentro da minha blusa e ele escapa das minhas pernas.

— Não. Não. Porra. — Ele balança a cabeça com os olhos arregalados e leva a mão aos cabelos que eu baguncei.

— O quê? — questiono, ofegante e excitada. Volta. Agora.

— Não — ele repete, apertando os dedos contra a boca como se desse para apagar um dos melhores beijos da minha vida. O senhor Ferri pisca rapidamente. — Puta merda, o que foi que eu fiz?

— Nada de mal, Oliver. Ei, volta aqui — tento o chamar, mas ele se desvencilha das minhas mãos esticadas em sua direção.

— Não. — Ele se agita e respira fundo. Merda, ele vai sumir, concluo, me deu um gostinho e agora vou ficar matutando, na vontade.

— Oliver, qual é. — Meto um sorriso arrogante no rosto. Ele não vai me largar aqui, outra parte minha teima em ter fé.

— Isso não aconteceu, Clarke! — ele fala rispidamente sem me olhar e vai embora, sem mais nem menos.

Cerro os dentes e viro o rosto.

— Cacete! — esmurro a bancada e desço em um pulo.

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