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VOCÊ ME QUER?
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ELLEN CLARKE

— Não, Lou, não acho que você me ouviu, eu estou querendo dar para ele.

— Amiga, se ele te afastou, já pensou que é por que ele não quer? — ele rebate aos sussurros, arrumando em linha reta e espaçada os perfumes da vitrine.

— Se fosse o caso, por que não me afastou antes de sequer nos beijarmos?

— Ele pode ter pensado melhor, do tipo, ele não quer perder a amizade com seu pai... — Ele dá de ombros, sugestivo.

— É, pode ser, mas não vamos nos assumir em público como um casal apaixonado. Meu pai não precisa saber com quem eu transo.

— Está bem, vamos supor que vocês transem e, nossa, é melhor do que os beijos, o que é previsível, considerando que ele deve ter experiência por ser um gostosão. Se vocês não forem pegos no flagra, sei que vão continuar fazendo sexo aqui e ali porque conheço seu fogo e, pelo jeito como você gamou, ele está em um nível parecido. — Ele me olha de soslaio e eu dou um sorrisinho. — A coisa vai ficar pessoal em algum momento, Ellen, do tipo, a menos que você seja uma psicopata ninfomaníaca, uma hora as coisas vão se distorcer. E assim como eu sei que você pode ser uma cachorra, sei como você pode ser uma grande otária iludida.

Ele ri e eu reviro os olhos, mas não o interrompo porque é verdade.

— Quer dar para ele? Tudo bem, depois me conta tudo. Mas... cuidado para não se magoar, está bem? Sexo casual é diferente para um cara de trinta e poucos e para uma garota de dezenove anos. — Ele põe a mão no topo da minha cabeça e eu faço bico. — Não confunda, eu não quero que você se magoe. Porque, adivinha, se você se magoar, eu vou me magoar, e eu realmente não quero ter que matar um homem no momento. Minha vida anda dando certo, não quero ir para a cadeia. — Louis soa sério, me fazendo cair na risada.

— Você é um doce quando quer, sabia?

— Eu não sou assim o tempo todo porque não quero ninguém diabético. — Ele zomba. Lhe dou um beijo estalado na bochecha.

— Ah, adoro quando você mostra preocupação comigo, mas acho que não vai dar nada demais. Só para ter certeza, vou transar com ele uma vez e já era! — Garanto com um sorrisinho maroto. Louis me encara com ceticismo.

— Quando vai ser sua próxima tentativa de chupar ele todinho? — Ele pergunta em tom de desistência.

— Ainda hoje, se der. Não sei quando vou vê-lo de novo ou se vou vê-lo de novo.

— E como você vai afastar seu pai?

— Esse é o problema, não faço ideia. — Solto um choramingo. — Vou ter que esperar ele ir dormir.

— Muito bem, e nós vamos concordar assim: se ele te negar hoje, de novo, você o deixa de lado. — Ele propõe. — Porque eu sei que isso vai dar merda, mas sei que não dá para te impedir quando você quer algo.

Pra mim, isso é o melhor elogio.

— Está bem! Se não der certo hoje, não tento mais. — Coloco a mão no peito, quase fazendo um juramento de escoteira. — Mas isso inclui deixar de flertar com ele para sempre? Ele fica uma gracinha quando está tentando se controlar!

— Sim, inclui não flertar mais com ele! — Louis assente e coloca a mão no meu ombro. — Sinto muito, guerreira, mas essa missão só tem uma chance.

— E se, tipo, sei lá, meu pai acordar e por algum motivo impedir meus planos?

— Dá para adiar mais um pouco. Só mais um pouco, tipo, uma semana! — Louis arregala os olhos azuis, sério. Odeio quando ele está certo, mas decido abaixar a cabeça, ouvindo seus conselhos. Eu ouvi, não significa que eu os seguirei à risca.

— E se o sexo for muito bom e a gente fazer de novo?

— Limite de cinco vezes, porque vocês vão ter que se afastar para você não se iludir. — Ele continua a recomendar. — Amiga, eu tenho que voltar ao trabalho. — Meu amigo me lança um olhar significativo. Me entristece não poder tê-lo só para mim quando bem entendo como na época de escola.

— Está bem! Eu peguei essa! — me rendo. — Tenho que voltar para o passeio de família plus Oliver gostosão Ferri, de qualquer forma.

— Beijo, vadia. — Ele me dá um breve abraço.

— Beijo, vadia. — Retribuo e nos afastamos. Saio da loja e retorno em passos apressados para a Praça de Alimentação.

Hoje à noite vai ter festa, sorrio sozinha, planejando.

Ok, ok! Vou escutar Louis, prometo! Se Oliver me afastar, eu desisto e o deixo viver em paz. Tenho que me lembrar disso. Minha memória é meio fraca.

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OLIVER FERRI

Jonathan falou para irmos para casa, aparentemente, eu estava com a cara péssima de sono. Não contra-argumentei já que precisava mesmo dormir um pouco. Ellen também não reclamou e no carro, no caminho de volta, ele prometeu que eles sairiam sozinhos para não atrapalhar meu sono.

Vai ser ótimo ter uma folga do seu pequeno demônio, pensei e olhei pelo retrovisor. Ellen me encarava e soltou um sorrisinho que eu adoraria beijar. Cerrei os dentes e não voltei a olhar para ela.

Assim que chegamos em casa, suspirei aliviado, me despedi dos dois e subi as escadas para meu quarto. Me joguei na cama e encarei o teto iluminado pela luz do sol que atravessava minha janela. Visualizei Ellen Clarke naquela saia de couro e a imagem ficou gravada nos meus pensamentos até eu apagar totalmente.

Não chego nem perto de sonhar quando há batidas na porta.

[...]

— Oliver? — É a voz de Jonathan. Mas já, cara? Penso. Eu não acabei de me deitar?

Rolo para ficar de barriga para cima, meus olhos coçam e eu bocejo. Ao levar a mão no rosto, reparo a marca de travesseiro na bochecha. Eu dormi, mas não foi o suficiente.

— Sim? — respondo com a voz rouca depois de um bom tempo.

— Nós chegamos, por que você não vem jantar? Trouxemos comida japonesa — meus olhos teimam em fechar e eu me sento para despertar.

— Tá bem, vou tomar um banho antes e encontro com vocês.

— Ok. — Ele responde, indo embora. Com certo esforço, me levanto e vou para o banheiro, tomo um banho quente e demorado e saio com a toalha enrolada na cintura.

Gostaria de ficar sem camisa, mas me lembro da pervertida à solta pela minha casa e visto a primeira que vejo no closet. Desço os degraus correndo. Os dois Clarke estão sentados no sofá, assistindo Atividade Paranormal, o olhar vidrado na TV enquanto comem.

Me aproximo e pulo do lado de Jon, ele se assusta e derruba o sushi que segura com a mão porque ele nunca soube usar os palitos hashi. Ellen não demora o olhar em mim, levanta o celular e digita alguma coisa antes de desligá-lo e volta a encarar a TV.

Ela é bipolar ou, no mínimo, uma atriz sensacional. Sacudo a cabeça e tiro os olhos do seu perfil.

Eu não gosto de terror, acho tudo uma baboseira, mas não reclamo do entretenimento e pego um hot roll antes de Ellen, que me olha torto. A comida é pouca e acaba assim que chego, mas pelo menos pude ter um gostinho. Ainda estou faminto.

— Para onde foram? — Puxo assunto. Ambos os Clarke se encolhem um contra o outro quando uma mulher pálida e de olhos negros corre na direção da tela. Faço careta e, não querendo ter pesadelo com essa cena, me distraio rindo dos dois.

— Fomos tomar sorvete e comprar mais umas besteiras para casa. — Jon responde sem prestar atenção no que fala, a mão na frente do rosto da filha que espia por cima de seus dedos.

Dada a aspereza que eles estavam naquele dia no clube, fico feliz por estarem um pouco mais próximos agora, com isso, quero dizer que é bom ver que Ellen não está com todas as armas apontadas para ele.

— Vou lá ver.

— Falou... — Jon sussurra, estou tentado a assustá-lo de alguma forma por pura sacanagem, mas me seguro e deixo para o causar uma parada cardíaca depois.

Caço nos armários por algum salgado, mas não encontro nada, por isso me volto para a geladeira. Dentro tem as mesmas coisas do dia anterior, mas também uma novidade. O tanto que ela é específica chama a minha atenção.

É a porra da calda de morango. Eu a pego e a encaro. Não sei como me sinto.

Arregalo os olhos e balanço a cabeça, colocando-a de volta no lugar. Nada do que essa mulher faz é sem propósito. O cerco se fecha ao meu redor, mas, por incrível que pareça, não estou amedrontado.

Gosto do jogo dela.

Pego um yogurt e uma colher pequena na gaveta e estou servido. Tomo ali mesmo, encostado na parede, porque sei que Ellen virá em meu encontro com seu sorriso maroto estampado no rosto e seus olhos espertos.

Tenho que parar de facilitar as coisas pra ela.

Eu a encaro fixamente quando ela chega poucos minutos mais tarde, da exata mesma forma que eu previ.

Sinceramente, não sei o que estou fazendo, mas não me movo. Ela não fala nada e faz o mesmo que no dia anterior. Preciso controlar uma onda muito grande de impulsividade para não ceder à vontade de a prensar contra a parede e acabar com essa sede.

Só mais um beijo, deixa eu te tocar.

Ela se dobra na minha frente para pegar o pote de sorvete e eu não me contenho: fico excitado. A parte mais pervertida de mim emerge das sombras e é tudo culpa dela.

— Dormiu bem, senhor Ferri? — ela pergunta de costas para mim, pega um pote para se servir, duas colheres e, claro, a calda de morango porque ela gosta da maldita calda.

Meus pensamentos disparam e visualizo perfeitamente como seria derramar a calda sobre ela e provar o seu gosto. Estou fissurado no seu corpo majestoso. Não quero, nem sou capaz de desviar o olhar.

— Oliver? — ela me olha por cima do ombro.

— Quê? — olho nos seus olhos amendoados, confuso.

— Perguntei se dormiu bem. — Ellen tenta não rir.

— Sim, sim, o passeio foi bom? — por que eu estou puxando assunto!?

Eu a quero, eu vou tê-la. Coloco a embalagem vazia do yogurt na pia enquanto a assisto se servir.

— Foi... — Ela dá de ombros e derrama a calda por cima do sorvete sem pressa nenhuma. Olho ao redor, preciso sair daqui. Em breve, ela poderá ver o que faz comigo e a minha parte moral grita como é errado.

Continuo no lugar, os pés fincados no chão e as costas coladas na parede.

— Mas a noite pode melhorar, não acha? — ela prossegue e guarda as coisas. Não respondo porque não tenho certeza da resposta que poderia dar sem me entregar absolutamente. Mande-a embora, ande logo!

Ela se vira e me observa. Ellen sorri e seu olhar desce pelo meu corpo. Eu me transformei em um pedaço de carne. Isso é maravilhoso.

— Pode melhorar... bastante — acrescenta, dando um passo para perto de mim. Por um momento, nós dois olhamos para porta. Jon não está por perto e nós voltamos a nos admirar. — Se me permite perguntar... a sua cama range muito, senhor Ferri? — ela sussurra e eu olho seu decote.

— Não — respondo, sério.

— Ah, que bom. Vai ajudar bastante. — Ela ri e me dá as costas. Eu a odeio tanto.

Agarro seu braço e a puxo para mim, quero sentir o gosto do sorvete na sua boca e é o que faço. Seu corpo se choca contra o meu e eu agarro os cabelos dela, beijando-a como se estivesse pra morrer e seus lábios fossem a minha única salvação.

Ellen retribui quando a surpresa passa e cada parte de mim adora o risco absurdo que corremos com isso.

Foi mera impulsividade puxá-la para perto, mas enquanto o beijo me aquece, desejo me vingar. Me torno delicado e preciso, toco seu corpo e deixo clara minha vontade de tirar sua roupa. Aperto sua bunda com as duas mãos e Ellen arfa contra os meus lábios, ainda segurando seu sorvete.

A faço girar nos calcanhares e inverto as posições, colocando-a contra a parede e beijando seu pescoço. Sua respiração baixa e ofegante quase me faz esquecer do meu objetivo.

A dou outro beijo suave e me afasto só um pouco para ver sua reação. Previsivelmente, Ellen agarra minha nuca com sua mão livre e tenta me puxar de volta, mas resisto. A distância de centímetros nos separa, nossas respirações se misturam e nossas testas estão coladas.

Ellen tenta outra vez e eu continuo firme. Nós abrimos os olhos e nos encaramos. Ela quase implora e meu ego estremece. Enfio a mão dentro de seu short e a mais nova suspira quando a acaricio por cima da calcinha. Ela revira os olhos e os fecha. Deixo um selo no seu pescoço e a massageio com os dedos com um tecido fino nos mantendo à parte.

— Quer que eu te toque, princesa? — sussurro contra sua pele e ela aperta minha nuca com força.

— Eu quero.

Posso sentir que ela está molhada e colocar os dedos nela seria tão fácil.

Pego a sobremesa de sua mão e me afasto. Encho a colher de sorvete e coloco na boca, contemplando a face frustrada da Clarke.

— Hum. Você tem razão. Fica ótimo com calda. — Dou um sorrisinho e saio da cozinha no exato momento que Jon está se levantando do sofá.

— Ia chamar vocês. — Ele volta a se sentar. — Quer assistir o quê?

Estou com um excelente humor.

— Pode ser uma comédia.

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