8
━━━━━━━ • ━━━━━━━
VOCÊ ME QUER?
━━━━━━━ • ━━━━━━━
ELLEN CLARKE
— Não, Lou, não acho que você me ouviu, eu estou querendo dar para ele.
— Amiga, se ele te afastou, já pensou que é por que ele não quer? — ele rebate aos sussurros, arrumando em linha reta e espaçada os perfumes da vitrine.
— Se fosse o caso, por que não me afastou antes de sequer nos beijarmos?
— Ele pode ter pensado melhor, do tipo, ele não quer perder a amizade com seu pai... — Ele dá de ombros, sugestivo.
— É, pode ser, mas não vamos nos assumir em público como um casal apaixonado. Meu pai não precisa saber com quem eu transo.
— Está bem, vamos supor que vocês transem e, nossa, é melhor do que os beijos, o que é previsível, considerando que ele deve ter experiência por ser um gostosão. Se vocês não forem pegos no flagra, sei que vão continuar fazendo sexo aqui e ali porque conheço seu fogo e, pelo jeito como você gamou, ele está em um nível parecido. — Ele me olha de soslaio e eu dou um sorrisinho. — A coisa vai ficar pessoal em algum momento, Ellen, do tipo, a menos que você seja uma psicopata ninfomaníaca, uma hora as coisas vão se distorcer. E assim como eu sei que você pode ser uma cachorra, sei como você pode ser uma grande otária iludida.
Ele ri e eu reviro os olhos, mas não o interrompo porque é verdade.
— Quer dar para ele? Tudo bem, depois me conta tudo. Mas... cuidado para não se magoar, está bem? Sexo casual é diferente para um cara de trinta e poucos e para uma garota de dezenove anos. — Ele põe a mão no topo da minha cabeça e eu faço bico. — Não confunda, eu não quero que você se magoe. Porque, adivinha, se você se magoar, eu vou me magoar, e eu realmente não quero ter que matar um homem no momento. Minha vida anda dando certo, não quero ir para a cadeia. — Louis soa sério, me fazendo cair na risada.
— Você é um doce quando quer, sabia?
— Eu não sou assim o tempo todo porque não quero ninguém diabético. — Ele zomba. Lhe dou um beijo estalado na bochecha.
— Ah, adoro quando você mostra preocupação comigo, mas acho que não vai dar nada demais. Só para ter certeza, vou transar com ele uma vez e já era! — Garanto com um sorrisinho maroto. Louis me encara com ceticismo.
— Quando vai ser sua próxima tentativa de chupar ele todinho? — Ele pergunta em tom de desistência.
— Ainda hoje, se der. Não sei quando vou vê-lo de novo ou se vou vê-lo de novo.
— E como você vai afastar seu pai?
— Esse é o problema, não faço ideia. — Solto um choramingo. — Vou ter que esperar ele ir dormir.
— Muito bem, e nós vamos concordar assim: se ele te negar hoje, de novo, você o deixa de lado. — Ele propõe. — Porque eu sei que isso vai dar merda, mas sei que não dá para te impedir quando você quer algo.
Pra mim, isso é o melhor elogio.
— Está bem! Se não der certo hoje, não tento mais. — Coloco a mão no peito, quase fazendo um juramento de escoteira. — Mas isso inclui deixar de flertar com ele para sempre? Ele fica uma gracinha quando está tentando se controlar!
— Sim, inclui não flertar mais com ele! — Louis assente e coloca a mão no meu ombro. — Sinto muito, guerreira, mas essa missão só tem uma chance.
— E se, tipo, sei lá, meu pai acordar e por algum motivo impedir meus planos?
— Dá para adiar mais um pouco. Só mais um pouco, tipo, uma semana! — Louis arregala os olhos azuis, sério. Odeio quando ele está certo, mas decido abaixar a cabeça, ouvindo seus conselhos. Eu ouvi, não significa que eu os seguirei à risca.
— E se o sexo for muito bom e a gente fazer de novo?
— Limite de cinco vezes, porque vocês vão ter que se afastar para você não se iludir. — Ele continua a recomendar. — Amiga, eu tenho que voltar ao trabalho. — Meu amigo me lança um olhar significativo. Me entristece não poder tê-lo só para mim quando bem entendo como na época de escola.
— Está bem! Eu peguei essa! — me rendo. — Tenho que voltar para o passeio de família plus Oliver gostosão Ferri, de qualquer forma.
— Beijo, vadia. — Ele me dá um breve abraço.
— Beijo, vadia. — Retribuo e nos afastamos. Saio da loja e retorno em passos apressados para a Praça de Alimentação.
Hoje à noite vai ter festa, sorrio sozinha, planejando.
Ok, ok! Vou escutar Louis, prometo! Se Oliver me afastar, eu desisto e o deixo viver em paz. Tenho que me lembrar disso. Minha memória é meio fraca.
━━━━━━━ • ━━━━━━━
OLIVER FERRI
Jonathan falou para irmos para casa, aparentemente, eu estava com a cara péssima de sono. Não contra-argumentei já que precisava mesmo dormir um pouco. Ellen também não reclamou e no carro, no caminho de volta, ele prometeu que eles sairiam sozinhos para não atrapalhar meu sono.
Vai ser ótimo ter uma folga do seu pequeno demônio, pensei e olhei pelo retrovisor. Ellen me encarava e soltou um sorrisinho que eu adoraria beijar. Cerrei os dentes e não voltei a olhar para ela.
Assim que chegamos em casa, suspirei aliviado, me despedi dos dois e subi as escadas para meu quarto. Me joguei na cama e encarei o teto iluminado pela luz do sol que atravessava minha janela. Visualizei Ellen Clarke naquela saia de couro e a imagem ficou gravada nos meus pensamentos até eu apagar totalmente.
Não chego nem perto de sonhar quando há batidas na porta.
[...]
— Oliver? — É a voz de Jonathan. Mas já, cara? Penso. Eu não acabei de me deitar?
Rolo para ficar de barriga para cima, meus olhos coçam e eu bocejo. Ao levar a mão no rosto, reparo a marca de travesseiro na bochecha. Eu dormi, mas não foi o suficiente.
— Sim? — respondo com a voz rouca depois de um bom tempo.
— Nós chegamos, por que você não vem jantar? Trouxemos comida japonesa — meus olhos teimam em fechar e eu me sento para despertar.
— Tá bem, vou tomar um banho antes e encontro com vocês.
— Ok. — Ele responde, indo embora. Com certo esforço, me levanto e vou para o banheiro, tomo um banho quente e demorado e saio com a toalha enrolada na cintura.
Gostaria de ficar sem camisa, mas me lembro da pervertida à solta pela minha casa e visto a primeira que vejo no closet. Desço os degraus correndo. Os dois Clarke estão sentados no sofá, assistindo Atividade Paranormal, o olhar vidrado na TV enquanto comem.
Me aproximo e pulo do lado de Jon, ele se assusta e derruba o sushi que segura com a mão porque ele nunca soube usar os palitos hashi. Ellen não demora o olhar em mim, levanta o celular e digita alguma coisa antes de desligá-lo e volta a encarar a TV.
Ela é bipolar ou, no mínimo, uma atriz sensacional. Sacudo a cabeça e tiro os olhos do seu perfil.
Eu não gosto de terror, acho tudo uma baboseira, mas não reclamo do entretenimento e pego um hot roll antes de Ellen, que me olha torto. A comida é pouca e acaba assim que chego, mas pelo menos pude ter um gostinho. Ainda estou faminto.
— Para onde foram? — Puxo assunto. Ambos os Clarke se encolhem um contra o outro quando uma mulher pálida e de olhos negros corre na direção da tela. Faço careta e, não querendo ter pesadelo com essa cena, me distraio rindo dos dois.
— Fomos tomar sorvete e comprar mais umas besteiras para casa. — Jon responde sem prestar atenção no que fala, a mão na frente do rosto da filha que espia por cima de seus dedos.
Dada a aspereza que eles estavam naquele dia no clube, fico feliz por estarem um pouco mais próximos agora, com isso, quero dizer que é bom ver que Ellen não está com todas as armas apontadas para ele.
— Vou lá ver.
— Falou... — Jon sussurra, estou tentado a assustá-lo de alguma forma por pura sacanagem, mas me seguro e deixo para o causar uma parada cardíaca depois.
Caço nos armários por algum salgado, mas não encontro nada, por isso me volto para a geladeira. Dentro tem as mesmas coisas do dia anterior, mas também uma novidade. O tanto que ela é específica chama a minha atenção.
É a porra da calda de morango. Eu a pego e a encaro. Não sei como me sinto.
Arregalo os olhos e balanço a cabeça, colocando-a de volta no lugar. Nada do que essa mulher faz é sem propósito. O cerco se fecha ao meu redor, mas, por incrível que pareça, não estou amedrontado.
Gosto do jogo dela.
Pego um yogurt e uma colher pequena na gaveta e estou servido. Tomo ali mesmo, encostado na parede, porque sei que Ellen virá em meu encontro com seu sorriso maroto estampado no rosto e seus olhos espertos.
Tenho que parar de facilitar as coisas pra ela.
Eu a encaro fixamente quando ela chega poucos minutos mais tarde, da exata mesma forma que eu previ.
Sinceramente, não sei o que estou fazendo, mas não me movo. Ela não fala nada e faz o mesmo que no dia anterior. Preciso controlar uma onda muito grande de impulsividade para não ceder à vontade de a prensar contra a parede e acabar com essa sede.
Só mais um beijo, deixa eu te tocar.
Ela se dobra na minha frente para pegar o pote de sorvete e eu não me contenho: fico excitado. A parte mais pervertida de mim emerge das sombras e é tudo culpa dela.
— Dormiu bem, senhor Ferri? — ela pergunta de costas para mim, pega um pote para se servir, duas colheres e, claro, a calda de morango porque ela gosta da maldita calda.
Meus pensamentos disparam e visualizo perfeitamente como seria derramar a calda sobre ela e provar o seu gosto. Estou fissurado no seu corpo majestoso. Não quero, nem sou capaz de desviar o olhar.
— Oliver? — ela me olha por cima do ombro.
— Quê? — olho nos seus olhos amendoados, confuso.
— Perguntei se dormiu bem. — Ellen tenta não rir.
— Sim, sim, o passeio foi bom? — por que eu estou puxando assunto!?
Eu a quero, eu vou tê-la. Coloco a embalagem vazia do yogurt na pia enquanto a assisto se servir.
— Foi... — Ela dá de ombros e derrama a calda por cima do sorvete sem pressa nenhuma. Olho ao redor, preciso sair daqui. Em breve, ela poderá ver o que faz comigo e a minha parte moral grita como é errado.
Continuo no lugar, os pés fincados no chão e as costas coladas na parede.
— Mas a noite pode melhorar, não acha? — ela prossegue e guarda as coisas. Não respondo porque não tenho certeza da resposta que poderia dar sem me entregar absolutamente. Mande-a embora, ande logo!
Ela se vira e me observa. Ellen sorri e seu olhar desce pelo meu corpo. Eu me transformei em um pedaço de carne. Isso é maravilhoso.
— Pode melhorar... bastante — acrescenta, dando um passo para perto de mim. Por um momento, nós dois olhamos para porta. Jon não está por perto e nós voltamos a nos admirar. — Se me permite perguntar... a sua cama range muito, senhor Ferri? — ela sussurra e eu olho seu decote.
— Não — respondo, sério.
— Ah, que bom. Vai ajudar bastante. — Ela ri e me dá as costas. Eu a odeio tanto.
Agarro seu braço e a puxo para mim, quero sentir o gosto do sorvete na sua boca e é o que faço. Seu corpo se choca contra o meu e eu agarro os cabelos dela, beijando-a como se estivesse pra morrer e seus lábios fossem a minha única salvação.
Ellen retribui quando a surpresa passa e cada parte de mim adora o risco absurdo que corremos com isso.
Foi mera impulsividade puxá-la para perto, mas enquanto o beijo me aquece, desejo me vingar. Me torno delicado e preciso, toco seu corpo e deixo clara minha vontade de tirar sua roupa. Aperto sua bunda com as duas mãos e Ellen arfa contra os meus lábios, ainda segurando seu sorvete.
A faço girar nos calcanhares e inverto as posições, colocando-a contra a parede e beijando seu pescoço. Sua respiração baixa e ofegante quase me faz esquecer do meu objetivo.
A dou outro beijo suave e me afasto só um pouco para ver sua reação. Previsivelmente, Ellen agarra minha nuca com sua mão livre e tenta me puxar de volta, mas resisto. A distância de centímetros nos separa, nossas respirações se misturam e nossas testas estão coladas.
Ellen tenta outra vez e eu continuo firme. Nós abrimos os olhos e nos encaramos. Ela quase implora e meu ego estremece. Enfio a mão dentro de seu short e a mais nova suspira quando a acaricio por cima da calcinha. Ela revira os olhos e os fecha. Deixo um selo no seu pescoço e a massageio com os dedos com um tecido fino nos mantendo à parte.
— Quer que eu te toque, princesa? — sussurro contra sua pele e ela aperta minha nuca com força.
— Eu quero.
Posso sentir que ela está molhada e colocar os dedos nela seria tão fácil.
Pego a sobremesa de sua mão e me afasto. Encho a colher de sorvete e coloco na boca, contemplando a face frustrada da Clarke.
— Hum. Você tem razão. Fica ótimo com calda. — Dou um sorrisinho e saio da cozinha no exato momento que Jon está se levantando do sofá.
— Ia chamar vocês. — Ele volta a se sentar. — Quer assistir o quê?
Estou com um excelente humor.
— Pode ser uma comédia.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top