Capítulo 7


Stiles ajustava meticulosamente o dispositivo sobre a bancada de seu quarto, a luz trêmula das velas dançando sobre o metal polido e os cristais incrustados na engenhoca. A máquina—um projetor arcanomecânico que ele trouxera da capital—era uma caixa de latão e bronze, ornamentada com intrincadas gravuras rúnicas que ajudavam na condução de Arkanis. No topo, um conjunto de engrenagens repousava inerte, aguardando o comando para entrar em movimento. Uma lente circular, semelhante ao olho de uma luneta, projetaria a imagem sobre a tela de papel esticada à sua frente, sustentada por uma moldura de ferro em formato arredondado.

Ele havia feito melhorias no design original, adicionando ajustes finos aos mecanismos internos e aprimorando os encaixes dos cristais que alimentavam a engenhoca. Cristais arcanomecânicos, minerais raros capazes de armazenar e canalizar Arkanis, eram a fonte de energia que movia sua criação. Cada cristal possuía propriedades únicas, e o projetor requeria quatro deles para operar em sua capacidade máxima.

Stiles abriu uma pequena tampa lateral na caixa e pegou o primeiro cristal: Luminis, a Chama Eterna. Um mineral pálido, quase translúcido, que pulsava com uma leve luminescência azulada. Sua função era clara: armazenar e emitir luz intensa, essencial para que o projetor gerasse imagens com nitidez.

Ele encaixou o cristal no primeiro slot, ouvindo um suave "clic", sinal de que a conexão fora estabelecida.

O segundo cristal, de um tom âmbar com reflexos dourados, era Resonium, a Voz do Éter. Este era responsável por amplificar e transmitir ondas sonoras através de Arkanis, permitindo que as palavras fossem captadas e enviadas a longas distâncias. Stiles posicionou-o cuidadosamente ao lado do Luminis, sentindo uma leve vibração quando o cristal se ajustou ao circuito arcanomecânico.

Agora faltavam mais dois.

Stiles abriu uma das gavetas, repleta de cristais coloridos de diferentes tamanhos e cortes. Ele remexeu os compartimentos, empurrando ferramentas e sucatas de outros experimentos até encontrar o que procurava: Nexusite, o Condutor Arcano. Este cristal possuía um filete prateado em seu interior, pulsando levemente como se conduzisse eletricidade. Sua função era essencial, pois permitia a conexão entre diferentes máquinas e dispositivos que utilizavam Arkanis, garantindo que o projetor pudesse se comunicar com outros dispositivos semelhantes.

Ele encaixou a Nexusite e olhou ao redor. Ainda faltava um. Onde diabos ele tinha colocado o último cristal?

Depois de mais alguns segundos de busca frenética, encontrou-o—debaixo da cama, naturalmente. Stiles suspirou. Ele realmente precisava aprender a ser mais organizado.

O último cristal era Illusoryn, o Véu dos Sonhos. De uma coloração rosada e brilho difuso, sua função era talvez a mais importante para o experimento: projetar imagens holográficas e ilusórias, permitindo a reprodução visual de cenas captadas ou mensagens enviadas. Era um artefato que se assemelhava em muito à habilidade de sua própria família, os Stilinski, mestres das ilusões.

Agora, com todos os cristais devidamente posicionados, Stiles esfregou as mãos, sentindo uma estranha excitação crescer dentro de si. Esse era o verdadeiro fascínio da arcanomecânica: a união entre a magia e a engenhosidade humana, tornando o impossível real. Mesmo sem ter Arkanis dentro de si, ele ainda podia manipular o fluxo dessa energia para criar algo novo—algo útil.

Ele segurou firme a manivela de latão na lateral da máquina e a girou com força.

Houve um estalo metálico, seguido de um zunido grave à medida que as engrenagens internas começavam a girar. A luz azulada do Luminis irradiou do centro do projetor, concentrando-se na lente e se espalhando em direção à tela de papel. Inicialmente, apenas uma névoa esbranquiçada preencheu o espaço de projeção, os cristais se ajustando à demanda energética.

Ainda não havia imagem.

Stiles se inclinou para mais perto e bateu levemente no lado da caixa, como se fosse possível dar um incentivo à máquina.

— Lydia? Você está aí? — chamou, a voz carregada de expectativa.

Se tudo estivesse funcionando corretamente, a máquina de sua prima—localizada a quilômetros de distância, na capital Solméria—estaria ligada e captaria seu chamado.

Ele prendeu a respiração, esperando.

E então... a imagem começou a tomar forma.

Não era uma projeção perfeita, mas sim algo etéreo, oscilante como um sonho, uma ilusão pálida de luz e sombras moldadas pela arcanomecânica. Ainda assim, era fascinante. Stiles conseguira mais uma vez conectar-se à prima Lydia, mesmo estando a quilômetros de distância.

Aos poucos, os traços se definiram: cabelos ruivos revoltos, um emaranhado de ondas que caíam sobre os ombros com um ar de descuido proposital. Seus olhos cor de mel, expressivos e afiados, traziam uma combinação de tédio e leve reprovação. Lydia Ravenspyr possuía uma beleza marcante e uma postura que transbordava autoconfiança—seja por sua linhagem nobre, seja pela certeza inabalável de que estava sempre certa.

— Oh, céus, você me assustou! — reclamou ela, piscando algumas vezes e levando uma das mãos ao peito, teatralmente. — Pensei que fosse a professora do colégio me cobrando aquele relatório...

Stiles deixou escapar um meio sorriso.

— A grande Lydia Ravenspyr não cumprindo suas obrigações acadêmicas? — provocou, cruzando os braços. — Isso deve ser um sinal do fim da humanidade.

Lydia bufou, revirando os olhos.

— Querido, está acontecendo um festival de teatro na capital! Peças magníficas, espetáculos de dança, exibições artísticas deslumbrantes... Como eu poderia me trancar num quarto para escrever um relatório quando tenho cultura para absorver?

Stiles arqueou uma sobrancelha, claramente não convencido.

— Cultura, certo. E a oportunidade de flertar com alguns cavalheiros encantadores e experimentar alguns drinques exóticos?

Lydia lançou os cabelos para trás com um movimento calculado e sorriu.

— Ora, eu sou multitarefas. Posso perfeitamente ampliar minha bagagem cultural e também me divertir.

Ela parecia estar recém-acordada, embora já passasse das dez horas da manhã. Ainda assim, começava a se arrumar com a precisão de alguém que sabia exatamente como queria ser vista pelo mundo. Pegou uma escova prateada e passou-a pelos cabelos, desmanchando os nós com um ar de desdém elegante.

— Você iria adorar, Stiles... Aliás, quando pretende nos visitar? — perguntou, inclinando-se um pouco mais para a projeção enquanto começava a aplicar uma fina camada de pó no rosto. — Sinto falta de alguém para fazer comentários ácidos sobre a nobreza da capital. Suas observações sarcásticas e meio maldosas são a única coisa que realmente me fazem rir até chorar.

— Eu não faço comentários maldosos, só verdades inconvenientes. — retrucou Stiles, fingindo indignação. — E eu gostaria de ir para Solméria, mas não agora...

Lydia parou por um instante, os olhos estreitando-se de leve. Sua expressão mudou de diversão para julgamento severo.

— Oh, sim, claro que não agora. — sua voz soou perigosamente doce. — Afinal, esta semana é o seu aniversário, não é? Seu grande baile de maioridade!

Stiles sentiu um calafrio.

— E presumo que essa ligação não seja apenas para uma conversa casual, mas para finalmente me convidar formalmente para o evento... Algo que deveria ter sido feito meses atrás!

Ela apontou um pincel de maquiagem para ele, como se fosse uma espada acusatória.

— Porque, como você muito bem sabe, um convite de última hora para um baile da nobreza é simplesmente inaceitável. Requer planejamento, Stiles! A capital não é tão perto assim de Beacon Hills!

Stiles passou uma mão pela nuca, sentindo um incômodo crescente de culpa. Ele tinha empurrado essa decisão pelo maior tempo possível—não porque não queria a presença dos Ravenspyr (muito pelo contrário), mas porque estava tentando adiar mentalmente a existência do baile em si.

Lydia percebeu. É claro que percebeu. Seu olhar se suavizou com um brilho de satisfação.

— Você tem sorte que eu já me convidei para essa festa um mês atrás. — declarou, voltando a se concentrar no espelho enquanto traçava os lábios com um leve tom de carmim. — Previ que você iria procrastinar esse convite até o último segundo.

Ela lançou-lhe um olhar triunfante.

— Você me conhece muito bem... — Stiles riu, finalmente relaxando.

— Papai não poderá vir pessoalmente... — anunciou Lydia, casualmente. — Questões chatas do conselho, reuniões intermináveis no palácio, política, blá, blá, blá... — suspirou, entediada. — Mas nossos tios irão me acompanhar. Sim, tomei a liberdade de estender o convite do seu aniversário e do baile para os Ravenspyr. Não precisa me agradecer, é claro.

Ela pausou e lançou um sorriso felino.

— Bem... Talvez um pouco. Cobrarei alguns favores quando eu chegar aí, obviamente.

Stiles bufou, já antecipando as armadilhas que Lydia prepararia para ele.

— Obviamente. — repetiu, resignado. Problemas pareciam persegui-lo como um cão fiel—e Lydia sempre sabia como torná-los ainda mais interessantes.

Mas então, ela pousou o pincel de maquiagem e estreitou os olhos para a imagem oscilante da projeção.

— Mas... — Lydia inclinou a cabeça, o tom de voz mais sério. — O que vai acontecer depois?

Stiles franziu o cenho.

— Depois?

— Sim. Depois do baile. Você ainda pretende se mudar para cá? — Lydia tamborilou os dedos na penteadeira. — Era esse o plano, não era? Tia Alphonse, inclusive, já estava verificando as vagas para o curso de arcanomecânica nas universidades da capital... Ela está incrivelmente animada por ter um sobrinho e possível discípulo.

Stiles desviou o olhar da máquina, como se evitar os olhos de Lydia—mesmo em forma de projeção—pudesse afastar a verdade desconfortável daquela conversa.

— Eu adoraria... Eu sonhei com isso. — admitiu, com um suspiro. — Mas isso foi antes do meu pai sumir.

Aquelas palavras saíram mais amargas do que ele pretendia. Sim, ele sempre quis estudar na capital, mergulhar na arcanomecânica, provar para Noah Stilinski que, mesmo sem Arkanis, poderia ser um líder, um verdadeiro herdeiro. Mas agora... Com o desaparecimento do pai e a casa Stilinski cercada por lobos e abutres, partir parecia impossível.

Lydia ficou em silêncio por um instante. Pela primeira vez, pareceu incerta sobre o que dizer—e isso era algo raro. Stiles conhecia bem aquele olhar; ela estava escolhendo cuidadosamente suas palavras.

— Stiles... Você não precisa... — começou ela, mas hesitou. Ele sabia exatamente o que Lydia estava pensando. "Você é um inerte. Será que sua presença ali é realmente essencial?"

Ele reprimiu uma risada amarga.

— Bem... Todos os anos há o processo seletivo. Você pode tentar no próximo. — sugeriu Lydia, esperançosa. — E não é como se o tio Noah fosse sumir para sempre... Quero dizer, a função dele como Stilinski, trabalhando para a Coroa, sempre exigiu períodos longe. Meu pai explicou isso. Ser espião requer discrição.

Espião. Stiles sabia disso, mas nunca seu pai ficara tanto tempo sem dar notícias. Mesmo durante missões prolongadas, Noah sempre encontrava uma maneira de enviar uma mensagem, um aviso, uma palavra. Mas agora... O silêncio era insuportável.

Ele respirou fundo.

— Não teria como perguntar ao tio Karl qual era, de fato, a missão do meu pai?

Lydia soltou um longo suspiro, como se já esperasse aquela pergunta.

— Você sabe que meu pai não fala sobre essas coisas comigo. — revirou os olhos. — Afinal, sou mulher. E mesmo tendo Arkanis, isso não significa que eu vá seguir a carreira da família. "Deixe os negócios sérios para os homens", blá, blá, blá... Você sabe como é o discurso.

Stiles assentiu. Sim, ele sabia. A Casa Ravenspyr podia ser intelectualmente poderosa e influente na diplomacia, mas ainda carregava as marcas das tradições antiquadas da nobreza.

— E sua mãe, tia Lucila? — tentou.

Lydia mordeu o lábio, ponderando.

— Bem, mamãe pode até saber de algo... — Lydia começou, hesitante, enquanto enrolava uma mecha ruiva entre os dedos. — Mas, Stiles... Isso é mesmo necessário? Quero dizer... Você acha que algo sério está acontecendo?

Havia uma sombra de nervosismo na voz dela, algo raro. Lydia Ravenspyr não costumava demonstrar preocupação abertamente, mas ele a conhecia bem o suficiente para perceber os sinais.

Stiles apertou os lábios, ponderando. Não poderia despejar sobre a prima todas as intrigas que assolavam Beacon Hills. Lydia vivia na capital, em um ambiente muito mais dinâmico e repleto de distrações. Não que Solméria fosse livre de conspirações—longe disso—mas a capital tinha um ritmo diferente.

Ali, as tramas eram tecidas em banquetes suntuosos, entre brindes de vinho e palavras bem escolhidas. Era um jogo de diplomacia, mascarado por cortesia refinada. Já em Beacon Hills? As intrigas vinham acompanhadas de ameaças um pouco mais diretas e contratos forçados sob o chama conjurada por algum nobre metido.

E, além disso, Lydia nunca foi alguém que gostasse de se envolver nos conflitos da nobreza, apesar de sua linhagem a colocar bem no centro deles. Seu mundo girava em torno de festivais, da efervescência cultural da capital, dos teatros e das invenções modernas que começavam a moldar a sociedade. Havia museus, bibliotecas que se estendiam por corredores intermináveis, restaurantes sofisticados, bailes quase todas as noites...

Comparado a tudo isso, Beacon Hills parecia uma província esquecida no tempo, presa às velhas disputas entre as casas nobres e suas lutas pelo poder.

Stiles respirou fundo.

— Não sei... — admitiu, por fim. Mas eu vou descobrir.

E, ao dizer isso, sua mente retornou inevitavelmente para a proposta dos Hale.

Mas ele também sabia que, antes de qualquer outra coisa, tinha sua avó Stilinski para interrogar naquela manhã.

***

A hora do chá, para Halina Stilinski, era quase um ritual sagrado, marcado por horários bem definidos. Onze da manhã, antes do almoço, era um deles (outro, às cinco da tarde, e, por vezes, um último antes de dormir, às nove).

Por isso, Stiles sabia exatamente onde encontrá-la. Desde o jantar e até mesmo durante o café da manhã, sua avó vinha escapando com habilidade do assunto que ele mais queria discutir: os Hale.

E, por extensão, seu pai.

E, por fim, a ameaça que pairava sobre a família Stilinski.

Movendo-se com pressa pelos corredores da mansão, ele chegou à sacada no segundo andar. Antes mesmo de bater à porta, ouviu a voz de Halina do outro lado.

— Pode entrar, Mieczysław.

Stiles inspirou fundo e expirou lentamente. Não deveria mais se surpreender com a intuição da avó, mas sempre se surpreendia.

Ao abrir a porta, foi recebido pela luz intensa da manhã e pelo perfume suave das flores que vinham do jardim abaixo. A sacada era ampla, decorada com móveis de metal pintados em branco, o tampo da mesa de vidro refletindo o brilho do sol. Uma grande árvore trepadeira subia pela parede da construção, e seus galhos se estendiam como um dossel protetor, filtrando a luz e lançando sombras frescas sobre o ambiente.

Halina estava sentada, impecável, como sempre. Usava um vestido branco com delicados detalhes azulados, um modelo refinado, mas fresco para o calor da manhã. Segurava uma xícara de chá alaranjada, o vapor subindo em suaves espirais, enquanto, ao lado, um prato continha bolinhos e biscoitos arrumados com precisão quase matemática.

Ela não estava sozinha.

Zofia, sua prima mais nova, estava entretida com uma brincadeira peculiar: criava ilusões de pequenos pássaros, que esvoaçavam ao redor da sacada, confundindo os pássaros reais que piavam entre os galhos. Ao lado da menina, sua mãe, Marlene, estava reclinada com um ar descontraído, vestindo um vestido rosa claro e o intricado penteado de tranças que sempre usava.

— Olá. — saudou Stiles com um meio sorriso.

— Olá, Stiles. — respondeu Marlene, já se levantando e pegando Zofia no colo.

A menina soltou uma exclamação de protesto.

— Ah, acho que é hora de irmos. — disse Marlene.

— Ora, não, Marlene! — Halina reclamou, batendo levemente a colher contra a borda da xícara. — Ainda estamos no meio do chá! E nem terminamos os bolinhos...

— Bolinhos... — repetiu Zofia, choramingando com um biquinho.

— Sim, mas voltaremos depois. — garantiu Marlene, lançando uma piscadela divertida para Stiles. — Você tem um assunto importante para discutir com seu neto, Halina. E desta vez, sem rodeios.

Stiles cruzou os braços e arqueou uma sobrancelha para a avó.

Halina suspirou, tomando um longo gole de chá antes de pousar a xícara na mesa.

O silêncio que se instalou entre eles foi interrompido apenas pelo piar dos pássaros e pelo som delicado da porcelana, quando Halina serviu uma xícara de chá a Stiles. Ele se sentou no lugar que antes fora de Marlene, observando a avó com atenção.

— Seu tio e sua tia foram hoje à cidade... — começou Halina, como se estivesse simplesmente iniciando uma conversa trivial. — Estão comprando coisas para a sua festa. Agnieszka, em especial, foi falar com o alfaiate sobre o seu terno para o baile.

Stiles soltou um suspiro longo, recostando-se na cadeira.

— Eu poderia usar o terno do meu pai. Com alguns ajustes, é claro.

Halina fez uma careta de total desaprovação.

— Definitivamente, não. — respondeu, categórica. — Aquela peça já é de outra época, completamente fora de moda.

Ela pegou um biscoito do prato e mordeu com delicadeza. Stiles percebeu que era um dos biscoitos em formato de raposa que ele trouxera da feira no dia anterior.

— Você deve parecer formidável, como um verdadeiro Stilinski. Nada de usar roupas velhas.

Stiles mexeu na colherzinha de prata dentro da xícara, observando o líquido âmbar e inalando o aroma amendoado do chá antes de falar:

— Seria uma forma de honrar o meu pai... já que ele não está aqui.

Halina ergueu os olhos para ele, a firmeza em sua postura suavizada por uma ternura discreta.

— Você pode honrar o seu pai de muitas formas, Mieczysław.

— Como indo até os Hales em busca de respostas? — soltou Stiles, aproveitando a deixa.

Halina suspirou, largando o biscoito que ainda segurava no prato, como se o peso daquela conversa tivesse finalmente caído sobre ela.

— Se eu te proibisse de ir à Mansão Hale, você me ouviria?

Stiles sustentou o olhar dela por um momento antes de responder:

— Talvez um pouco... Mas eu não gostaria de ir escondido. Você também deveria querer saber o que eles têm a dizer.

Ele recostou-se um pouco mais na cadeira.

— Por que meu pai sumiu? Se os Hales sabem de algo, não vale a pena ao menos tentar descobrir?

Halina permaneceu em silêncio, analisando-o com atenção.

— Mas antes... acho que você poderia me contar um pouco mais sobre essa aliança entre nossas casas. — continuou ele. — Sobre o incêndio. Sobre os segredos que nunca foram mencionados simplesmente porque eu sou um inerte.

Halina ergueu a mão em um gesto de advertência, e Stiles se calou contra a própria vontade.

— Eu nunca deixei de te contar essas coisas por ser um inerte, Mieczysław Stilinski. — sua voz era firme, mas não dura. — Eu fiz isso para te proteger.

Ela fez uma pausa, os olhos penetrantes avaliando o neto.

— Nem mesmo seus tios sabiam de tudo, como você deve ter notado ontem. Essas informações eram mantidas entre os membros ativos da família. Aqueles que saíam para o campo de batalha.

— Os que têm Arkanis. — completou Stiles, o tom levemente ácido. — E, no entanto, você também sabe sobre isso.

Halina bufou levemente, mas assentiu, resignada.

— Eu não vou te impedir de buscar respostas, Mieczysław. — declarou, por fim. — Sei que você é teimoso o suficiente para ir até o fim nessa história.

Ela respirou fundo, pensativa.

— Quanto às respostas que deseja... posso te contar algumas coisas. — seus dedos tamborilaram levemente sobre a mesa. — Mas acredito que os Hales terão uma história mais completa para te oferecer.

Ela pousou o olhar na xícara de chá e então voltou a encarar Stiles.

— Apesar de ter Arkanis, ainda sou uma mulher. — disse, quase com desgosto. — Isso significa que fui afastada de muitas decisões. Algumas informações consegui de forma indireta... outras, precisei arrancar à força.

Stiles se inclinou ligeiramente para frente, atento.

— Não importa. Quero ouvir.

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