Capítulo 2
O corredor estreito se expandiu para um segundo hall, onde as paredes eram adornadas com os brasões das seis famílias nobres que habitavam as terras de Beacon Hills. Os olhos de Stiles foram imediatamente atraídos para o primeiro brasão: um falcão cinza em pleno voo sobre um fundo branco, com detalhes em prata e azul claro. Abaixo dele, o lema "A visão guia a lâmina" brilhava em letras douradas.
Stiles deixou escapar um sorriso sarcástico. Casa Argent, é claro. Os maiores esnobes de Beacon Hills. Grandes fofoqueiros, sempre prontos para ditar o que era apropriado para nobres e o que não era. "A visão guia a lâmina", pois é, mas a língua deles é ainda mais afiada que qualquer lâmina," pensou ele.
Ao lado, estava o brasão da Casa Whittemore: um dragão vermelho de olhos dourados, rugindo sobre um fundo preto com chamas douradas e laranjas. O lema "Com fogo, conquistamos" não deixava dúvidas sobre a arrogância deles. Stiles quase riu ao lembrar-se de como os Whittemore acreditavam que seu poder destrutivo era a chave para fazer todos se submeterem. Talvez por isso ele adorasse provocá-los sempre que podia.
Logo abaixo, ele reconheceu o brasão da Casa Dunhaven, com um cervo marrom-escuro sobre um fundo verde musgo, cercado por galhos estilizados. O lema, "A força está na harmonia", combinava perfeitamente com a natureza pacífica e diplomática dos Dunhaven. Ao lado, o brasão da Casa Marwood: um grifo dourado com asas abertas, sobre um fundo azul real com detalhes em branco. Seu lema, "A sabedoria guarda o trono", refletia o papel da casa como conselheiros e mediadores.
Stiles sabia que essas duas casas eram consideradas "amigáveis", mas também pouco gloriosas. Dunhaven, com seus poderes de cura, e Marwood, com suas visões proféticas, não eram exatamente os mais populares. Não podiam ostentar feitos grandiosos no campo de batalha, o que os tornava, em alguns círculos, alvos de desprezo velado.
No canto oposto, ele viu o brasão de sua própria casa: uma raposa dourada sobre um fundo vermelho, cercada por folhas de carvalho.
— Sagacidade é poder... — murmurou ele, reconhecendo o lema imediatamente. Era impossível esquecer, afinal aquele era o brasão da Casa Stilinski, seu lar, sua responsabilidade — e, às vezes, seu maior fardo.
Por fim, em uma parede separada dos outros, quase como se refletisse a natureza reservada de seus donos, estava o brasão da Casa Hale: um lobo prateado em posição de ataque, sobre um fundo negro com detalhes em azul escuro. O lema "Com a alcateia, somos invencíveis" sempre fazia Stiles se perguntar se os Hale se viam mais como lobos do que como humanos.
Ele balançou a cabeça, afastando o pensamento. Não tinha tempo para admirar brasões. Com um gesto rápido, apontou para uma das escadas e começou a subi-la com Scott logo atrás.
— Você viu como meu dispositivo funcionou? — perguntou Stiles, quebrando o silêncio enquanto subiam a escada em espiral.
— O intuito era mesmo soltar fumaça? — devolveu Scott, levantando uma sobrancelha.
— Bem... sim. — Stiles respondeu, hesitante, ajustando a bolsa em seu ombro. Ele não iria admitir que a invenção fora originalmente projetada para levitar com a energia armazenada no cristal de Arkanis. Um erro de cálculo, no entanto, fez com que ela liberasse a energia em uma explosão de fumaça colorida em vez de flutuar. "Ainda assim, um erro que se provou bastante útil," pensou.
Scott olhou para a bolsa, apontando com a cabeça.
— Se você tiver mais dessas coisas aí, podem ser bem úteis contra os nobres.
Stiles não confirmou nem negou, mas sabia que aquela era sua única esfera funcional. Ou quase funcional.
Chegaram ao segundo andar, que se abria em uma ampla sala oval. Poltronas de couro estavam espalhadas pelo espaço, e uma longa mesa de bufê no centro exibia bandejas de prata com petiscos delicados. Alguns nobres estavam ali, conversando em pequenos grupos. Stiles reconheceu alguns rostos, mas nenhum deles pertencia aos líderes das famílias.
Antes que pudesse avançar muito, uma voz feminina soou atrás dele:
— Stiles? O que está fazendo aqui?
Ele se virou para ver Allison Argent praticamente saltar de uma poltrona. Ela fechou o livro que tinha nas mãos e caminhou na direção dele, seu vestido azul, sem muitos detalhes, balançando suavemente. Seus olhos castanhos fixaram-se em Scott, e suas bochechas coraram ligeiramente.
— Oi, Allison! — Stiles acenou casualmente, antes de apontar para a porta oposta da sala. — Tchau, Allison!
Ele nem esperou por uma resposta antes de começar a caminhar apressadamente, determinado a alcançar seu destino antes que mais alguém resolvesse interceptá-lo.
Ledo engano. Stiles foi bloqueado por um homem de alta estatura, musculoso e com um sorriso de superioridade estampado nos lábios. Jackson Whittemore postava-se diante dele, imóvel, claramente satisfeito por obstruir o caminho.
— Se você está pretendendo ser uma estátua, Jackson, meus parabéns. — Stiles arqueou uma sobrancelha, adotando um tom teatral. — Além de imóvel, inconveniente para alguns e objeto de adoração para outros, você também mantém a completa ausência de neurônios característica das estátuas. Afinal, estátuas não pensam.
O sorriso autoconfiante de Jackson desapareceu no mesmo instante.
— Stilinski, você não devia estar aqui. — A irritação gotejava de suas palavras.
— Ah, não! Estátuas não falam! E agora? O que será do seu futuro como brutamontes fortão que só foca na aparência e esquece do conteúdo? — lamentou Stiles com exagero, gesticulando dramaticamente.
A expressão de Jackson tornou-se ainda mais sombria. Seu rosto avermelhou, e Stiles notou algo fascinante: fumaça escura começava a escapar das narinas do rapaz. Literalmente.
— Ele está certo! — um jovem que acompanhava Jackson interveio. Era, sem dúvida, um primo ou outro parente, com a mesma arrogância estampada no rosto. — Você é apenas um Sobrenato! Não devia sequer ter permissão de estar aqui!
A palavra ressoou nos ouvidos de Stiles como um insulto mais afiado que "inerte". Sobrenato — aquele que vive à sombra da glória da família, alguém sem poderes, reduzido à insignificância pelo próprio sangue.
Mas ele não demonstrou que se importava. Apenas deu de ombros com um sorriso cínico.
— Pois é, não é? Alguém deve ser culpado por isso. — Stiles fez um gesto casual na direção da porta. — Talvez vocês devessem descer e falar com o mordomo. O sujeito de óculos grossos que cuida da entrada. Aposto que ele cometeu algum erro terrível ao me deixar entrar.
— Sim, alguém cometeu um erro, e eu vou descobrir quem foi. Mas antes, você vem comigo. — Jackson avançou, estendendo a mão para agarrar Stiles.
Com um movimento rápido, Stiles desviou, escapando facilmente do ataque. Mas a paciência de Jackson estava chegando ao limite. Bufando, agora soltando faíscas, ele tentou de novo, desta vez com mais determinação. Antes que pudesse alcançá-lo, no entanto, Scott se colocou entre eles, bloqueando Jackson com firmeza.
— E ainda por cima você ousa trazer um plebeu... — Jackson rugiu, e desta vez sua pele começou a brilhar com o calor crescente de suas chamas internas.
Mas, antes que a situação pudesse piorar, uma ventania repentina varreu o salão. A rajada foi tão forte que lançou os três ao chão, junto com cadeiras, taças e até a mesa de bufê.
Atordoado, Stiles ergueu o olhar para encontrar a origem do poder. Allison Argent estava de pé, aparentemente calma, mas com a mão ainda no nariz.
— Ops... Acho que espirrei. — disse ela com um sorriso travesso, piscando para Stiles.
Ele não pôde evitar sorrir de volta. "Bem jogado."
Antes que ele pudesse agradecer, uma voz áspera ecoou pelo salão:
— Por isso mulheres com Arkanis são perigosas!
O orador era um homem idoso, evidentemente da Casa Marwood, com seu terno azul e branco impecável e uma longa bengala de prata apontando para Allison como se ela fosse uma criminosa.
— Olhe só o que ela fez!
Allison encolheu ligeiramente os ombros, como se aceitasse a acusação, mas Stiles percebeu algo em seus olhos: ela não estava intimidada. De fato, fez um gesto discreto para ele, indicando que continuasse com o que tinha que fazer.
"Obrigado," murmurou Stiles em silêncio, antes de se erguer. Allison, ele sabia, era uma das poucas Argents que ele podia considerar uma aliada. Ela não era esnobe nem fofoqueira, qualidades raras em sua família.
Scott parecia hesitante, olhando entre Allison e Stiles, claramente dividido entre seu desejo de ser o herói e sua lealdade ao amigo.
— Vamos. — Stiles falou firmemente, já se levantando e aproveitando o momento de distração enquanto Jackson ainda tentava processar o que acabara de acontecer.
Scott, relutante, seguiu-o, embora Stiles não precisasse olhar para saber que ele queria ficar. Mas Allison era mais do que capaz de lidar com aquilo sozinha.
E Stiles tinha problemas maiores para resolver.
***
— Senhor Stilinski, se assinar aqui, podemos encerrar esta reunião e, quem sabe, aproveitar um bom chá... o que acha? — A voz de Gerard Argent era suave, mas carregada com a autoridade de quem sabia usar as palavras como armas. Ele inclinou-se ligeiramente sobre a mesa, destacando sua figura impecável. Seus cabelos brancos, quase ausentes no topo da cabeça, contrastavam com o cuidado meticuloso do terno azul-escuro adornado com detalhes brancos. O broche de prata com o brasão da Casa Argent brilhava contra a lapela, e suas abotoaduras pareciam tão valiosas quanto seu tom persuasivo.
Kazimierz Stilinski, no entanto, parecia indiferente. Seus olhos prateados — tão vagos quanto irônicos — encaravam os documentos à sua frente com desinteresse, ignorando também a elegante caneta-tinteiro que Gerard apontava para ele. O patriarca da Casa Stilinski tinha uma barba longa e espessa, tão platinada quanto seus cabelos, que estavam presos de forma displicente em um rabo de cavalo frouxo. Sua roupa era um paradoxo intrigante: o tecido escuro era refinado e caro, mas os botões da camisa estavam abertos no colarinho, a gravata frouxa e o casaco ligeiramente desalinhado.
— Pai... — interveio Bartosz Stilinski, inclinando-se sobre o ombro do velho. O homem, de cabelo castanho bem penteado para trás e rosto marcado por leves rugas, exibia um terno impecável, com detalhes em prata e um lenço meticulosamente dobrado no bolso. Seu cavanhaque bem aparado e a expressão quase desesperada o faziam parecer uma figura que, apesar da elegância, já havia aceitado a exaustão como parte da vida. — Lembra o que falamos? Para que precisamos de tantas terras? A dor de cabeça de administrar tudo isso... Podemos sobreviver com menos. Sei que, quando meu irmão voltar, ele nem vai notar que alguns hectares desapareceram.
Kazimierz ergueu uma sobrancelha, como se acabasse de perceber que alguém falava com ele.
— Terras? Hein? Assinar? Ora...
Ele pegou a caneta com lentidão deliberada, enquanto olhares ansiosos dos outros nobres se voltavam para ele. A pequena sala estava aquecida pelo crepitar discreto da lareira, mas a tensão no ar era palpável. Kazimierz estudou a caneta com um leve sorriso de quem sabia exatamente o que fazer, embora fingisse o contrário.
— Ah! — A iluminação súbita em seu semblante foi quase cômica. — Querem ver um truque?
Antes que alguém pudesse responder, Kazimierz movimentou a mão, e, como que puxada por fios invisíveis, a sombra da caneta pareceu envolvê-la, fazendo-a desaparecer da mesa.
Houve um instante de silêncio, seguido por murmúrios de surpresa e exclamações baixas.
— Ele é um Marzinski... antes de Stilinski, — comentou Alan Dunhaven, um homem de meia-idade, com pele morena, uma cabeça calva polida e um sorriso amigável. Sua roupa de tons terrosos, com bordados sutis nas lapelas, refletia a sobriedade diplomática de sua casa.
— Oh, sim. Manipulação de sombras, um talento intrigante. — Adrian Marwood, um homem jovem e elegante, com cabelos negros longos caindo sobre os ombros, segurava sua bengala ornamentada com um grifo dourado no pomo. Sua voz era carregada de interesse, mas sem entusiasmo.
— Maldito espião! — rosnou Markus Whittemore, corpulento e robusto, com ombros largos que mal cabiam no paletó negro com detalhes em vermelho e dourado. Sua barba grisalha com toques loiros quase escondia a mandíbula marcada. — Combina bem. Casando-se com uma raposa... outro casamento de poderes, só aumenta a desconfiança.
— Porque, claro, queimar tudo e todos é um sinal clássico de confiança, não? — retrucou Alan, em tom leve, mas mordaz.
— Cale a boca! Minha casa se sacrificou para expandir as fronteiras do reino. Meu pai, cercado por inimigos do outro lado do mar, invocou o fogo e...
— Lá vem ele de novo... — suspirou Adrian, rolando os olhos de forma quase teatral.
— Senhores, por favor, lembremos por que estamos aqui. — Gerard interveio, sua voz firme cortando a conversa antes que Markus resolvesse conjurar uma demonstração literal de suas chamas. — Senhor Stilinski, a caneta, por favor.
— Pai! — Bartosz soou quase desesperado. — Aqui, pegue outra caneta.
Com gestos apressados, ele tirou outra caneta-tinteiro do bolso interno do casaco e a colocou diante do pai.
— Ah, Zim! — exclamou Kazimierz com um sorriso jovial, enquanto, com outro movimento casual, a nova caneta também desaparecia, engolida pela sombra de sua mão.
— Ótimo truque, não é? — Ele sorriu amplamente para os presentes, que agora o olhavam não com diversão, mas com uma mistura de apreensão e exasperação.
— Não se preocupem! — Bartosz Stilinski interveio apressadamente, a voz tremendo levemente. — Ele vai trazer as canetas de volta e vai assinar...
O olhar de Gerard Argent caiu sobre Bartosz como uma lâmina de gelo, cortante e inexorável. Ele falou devagar, com um tom que fazia cada palavra parecer um julgamento:
— Espero mesmo que faça isso. O acordo que fizemos dependia inteiramente de você persuadir a assinatura de seu pai.
Bartosz engoliu em seco, sentindo-se menor a cada momento. Cercado por nobres com poderes extraordinários, ele parecia apenas um ratinho assustado, tentando não ser esmagado pelo peso da ocasião.
— Pai... pare de fazer truques! — insistiu, quase suplicante, lançando um olhar exasperado para o idoso.
Antes que Kazimierz pudesse responder, uma voz jovem e vibrante cortou o ar:
— Não, vô, continue! Você sabe que adoro seus truques! Por que não faz o mesmo com o papel?
Todos na sala se voltaram para a porta, onde Stiles Stilinski estava parado com um sorriso travesso iluminando o rosto. Seus cabelos castanhos estavam cortados curtos e ligeiramente bagunçados, arrepiados como se tivessem sido penteados às pressas. Seus olhos escuros brilhavam com uma mistura de ousadia e humor, destacando-se contra sua pele clara. O traje que usava, um casaco marrom desgastado e uma camisa branca de colarinho simples, com calças cinzentas e botas de couro não polidas, parecia mais algo que um trabalhador da capital usaria do que um nobre.
Atrás dele estava Scott McCall, seu servo. Scott tinha a pele morena, cabelos curtos e uma constituição musculosa que contrastava com a aparência mais esguia de Stiles. Ele usava roupas bem cuidadas, embora simples: uma camisa branca de mangas compridas, colete cinza e botas que, ao contrário das de seu senhor, estavam impecavelmente polidas. Sua postura era de alerta, os olhos observando os nobres na sala com uma cautela silenciosa.
— Jovem Stilinski... — começou Gerard, mas Kazimierz o interrompeu, sua expressão se iluminando com entusiasmo.
— Ótima ideia, meu querido neto!
Com um gesto teatral, Kazimierz tocou na mesa à sua frente. Imediatamente, a superfície foi engolida pelas sombras que se espalharam como água negra, sugando não apenas o contrato, mas também as taças, o abajur e qualquer outro objeto que estivesse sobre ela.
Os nobres se afastaram rapidamente, alguns quase tropeçando em suas cadeiras, temendo serem também consumidos pelo poder da família Marzinski.
Kazimierz soltou uma risada divertida, ecoando pelo ambiente, e Stiles o acompanhou, rindo abertamente.
— Nossa, parece que a reunião de vocês foi encerrada mais cedo. — Stiles comentou, com um meio sorriso que beirava a provocação.
— Será hora do chá? — Kazimierz perguntou animadamente, como se não houvesse nada de estranho na situação.
— Acredito que sim. E com bolinhos, espero. — Stiles avançou em meio aos nobres com uma confiança desarmante, colocando a mão no braço do avô para guiá-lo.
Os olhares na sala variavam entre irritação e incredulidade, mas nenhum era mais furioso do que o de Bartosz Stilinski, cujo rosto agora estava vermelho de raiva e constrangimento.
Antes que eles pudessem sair, Markus Whittemore se postou diante de Stiles, sua figura corpulenta bloqueando o caminho.
— Como você entrou aqui? — exigiu saber, sua voz grave e cheia de irritação.
Stiles inclinou a cabeça ligeiramente para o lado, o sorriso travesso voltando aos lábios.
— Interessante, seu filho fez exatamente a mesma pergunta. Vocês dois são mesmo parecidos. Em vários sentidos...
— De fato, jovem Stilinski, você não deveria estar aqui... — continuou Gerard Argent, com um tom de voz quase paternal, embora carregado de condescendência. — Não só nesta casa, como também, precisamente, nesta sala.
— Oh! Ela é proibida? — respondeu Stiles, erguendo levemente as sobrancelhas em falsa surpresa. — Não vi nenhum aviso na porta. Mil perdões.
Sua voz era carregada de ironia enquanto ele mantinha os olhos fixos no chefe da Casa Argent, sem desviar nem por um instante.
— Esta sala é exclusiva dos chefes das famílias, os Arcanum, como é correto chamá-los, — interveio Adrian Marwood, o tom educado contrastando com o brilho malicioso em seus olhos.
— Chefes das famílias e seus herdeiros, — frisou Stiles, recostando-se ligeiramente, com um sorriso que era metade desafio, metade provocação. Ele lembrou-se das vezes em que seu pai o trouxera ali quando criança, sentando-o no colo durante as reuniões.
— Pois é... Sua casa, raposo, não tem herdeiro. — Markus Whittemore sorriu, o canto dos lábios curvando-se em algo que parecia uma mistura de diversão e triunfo.
— É o que vocês dizem... — começou Stiles, mas foi interrompido.
— É o que a lei e a tradição ditam, jovem Stilinski, — pontuou Gerard, com um olhar severo que transbordava desaprovação.
Antes que Stiles pudesse responder, Adrian interveio novamente, desta vez com um sorriso que Stiles só podia descrever como predatório:
— Talvez, se o jovem Stilinski ou algum membro de sua família, como sua prima Zofia, por exemplo, se casasse... com alguém de uma das famílias aqui presentes, então esse problema de herdeiros poderia ser facilmente resolvido. Não acha?
Adrian deu um passo à frente, inclinando ligeiramente a cabeça, seus cabelos negros longos caindo sobre os ombros, e Stiles sentiu um frio na espinha.
— Meu pai não morreu para que ficarem falando assim, — cortou Stiles, sua voz afiada enquanto segurava firmemente a mão de Kazimierz, que assistia à cena com um sorriso distante, alheio à tensão crescente. Embora poderoso, o velho já não tinha mais a clareza ou a força para liderar, e os nobres ali sabiam disso. Era uma fraqueza que não hesitavam em explorar.
— Zofia é menor de idade! — Stiles continuou, o tom carregado de indignação.
— Mas você logo será maior de idade, não é? — Adrian avançou mais um passo, sua altura lançando uma sombra sobre Stiles. — O baile de sua maioridade será daqui a uma semana, se não me engano.
— Isso não faz parte do combinado! — Bartosz Stilinski interveio abruptamente, a voz vacilando, mas carregada de frustração. — Sem um contrato assinado, nada do que foi combinado pode ser cumprido!
Stiles virou-se para o tio, irritado.
— Tio, que diabos de combinado você fez com eles? — sussurrou, a voz um pouco alta demais para ser discreta.
Bartosz lançou-lhe um olhar exasperado.
— A segurança e o futuro da nossa casa, sobrinho idiota! — rosnou ele, de volta.
Antes que Stiles pudesse responder, Kazimierz quebrou a tensão com uma pergunta completamente deslocada:
— E o chá? E os bolinhos?
Stiles respirou fundo, tentando não perder a paciência. Olhou para os nobres à sua frente, que agora formavam uma verdadeira barreira, bloqueando a saída. Ele sentiu o peso da situação enquanto sua mão livre — a que não segurava o braço do avô — deslizou para dentro da bolsa, procurando uma solução na arcanomecânica.
— Senhores, vamos dar um pouco de espaço aos Stilinski, sim? — Alan Dunhaven tentou intervir, a voz calma, mas visivelmente desconfortável. — Não somos bárbaros. Somos nobres do reino de Caeloria, afinal.
— Não seja hipócrita, Dunhaven. — Markus cortou o momento de diplomacia com um sorriso debochado. — Você também está interessado nas terras dos Stilinski. Sem mencionar a ideia de uma aliança... talvez formada por casamento.
— Não é bem assim... — Alan parecia embaraçado, mas não negou.
— Não haverá casamento, e muito menos venderemos nossas terras, — declarou Stiles, a voz firme apesar da tensão.
— Sério? — Markus riu, um som gutural que parecia ecoar pelo salão. — Você não é o chefe da casa para decidir isso, garoto. Esse velho aí é quem deve decidir.
Apontou para Kazimierz com um gesto rude, e algo dentro de Stiles se incendiou.
— Cuidado com o que diz sobre o meu avô! — ralhou Stiles, sua mão puxando rapidamente algo de dentro da bolsa.
Scott, parado ao lado, estremeceu de preocupação, seus olhos se estreitando em alerta.
— E o que você vai fazer? — zombou Markus, levantando a mão. Com um estalo de dedos, chamas dançaram ao redor de sua palma, iluminando sua expressão de arrogância.
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