Capítulo 1


— Onde você pensa que vai? — A voz cortou o silêncio, ecoando pelo caminho de pedra enquanto ele caminhava apressado rumo aos estábulos.

Ele fingiu não ouvir, mas a voz o alcançou novamente, com ainda mais firmeza:
— Mieczysław Stilinski, sei muito bem que você me ouviu! Pare aí agora mesmo!

Com um suspiro resignado, ele parou e se virou lentamente, os olhos encontrando a figura de sua tia Agnieszka Stilinski, que vinha correndo atrás dele com determinação.

— Tia, já disse para me chamar de Stiles — retrucou ele, tentando não demonstrar irritação.

Era difícil, no entanto, não esboçar um sorriso ao vê-la. Agnieszka lutava contra as leis da física, e talvez da moda, enquanto corria. Seu vestido de um laranja pálido, cheio de camadas e babados, balançava de forma caótica ao vento. Suas bochechas rosadas brilhavam pelo esforço, e o coque, meticulosamente arrumado pela manhã, agora estava torto, com mechas de cabelo castanho escapando aqui e ali. Ela era uma mulher pequena e arredondada, mas havia nela uma energia surpreendente — e veloz, Stiles teve de admitir.

— O que há de errado com o seu nome? Mieczysław é um bom nome! Sua avó o escolheu com muito orgulho, sabia? — ofegou ela, ainda sem diminuir o ritmo.

Stiles, sentindo-se ligeiramente culpado por fazê-la correr tanto, reduziu seus passos.

— Tia Agni, eu gosto do meu nome, de verdade. Mas eu sou uma pessoa altruísta, penso nos outros. A maioria das pessoas de Beacon Hills sequer consegue pronunciar a primeira sílaba sem tropeçar. "Stiles" é mais simples. Impactante. Dá para colocar em uma placa sem ocupar o espaço inteiro.

— Não parece nome de um nobre! — retrucou Agnieszka, franzindo a testa em desaprovação.

Stiles ergueu uma sobrancelha e parou de andar, virando-se para encará-la.
— E daí? Pelo que vejo, não sou tratado como um nobre pertencente a esta família, não é mesmo? Nem sequer fui informado sobre a ida do vovô à Casa dos Arcanum!

Ele viu o rosto de Agnieszka se contrair em culpa, algo que lhe deu um misto de satisfação e tristeza.

— Bem... são questões delicadas da família — começou ela, hesitante, os olhos evitando os de Stiles. — E, bom, seu avô é o chefe da casa na ausência do duque Stilinski... então ele deve comparecer à Casa dos Arcanum. Não estou dizendo que você não é importante, Mieczysław, mas... há certas... complicações.

Ela gesticulava freneticamente enquanto falava, como se suas mãos pudessem encontrar uma explicação que sua boca não conseguia formular.

— Você quer dizer o fato de eu ser inerte? — soltou Stiles, direto, cansado de eufemismos e rodeios.

Agnieszka parou abruptamente, os olhos se estreitando em reprovação.
— Não fale assim! — repreendeu ela, agora com as bochechas ainda mais vermelhas, desta vez de indignação. — Não use essa palavra para se referir a si mesmo. O fato de você não ter Arkanis não te faz inferior! Nem a mim, nem a você!

— Mas e quanto ao tio Bartosz? — retrucou Stiles, cruzando os braços. — Por que ele está acompanhando o vovô? Ele também não tem Arkanis, e mesmo assim foi convidado para ir à Casa dos Arcanum.

Agnieszka piscou, atordoada.

— Ele está...? Mas...

Stiles suspirou, sentindo sua irritação diminuir, mas ainda mantendo o suficiente para usar no momento apropriado. Ele não estava disposto a ceder completamente.

— Pois bem, então você entende minha pressa, não é mesmo, tia? — disse ele, curvando-se em uma mesura exagerada, antes de se virar e retomar seu caminho em direção aos estábulos.

— Mieczysław, espere! — A voz da tia ecoou no ar, mas ele já estava dentro do estábulo, onde esperava, ingenuamente, que ela não o seguisse. Infelizmente, subestimara tanto sua determinação quanto sua habilidade de ignorar ambientes pouco refinados. Lá vinha ela, agora andando com cuidado para não sujar a bainha do vestido, lançando olhares de desgosto para o chão de feno e as paredes manchadas de terra.

— Tia, eu realmente não tenho tempo para discutir isso agora. Você pode falar o quanto quiser, até me colocar de castigo... Mesmo que eu já tenha 18 anos.

— Você ainda vai completar — corrigiu Agnieszka, levantando um dedo acusador.

— Faltam só sete dias. Mas o ponto é: já sou maior de idade. E se não fosse por essa tradição tola e arcaica que me exclui por não ter Arkanis, eu seria o herdeiro legítimo do meu pai. Deveria ser eu, não o vovô, lidando com as manobras políticas na Casa dos Arcanum. Aliás, aposto que já sei o que estão tramando. Mais uma tentativa de nos forçar a vender as terras. Por que mais chamariam meu avô, com mais de oitenta anos e uma saúde frágil, para participar dessas reuniões inúteis? — Stiles falava rápido, com o tom afiado de quem segurava uma indignação há muito reprimida.

Enquanto isso, ele atravessava o estábulo com propósito, até que um servo de aparência familiar surgiu, guiando um cavalo já selado.

— Obrigado, Scott — disse Stiles, oferecendo um leve aceno ao rapaz.

— Você acha mesmo que eles fariam isso? Digo... mas e o seu tio? — começou Agnieszka, visivelmente nervosa. — Eles devem respeitar nossa casa, mesmo com seu pai, meu irmão, longe. Eles... eles não fariam isso, fariam?

Stiles riu sem humor, ajustando as alças da pesada bolsa que carregava.

— Tia, esses nobres pomposos não ligam para o que é certo ou errado. Eles querem mais terras, mais poder, e farejam fraqueza de longe. Sem meu pai aqui, sem um homem com Arkanis para nos representar, somos um alvo fácil. Ah, é claro, ainda temos minha avó e minha prima, mas... com essas leis antiquadas que consideram mulheres com Arkanis uma anomalia pior do que um inerte como eu, de que isso serve?

— Não fale assim... — retrucou Agnieszka, mas sua voz soava fraca, como se já soubesse que concordava.

E Stiles sabia que ela concordava. Afinal, sua tia também era uma inerte, alguém nascido em uma família nobre com habilidades mágicas chamadas de Arkanis, mas sem herdá-las. Isso os colocava em um limbo social: pertenciam à linhagem, mas eram tratados como se não fossem completamente "dignos". E, claro, esperava-se que permanecessem calados, deixando os "nobres de verdade" tomarem todas as decisões. Grande bobagem, pensou ele.

Ele montou no cavalo, um belo corcel branco com manchas marrons, e ajustou a sela para garantir que a bolsa, cheia de ferramentas de arcanomecânica, não caísse no caminho.

— O que vou dizer à sua avó quando você não aparecer no almoço? — perguntou Agnieszka, finalmente soando derrotada.

Stiles lançou-lhe um sorriso travesso, inclinando a cabeça com charme exagerado.

— Diga que estarei no jantar. Possivelmente com uma boa história para contar.

— Oh, céus... Só não faça muita confusão, está bem?

— Tia, até parece que você não me conhece!

Ele puxou as rédeas e começou a cavalgar, saindo do estábulo. Mas, ao longe, a voz dela o alcançou:

— É por te conhecer que eu sei!

Stiles, mesmo irritado com a situação, não conseguiu evitar um sorriso ao ouvir aquilo. "Você parece ser um ímã de confusão" era algo que seu pai costumava dizer com um misto de repreensão e orgulho. Pois bem, se confusão era sua habilidade "mágica", ele faria dela sua arma. E se isso significasse proteger sua família e suas terras, então que viesse toda a confusão do mundo.

***

A região de Beacon Hills era de uma beleza singular. Suas colinas densamente florestadas, montanhas majestosas e o vale fértil pareciam pintados à mão, dignos de serem imortalizados em tapeçarias. Contudo, a atração que essa terra exercia não estava apenas em sua paisagem deslumbrante, mas nos segredos que se escondiam sob ela. O solo de Beacon Hills era rico em minerais mágicos, elementos cruciais para o uso e o estudo de Arkanis, tornando a região um tesouro cobiçado e, inevitavelmente, um campo de batalha político.

Stiles conhecia bem essa realidade. Nenhum outro local em Caeloria tinha tantos nobres habitando um mesmo território — quase empilhados, como ele gostava de dizer. E quando nobres não estão sob ordens diretas de um governante ou distraídos por uma guerra externa, preferem lutar entre si. Intrigas, fofocas e alianças traiçoeiras eram o verdadeiro pão de cada dia em Beacon Hills.

Ele foi arrancado de seus pensamentos por uma voz familiar:
— Stiles, espere!

Ele se virou levemente, apenas o suficiente para ver um cavalo branco avançando em um galope rápido. Não demorou para reconhecer a figura montada no corcel.

— Scott? — perguntou, franzindo a testa em leve suspeita. — Minha tia te mandou? Para servir de babá?

Um meio sorriso surgiu no rosto de Scott McCall, agora puxando as rédeas com habilidade para desacelerar o cavalo. Stiles não pôde deixar de reconhecer a destreza do rapaz — um domador de cavalos de primeira, muito melhor cavaleiro do que ele jamais seria. Scott era responsável pelos estábulos da Casa Stilinski, e Stiles sabia que nenhum outro membro da criadagem possuía a paciência e o talento que ele tinha para lidar com os animais.

O jovem de pele morena e cabelos curtos deu de ombros, com um sorriso torto que acentuava seu queixo ligeiramente assimétrico. Stiles nunca perdia a oportunidade de lembrar ao amigo que aquela característica peculiar era resultado de um coice que ele havia levado quando criança. Scott, é claro, revirava os olhos toda vez que o assunto surgia.

— Não... Vim por conta própria. Bem, ainda assim, a ideia de ser sua babá não é tão absurda. — Scott arqueou uma sobrancelha com humor, o que certamente lhe renderia uma reprimenda se estivessem na presença de outros. Mas ali, a formalidade se dissipava. Eles eram amigos antes de qualquer título.

— De uma coisa pode ter certeza, senhor McCall, eu não preciso de babá. Sei me cuidar muito bem. — Stiles sorriu e deu um leve tapinha na bolsa pesada que carregava, cheia de ferramentas e cristais de arcanomecânica.

Scott, no entanto, não pareceu convencido. Ele fez uma careta, a expressão claramente cética.

— Você vai enfrentar nobres com Arkanis... usando parafusos, metal e essas coisas? — Scott gesticulou vagamente em direção à bolsa. — Contra pessoas que literalmente têm o poder de incendiar metade da floresta com um estalar de dedos? Eu preferia ouvir que você pretende usar os punhos.

— Arcanomecânica também usa Arkanis, Scott — enfatizou Stiles, com a impaciência de alguém que já teve essa conversa mais vezes do que gostaria.

Mas, para sua frustração, o olhar de Scott permaneceu carregado de dúvida. E Stiles não podia culpá-lo completamente. Afinal, a reputação de suas invenções até aquele momento não era exatamente impecável. Havia, por exemplo, o incidente com o dispositivo que deveria armazenar energia mágica, mas que, em vez disso, explodiu e deixou uma cratera no laboratório. Sem mencionar a engenhoca que deveria funcionar como uma armadilha de luz, mas acabou servindo como um excelente peso de papel — algo que Scott fazia questão de lembrar sempre que possível.

Ainda assim, desta vez seria diferente. Ele sabia disso.

Ou, pelo menos, esperava que sim.

— Esta aqui vai funcionar, Scott. Confie em mim.

O servo ergueu uma sobrancelha, os lábios curvados em um sorriso duvidoso.

— Como funcionaram as outras?

— Engraçadinho. — Stiles revirou os olhos, mas um pequeno sorriso ainda brincava em seus lábios.

Os dois cavalgaram lado a lado pela estrada de areia que serpenteava para fora das terras da Casa Stilinski, rumo à densa floresta que marcava a fronteira com o domínio dos Hale. A copa das árvores se entrelaçava acima deles, deixando a estrada mergulhada em penumbra, com apenas feixes tímidos de luz solar rompendo a escuridão.

Stiles esforçava-se para parecer despreocupado, mas havia algo naquelas árvores sombrias que fazia sua pele arrepiar. Estavam oficialmente em território da família Hale.

"Cuidado com a floresta,

Os Hales fazem dela festa.

Lobos espreitam na trilha errada,

Na noite escura, te fazem nada.

Rasgam carne, devoram agora,

E os ossos... jogam fora."

A cantiga infantil ecoou em sua mente, como um sussurro zombeteiro. Ele bufou em silêncio, tentando afastar as palavras tolas. Mas o ambiente não ajudava. A escuridão da floresta, o som distante de galhos estalando e o farfalhar de folhas pelo vento pareciam conspirar para fazê-lo acreditar nos versos.

E, claro, havia o fato inegável de que os Hale podiam se transformar em lobos — lobos gigantes. Isso tornava a canção um pouco menos ridícula.

A reputação dos Hale não ajudava em nada a aliviar sua apreensão. Eles eram conhecidos por sua reclusão, raramente aparecendo em festivais ou bailes em Beacon Hills, e quase nunca na Casa dos Arcanum. A única coisa que os tornava inegavelmente presentes no reino eram seus feitos nas batalhas. Heroicos, sim, mas envoltos em um manto de mistério que os tornava ainda mais fascinantes — e um pouco assustadores.

Stiles sacudiu a cabeça, tentando afastar esses pensamentos enquanto instigava o cavalo a avançar. Foco, Stilinski, disse a si mesmo. Ele precisava chegar à cidade de Beacon Hills o mais rápido possível.

A estrada continuava a serpentear, e o som distante de água corrente avisava que estavam perto do rio Gelado. Ao atravessarem a ponte de madeira velha, as árvores começaram a se afastar, e a luz do sol finalmente os envolveu novamente. Agora, o campo verde se estendia diante deles, ondulando suavemente sob a brisa, e ao longe, Stiles avistou o que tanto procurava.

Ali estavam as fortificações de pedra que protegiam a cidade. Mais perto, sons de vida e energia: risos, música e o barulho constante de uma cidade movimentada.

Um sentimento de alívio — talvez até de felicidade — o preencheu ao se aproximar do muro externo de Beacon Hills. Aqui, pelo menos, ele encontraria uma breve pausa na tensão que havia deixado para trás. A cidade era um lugar onde Stiles podia desaparecer por algumas horas, longe das responsabilidades e das intrigas de sua família. Ele gostava de visitar as tavernas locais, às vezes a biblioteca central... e, bem, dar uma boa olhada nos bordéis, embora jamais tivesse ousado cruzar suas portas. Somente pesquisa sociológica, dizia a si mesmo com um sorriso irônico.

Ao cruzar os grandes portões de pedra de Beacon Hills, Stiles ergueu os olhos para a imponente placa com o símbolo da coroa de Caeloria. O emblema da fênix, esculpido em alto-relevo na rocha e pintado em dourado brilhante — quase como se fosse ouro de verdade —, reluzia sob a luz do sol. Era uma visão grandiosa, feita para impressionar qualquer um que entrasse na cidade.

Mas Stiles não tinha tempo para contemplações artísticas, nem para a agitação da feira que se estendia pela ampla estrada pavimentada de paralelepípedos. Ele incitou o cavalo a seguir por uma rua transversal, desviando habilmente das carruagens, carroças e da multidão que parecia ter vindo de todos os cantos do reino.

Deixando para trás as ruas principais, ele conduziu Scott por uma série de becos estreitos e sinuosos até finalmente alcançarem um grande edifício próximo à muralha norte da cidade.

O prédio se destacava como uma presença sombria em meio à arquitetura vibrante de Beacon Hills. Construído com pedras escuras, ele tinha três andares, sustentados por colunas maciças que sustentavam um telhado de mármore polido. As janelas, feitas de vidro verde-escuro, refletiam o ambiente com uma opacidade misteriosa. Este era o famoso Ninho das Cobras, como Stiles gostava de chamar — oficialmente conhecido como a Casa dos Arcanum, o local onde os nobres da região se reuniam para negociar, debater e, acima de tudo, competir entre si.

A fachada parecia incrivelmente formal, quase ameaçadora. Mas Stiles sabia que o interior tinha outro propósito, bem menos nobre. Lá dentro, havia uma taberna exclusiva, um salão repleto de poltronas de couro onde os nobres se sentavam para fumar e vangloriar-se de suas últimas conquistas. As paredes eram decoradas com pinturas e retratos das famílias mais proeminentes da região, como se o espaço fosse um campo de batalha silencioso, onde cada quadro lutava por mais centímetros de parede, simbolizando poder e importância. Para Stiles, era um festival de frivolidades, dissimulações e uma diplomacia que mal conseguia se sustentar em suas próprias mentiras.

Ele desmontou do cavalo, e imediatamente uma garota pequena e ágil, vestida com o uniforme escuro com detalhes dourados dos servos do reino, se aproximou para pegar as rédeas do animal. Stiles entregou o cavalo sem hesitação, mas percebeu que a jovem hesitou ao estender a mão para o cavalo de Scott, franzindo ligeiramente a testa.

Stiles, percebendo a situação, lançou um olhar travesso para Scott antes de dizer:
— Se você é minha babá, como gosta de dizer, terá que vir comigo direto para o ninho das cobras. — Ele gesticulou dramaticamente em direção à grande porta de madeira maciça que marcava a entrada do prédio.

Scott, com um suspiro resignado, entregou as rédeas à garota e seguiu Stiles, mantendo-se a alguns passos de distância.

***

— Senhor Stilinski... É uma honra vê-lo aqui. — A voz de um homem ecoou no hall de entrada assim que Stiles cruzou a imponente porta de madeira escura. O interlocutor era um mordomo de aparência austera, com óculos de lentes grossas como fundos de garrafa e uma barba grisalha meticulosamente aparada.

Stiles mal tivera tempo de fechar a porta atrás de si quando foi recebido pelo homem. O hall era estreito, com paredes de pedra adornadas com o símbolo da fênix de Caeloria, esculpido no teto acima. À frente, várias portas permaneciam fechadas, protegendo o interior do edifício e, com toda a certeza, suas intrigas e segredos.

— Honra, mesmo? — Stiles arqueou uma sobrancelha, deixando escapar uma leve ironia. Ele sabia que o mordomo não estava genuinamente entusiasmado com a presença de um inerte como ele, mesmo que fosse filho do duque Stilinski. Principalmente por ele não estar acompanhado de um "nobre de verdade" — ou seja, alguém com Arkanis.

— Obviamente. — O mordomo pigarreou, ajustando os óculos enquanto tentava recuperar a compostura. — Imagino que esteja aqui para ver seu avô. Posso enviar um servo para informá-lo de sua chegada.

— Não precisa. Eu mesmo vou vê-lo. — Stiles deu um passo à frente, mas o mordomo moveu-se rapidamente para barrar sua passagem, uma ação que beirava a insolência.

— Senhor, insisto. É meu dever ser o intermediário em tais circunstâncias. Além disso, você não saberá onde encontrar o atual chefe da família Stilinski.

Stiles captou o tom deliberadamente enfatizado em "atual chefe". Era, sem dúvida, uma provocação. Ele cruzou os braços, mantendo um sorriso preguiçoso no rosto.

— Meu pai me trouxe a esta casa tantas vezes quando eu era pequeno que poderia desenhar sua planta de olhos fechados. Não vou me perder. Aliás, sei exatamente onde os nobres "se reúnem" quando querem fazer algo que não deveriam... Se é que me entende.

Ele piscou para o mordomo, cuja expressão de horror parecia uma obra de arte. Poucos ousavam falar tão abertamente sobre as hipocrisias dos nobres, muito menos dentro da própria Casa dos Arcanum.

— Ainda assim, senhor Stilinski, esta casa é reservada exclusivamente para nobres com Arkanis. Sem querer ofender... Obviamente. — O tom polido não disfarçava a intenção clara de insultá-lo. Os olhos miúdos do mordomo brilhavam com uma malícia disfarçada, o que fez o sangue de Stiles ferver.

Scott, que estava alguns passos atrás, parecia prestes a intervir, mas Stiles o conteve com um leve movimento de cabeça. Ele sabia exatamente o que fazer.

— Ah, você quer Arkanis, não é? — disse Stiles, enfiando a mão na bolsa de couro que carregava.

— Stiles... — começou Scott, a voz carregada de preocupação.

Mas já era tarde. Stiles tirou da bolsa uma pequena esfera metálica, intricadamente ornamentada com fios de bronze entrelaçados e contendo um cristal pulsante e brilhante no centro.

Antes que alguém pudesse protestar, ele soltou o dispositivo no chão.

O impacto gerou uma explosão controlada de luzes e sons. Uma nuvem de fumaça colorida rapidamente se espalhou pelo ambiente, repleta de faíscas e brilhos cintilantes que mais pareciam estrelas dançantes. O ar ficou carregado de um cheiro que era uma mistura de magia e metal, e o mordomo começou a tossir descontroladamente, agitando os braços como se pudesse afastar a fumaça.

Era um perfeito exemplo de uma invenção arcanomecânica em ação.

— Bem, parece que agora temos Arkanis aqui. Satisfeito? — murmurou Stiles para si mesmo enquanto aproveitava o caos para abrir uma das portas e desaparecer no interior do edifício.

Scott, com um olhar de resignação que beirava a exasperação, apressou-se a segui-lo, os dois desaparecendo pela entrada enquanto o mordomo continuava tossindo e resmungando.


~~Palavras da autora~~

Olá pessoal, essa uma história que terá muita fantasia além de Sterek. Então, será um mundo fantasioso e com novos personagens (originais). Certo? Conforme a história vai adiantando informações sobre esse mundo, seus poderes, estrutura de governo e tal vai sendo informado. Ok? Não quero explicar tudo agora!

Gosto como as coisas vão se descobrindo aos poucos. Certo?

Espero que gostem do universo doido que criei!

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top