Capítulo 16

— Entre, entre, senhor Stilinski — disse uma senhora sentada em uma poltrona estofada que mais se assemelhava a um trono. Assim como a filha, era uma mulher alta, e claramente o móvel fora adaptado às suas proporções. O resultado era uma cadeira digna de uma gigante — ainda que envolta em sofisticação e delicadeza. O escritório, em contraste, parecia pequeno demais para comportar sua imponência.

— Aceita um pouco de chá? — perguntou ela, indicando uma travessa de prata repousando sobre a escrivaninha de mogno. As xícaras, decoradas com o brasão da fênix — símbolo da monarquia — pareciam feitas da porcelana mais cara do reino.

Stiles, no entanto, não sentia o menor desejo de compartilhar chá com a diretora Brightlight. Havia algo na combinação entre chá caro e críticas veladas que o deixava profundamente desconfortável.

— Então... esse negócio da prova... seria o quê, exatamente? — perguntou, indo direto ao ponto. Não queria passar um minuto a mais ali do que o absolutamente necessário.

— Não seja tão rude, jovem Stilinski — repreendeu JB, que estava elegantemente postada ao lado da mãe. — Ou será que devemos presumir que aquela redação que enviou sobre etiqueta e modos nobres foi... digamos, fictícia? Afinal, ela compôs a maior parte da sua nota na disciplina.

Stiles mordeu o lábio inferior, lutando contra a vontade de sugerir, de forma polida e com o mindinho erguido, que Jane Brightlight poderia muito bem usar sua redação para fins sanitários. Quem sabe, um novo papel higiênico para a privada?

— Isso apenas reforça que uma avaliação se faz necessária — decretou a diretora, com o tom calmo de quem estava acostumada a ditar sentenças. Era uma senhora de feições enrugadas, olhos pequenos e escuros, contrastando com a vasta cabeleira cinzenta que Stiles sabia — com certeza absoluta — ser uma peruca.

— Eu passei em todas as disciplinas — enfatizou ele, na tentativa de encerrar aquela farsa com argumentos racionais.

— Mas isso não impede que a escola conduza uma avaliação complementar — respondeu a diretora, levantando-se com um ar solene. — Precisamos garantir que você tenha de fato absorvido os valores da instituição e esteja pronto para representar, com perfeição, sua função dentro da sua família nobre.

Ao lado da escrivaninha, uma porta de vidro que dava para o jardim foi aberta por uma das empregadas. Sem outra opção, Stiles, irritado, seguiu as duas mulheres para fora do escritório — tentando não imaginar qual humilhação cuidadosamente arquitetada o aguardava do lado de fora.

O jardim era um dos maiores orgulhos da diretora Brightlight — e com razão. Estendia-se por dezenas de metros, parecendo mais um bosque cuidadosamente domesticado no coração de Beacon Hills. Era um bosque estilizado, naturalmente: árvores aparadas com copas esféricas, moitas esculpidas em forma de animais, fontes murmurantes e, no centro de tudo, um labirinto. Um labirinto que, curiosamente, parecia mais alto e denso do que Stiles se lembrava. Será que esqueceram de podar as moitas?

— Senhora Brightlight... — chamou um rapaz que os aguardava na sacada.

Stiles não o conhecia. O jovem vestia um terno verde-claro que contrastava deliberadamente com a gravata azul-cobalto. Seus cabelos castanho-claros, quase loiros, estavam presos por um fio esverdeado, e ele usava óculos de armação dourada com lentes finas. Os olhos castanhos se fixaram em Stiles por tempo demais, mesmo enquanto ele beijava respeitosamente a mão da diretora.

— Este é Charles Veredyn. Já ouviu falar dos Veredyn, senhor Stilinski? Se tivesse comparecido às aulas sobre as famílias nobres do reino... — começou a diretora, com aquele tom de reprovação envolto em falsa gentileza.

— Veredyn — interrompeu Stiles, seco. — São nobres do condado de Thornevale. O lema da família, se não me falha a memória, é "De raízes profundas, cresce o poder." Um tanto distante para um passeio casual até Beacon Hills, não acha, conde?

— Ainda não sou conde — respondeu Charles, sorrindo com elegância. — Mas quem sabe um dia... talvez possa a ser um duque. Minha carta também foi enviada a você, jovem Stilinski.

— Certo... mais um pra fila — resmungou Stiles, num tom que fez JB pigarrear, talvez tentando disfarçar a indelicadeza.

— Bem... este jovem nobre está aqui justamente para participar da sua prova final — anunciou a diretora, e Stiles notou, com suspeita, um sorriso se formando nos lábios dela. Ou talvez fosse apenas um espasmo. Nunca se sabia com a senhora Brightlight.

— Minha prova... — repetiu Stiles, ainda tentando entender. A diretora então apontou para o labirinto.

Só então Stiles notou: bem no centro da estrutura de cerca viva, erguia-se uma coluna de pedra, sobre a qual repousava um troféu ornamentado com o símbolo da escola — uma estrela sobre um monte.

— Você deve alcançar aquele troféu e trazê-lo até mim antes que as areias desta ampulheta — disse JB, erguendo uma peça enorme de prata trabalhada, cheia de grãos dourados reluzentes — cheguem ao fim.

— Espera... Essa é a minha prova? — indagou Stiles, franzindo o cenho. Ele lançou um olhar rápido à ampulheta e fez um cálculo mental. — Isso me dá... uns trinta minutos?

A diretora riu.

E não foi uma risada agradável. Era algo entre o grasnar de um corvo e o som de alguém se engasgando com poeira — um ruído que definitivamente destoava de todo aquele teatro de chá nobre e formalidade.

— Bem, você sempre pode realizar a prova depois — disse JB, sorrindo de forma insuportavelmente doce — e evitar, claro, a desaprovação pública que inevitavelmente virá.

Definitivamente, sorrisos não eram uma característica apreciável naquela linhagem.

— Depois do quê? — perguntou Stiles, embora já soubesse a resposta.

— Do seu baile, é claro — respondeu a diretora, quase triunfante. — Quando você escolher seu noivo ou noiva nobre. E então essa pessoa poderá adentrar o labirinto por você e pegar o troféu. Veja só, que romântico... E também pedagógico: uma lição sobre como, sendo você alguém sem Arkanis, é natural depender de um parceiro ou parceira que possua esse dom. Afinal, esse é o verdadeiro e honrado papel de um nobre da sua posição.

Stiles sentiu uma leve náusea. Então era isso — uma prova disfarçada de humilhação final. Uma tentativa de colocá-lo "em seu lugar".

Valeria a pena mencionar que o Duque Stilinski, seu pai, já o nomeara oficialmente como herdeiro? Provavelmente não. Iriam rir, desdenhar, dizer que era boato... e continuariam a empurrá-lo para uma aliança conveniente com algum nobre poderoso e, claro, devidamente Arkanizado.

Olhando de relance para Charles Veredyn, Stiles concluiu que o esquema ia além das famílias de Beacon Hills.

— Certo — disse ele, apertando com firmeza a alça de sua bolsa transversal. — Quanto tempo tenho para me preparar?

— Como é? — A diretora piscou, surpresa.

— Eu não vou esperar até o meu baile. Vou fazer a prova agora. Só preciso de um tempo para me preparar. — Ele falou pausadamente, como se explicasse algo a duas senhoras um tanto surdas, ou teimosas.

— Não vai pedir ajuda a um nobre com Arkanis? — Charles se intrometeu, o tom condescendente. — Que... fofo.

— Sim, claro — disse Stiles, o sarcasmo escorrendo de cada palavra — mais fofo ainda seria eu fracassar diante de todos e me ver forçado a me unir a algum príncipe encantado com poderes mágicos, não é?

Charles fez uma careta. Talvez Stiles já não estivesse tão "fofo" assim aos seus olhos.

— Bem... para que seja uma avaliação justa — declarou a diretora, recomposta — você terá uma hora. E nada mais.

Stiles assentiu e deixou a sacada. Caminhou com aparente calma pelo escritório — ao menos até se certificar de que estava fora do campo de visão da diretora, da filha dela e do jovem nobre. Assim que saiu pela porta de entrada, disparou em corrida desenfreada.

Scott e Allison, que o aguardavam no hall de entrada do escritório da diretora, o viram passar como um vendaval.

— Stiles, o que...?

— Sem tempo! Scott, corre até o estábulo e traz o resto das minhas coisas! Deixei mais material na sela!

— Coisas? Que coisas?! — perguntou Scott, correndo atrás dele, claramente confuso.

— Minhas peças! Preciso de tudo para uma ideia com a minha Arcanomecânica! — gritou Stiles por cima do ombro, já acelerando os passos com os dois amigos em seu encalço, sem a menor ideia do que exatamente ele estava tramando... mas completamente a bordo.

***

— Você não devia ter aceitado. Podia ter voltado pra casa, pensado em uma estratégia melhor pra vencer essa prova — disse Scott, observando Stiles curvado sobre uma mesa no canto do refeitório da escola.

Ele já havia perdido a conta de quantas ferramentas Stiles usara — chaves de fenda, alicates, cristais Arcanomecânicos espalhados como confetes brilhantes. Era uma bagunça organizada, ou talvez apenas caótica mesmo.

— Daria no mesmo — rebateu Stiles, ajustando uma peça metálica com movimentos rápidos. — E não ia baixar a cabeça para elas agora. Aposto que depois nem me deixariam usar Arcanomecânica... Agora é meu trunfo.

Uma faísca crepitou. Fumaça mágica subiu, e Scott lançou um olhar alarmado para Allison, que assistia à cena com a mesma apreensão.

— Stiles... e se você chamasse os Hales? O tal Derek? Ele poderia pegar o troféu por você... — sugeriu Allison, meio incerta. — Ou... eu mesma posso ajudar.

— Não. Eu não preciso de ajuda. Eu consigo lidar com isso sozinho. — disse Stiles, limpando o suor da testa com as costas da mão, sem parar de trabalhar. — Posso não ter Arkanis, Allison, mas sei me cuidar.

Ele lançou um olhar de canto para a amiga e, com um sorriso travesso, completou:

— E se você me ajudasse, seria como dizer que está comprometida comigo. E você não quer isso de verdade... quer?

Stiles piscou para Scott, e tanto Allison quanto o próprio McCall coraram como tomates recém-colhidos.

Teria sido adorável de assistir — se Stiles não estivesse ocupado demais para notar.

— Quanto tempo eu tenho? — perguntou, sem tirar os olhos do que fazia.

— Entre quinze e vinte minutos... — respondeu Scott, nervoso.

— Certo. Então não terei tempo de testar... — murmurou Stiles, avaliando o protótipo diante de si. Estava trabalhando nessa ideia há meses, mas ainda não sabia se realmente funcionaria.

— Isso é... o quê? Uma luva? — perguntou Scott, franzindo o cenho.

"Luva" talvez fosse uma descrição limitada. Havia uma luva ali, sim, mas as articulações estavam interligadas por pequenas engrenagens, hastes de metal, e um sistema complexo de roldanas. No centro da palma, uma placa receptora de energia Arkanis pulsava suavemente, conectada por tubos finos a uma estrutura cilíndrica no antebraço. Dentro dessa estrutura havia três esferas giratórias com cavidades para inserir cristais. Uma alavanca lateral permitia rotacionar as esferas, canalizando diferentes tipos de energia para a placa na palma da mão.

O plano era simples — ou quase: colocar a luva e o dispositivo no braço esquerdo e torcer para não explodir.

— Eu nem nomeei isso ainda... talvez... "Luva de Superpoder"? Não, péssimo. Estou sem criatividade — choramingou Stiles, mexendo nos encaixes finais.

— Depois você pensa no nome! Isso vai funcionar? O que é isso, afinal? — questionou Scott, à beira do pânico.

Stiles, ao contrário, mantinha uma estranha serenidade.

— Isso, meu caro, é o que vai me fazer vencer essa prova... assim espero. — Ele inspirou fundo. — Agora só preciso escolher quais cristais vou usar.

O Oricalco era uma escolha inteligente. Manipular peso e gravidade era uma vantagem estratégica considerável para o tipo de desafio que o aguardava. Em seguida, ele escolheu um cristal de tonalidade azulada que cintilava conforme a luz incidia sobre sua superfície — o Cristal de Aerion. Refinado, leve, e preciso, canalizava correntes de ar com fluidez quase dançante.

Stiles sorriu ao pensar que os Argent provavelmente não ficariam felizes em saber que um cristal era capaz de imitar seu dom de manipular massas de ar. Ironicamente apropriado.

Quanto ao terceiro cristal, escolheu um de cor de brasa que oscilava para tons mais escuros, faiscando perigosamente. Ao segurá-lo por tempo demais, o calor tornava-se incômodo. Pyrathor. Se Jackson estivesse assistindo à prova, certamente iria adorar — ou detestar — ver o que aquele cristal poderia fazer nas mãos de Stiles.

Mas havia um detalhe a mais.

Stiles havia instalado uma entrada extra para um quarto cristal — discretamente posicionada na palma da luva, separada das esferas rotativas principais.

O cristal misterioso.

Aquele que causara tanta confusão anteriormente. Aquele sem nome, cuja natureza ainda escapava à sua compreensão. Talvez amplificasse o poder dos outros cristais... ou talvez causasse uma bela explosão. Era difícil saber.

Stiles o pegou cuidadosamente, guardado em separado dos demais para evitar reações indesejadas. Assim que o segurou, o cristal começou a pulsar em sua mão — emitindo aquela onda de energia peculiar que nenhum outro cristal em sua experiência jamais apresentara.

— Stiles, acabou o tempo — disse Scott, ansioso, quase roendo as unhas.

— Certo... — Stiles encaixou o cristal sem nome no slot extra, o encaixe produzindo um leve estalo metálico.

— Estou pronto — disse ele, com um sorriso hesitante. Havia uma pontinha de empolgação em sua voz... mas nenhuma garantia de que aquilo realmente funcionaria.

***

Ele não podia desistir. Não agora.

Não contara para Scott nem para Allison, mas vencer aquela prova ia além de conquistar um simples diploma. Era sobre provar algo maior — para as Brightlight, para os nobres, para Beacon Hills... para todo o reino de Caeloria. Ele precisava mostrar que era digno de representar os Stilinski. Que podia ser o próximo Duque. Que não precisava da tutela de outro nobre com Arkanis para ser respeitado.

Com as correias do cilindro ajustadas no braço esquerdo e a mão direita firmemente segurando a alavanca do dispositivo, Stiles avançou para dentro do jardim.

— Que troço é esse que ele está usando? — ouviu alguém comentar de uma das sacadas.

Ah, claro. No espaço de uma hora que passara ajustando seu protótipo, a diretora e JB, como era de se esperar, haviam convocado todos os estudantes da escola para assistir ao espetáculo. Ou melhor: para assistir ao fracasso anunciado.

Dos altos balcões e dos cantos do jardim, dezenas de alunos observavam com olhares curiosos, trocando risinhos maldosos entre si. Stiles conseguiu ver Scott e Allison se espremendo na sacada mais próxima. Diferente dos demais, eles o encaravam com uma expressão clara de medo.

— Senhor Stilinski — a voz da diretora soou imponente, vinda da sacada mais alta e central — a mesma onde ele estivera momentos antes. Lá estavam ela, JB e o tal Charles Veredyn, todos elegantemente posicionados como juízes de um espetáculo circense. — Está pronto para iniciar sua prova?

Stiles apertou com firmeza a alavanca. Seus olhos encontraram a diretora, que agora segurava a ampulheta. Meia hora.

— Estou — respondeu ele, com um aceno firme.

A diretora virou a ampulheta e, em resposta, os estudantes explodiram em aplausos e gritos — não de incentivo, mas de diversão.

— Que isso funcione... — murmurou Stiles para si mesmo, enquanto avançava em passos rápidos em direção ao labirinto verdejante.

— Vai a pé mesmo? Não vai dar tempo! — zombou alguém.

— Que idiota! — outro comentário venenoso ecoou.

Stiles girou a alavanca, rotacionando uma das esferas de cristal.

— Oricalco! — exclamou.

Sentiu o atrito das engrenagens catalisar a ativação. A energia do cristal percorreu o sistema, alimentando a placa de energia na palma de sua mão. Ele a direcionou ao solo — e, em resposta, foi erguido alguns centímetros do chão.

— Só isso? — A voz de Jackson soou clara, seguida de sua risada debochada.

Stiles engoliu em seco.

"Por favor, funcione. Por favor, funcione. Por favor..."

Então veio o pulso.

O cristal sem nome despertou.

Um impulso súbito o fez ser lançado ainda mais alto, elevando-o vários metros acima do chão. As risadas cessaram. As palmas se calaram. Ele flutuava. Alto. Imponente.

Mas apenas levitar não bastava.

Girou a alavanca novamente.

— Aerion! — anunciou, virando-se e apontando a mão para trás, na direção oposta ao labirinto.

A flutuação foi desativada — e, no lugar, uma brisa suave começou a sair da palma de sua mão. O cristal sem nome brilhou mais uma vez... e a brisa transformou-se numa poderosa rajada de vento.

Stiles foi impulsionado para frente como um projétil, voando em alta velocidade na direção do labirinto.

Parecia triunfante. Majestoso.

Exceto pelo fato de estar gritando o tempo todo.

Ele estava indo rápido. Muito rápido. E o mais incrível: já havia alcançado o labirinto, voando por cima de suas paredes vivas. Perfeito. Em poucos segundos, teria o troféu em mãos.

A não ser... que algo desse errado.

E, claro, deu.

As paredes de vegetação começaram a crescer subitamente, alongando-se como se tivessem vontade própria — tentando agarrá-lo com galhos que mais pareciam tentáculos verdes.

Ah... Charles Veredyn. O herdeiro botânico. O poder de sua família nobre envolvia, como era de se esperar, o controle das plantas. Então esse era o papel dele na tal "prova". Fazia sentido agora por que a diretora o havia convidado para "participar".

Stiles girou a alavanca rapidamente para mudar o fluxo de energia, mas não foi rápido o suficiente. Colidiu de frente com uma parede de cerca-viva. Não era sólida, claro — mas com a velocidade que vinha, o impacto foi tudo, menos suave.

Ele não caiu no chão, mas ficou preso numa moita que, em tempo real, estava crescendo e o engolindo. Lá de cima, ele não podia ver, mas tinha absoluta certeza de que a diretora e JB estavam incentivando os alunos a baterem palmas como se assistissem a um glorioso funeral.

Mas ainda havia um cristal.

Stiles cuspiu uma folha que fora parar em sua boca, ignorou a dor que percorria o corpo, e girou a alavanca para ativar a próxima esfera.

Pyrathor.

***

— Devo continuar? Não quero machucá-lo... muito — disse Charles da sacada, as mãos erguidas enquanto controlava as plantas do labirinto. As mesmas haviam se entrelaçado, formando um casulo denso ao redor do ponto onde Stiles havia desaparecido.

— Continue. Dizem que as raposas são surpreendentemente resistentes — respondeu a diretora, abrindo um leque e ocultando o sorriso nos lábios.

— Isso vai ensiná-lo a se comportar. Imagine, usando aquelas geringonças... como é mesmo o nome? — comentou JB com um encolher de nariz enojado.

— Algo com arcan... Arcanomecânica? — arriscou Charles, embora estivesse concentrado demais para engatar uma conversa completa.

— Bem, ainda temos tempo — murmurou a diretora, consultando a ampulheta. — Pode segurá-lo ali até...

E então veio um clarão. Depois, fumaça. E, por fim... fogo.

Uma labareda foi expelida com força, queimando as plantas em volta do casulo. Mesmo à distância, Charles sentiu o impacto e recuou como se ele próprio tivesse se queimado.

— Como assim... ele usou fogo?! — exclamou Jackson, horrorizado, de uma sacada abaixo.

Era uma boa pergunta.

A diretora, abalada, viu Stiles emergir das chamas, saltando por cima das plantas em combustão, o dispositivo em seu braço ainda ativado. Um segundo depois, ele usou o vento — Aerion — impulsionando-se novamente no ar.

— Isso não pode ser! — gritou a diretora, com a voz esganiçada. Seu leque foi esmagado na própria mão, rachando como material barato sob a força da frustração. Nada elegante para uma dama tão "composta".

Ela observou, boquiaberta, enquanto Stiles alcançava o troféu — e, com uma nova rajada de vento, voltava na direção deles.

E ele estava vindo rápido.

Muito rápido.

— Oh, céus! — foi tudo o que conseguiu dizer.

***

— Eu sabia que era peruca... — disse Stiles, ofegante, com o blazer chamuscado, apenas um sapato no pé e galhos e folhas enroscados nos cabelos. Flutuava na sacada da diretora, tendo usado o poder do cristal para retardar sua aterrissagem.

O único problema?

Todos os presentes na sacada — pessoas, objetos, e a elaborada peruca da diretora Brightlight — haviam flutuado junto com ele.

— Como ousa! Como ousa! — gritava a diretora, as mãos tentando em vão recuperar alguma dignidade enquanto a gravidade retomava seu domínio. Stiles girou a alavanca do dispositivo, desativando a energia e pousando de forma... bem, pouco graciosa.

A aterrissagem foi um tropeço controlado. A peruca, por sua vez, caiu aos seus pés — como um troféu alternativo da batalha.

Mas ele já segurava o verdadeiro. O troféu da escola estava firme sob seu braço direito. Seu braço esquerdo, por outro lado, tremia e doía com o esforço, mas ele não demonstrou fraqueza.

Com toda naturalidade, colocou o troféu sobre a peruca caída no chão.

A ampulheta, agora tombada de lado, parecia confirmar que ele havia chegado a tempo — ou, pelo menos, ninguém ousaria contestar naquele momento.

— Acho que agora vou querer meu diploma — disse ele, encarando as duas Brightlight furiosas que ainda tentavam se recompor após o episódio flutuante, e Charles Veredyn, agora despenteado, sem os óculos e com expressão de puro espanto.

E ao fundo?

Palmas.

Assobios.

Gritos de comemoração.

Os alunos estavam adorando.


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