Lisboa, menina e moça
Dizem que só percebemos o valor das coisas quando as perdemos. Mas ela não é assim: não foi necessário ficar restringida à sua própria casa para perceber o amor que nutre por aquela cidade desde que se entende por gente.
Os passeios pelas ruas da capital são tão frequentes que são quase rotina. Qualquer caminho lhe serve, mas dá por si inúmeras vezes no Chiado, perdida na magia que a baixa lhe transmite. Como boa amante de livros, a Sá da Costa é paragem obrigatória, nem que seja só para namorar os títulos apelativos ou as capas sedutoras.
Mas as histórias não estão só nos livros. A própria cidade está cheia delas; e ela, ❝a que no mundo anda perdida❞, gosta de descobrir as que se escondem por detrás de cada porta e janela, os segredos que são sussurados em cada esquina e os beijos trocados em cada rua.
Abandonando o conforto familiar da livraria, ela deambula pela cidade. Sem que se aperceba, os seus pés levam-na para sudeste, para o rio, enquanto a sua cabeça se ocupa a absorver toda a maravilha circundante.
Quando por fim desperta do transe, dá por si no sítio onde a terra e a água se fundem, tornando-se um só. Inibriada, por ali fica horas a fio, em silêncio, a admirar o ondular das águas contra as colunas do cais.
Desde sempre que a cumplicidade entre a cidade e o rio a fascinam. E não há melhor sítio no mundo para a testemunhar que aquele espaço tão especial: a entrada nobre da sua amada Lisboa.
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