Capítulo 1
O quarto estava escuro. E isso, por si só, já era um sinal de alerta. Ele nunca dormia no escuro. Tinha uma velha mania — considerada por muitos a culpada pela sua péssima qualidade de sono — de deixar a TV ligada a noite inteira. Dormir com silêncio absoluto? Jamais.
Primeira bandeira vermelha. A segunda veio logo depois: a dor de cabeça latejante que fazia seu crânio pulsar como se estivesse prestes a explodir.
Abriu os olhos. Tudo estava borrado. Ok, em parte era porque estava sem os óculos, mas aquela dor...
Só podia significar uma coisa: ele tinha bebido demais.
E então, as memórias começaram a retornar, como cacos de vidro se reorganizando. Sim. Ele se lembrava — vagamente — de ter sido arrastado para um bar pelos amigos. A missão? Afogar as mágoas. Só que, pelo visto, tinha levado a metáfora um pouco longe demais. Bebidas com alto teor alcoólico não eram exatamente a melhor companhia para alguém como ele. Ainda mais alguém com magia instável.
Ele sabia disso. Sabia muito bem. E ainda assim... depois do segundo copo, todas as decisões erradas pareceram ótimas.
— Droga, Elliot... Por que você faz essas coisas? — resmungou, tentando se levantar. Mas algo o impediu.
Ou melhor, alguém.
Algo pesado estava sobre sua cintura. Seus olhos se arregalaram.
Um braço — musculoso, forte e tatuado — repousava sobre ele, firme como se o segurasse ali de propósito. E esse braço, para seu desespero crescente, estava conectado a um homem. Um homem alto, absurdamente bonito, e igualmente musculoso, estirado confortavelmente na cama ao lado dele.
Uma cama que, a julgar pelo lençol de tecido sedoso e claramente caro, definitivamente não era a cama de Elliot.
— Droga, droga... — murmurava baixinho, a ansiedade crescendo conforme percebia detalhes cada vez mais desconcertantes. Mesmo com a visão míope ainda embaçada, deu para notar: o quarto era grande, com cortinas pesadas e escuras deixando escapar filetes da luz do sol. Luxuoso demais. Nada familiar.
Quando, exatamente, ele tinha vindo parar ali? E quem, pelo amor de todos os deuses antigos e novos, era aquele cara?
Tateando ao lado, os dedos trêmulos finalmente encontraram o criado-mudo. Um suspiro de alívio escapou quando tocou seus óculos. Colocá-los foi como abrir um portal — só que, nesse caso, direto para um pequeno ataque de pânico.
As tatuagens no braço do homem... Eram mágicas.
Mais precisamente: selos de contrato. O tipo de feitiço que Elliot só tinha visto em livros antigos de magia avançada. E sabia muito bem o que significava: alianças com entidades demoníacas. Feiticeiros cujo poder vinha de pactos sombrios — e, na maioria das vezes, questionáveis. Exatamente o tipo de gente com quem a avó de Elliot dizia para ele nunca se meter. Ser um druida deveria estar relacionado à natureza, equilíbrio, essas vibes meio hippies de paz e amor.
Não contratos com demônios.
Não envolvimento com máfias mágicas.
Definitivamente não esse tipo de drama. Elliot gostava de suspense — desde que estivesse em forma de série na tela, e não na própria vida.
— Droga, droga, droga... — repetia, agora tentando, com a delicadeza de um cirurgião cardíaco, remover o braço musculoso que ainda o mantinha preso à cama.
Não queria olhar para o homem.
Olhou.
Só uma espiadinha.
Cabelos pretos como tinta, traços marcantes, feições asiáticas. Parecia jovem, talvez só alguns anos mais velho. E dormia tão pacificamente que quase dava para esquecer as tatuagens sinistras. Quase. Rosto lindo, diga-se de passagem. Um quê de ídolo de K-pop — se ídolos de K-pop andassem por aí selando contratos com demônios, claro.
Elliot se perguntava, com toda sinceridade, o que um cara daqueles poderia querer com alguém como ele. Um nerd míope, magricelo, com magia mais instável do que seu wi-fi em dias de chuva. Que tropeçava nas próprias pernas e vivia se metendo em encrenca sem nem tentar.
A sorte, decididamente, nunca fora sua aliada.
Mas ao menos, com a paciência de um arqueólogo lidando com relíquias frágeis, conseguiu enfim remover o braço tatuado de cima de si.
Na mente, uma pequena coreografia da vitória começou a se formar.
Agora era só escapar.
Bom, seria, se suas pernas não tivessem decidido virar geleia no exato momento em que ele saiu da cama. Mal conseguiu dar dois passos antes de desabar como um filhote de cervo recém-nascido.
E foi aí que sentiu. A dor. Na bunda.
— Ah... céus... — sussurrou, os olhos se arregalando com a realização que se formava em sua mente, enquanto se dava conta de mais um detalhe fundamental: estava completamente nu.
Totalmente.
E, ao olhar ao redor, o cenário não ajudava. No chão, embalagens de camisinha vazias denunciavam o que o cérebro dele tentava desesperadamente não confirmar.
— Oh, grande Pã... — murmurou, sentindo o calor subir pelo rosto. Não precisava ser nenhum gênio da dedução para entender o que tinha acontecido ali.
Ele teve uma noite e tanto. Daquelas dignas de livro com capa sugestiva. E o mais desesperador? Não lembrava de nada. Absolutamente nadinha. Um buraco negro emocional e físico.
Mas não era hora para pânico. Quer dizer, era — mas um pânico funcional, que ajudasse na fuga. Engatinhando, começou a recolher suas roupas espalhadas pelo chão. Uma cueca aqui, uma calça ali. A missão: ficar minimamente apresentável. Ou ao menos cobrir a dignidade (ou o que restava dela).
— Nunca mais vou beber — resmungava, enquanto se atrapalhava com o zíper da calça. — Eu e o álcool estamos oficialmente divorciados. Separação com divisão de bens e tudo. Bares? Locais malditos! Se eu vir um na minha frente, atravesso a rua. Não, atravesso a cidade. Só chá e café de agora em diante. Eu juro por Pã, por todas as ninfas e dríades da floresta... Por meu pé de tomate-cereja! Eu prometo...
— E você já vai embora sem se despedir?
A voz — rouca, grave e absurdamente sexy — cortou o silêncio como uma lâmina, fazendo Elliot congelar no meio do caminho.
Lentamente, ele se virou.
O feiticeiro misterioso estava sentado na cama, apoiado nos cotovelos, observando-o com um meio sorriso preguiçoso estampado no rosto. Um daqueles sorrisos que sabiam exatamente o efeito que causavam. E nos olhos... oh céus. Íris de um vermelho intenso brilhavam na penumbra como brasas vivas.
Agora que ele estava de frente, Elliot teve uma visão completa do estrago: um peitoral nu, pálido e musculoso, tatuagens mágicas serpenteando pelos braços como se tivessem vontade própria. Era um homem esculpido por deuses com segundas intenções.
A boca de Elliot salivou. Literalmente. Mas ele se forçou a focar. Foco, Elliot, foco.
— Ah, bem... eu tenho compromissos, sabe? — começou, a voz vacilando um pouco. — Ir pra faculdade seria um deles...
Enquanto engatinhava discretamente em direção à porta.
— É domingo — observou o feiticeiro, ainda sorrindo.
Elliot piscou.
— E é proibido ir à faculdade no domingo? Talvez eu goste de estudar na biblioteca de lá! Ou... passear. Isso. Um passeio acadêmico. Eu sou um cara que preza pelo aprendizado, sabe? — disparou, nervoso, as palavras saindo como uma enxurrada.
Quase lá. Só mais um metro e estaria livre.
— Posso te levar até lá, se quiser — ofereceu o homem, a voz carregada de um humor perigoso.
Droga. Ele sabia. Estava se divertindo com o caos de Elliot. Claramente.
— Oh! Não precisa, sério. Você parece ser um cara ocupado. Magia, contratos demoníacos, compromissos infernais... Não quero atrapalhar.
Ele finalmente alcançou a maçaneta. Era só girar e—
A porta se abriu subitamente, revelando um homem de terno — largo, alto, super largo e super alto, na verdade. Tão alto que a cabeça raspada ultrapassava o topo da porta. Elliot congelou no ato, mais uma vez.
O homem o encarou por um segundo, mas logo desviou o olhar para o feiticeiro.
— Senhor Malrik, vim avisar que o café da manhã está pronto. Embora, considerando o horário, já seja quase almoço — disse ele com uma voz grave e seca, como se tivesse engolido um trovão.
Malrik. Aquele nome soava familiar. Elliot sentiu um calafrio subir pela espinha. Onde ele já tinha ouvido aquilo?
— Perfeito. Realmente estou com fome — respondeu o feiticeiro, levantando-se da cama com uma desenvoltura que Elliot definitivamente não compartilhava. Nada de pernas bambas. Nada de dor visível. Nada de vergonha.
E, claro, nada de roupas.
Elliot soltou um gritinho e desviou o olhar, as orelhas pegando fogo. Mas... já era tarde demais.
Ele viu.
Aquilo entrou dentro dele?
"Não é à toa que estou dolorido..." pensou, em completo choque e ligeiramente hipnotizado. A risada de Malrik soou alta e provocante atrás dele.
— Senhor Choi, por que não leva meu convidado até a sala? Acho que ele não vai sobreviver muito tempo me vendo assim... mesmo depois da noite passada.
— Ou eu posso ir! — cortou Elliot, quase tropeçando nas palavras. — Tipo... pra casa. Ou pra faculdade. Ou... pra qualquer lugar.
Qualquer lugar que não aqui, quis acrescentar, mas engoliu a frase a tempo.
Foi então que cometeu o erro.
Virou-se para encarar o tal feiticeiro — o enigmático Senhor Malrik. E descobriu que ele já estava perigosamente perto.
Corpo forte, tatuagens serpentinas descendo pelas pernas definidas. Pés descalços. Postura de predador em descanso. Elliot ainda estava no chão, o que só deixava Malrik mais... imensamente imponente.
Malrik se abaixou diante dele, completamente nu, e Elliot travou. Tentou, em vão, manter os olhos fixos em qualquer outro lugar. Mas sua mente estava em curto-circuito.
Olhos vermelhos encontraram os de Elliot — um contraste assustadoramente belo com o verde da íris do druida.
— Você não vai escapar, pequeno druida. Ainda não.
Elliot abriu a boca. Fechou. Abriu de novo. Igual a um peixe fora d'água. Não conseguiu emitir nenhum som antes de sentir a mão quente e firme do feiticeiro envolver seu pulso, puxando-o com facilidade para colocá-lo de pé.
— Cuide dele, Senhor Choi — disse Malrik, entregando Elliot ao brutamontes da porta com a casualidade de quem entrega um gato arteiro.
— Farei isso, senhor Malrik — respondeu Choi, com seriedade demais.
E Elliot só queria gritar. Talvez dizer um "obrigado pela noite que não lembro nem um pouco" ou avisar que era alérgico a café da manhã... Mas não teve tempo. Antes que pudesse se pronunciar, já estava sendo gentilmente (ou não tão gentilmente assim) arrastado porta afora.
E foi nesse momento, enquanto seus pés descalços quase deslizavam pelo chão luxuoso daquele lugar que definitivamente não era seu, que Elliot chegou à única conclusão lógica possível:
Ele estava super. mega. ultra. encrencado.
~**~
A sala era imensa. Mas não daquele jeito "ok, grande", e sim do tipo "quem precisa de tanto espaço assim?" Na verdade, era uma junção elegante de cozinha americana, sala de estar e sala de jantar — tudo aberto, sofisticado e estrategicamente organizado para gritar: poder e dinheiro. Sofás pretos de design moderno ocupavam o centro do ambiente, voltados para uma TV de tela plana do tamanho de um outdoor. A mesa de jantar, em madeira escura, era grande o suficiente para reunir um clã inteiro. Estantes repletas de livros iam do chão ao teto, misturando grimórios antigos e romances clássicos. Quadros ornamentavam as paredes, exibindo paisagens infernais em tons de vermelho e negro — possivelmente do tipo "inspirado no quinto círculo do Inferno de Dante, edição de luxo".
Ah, e as janelas... enormes, de vidro do chão ao teto. Dava para ver toda a cidade dali, com direito a sacada panorâmica que sugeria: cobertura. Tríplex. De prédio milionário.
Elliot chegou à conclusão óbvia: estava no andar mais alto de um lugar que provavelmente custava mais do que ele ganharia em dez vidas vendendo chá com sua avó.
Só aquela sala era facilmente o dobro da casa de chá da vovó combinada com o minúsculo segundo andar onde ficava seu próprio "micro-palácio" que ele chamava de apertamento.
Sentado à longa mesa de jantar, Elliot observava, ainda com dor de cabeça e a dignidade abalada, o tal Senhor Choi se movimentar com surpreendente graça na cozinha.
O homem, apesar de parecer saído de um laboratório genético especializado em fabricar seguranças gigantes, movia-se com uma delicadeza desconcertante. Espátula em mãos, virava algo na frigideira com a precisão de um chef profissional. Arrumava os pratos como quem prepara oferendas para deuses famintos.
Elliot já teria incendiado a cozinha no primeiro minuto. Literalmente.
Logo, Choi veio até ele. E era impossível não notar: o brutamonte usava um avental azul que — convenhamos — não escondia em nada os músculos largos sob o terno.
— Aqui — disse ele, colocando diante de Elliot um copo efervescente.
O líquido borbulhava como uma poção que talvez, só talvez, pudesse explodir. Elliot o encarou como quem avalia uma bomba nuclear prestes a detonar.
— É para a dor de cabeça — explicou Choi, solícito, sem qualquer sarcasmo.
Elliot soltou uma risadinha embaraçada.
— O-o-obrigado — disse, pegando o copo com as duas mãos e bebendo.
— Então... senhor Choi, é esse mesmo o seu nome, certo? Bem, qual a chance de você me deixar sair daqui e... — A voz de Elliot morreu no meio da frase ao encarar a expressão impassível do homem. — Ok. Entendi. Zero chance.
— Não sei por que está com tanta pressa pra ir embora. Não é muito educado da sua parte, sabia? — disse uma voz familiar, vinda do topo da escada.
Elliot se encolheu.
Malrik descia os degraus com a elegância de quem sabia exatamente o impacto que causava. Agora vestido (graças aos deuses!), trajava uma camisa branca de mangas compridas que escondia as tatuagens, calças de linho pretas e sapatos de couro de bico fino. Os cabelos escuros estavam penteados para trás, ainda úmidos, sugerindo que ele tinha acabado de sair do banho. O rosto, sombreado por uma barba bem cuidada, o deixava com um ar perigoso e sofisticado — uma mistura de CEO de revista de luxo e modelo de perfume caro.
Elliot, por outro lado, sentiu cada célula do seu corpo gritar inferioridade visual. Seus cabelos ruivos deviam estar em total rebelião, provavelmente formando uma juba selvagem. Ainda estava descalço, sem camisa, vestindo apenas o jeans surrado que sobreviveu à noite anterior. Peitoral magro, nada musculoso, coberto de sardas.
Ótimo. Uma visão digna de um personagem de desenho animado ao lado de um semideus de propaganda.
— Aqui, Elliot — disse Malrik, estendendo algo na direção dele.
Demorou alguns segundos para Elliot perceber que era a sua camisa surrada, aquela com o logotipo de um personagem de anime. Ele demorou porque, bem, Malrik acabara de chamá-lo pelo nome.
— Você... sabe meu nome? — Elliot perguntou, surpreso, ao pegar a camisa das mãos dele.
Malrik se sentou casualmente à mesa, ao lado de Elliot.
— Óbvio. Acha mesmo que eu iria transar com alguém sem ao menos saber o nome? Não sou esse tipo de cara — respondeu com naturalidade, fazendo Elliot engasgar com a própria saliva.
Ele arregalou os olhos, ruborizando até a alma, e lançou um olhar desesperado para Choi. Pelo amor de Pã, ele falou isso alto demais, né?
Mas Choi, impassível como sempre, apenas serviu calmamente os pratos do café da manhã. Primeiro para Malrik, depois para o envergonhado Elliot. Como se presenciar conversas pós-sexo constrangedoras fosse apenas parte do expediente.
— Quem diria que você fosse tão recatado — comentou Malrik, com um tom debochado que fazia o sangue de Elliot ferver por motivos confusos.
— Considerando o quão desinibido você foi ontem à noite... sinceramente, nem precisei te seduzir. Foi mais o contrário. Você praticamente arrancou a minha roupa e abocanhou o meu—
— AH! — interrompeu Elliot, num gritinho esganiçado que fez tanto Malrik quanto Choi se sobressaltarem.
— Que café da manhã maravilhoso, hein? Uau! Choi, você é um verdadeiro mestre da cozinha! Olha só esses ovos, perfeitos. E o bacon? Impecável! E tomates! E... cogumelos! Quem coloca cogumelos num café da manhã? Um gênio, só pode! Vamos comer, certo? Seria um pecado deixar essa obra de arte esfriar!
As palavras saíam como uma avalanche de puro desespero, enquanto ele pegava o garfo com a rapidez de quem precisava fugir emocionalmente da conversa, enfiando um bocado generoso de comida na boca. Mastigou. E quase se engasgou.
Choi arqueou uma sobrancelha e lançou um olhar breve — mas claramente cúmplice — para Malrik, que agora parecia se divertir horrores tentando conter o riso.
— Oh, sim... seria mesmo um desperdício — murmurou o feiticeiro, começando a comer também. Mas os olhos cor de brasa dele... estavam fixos em Elliot.
No momento, a mente de Elliot era puro caos — um redemoinho de pensamentos, vergonha e um desespero crescente. Ele se esforçava para lembrar o que, em nome de todas as entidades mágicas, havia acontecido na noite anterior.
Vamos, cérebro. Só dessa vez, colabora.
E então... vieram os flashes.
O bar. Luzes vermelhas e douradas dançando nas paredes. Ele — dançando (o que já devia ser considerado um crime). Tropeçando em alguém. Pedindo desculpas. Sorrisos. Flertes. Beijos. Amassos. Toques que definitivamente não passariam em horário nobre.
Elliot engasgou no mesmo instante em que a lembrança de uma língua quente em seu pescoço explodiu na sua mente.
Malrik, sempre atento, deslizou um copo de suco de laranja até ele — cortesia de Choi.
— O-obrigado... — murmurou Elliot entre a tosse e o rubor ardendo em cada centímetro da pele. Olhar para o feiticeiro só fez tudo piorar. Porque mais imagens vieram com força.
As luzes do bar piscavam em tons sensuais, mas Elliot só via Malrik. Os olhos incandescentes o encaravam como se rasgassem suas camadas — não só de roupa, mas de autocontrole.
Encostado numa parede nos fundos do bar, perto dos banheiros, Elliot sentia as mãos do feiticeiro deslizarem por sua cintura. Lentamente. Seguras. Como se moldassem seu corpo para um propósito específico.
— E eu achando que druidas eram mais tímidos... — murmurou Malrik, a voz rouca reverberando em sua pele.
— Ah, cala a boca — sussurrou Elliot, puxando-o para um beijo.
E então foi como um feitiço. Boca quente contra boca faminta. Um beijo carregado de desejo contido, onde línguas se encontravam e o mundo ao redor virava borrão. Os corpos se encaixaram com uma urgência quase primal, e Elliot gemeu baixo ao sentir as mãos firmes do outro o puxando pela cintura, colando-o contra um peito quente, tatuado, pulsando magia.
E havia mais.
Muito mais.
As ereções, ainda presas pelas camadas de tecido, se encontraram em um choque elétrico de calor e necessidade. Elliot arfou contra os lábios de Malrik, e sem pensar — apenas sentindo — começou a se mover, roçando-se contra ele com um ritmo instintivo, quase desesperado. Cada fricção parecia inflamar os nervos, como se alimentasse uma fogueira que já queimava forte demais.
Malrik respondeu com um rosnado rouco, grave, que reverberou no peito dele — um som que não soava inteiramente humano, carregado de desejo bruto...
— Merda... — sussurrou Elliot, de volta à mesa do café, cobrindo o rosto com a mão, vermelho até a alma.
Talvez fosse hora de desligar essa lembrança.
Talvez fosse hora de apagar todas elas.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top