CAPÍTULO VINTE E DOIS
SAVANNAH
A Villa del Sole era de tirar o fôlego.
Desde as pesadas portas duplas de madeira, que deixavam um feixe de luz dourada invadir o hall branco e minimalista, até as salas de estar com tetos barrocos ornamentados e os terraços em três níveis com vista para o Mediterrâneo cintilante, tudo naquele lugar era absurdo de lindo. Inclinei a cabeça para fora de uma das janelas e absorvi os últimos raios dourados do fim de tarde. O ar tinha cheiro de limões aquecidos pelo sol, provavelmente por causa do pomar de cítricos que Dante disse existir ali perto.
Aparentemente, ele tinha comprado aquela propriedade depois da primeira temporada vitoriosa. Pelo menos era o que dizia uma matéria da ESPN que eu tinha lido. Sim, eu tinha stalkeado um pouco na internet para descobrir no que estava me metendo. Felizmente, quando chegamos, Dante deixou minhas malas em um quarto que claramente não era o dele — disse que precisava fazer algumas ligações de negócios e que ficaria um tempo no próprio quarto.
Durante as horas que tive sozinha, dormi um pouco, tomei banho e troquei o vestido sensual por um vestido simples de algodão. Estava feliz por me livrar daquele look apertado e, principalmente, da imprensa que nos perseguiu em Roma e no caminho até a villa. Todo o interesse no nosso noivado — os gritos dos repórteres, o mar de câmeras, o fato de termos viralizado no Twitter em questão de minutos — tinha deixado minha cabeça girando. Eu sabia que Dante era popular. E entendia que as pessoas estavam curiosas sobre meu lugar "revolucionário" na equipe. Mas nunca me acostumaria com o fato de estranhos se importarem tanto com nossa vida pessoal.
Era cansativo. Sugava a alma de um jeito que eu estava apenas começando a compreender. Não era à toa que Dante às vezes parecia tão distante em público. Ainda assim, ele tinha sido um cavalheiro em Roma, mantendo o braço ao meu redor o tempo todo, como se quisesse me proteger. E eu tinha gostado disso.
Ansiosa para ver a vista do terraço, abri as portas do meu quarto. A paisagem arrancou um suspiro involuntário de felicidade.
Flores violetas brilhantes em vasos de terracota decoravam a varanda de pedra e azulejo, enquanto a montanha abaixo estava coberta de limoeiros. Ao longe, eu via o azul impossível do mar. Era uma beleza intensa, quase inebriante. Aproximei-me da sacada e inspirei profundamente o ar perfumado. Respirei fundo algumas vezes, tentando me acalmar.
Admito, aquilo era infinitamente melhor do que um hostel.
Eu ainda estava usando o diamante no dedo. A pedra brilhante capturava os últimos raios de sol e o reflexo me deixou um pouco tonta.
Girei lentamente o anel no dedo e percebi que meus sentimentos por Dante — meu noivo de mentira — poderiam ficar perigosamente complicados. Ou talvez fosse só luxúria correndo pelo meu corpo, causada pelo ar romântico e perfumado da costa italiana. Tinha que ser isso. Porque eu jamais me apaixonaria por um homem como ele na vida real. Estar naquele cenário perfeito parecia intensificar a sensação de que eu estava vivendo uma realidade paralela, dourada demais para ser verdadeira.
— Gostou? — a voz veio atrás de mim.
Virei-me. Dante caminhava descalço em minha direção, usando apenas uma camisa branca de linho e calças largas da mesma textura em tom areia. Parecia muito mais relaxado do que durante toda a farsa do noivado em Roma. O cabelo escuro ainda estava úmido e bagunçado, como se tivesse acabado de sair do banho. Nas mãos, carregava duas taças de vinho tinto.
Ele me entregou uma.
— Estou começando a me acostumar. O anel realmente é lindo. Ergui a mão com o anel para fazê-lo brilhar novamente.
— Não, boba. A villa. A vista.
— Ah! A villa! Sim, eu amei. Nunca vi nada tão incrível. Achei que tivesse crescido cercada de história e luxo em Savannah, mas isso aqui. . . é inacreditável.
— Foi construída no século dezoito — explicou Dante, começando a contar a história da propriedade. — Eu não cresci com dinheiro nem luxo, então essa foi uma das primeiras coisas que comprei quando assinei meu primeiro grande contrato.
— Eu sei. Li a entrevista que você deu semana passada. Você mencionou essa casa.
Ele me analisou por um instante e sorriu de lado. — Andou pesquisando sobre mim?
Dei de ombros e sorri de maneira provocante. — Ah, aliás...
— Sim?
— Obrigada por ter sido tão gentil em Roma. Eu estava pensando em como tudo aquilo foi maluco, e você não perdeu a calma. Também me fez sentir protegida, e isso foi muito fofo.
Ele não respondeu imediatamente. Apenas assentiu e tomou um gole do vinho. — Você se acostuma depois de um tempo. Ficamos alguns minutos em silêncio, mas, estranhamente, não parecia desconfortável.
— Amanhã vamos descer ali — ele disse, aproximando-se até nossos ombros se tocarem enquanto apontava para uma pequena marina de águas turquesa. — Está vendo aqueles iates? Tenho uma surpresa para você de manhã.
— Você é um homem cheio de surpresas — respondi, meio sarcástica, tomando um gole do vinho.
— Mm-hmm — ele murmurou.
Continuamos bebendo em silêncio por mais alguns minutos. Então Dante tocou suavemente minhas costas, acariciando minha coluna de um jeito casualmente íntimo, como se fizesse aquilo havia anos.
Com delicadeza, envolveu meus dedos no meu rabo de cavalo e deslizou pela extensão do meu cabelo. O leve puxão fez minha pele arrepiar inteira. Virei o rosto em direção ao ombro dele. Ele cheirava a sabonete fresco e especiarias.
Dante colocou sua taça sobre a mesa ao lado e pegou a minha para fazer o mesmo.
— Já está na hora do jantar? — perguntei.
Ele voltou para perto de mim e estudou meu rosto com aquela expressão divertida e sexy. — Está com fome? Porque eu estou.
Antes que eu pudesse responder, ele segurou meu rosto com as duas mãos e tomou meus lábios em um beijo lento, aberto e absolutamente devastador. O beijo, somado à luz dourada do fim de tarde deixando tudo suave e sensual, fez minhas pernas fraquejarem. Eu queria mais. Queria tudo. Para minha surpresa, eu estava pronta para implorar pelo toque dele. Pela boca dele. Pelo corpo dele. Ah, céus. Eu estava profundamente encrencada.
— Não para, pedi, percebendo como minha voz soava baixa e necessitada.
— Você não quer jantar primeiro? — murmurou ele, com um brilho divertido nos olhos.
Balancei a cabeça em negativa. — Pode esperar.
Segurando minha mão, Dante me guiou pelo quarto onde minhas coisas estavam, atravessou o corredor branco e entrou por uma porta alta em arco. O quarto era simples, quase minimalista, mas as enormes portas francesas abertas para o mar transformavam tudo. Uma brisa leve atravessava o ambiente. O piso frio de terracota gelou meus pés descalços e estremeci quando ele me conduziu até a cama baixa coberta por uma colcha branca com detalhes dourados.
Era tão romântico que meu peito doeu. Eu nunca fui do tipo apaixonada por romance meloso, então aquilo era um choque completo. Mas, naquele momento, eu não queria estar em nenhum outro lugar do mundo além dali. Com ele.
— Esse é o seu quarto?
— Sim.
— Interessante. Fingi analisar a cabeceira e os pés da cama de latão, que pareciam antigos e elegantes. Meus dedos deslizaram pelo metal frio.
— Você parece surpresa. Não era o que esperava de mim?
Balancei a cabeça. — Não. Eu te imaginava mais como um cara moderno, meio cinza, preto e branco. E, por que colocou minhas coisas em outro quarto se acabaríamos aqui de qualquer jeito?
Dante sentou-se na beirada da cama. — Porque eu queria garantir que você tivesse um espaço só seu caso quisesse ficar sozinha.
Por trás de toda aquela pose machão, existia um homem respeitoso. E o fato de ele ter pensado nas minhas necessidades, no meu espaço pessoal. . . aquilo me derreteu por dentro.
Fiquei entre as pernas dele enquanto ele acariciava meus braços nus com dedos suaves. Inclinei a cabeça para beijá-lo e ele envolveu minha cintura, me puxando para seu colo. Nós nos encaixávamos perfeitamente.
— Então, vamos fazer isso?
— Fazer o quê? Eu adorava a risada dele, especialmente quando estava relaxado.
— Você sabe. Apontei vagamente para os travesseiros da cama. — Isso.
Ele beijou lentamente meu pescoço. Depois de novo. E mais uma vez. Desejo misturado com um leve medo percorreu minhas veias e estremeci. Aquilo parecia muito mais sério do que o que tínhamos feito na noite anterior no clube.
Muito mais íntimo.
— Eu gostaria muito de fazer isso. A mão dele foi até meu cabelo, soltando o elástico do rabo de cavalo. Ele brincou com os fios, acariciando e puxando mechas lentamente, e ondas de arrepio atravessaram meu corpo inteiro. Era absurdamente decadente o jeito como ele mexia no meu cabelo. Puxei o ar com força.
— O que você deseja, Savannah? Me diz.
Ele subiu com os lábios pelo meu pescoço até a linha do maxilar, tão perto da minha boca que fechei os olhos desejando mais. — Quero. . . Minha voz falhou porque eu estava completamente distraída pela sensação da boca dele pairando tão perto da minha.
— Você precisa saber que eu só vou fazer o que você quiser — murmurou ele. — Nada mais. Nada menos.
— O que eu quero é. . . Consegui finalmente dizer. — Você.
◊
DANTE
Se havia uma coisa que eu amava, era uma mulher entusiasmada. Por mais que eu gostasse de flertar e brincar, eu precisava de consentimento claro e paixão na cama.
O desejo de Savannah era óbvio pela forma como ela inclinava a cabeça em direção à minha, buscando um beijo. Cristalino no jeito como ela se esfregava lentamente contra minha ereção. Evidente na maneira como roçava os lábios nos meus e implorava.
Eu amava cada segundo.
— Outro — ela sussurrou docemente — você me dá outro beijo?
Como eu poderia negar? Eu estava tão impaciente quanto ela, mas ainda tinha presença de espírito suficiente para desacelerar e tornar aquele momento perfeito. Para ela. Eu a beijei devagar, profundamente.
O vestido leve de algodão era curto, e deslizei a mão sob a barra, subindo os dedos por sua coxa macia. Ela apoiou a cabeça no meu ombro e ficamos assim por um momento, enquanto minhas mãos exploravam sua pele suave. Quando recuei até o joelho, ela se remexeu para mais perto; quando subi novamente por sua perna, deixou escapar um gemido sensual.
Foi preciso toda a minha força de vontade para não jogá-la na cama e enterrá-la debaixo de mim, porque ela era linda demais. Mas eu havia prometido a mim mesmo — e, mais importante, a ela — que dessa vez seria diferente. Mais demorado. Perfeito. E seria uma deliciosa tortura despir Savannah lentamente. Sua respiração já estava acelerada e suas bochechas coradas de excitação.
— Por favor? — ela implorou — Eu quero mais.
— Com prazer. Mordi de leve seu ombro, pronto para fazer qualquer coisa que ela pedisse.
Mas quando ela ergueu a mão delicada para acariciar meu rosto, passando o polegar lentamente pelo meu lábio inferior, percebi que estava em perigo. As mulheres normalmente não me tocavam com tanta intimidade, tanto carinho. As mulheres com quem eu costumava dormir conheciam o jogo. Dormiam comigo pela diversão, pelos direitos de se gabar, por um fim de semana selvagem de sexo intenso.
Aquilo era diferente. Savannah era diferente. Ela não tinha expectativas, e isso tornava o que estávamos prestes a fazer ainda mais erótico. E carregado de emoção também.
— Levanta, murmurei em seu ouvido.
Quando ela obedeceu, agarrei a barra do vestido e o puxei acima dos quadris. Savannah terminou de tirá-lo e eu praguejei baixinho em italiano ao descobrir que ela não usava sutiã. Seus mamilos estavam rígidos e rosados, e minha boca salivou só de imaginar tomá-los entre os lábios.
Inclinei-me para beijar a pele macia de sua barriga, perto da renda da calcinha rosa. Ela arfou quando passei a língua sobre o tecido. Ergui o olhar e fiquei fascinado ao vê-la prender os polegares nas laterais da calcinha e descê-la lentamente pelas pernas.
Agora foi minha vez de gemer enquanto acariciava a curva de sua cintura e quadris, admirando os cachos ruivos entre suas pernas. Meu corpo doía de necessidade, duro e ansioso para senti-la, para entrar nela. Mas eu precisava ir devagar, porra.
— É por isso que eu queria fazer isso aqui, enquanto o sol se põe, em vez de num clube escuro. Passei o polegar lentamente por ela. — Você é bonita demais para ficar escondida na escuridão.
Explorei seu corpo devagar com os dedos, muito mais gentilmente do que estava acostumado. Ela ficava mais molhada a cada segundo. Savannah afastou um pouco mais as pernas e eu me inclinei, segurando seus quadris. Guiei uma de suas pernas até que o pé ficasse apoiado no colchão, deixando-a ainda mais exposta para mim.
— Você é tão. . . — falei em inglês, admirando a visão do corpo nu dela, antes de completar em italiano a palavra linda.
Quando minha língua tocou seu ponto mais sensível, ela agarrou a parte de trás da minha cabeça e pressionou o corpo contra minha boca. Diferente do que aconteceu no clube, agora fui devagar, saboreando cada reação dela. Deus, ela era deliciosa. Senti os músculos de suas pernas tremerem e ergui os olhos para encará-la. Com um único movimento, a levantei e a coloquei no centro da cama.
— Desabotoe minha camisa. Devagar. Sem pressa. Inclinei-me sobre ela e observei suas mãos trêmulas enquanto me despia. Depois ela deslizou a camisa pelos meus ombros e braços, deixando-a cair no chão.
— Agora a calça. Sentei-me sobre os joelhos e ela fez o mesmo. Eu tinha planejado esperar antes de tocá-la mais, mas não consegui evitar envolver seus seios com as mãos.
Savannah afastou minhas mãos gentilmente e segurou meus pulsos enquanto beijava meu pescoço, a clavícula, descendo pelo peito e mais abaixo, mordiscando minha barriga enquanto se movia sobre a cama.
Então desamarrou o cordão da minha calça de linho. Ela puxou o tecido pelos meus quadris e pareceu surpresa ao perceber que eu não usava nada por baixo. Agora estava perfeito, nós dois nus, sem lugar para ir e dias inteiros para explorarmos um ao outro.
Apoiada sobre as mãos, ela encarou meu corpo entre as pernas, de olhos arregalados, como se estivesse hipnotizada. E eu nunca tinha me sentido tão poderoso. Nem mesmo depois de vencer o maior campeonato do automobilismo seis vezes. O olhar de Savannah me fazia sentir absurdamente masculino.
— Antes de mim, você já tinha visto o...
Ela me interrompeu. — Não.
— Vem aqui. Senta.
Ela obedeceu. Peguei sua mão e a envolvi ao redor de mim, guiando seus movimentos lentamente. Fechei os olhos e gemi roucamente enquanto inclinava a cabeça para trás. O toque dela era incrível.
Quando abri os olhos novamente, observei seu rosto. Havia desejo, curiosidade e vulnerabilidade em sua expressão. Dio, aquela combinação era devastadora.
— Quer deitar de costas? Assim posso explorar você? — perguntei, bagunçando seus cabelos.
Ela balançou a cabeça. — Não. Eu quero explorar você. Deita.
— Uma aluna tão dedicada. Deitei-me na cama, apreciando a visão das curvas dela e daquele cabelo ruivo selvagem.
Savannah se inclinou sobre mim, aprisionando-me entre os braços enquanto beijava meu peito. Seus cabelos faziam cócegas na minha pele. Ela envolveu a mão em mim e acariciou devagar, antes de parar com os lábios próximos demais da parte mais sensível do meu corpo.
— Me diz o que fazer — murmurou.
Soltando o ar com dificuldade, consegui responder, — O que você quiser. Vou ficar feliz se você estiver feliz.
— Assim? — ela me provocou com a língua.
— É um ótimo começo. Só cuidado com os dentes e. . . imagine que é um gelato. Ou um picolé. . .
Ela riu baixinho antes de voltar a ficar séria. A sensação da boca quente dela me envolvendo arrancou outro gemido da minha garganta.
— Devagar, amore. Devagar. Isso, assim mesmo.
O cabelo caiu sobre metade do rosto dela e Savannah me lançou um olhar sedutor. Gemendo outra vez, senti quando ela parou apenas para me acariciar. Quando falou, o sotaque sulista estava ainda mais forte e aquilo me deixou ainda mais excitado.
— Você pode me dar uma nota quando eu terminar, professore.
Eu mal percebia meus olhos revirando de puro prazer decadente. Aquela seria uma semana inesquecível.
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