Capítulo 12 - Aparências enganam

Na manhã de quinta feira, lá se vai eu acordar mais cedo sem nenhum motivo específico. Lembro que quando ainda estudava, tanto durante a escola quanto na faculdade, minha ansiedade e nervosismo andavam lado à lado para que eu nem cogitasse a ideia de precisar de despertador para me alertar de manhã cedo. Atualmente, as coisas nesse sentido ainda são as mesmas. Passei metade da semana pensando no "date" que eu e Luciano vamos ter no domingo. Exatamente, no DOMINGO, você não leu errado.

Quer dizer, não é que eu estivesse contando os dias e as horas até encontrá-lo na data marcada. É só que... quanto mais se aproxima, mais eu fico em total desespero. Longe de querer ser dramático ou coisa parecida, mas é meu primeiro encontro a sós com um cara que eu supostamente estou afim. Acho que é comum estar nesse estado de calamidade. O meu eu de alguns meses atrás não costumava sair para paquerar e dar uns pegas com algum carinha que acabou de conhecer. Ou até mesmo para trocar ideia com gente nova e quem sabe então encontrar alguém legal e bacana que valesse a pena investir. Eu não era disso e passava bem longe de ser pra ser sincero.

Engraçado. Quando eu era adolescente, achava que passaria por todas essas fases que condiziam com a nossa idade. Claro que se não tivéssemos um mundo ainda tão preconceituoso como ele ainda é, isso poderia já ter acontecido. Não dá para comparar a vivência de um adolescente LGBTQIA+ com de um hétero. Só nós sabemos o quanto era difícil não termos os mesmos privilégios que eles tinham: estar de mãos dadas com alguém que goste ou mostrar algum tipo de afeto sem ter receio que algo de ruim aconteça. Espero de verdade que ainda possamos evoluir mais ainda em relação a isso.

Enfim, a questão é que ainda faltava mais alguns dias para que eu possa reencontrar Luciano. Precisava manter o controle porque era só mais um encontro casual entre amigos. Nada além disso. Afinal, eu já sabia quem era o seu ponto de interesse, ou pelo menos achava. Pela proximidade de Luciano e Gabriel naquela noite, às dúvidas são quase nulas.

Checo o meu celular para ver às mensagens. Ultimamente, só respondia as mais relevantes. O bom de ter trancado a faculdade era não precisar ficar em centenas de grupos de estudo/disciplinas e ficar enchendo o meu celular de mensagens. Até o grupo da minha família é difícil eu entrar.

Dou uma olhada rápida nas minhas últimas conversas. Algumas são de Lavinia, Sara e de outros amigos menos próximos. Sem pensar muito, entro na minha última conversa com Sara e percebo que a mesma está online. Resolvo contar para ela sobre o meu encontro com Luciano. Acho que precisava desabafar com alguém se não era capaz de eu ter um colapso de nervosismo. Início a conversa:

- Oi amiga, bom dia! - Saudo.

Adivinhando a minha pressa em querer conversar, ela logo visualiza a minha mensagem.

- Oi amigo, bom dia!

- Está tudo bem?

Começo a despejar tudo.

- Está sim amiga.

- Tenho uma novidade para te contar...

- Bom... você lembra quando eu te contei daquele cara que me deu uma carona para a casa daquela garota Nanda...

- O primo dela, que é um gato. Enfim, eu convidei ele para darmos uma volta por .

Espero sua resposta com excitação e a mesma já começa a digitar...

- Sério???

- Estou em choque.

Logo depois minha amiga enche nossa conversa de figurinhas mostrando surpresa. Sara simplesmente amava fazer isso e eu até que fazia também só por causa dela.

- E ele? Aceitou? Kkk

- Sim! E agora estou em pânico. - Envio vários emojis daquela carinha com os olhos bem abertos com vergonha.

- amigo não sei o que dizer...
vai. Talvez ele seja legal e pode ser que ele se interesse por você.

- Eu sinceramente não sei. Acho que somos muito diferentes. E outra, não sei se ele está realmente solteiro ou ficando com alguém pra valer.

- Então você vai saber se tentar. Se não der certo, beleza! Você pelo menos tentou.

Ela continua...

- E outra coisa, se ele aceitou quer dizer que esperança de algo acontecer.

Leio novamente sua resposta. Faria algum sentido se eu não soubesse que ele já estava ficando com alguém, e pior, que esse alguém já tinha me conhecido. Volto a digitar:

- Talvez ele quisesse ser gentil e não rejeitar o convite. Lembra que eu falei que ele ficava com um outro rapaz que estava com a gente? Quem sabe o lance deles seja sério.

- Bom... aí eu não sei. você mesmo para descobrir.

Quando termino de ler sua resposta já com as expectativas pelo ralo, aparece mais outra mensagem de Sara.

- Mas amigo... Se ele tiver comprometido, pelo menos vocês podem se tornar amigos e ele pode te apresentar outras pessoas. Quem sabe você não encontra alguém bem legal?

Sara tinha razão. Por mais que eu me sinta atraído por Luciano, tenho que fincar muito bem os pés no chão. Talvez não role nada além de uma amizade. E estava tudo certo para mim. Faz pouco tempo que estou morando em Fortaleza, quem sabe o que vai acontecer daqui por diante. Tenho que sempre lembrar que Luciano só é o primeiro cara que me interessei, haverá outros ainda.

E além disso, preciso ainda lidar com algumas limitações que ainda tenho a respeito de relacionamentos. Sem dúvida, fazer terapia antes de engatar qualquer relação casual ou séria, é fundamental para que eu me sinta confortável. Tenho que escolher a pessoa certa para poder revelar minhas inseguranças sem parecer um completo estranho. Com essa certeza em mente, volto a responder Sara:

- Você está certa amiga. Não é bom criar expectativas tão cedo. Se não rolar nada, pelo menos tenho um novo amigo. Agora estou mais tranquilo. Obrigado pelas palavras.

- De nada amigo. Fique bem. Depois me conte como foi tudo.

- Pode deixar. Até qualquer hora.

- Até mais.

Desligo a tela do celular.

Acho que minha ansiedade já está amenizada. Foi bom conversar com Sara e receber seu conselho. É isso, agora estou pronto para me encontrar com Luciano e seja lá o que Deus quiser.

(...)

Na pausa para o intervalo no shopping, mando uma mensagem para Luciano a respeito do encontro. Pergunto a ele se realmente daria certo no dia e ele confirma o combinado, porém, prefere que seja uma hora mais cedo do que foi acertado antes e questiona se não era problema para mim. Afirmo para ele que não era problema nenhum e que o horário estava ótimo. Ainda segundo ele, irei gostar do lugar onde pretende me levar. Esboçei um sorriso ao ver a mensagem. Agora era só esperar mais alguns dias.

//

Às 18h30 de domingo, estava eu analisando minha imagem no espelho de corpo inteiro que comprei fazia algumas semanas. Eu tinha acabado de terminar de me arrumar e agora estava procurando algum tipo de defeito na minha aparência ou na roupa antes de Luciano chegar.

Eu não era muito estiloso. Na verdade, eu nunca me importei muito com isso. E olha que o meu desejo antigamente era cursar moda. Que ideia idiota. Eu era muito do básico e gostava de ser assim. Nunca fui de montar um look seguindo cor, contraste, acessório e etc. O que eu estivesse afim de usar em um determinado dia, eu usava, ponto. Claro que eu não iria para um evento importante usando uma regata e calçando havaianas. É só que eu não era de pensar em tudo nos mínimos detalhes. Hoje foi uma excessão porque a ocasião pedia.

Para essa noite, estou usando uma camisa polo de cor preta, uma bermuda de cor vinho e um tênis verde escuro de sola branca. Não sei se foi uma boa combinação mas estou até me achando bonito. O importante é estar confortável não é?!

Em relação ao meu cabelo, tive a ideia de colocar um pouco de gel para que os meus cachos ficassem bem destacados. Acho que deu certo mas não ficou como eu queria. Que lástima.

Viro de costas para ver se estava tudo certo com a roupa e após isso fico no aguardo de Luciano. Faltava somente alguns minutos para ele chegar e já estava quase suando de nervoso. Mais que droga! Até ele chegar eu já vou precisar de outro banho. Mantenha a calma Antony, respire e inspire.

Em meio aos meus devaneios, recebo uma mensagem no celular e me dou conta de quanto tempo passou. Já era quase 19h00 e só podia ser Luciano. Vou até a minha mesa e apanho o celular. Bingo!

- Oi.

- Desce. Estou te esperando.

Chegou a hora. O respondo com um "ok" e me apresso a passar o meu perfume com o cuidado de não exagerar. Terminando tudo, vou a passos largos até a saída.

Chegando no terraço, não consigo enxergar a moto de Luciano. Será que ele já tinha chegado mesmo? Caminho em direção ao portão e percebo o senhor Carlos, o porteiro, me observando. Ele deve estar estranhando me ver saindo a noite todo arrumado. Aceno em sua direção.

- Boa noite senhor Carlos. - Cumprimento-o

- Boa noite. Vai dar uma volta?

- Vou sim. Sair um pouco para espairecer.

- Faz bem. Não é bom ficar só direto em casa. Tem mais é que sair e se divertir. - Diz ele abrindo o portão para mim.

- Verdade. - Respondo sorrindo.

Começo a procurar a moto de Luciano. Nada. Resolvo perguntar a Carlos se ele o viu.

- Não apareceu nenhuma moto aqui. Acho que ele deve estar no caminho.

- Ele me disse que estava esperando. - Afirmo olhando para os lados.

Assim que termino de falar, um carro preto do outro lado da pista acende os faróis e buzina.

- Olha ali, deve ser o seu amigo. - Diz o porteiro.

- Acho que é ele sim. - Olho na direção do carro. - Até mais tarde senhor Carlos.

- Até. - Diz voltando para o seu posto.

Atravesso para o outro lado e caminho na direção do carro de antes, que é lindo por sinal. Quando chego perto, ouço sua voz de dentro do carro me chamar:

- Pode entrar.

Atendo ao seu pedido e abro a porta do passageiro. Entro e a fecho logo em seguida.

- Pensou que eu não tinha chegado foi? - Questiona Luciano do meu lado.

- Sim. - Dou um pequeno risinho. - Eu pensei que você viria com sua moto.

- Eu gosto de dirigir de vez em quando. E aí, preparado?

- Sim. Para onde nós vamos?

- Para um dos meus lugares favoritos. E tenho certeza que você também vai gostar.

- Já estou gostando da ideia. - Respondo-o sorrindo.

Se tinha como Luciano ficar ainda mais bonito do que já é, ele conseguiu perfeitamente nessa noite em específico. Usava uma camisa amarela e uma calça jeans preta, que devo dizer, ficaram impecavelmente ajustadas no seu corpo. Eu não era cego, e Luciano era um cara realmente atraente. Por isso, não vou me fazer de rogado ou mostrar algum tipo de desinteresse. Para complementar, ainda pude sentir o seu perfume maravilhoso inebriando o ambiente dentro do carro.

- Vamos então?! - Ele espera meu consentimento.

- Sim, podemos. - Falo por fim.

Ele dar a partida e assim pegamos a estrada para Deus sabe onde. Fiquei com vergonha de perguntar para ele o lugar onde nós vamos, então vou deixá-lo me surpreender.

(...)

Após quase vinte minutos, Luciano encontra uma vaga e estaciona alguns metros antes do misterioso lugar. Desçemos do carro e seguimos caminhando até a entrada. A fachada do lugar era simples mas tinha um aspecto sofisticado. O nome que estava escrito na placa em cima era "Escobar". Aparentemente, era um daqueles restaurantes menores. Passamos pelas portas de vidro e entramos.

Ali dentro, o estabelecimento era maravilhoso e muito bem planejado.
No teto, luminárias e pequenos lustres chamavam bastante atenção pelos seus detalhes, assim como todo o design do lugar. As paredes eram de um papel de parede rústico com algumas folhagens artificiais suspensas e as mesas não ficavam tão distantes umas das outras, porém, havia uma distância considerável para prevalecer a privacidade dos clientes. Toda a decoração tinha um aspecto vintage e eu amei cada detalhe, mas o que me chamou mais atenção foram as grandes pinturas espalhadas pelo local, principalmente a maior delas exposta na parte direita do cômodo. Uma perfeita representação da praia de Iracema.

Assim que observo a imagem, deixo um pequeno sorriso sair involuntariamente do meu rosto e me recordo do dia que fizemos caminhada juntos com Nanda. Lembro que antes de encontrá-los, eu já estava arrependido de ter aceitado o convite de sua prima. No final das contas, quem diria que eu ia gostar tanto. Além de ter conhecido Luciano, é claro, eles me mostraram vários lugares que eu ainda não tinha conhecido ou visitado. No fim da nossa caminhada que acabou virando uma maratona de corrida, chegamos então na praia de Iracema. Aquele domingo foi especial e me fez acreditar que poderia sim encontrar pessoas legais e bacanas nessa cidade.

O restaurante ainda não estava com muitos clientes e as poucas pessoas presentes se encontravam em lugares mais afastados. Luciano acena para ficarmos em uma mesa no centro. Pelo jeito, ele não gostava de sentar nesses lugares mais reservados.

Assim que nos acomodamos, meu acompanhante saca o seu celular do bolso e ao que parece começa a digitar uma mensagem de texto.

- Esse restaurante é de um amigo de infância. Estou avisando a ele que chegamos. - Diz Luciano olhando para mim e ao mesmo tempo para o celular.

- Sério?! É muito bonito. Adorei toda a estética do lugar. - Respondo animado.

- Que bom que gostou. Eu também sempre gosto de vim aqui desde quando estreou. Acho que por conta de ter participado de todo o início do projeto até ele ter tomado forma. Eu sou engenheiro civil e atuei na execução desse restaurante. O Vini sempre me deixou a par de tudo. Então, eu meio que considero esse lugar como meu. - Assim que termina de falar, esboça uma risada. - Que o Vini não me ouça dizer isso.

- Ele é o único dono daqui? - Questiono.

- Não, ele tem um sócio que cuida de tudo quando ele está fora. Atualmente ele mora em São Paulo mas está passando uma temporada por aqui na casa da família dele.

- Entendi. Então, "Escobar" é o sobrenome dele?

- Também não. Na verdade, Escobar é o primeiro nome do avô dele que faleceu já tem uns três anos. Eles eram muito próximos, e o avô dele era como um segundo pai pra ele.

- Compreendo. - Tento mudar de assunto. - Olha... seu amigo está de parabéns. É tudo muito bonito e de bom gosto.

- Porque você não aproveita e fala isso pra ele. - Luciano acena para detrás de mim e sigo o seu olhar.

Um rapaz moreno de óculos se aproximava da nossa mesa. Deveria ser o tal Vini.

- Olha só quem deu as caras por aqui... - Fala o rapaz sorridente em direção a Luciano.

- Como se eu nunca tivesse deixado de vim. - O outro acompanha o riso e prontamente levanta-se para abraçá-lo.

Assim que todos os cumprimentos são cessados, Luciano finalmente olha para mim.

- Vinicius esse é um amigo que eu conheci faz pouco tempo. Trouxe ele para conhecer o seu cantinho.

- Boa noite! Me chamo Antônio. - Trato também de levantar e cumprimentá-lo.

- Prazer Antônio, seja bem vindo. Fique a vontade!

- Obrigado. - Sorrio em seguida. - Eu estava comentando com o Luciano sobre o seu restaurante. Ele é muito lindo, parabéns!

- Obrigado. Espero que goste da comida. Bom... Vou deixar vocês a vontade. - Se despede sem antes dar um soquinho de leve no ombro de Luciano.

Ficamos agora só eu e ele. Rapidamente, pego o cardápio da mesa para ver os pratos.

Hmm... O preço era bem "salgadinho". Ou talvez eu que não estava acostumado a comer fora. Vou ficar com a segunda opção. Passo os olhos pela quantidade de iguarias sem ter a mínima ideia do que escolher.

- Acho que vou querer uma indicação sua. – Falo em direção ao outro conformado.

– Tá bem... Você gosta de salmão? É o que eu vou pedir.

– Não costumo comer mas vou dar uma chance hoje. – Afirmo olhando o cardápio.

– Olha... Não se preocupe se ficar muito caro pra você tá. O que puder contribuir já está ótimo. – Diz Luciano com um sorriso.

Se o objetivo dele era me deixar todo molenga o resto da noite ele já estava conseguindo. Agradeci sua proposta e esperamos o garçom vim até nós para anotar os pedidos. Em seguida, ficamos conversando sobre diversos assuntos. Chamei a atenção de Luciano para o quadro a direita e o mesmo achou graça da coincidência também. Sobre aquele dia, afirmou que tinha gostado de me conhecer e ainda disse que amava quando tinha aqueles momentos com a prima, que era como uma irmã para ele.

Sobre o tópico família, pelo que me contou, sua relação com os seus pais era maravilhosa. Eles o apoiavam em tudo que ele planejava, menos no dia que decidiu pular de paraquedas. Reitera ainda que sua mãe quase teve um treco depois que viu um vídeo do filho nas alturas. Me diverti muito quando ele contou que ela passou uma semana sem falar com ele.

Ainda sobre seus familiares, Luciano também contou que têm uma irmã mais velha chamada Cintia. Ela já era casada e tinha um filho de cinco anos chamado Ravi junto com seu marido Renato. Apesar de dez anos de diferença, ele completa que sempre foram confidentes um do outro e que o tempo só fez com que essa relação ficasse mais forte.

Não consigo deixar de sentir uma pontinha de inveja tomar conta de mim. Minha relação com minha irmã mais velha sempre teve altos e baixos. Ele questiona se tenho irmãos e então conto sobre Raquel e como nunca tivemos esse sentimento de cumplicidade. Sua resposta foi que isso era normal para alguns irmãos e que muitos se amavam mesmo entre intrigas. Talvez ele estivesse certo (ou não). Com o nosso pedido entregue, o silêncio se instaurou. O prato estava com um aspecto muito bom e Luciano parecia estar com fome.

Com o desenrolar do nosso jantar, percebo que julguei Luciano de forma errada. Apesar de já ter conversado com ele e o próprio ter se mostrado um cara bacana, ainda achava que não teríamos assuntos em comum.
Mais uma coisa é certa, somos de mundos e vivências bastante diferentes.

Ele era um rapaz que aproveitava cada segundo da vida. Gostava de viajar, acampar, festas e companhia. Eu era totalmente o oposto disso e acho que não conseguiria ser diferente. Porém, gosto de pensar que mesmo com tamanhas diferenças temos algo que possamos compartilhar em um encontro no domingo a noite, mesmo que seja o mínimo possível.

No decorrer do jantar, era a vez de Luciano começar a me perguntar coisas pessoais. Especificamente, sobre minha vinda até Fortaleza. Começo pelo básico, relatando minha vontade de estar em lugares diferentes, respirar novos ares... Concluo que era o melhor para mim no momento e que eu precisava fazer uma "loucura" para me sentir vivo. No fim, ele acabou entendendo o que eu queria dizer.

Com o tempo passando depressa, minha curiosidade começa a ficar aflorada e sei que não terei paz até realmente saber a verdade sobre uma determinada coisa. Tomo coragem e começo a falar:

– Então... é... Você e o Gabriel são bem próximos né?! A Isadora me contou que vocês meio que tem uma "amizade colorida". – Falo depressa mas nem isso faz com que eu não deixe de sentir uma vergonha imensa. Que bom que eu não era daquelas pessoas que ficavam vermelhas facilmente ou estaria perdido.

Luciano sorrir em direção a sua sobremesa de maracujá.

– Fofoqueira. – Ele deixa um riso sair e continua. – A gente se curte um pouco sim, mas nada muito sério. Tipo: nós dois somos amigos e eu prezo muito por isso. Mas não quero me envolver sério com alguém agora. – Pontua voltando a comer.

– Entendi. – Cala a boca. – É que vocês até que fariam um casal bonito. – Aaah jura...

– Obrigado, eu acho. – Ele rir e me sinto um idiota. Que ótimo!

– Mas eu sempre tô babando por alguém constantemente. É por isso que ainda não firmei compromisso. – Ele diz bebendo sua água e olhando para mim.

Sorrio e fico com vergonha, voltando a degustar a sobremesa.

– E você? Namora? – Questiona.

– Ainda não. Pretendo resolver isso por aqui. Você me recomendaria os homens de Fortaleza? – Direciono para ele.

– Olha... Não é por morar aqui não mas... São os melhores, pode ter certeza. – Responde com os olhos em mim.

Fico calado dessa vez. Na verdade, não sei o que dizer. Será que estamos flertando?! Por Deus, eu sou um desastre na arte da sedução mesmo.

(...)

Às 21h00, pagamos a conta (que ficou bem recheada) e seguimos de volta para casa. A noite ainda era uma criança, e pelas ruas davam para notar isso. Várias pessoas em bares, sorvete rias, adolescentes pelas ruas... Tudo o que era de direito no fim de semana. O friozinho da noite também estava uma delícia, o que me faz pensar no meu cobertor a minha espera. Não demorou muito e a rua onde eu morava já se mostrava à vista. Os últimos momentos do nosso encontro já estavam acontecendo.

Luciano para o seu carro no mesmo lugar em que estacionou quando veio me pegar. Retiro o cinto de segurança e olho para ele.

– Foi muito divertido. Obrigado pelo passeio. Eu gostei muito!

– De nada. Fico feliz que tenha gostado.

Silêncio.

Estendo minha mão em cumprimento e ele a toma. Logo depois, seus olhos estão em mim. De repente, com cuidado, ele se aproxima devagar. Dessa vez, ele está com os olhos direcionados a minha boca. É tudo muito rápido. Me dou conta do que vai acontecer, mas não consigo controlar o que eu sinto em seguida. Sinto meu corpo começar a tremer e meu coração parece que vai saltar pela boca.

Quando ele se aproxima perto o suficiente a ponto de sentir sua respiração, viro o rosto imediatamente na direção oposta sem pensar direito.

– Desculpa, eu... tenho que ir. Até outro dia. – Minha voz sai trêmula e salto do carro dele.

Ando depressa até o portão do condomínio e quando decido virar o rosto, o carro de Luciano já está de partida. Senhor Carlos abre o portão quando me ver e entro a passos largos.

Assim que passo pela porta do meu apê, fecho-a e me sento atrás dela. Os últimos minutos começam a vim à tona. Era a chance que eu tanto esperei e eu não consegui. Não consigo raciocinar direito e fico parado nessa posição até entender o que acabou de acontecer.

*
Mais um capítulo para vocês.
Não se esqueçam de clicar na estrelinha e votar.
Até o próximo capítulo.
Bjs.

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