Capítulo 6 👑
⚠Atenção . Esta história contém cenas de sexo e violência, o que não são indicadas para menores de 18 anos🔞. Não é permitido nenhum tipo de plágio. Não se esqueçam de votar, comentar e partilhar!
Boa leitura.
♤♤♤
Não tinha quem era mais audacioso que o próprio Zack. Meu grande irmão. Ele teria coragem de sair pedindo favores a um policial e dizendo que tinha sido a força do próprio hábito. Ele amava conversa e gostava de sorrir. E ainda gostava mais de insultar-me em meio dos nossos irmãos. Ele sabia o quanto eu era conduzida pela minha própria curiosidade e limitava-se a dizer que um dia eu seria cobiçada por isso. Um dia ele contou algo que veio a acontecer, um pouco antes de seu desaparecimento. Nossos pais iriam embora de nossas vidas. Eles detestavam-se tanto que nem se olhavam, e eu era como a fina página que ainda mantinha um borrão chamado " casamento". Eu era uma menina educada e com pouca conversa. Fui arrastada para a casa da vizinha Jenny como uma órfã, e inicialmente junto aos meus irmãos, permanecíamos em uma casa cheia de crianças e jovens — entre cães pequenos e muita brincadeira de mau gosto. Haviam ali duas irmãs — Lia e Lisette, envergonhada e em algum momento, tentei vê-las como minhas próprias irmãs, mas elas somente brincavam entre si e não me viam como uma possível menina de suas idades. Zack forçou- me a brincar com os rapazes, incluindo meus irmãos e os filhos da cuidadora Jenny. Aprendi a entreter-me como eles. A defender-me como eles. A atacar como eles. Até que cometi meu primeiro grande erro naquela casa. Bati numa das irmãs. Zack disse-me que era mais uma grande brincadeira de garoto. Eu não acreditei nisso.
Acordo no meu quarto. Devo ter vindo para casa sozinha, uma tarde longa apos ter saído da universidade e depois de ter visto o Harry. Ele estava ali, belo e perfeito treinando boxe com um homem mais volumoso e de cara pouco simpática. Enfio um pé debaixo dos lençóis e esfrego uma mão no rosto. Sinto-me uma coisa tão ruim e sem sono, tão pequena e desnecessária. Como se fosse vigarista e tentasse não machucar mais alguém. Se alguma vez eu tive o primeiro ato de coragem, deva ter sido há poucos anos. E como se ao longo do tempo, tivesse-me fechado dentro da escuridão de um baú e buscado ali dentro uma pequena semelhança de algo que não me fizesse sentir tão mal, como se meu passado não existisse. Poderia ter tido uma infância pior. Há crianças que têm infâncias mais ruins que o previsto.
Olho para a porta do meu quarto e procuro sorrir. Devia sentir-me feliz. Estou livre de muita coisa. Ou parcialmente. Preciso conduzir a luz para mim. As vezes quero ouvir que tenho companhia. Ouço passos no quarto ao lado. E alguém sobe em cima de uma cama. Está sob outro. Sem mais nada, eles gemem juntos. Às vezes, prefiro fingir que partilho o apartamento com ninguém. E odeio tudo o que ouço. Mais para a frente, instalarei -me na casa de meu pai, arranjarei um carro para a cidade e renovarei minha vida. Eu vim até ele, e deixei que ele morresse. Já desejei que minha mãe também morresse. Mas ela está viva. Queria ao menos que ela estivesse em algum inferno. Assim como a Maya.
♤♤♤
— Meu Deus, és mesmo estranha. Devias ter visto o que fizeste no campus — Diz Maya enquanto eu procuro algo no frigorífico, ignorando que ela e Max estão sentados juntos e lanchando as torradas que fiz ontem a noite. O pacote de leite também não está no frigorífico. Fecho a porta um pouco mais veemente que posso. Max solta uma pequena risada com a boca cheia de pão. Ele engole com vigor, quase a rir.
— Tipo o quê?
— Começou ali a falar sozinha e tal. Eu e Lisa notamos. Ela voltou logo para casa. Como se nada tivesse acontecido.
Ela está ali radiante, finalmente mostrando-me que conseguiu fazer sexo com o meu ex-namorado, bem ao lado do meu quarto, me deixando ouvir de tudo que vinha do interior deles. Eu parecia uma cega em uma plateia.
— Ela já fez isso antes. Jane fala no sono — Sem querer, viro a cabeça tão rápido que mal consigo controlar quando vejo-me por dentro da conversa deles. Faço troca visual com Max, ele não poderá falar mais. Não quero que Maya saiba mais de mim. Das minhas coisas. Daquilo que não consigo controlar. Dos meus sonhos. Das minhas limitações. Das minhas fraquezas.
— Isso sim é macabro — Ela responde como se eu realmente não estivesse ali e Max encolhe os ombros com os olhos baixos. Ele não vai falar mais. Deve achar esse fato tão desinteressante. Meu telemóvel toca do meu quarto e viro-me para entrar, conseguindo ficar sozinha, sem ouvir-lhes. O ecrã está aberto, com uma mensagem. Pego-a e encaro confusa. Uma mensagem do Harry.
" Estou de acordo a sairmos ainda hoje. Ainda estás aí? Tinha saudades de te ver"
Poderia ser uma mensagem dele que estava para iniciar uma conversa. Mas sinto os nervos à flor da pele. A conversa já tinha um início. Abro o ícone de mensagem. Já quase uma hora, a conversa se iniciara. Só que ele demorou quase 20 minutos a responder-me. Há uma hora atrás, eu estaria a dormir. Alguém teria que mexer no meu telemóvel para fazer isso. Leio a primeira mensagem enviada.
" Oi, Harry. Desculpa, eu vi- te no campus de boxe. Estavas a treinar tão bem. Adoro o teu geito. Acho que não me notaste."
Sinto minha garganta fechar e tornar-se tão seca que mal dá para engolir. Não sinto isto há meses. A última vez fora com o incidente com a Maya. Definitivamente que eu reconheceria como minhas palavras. Mas ao mesmo tempo, como se não tivesse sido de minha autoria. Eu escrevo "geito" em vez de " jeito". Meu grande defeito de escrita. Convidei- o a sair. E ele está a responder-me. Meu grande foco de obsessão está a responder-me. Solto um pequeno suspiro e escrevo um " sim, também acho".
♤♤♤
Sinto as pernas tão dormentes naquela posição abaixada por trás da porta do meu quarto, simplesmente que não consigo parar de pensar, as palavras e imagens viajam a mil em minha cabeça, hora para cima, hora para baixo, como se as lesse. Lembro da minha posição de jogo, conseguir recuperar e seguir em frente. Com o Harry em minha vida ou não. Tantas vezes sinto –me ao ponto de estar me recuperando de um massacre qualquer, e a morte recente do meu pai completando o pacote. Descanso o queixo por cima de meus braços e com os cotovelos juntos, fixo o olhar pela frente, como se tudo quisesse voltar de novo. Sinto aquele sono pesado, tudo ficando turvo, a sombra sobre minha vista, e ao distante que ouço vozes, que estão além do meu quarto. Penso por um instante. Uma vez tentei gravar, mas não dera certo que eu mesma detonara aquilo. Mas eu sei que algo acontece de certeza. Eu faço essas coisas. Alguém deve saber de alguma coisa. Isso acontece há cerca de 15 anos.
Desloco-me desajeitada para os pés da cama e mantenho-me encolhida, ouvindo vozes distintas do outro lado da porta, resistindo-me ao impulso de ficar enfiada no quarto e não sair. E se virem outras crises?
一 Qual é o quarto dela? 一 Harry repete a pergunta duas vezes e Lisa replica algo que não percebo. 一 Jane?
E então ouço toques leves na minha porta, mas nem me mecho de perto da cama, mantendo- me imóvel feito um cadáver. Não quero que ele me veja agora, seria melhor se ele desse às costas, fosse embora de uma vez e nunca mais me procurasse. Fiz uma proposta sem querer. Encolho os dedos, eu preciso dele. Ele será a minha salvação. A felicidade que procuro há anos. Minhas pernas doem e meus dedos dos pés parecem quebradiços por baixo de mim. Controlo um gemido doloroso e ouço Maya. Mais uma que fará de tudo para não me deixar ser feliz. Os toques na porta se repetem e olho para cima, para a maçaneta, atenta a cada passo, movimento e respiração. Ele desistirá de mim agora. Maya não acredita que Harry está aqui no nosso apartamento. Ela deve estar a sorrir tanto para ele e pronta para fazer-lhe uma proposta indecente, para fazer-me perder minha noite. O homem que poderia simplesmente ter-me entregue a herança de meu pai e ido embora. Ele não sai da minha cabeça desde a primeira vez que o vi. Naquele momento ele tornara- se o foco da minha felicidade. E ele está ali na minha porta, quase satisfazendo-me. Vejo-me levantando.
— Ela não quer ver ninguém. Foi assim que nos disse antes de se fechar no quarto. Jane sempre tem suas crises. E elas são bem longas. Não sei se é o princípio de uma depressão.
Ela lança conversa, informação errada e que parece triste para chamar a atenção do Harry e o próximo passo será desfilar para perto dele e convidar-lhe a uma cerveja do nosso frigorífico. Até lá, não sei que mais acontecerá.
Harry não faz nenhum comentário e agradeço por seu silêncio e quando noto que estou totalmente vestida, não sei se meu aspeto aprecia a alguém, pendo de frente a maçaneta da porta de meu quarto e paro segundos demais. Sinto-me tão minúscula no meio daquele quarto que tudo a minha volta parece ter avolumado. A coragem de algo distante dá-me forças para abrir a porta e encarar tudo o que me vem a frente. Harry está muito perto da porta de meu quarto, seus olhos instantaneamente estão atentos e preocupados sobre mim e, Maya está recostada à porta de saída como se de alguma forma quisesse impedir a saída dele. Ela fita -me com intensidade e seus olhos faíscam esboçando o emaranhado de interesses perversos pela noite fora.
一 Jane 一 Harry pousa uma mão sobre o vão da porta e cruzo o olhar com ele, que bem ao contrário de mim, parece bem-disposto. Sinto uma ardência febril consumir o meu tórax e com ela a vontade de fugir pela porta de pijamas. 一 Tu não pareces bem.
Ele comenta e eu sinto- me doente naquele instante, com a boca seca e a dor de cabeça querendo voltar, ela está tão intensa atrás meus olhos que me faltam segundos de coragem para voltar a fechar-me ali dentro de novo. Só que Harry sente meu mal-estar e ele segura em meu braço e invade o espaço ao meu lado, enfiando seu corpo dentro do meu quarto. Agradeço pela arrumação que deixei antes nele. Deixo o Harry entrar, deslizando a porta atrás dele e nos ocultando da vista injuriosa de Maya. Ele acomoda -se um pouco desajeitado dentro de meu quarto como se estivesse dentro de um cubículo e rastejo meus pés no chão frio. Levo uma mão até minha nuca e encaro –o de baixo.
— O que aconteceu? 一 Opto pelo silêncio e os olhos claros dele esquadrinham a cor viva dos livros sobre a minha bancada — Tudo bem se não queres conversar. Mesmo assim vais sair comigo, pelo menos para aliviar isso aí que estou a sentir em ti. Tu não pareces nada bem.
一 São umas coisas — respondo baixo e desvio o olhar até as roupas que empilhei mais cedo e deixei sobre a cadeira que uso para estudar 一 só espera um pouco então.
Então que viro para sair do quarto com as roupas em meus braços, deixando-o entre minhas coisas arrumadas e caio de olhar em Maya, sentada sob a ponta do sofá, a expressão tão séria quanto possível e o olhar azedo. Deixando claro que dali para a frente, as coisas não serão tão fáceis para mim.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top