prólogo

NARRADOR
15.05.2025 - Seul

O silêncio gritava.

Era uma noite de domingo, aquele dia em que o mundo parava um pouco para descansar. Son Chaeyoung estava sentada na mesma cadeira de sempre enquanto a família jantava sem dizer uma palavra. O som dos talheres batendo nos pratos e das mastigadas era a única coisa que se ouvia.

Eles nunca se reuniam para jantar, nem mesmo nos fins de semana, mas dessa vez, havia um motivo especial: o irmão mais velho da garota estava completando mais um semestre de medicina, o que já era motivo para os pais comprarem da carne mais cara e se juntarem na mesa como raramente faziam.

Chaeyoung nunca foi a filha preferida, e não teria esse posto nem mesmo se fosse filha única, a própria sendo por toda sua vida considerada como uma garota complicada. Ela não foi para a faculdade, não se casou e nem mesmo conseguiu um emprego. A Son se contentou com a ideia de ser a sombra da família, porque assim talvez fosse menos trabalhoso.

A garota de cabelo preto tinha sempre um jeito novo de decepcionar os pais, e dessa vez, não seria diferente. Ela decidiu que seria conveniente sair do armário em uma comemoração importante para os dois, mesmo que isso pesasse ainda mais aquele clima de velório que havia na mesa de jantar. Ela não hesitou: já havia tomado sua decisão.

— Eu sou lésbica — Son soltou do nada, imediatamente pegando um pouco de arroz e enfiando na boca para ocupar sua língua e não dizer mais bobagens — Gosto de garotas.

A mãe imediatamente engasgou e foi obrigada a cuspir a comida que mastigava. Já o pai, virou o copo todo de soju e balançou a cabeça, rindo como se a garota tivesse acabado de contar a piada do século.

— Pare de bobagens, Chaeyoung. Não brinque com essas coisas — a mãe dela repreende, tentando disfarçar em sua voz o choque e se forçando a acreditar que era sarcasmo da filha. Ela suspirou e limpou a boca com o guardanapo antes de acrescentar: — Deus não gosta dessas piadas.

— Não é piada. Tô' falando sério — a garota diz, fechando os olhos enquanto se preparava para mais uma rodada de sermões.

Quando passamos por uma situação complicada, sempre nos preparamos para o pior. O problema é quando o "pior" que você fantasiou na sua cabeça se torna uma hipótese aceitável perto do que acontece na realidade.

Foi isso que aconteceu naquele jantar. A mãe da jovem bufou e se levantou completamente contrariada. Os cabelos recém alisados da mulher agora pareciam um redemoinho na medida em que ela mexia neles como forma de regular os pensamentos. O pai não estava muito diferente, mas se contentou em apenas fazer uma careta de desaprovação e encarar o chão como se quisesse se enfiar dentro dele.

— Está feliz por ter estragado o jantar? Espero que você mude de ideia — a mãe diz, indo até Chaeyoung e a puxando pelo braço, ato que a fez se levantar da cadeira em um pulo — Vai para seu quarto. Amanhã conversamos.

A ideia de conversar parecia ainda pior para Chaeyoung, já que um diálogo não terminaria bem. Ela apenas se soltou do braço da mãe e a obedeceu, desaparecendo pelo corredor e entrando em seu quarto.

Os dias seguintes seriam sombrios, ela previa isso.

NOTES

Eu adoro escrever fanfics de michaeng, e quando pensei nesse plot, não imaginei outras nesse lugar a não ser elas. Vai ser uma fanfic curtinha — como as outras — e é válido informar que personagens secundários não serão desenvolvidos na trama, já que seu foco principal é nossas divas michaeng.

Boa leitura!

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