doubt

NARRADOR
16.05.2025 - Seul

— Junte suas coisas e vá embora da minha casa.

Son Chaeyoung escutou sua mãe gritar antes mesmo de ter tempo de acordar direito. A porta se abriu em um estrondo e as cobertas que a aqueciam durante o sono foram arrancadas com força, sendo jogadas no chão.

— Mãe, o que é isso? — ela pergunta confusa e ainda meio grogue por causa do sono, atordoada demais para entender a gravidade da situação.

— Estou cansada de você, Chaeyoung — a mais velha diz irritada, abrindo as janelas — Junte suas coisas e vá embora. Eu não estou brincando.

A jovem se levantou praticamente arrastando os pés adormecidos enquanto procurava seus chinelos no chão gelado. Ela virou o olhar para a mãe com uma expressão desentendida. O pai que antes olhava pela fresta da porta, esperou a esposa sair antes de entrar no quarto e olhar para a filha com um olhar preocupado.

— Sua mãe está estressada. Dê um tempo à ela — ele diz, se aproximando lentamente de Chaeyoung como se ela fosse um animal assustado — Eu vou conversar com ela depois. Não se preocupe.

Não demorou muito mais do que cinco minutos para a garota raciocinar a situação em que se encontrava: ela era uma jovem de 21 anos, desempregada e agora também sem teto.

A sensação de rejeição sempre ocupou a mente de Chaeyoung, mesmo que não fora expressada com palavras. Ela não carregava conquistas ou méritos como as outras pessoas. A grande verdade é que seus pais colocaram toda sua fé no irmão mais velho e negligenciaram a mais nova.

Após um curto período de tempo — que mais parecia uma eternidade — Chaeyoung se encontrava do lado de fora do que um dia foi seu lar, carregando em sua mochila algumas mudas de roupas e em seu coração um vazio doloroso. Ela arrastava os pés pelo meio fio da calçada, aguardando chegada de Kim Dahyun, sua melhor amiga que a daria um lugar temporário para morar.

Dahyun não demorou muito para chegar, conduzindo o carro do pai que pegara emprestado. Ela acenou para a amiga, que imediatamente se aproximou e abriu a porta, entrando em seguida.

— Expulsa de casa? Sério isso? — foi a primeira coisa que ela disse — Como isso aconteceu?

— Me assumi pra minha família — Chaeyoung resume, dando de ombros como se falasse do clima — Minha mãe não aceitou e me expulsou. Na verdade, acho que ela já queria fazer isso há um tempo.

A amiga apenas assentiu e dirigiu em silêncio, como se estivesse dando espaço para que ela pudesse entender a situação.

— Meus pais disseram que você pode ficar lá em casa, mas tem que arranjar um emprego — Dahyun comentou, olhando para ela brevemente antes de voltar a prestar atenção no trânsito

— Eu não sou boa em nada, Dah — a Son reclamou, fazendo uma careta.

— você é boa. Você só não se considera capaz porque sempre teve medo de tentar — ela suspirou e continuou: — O Nexus Club está contratando baristas. Se você quiser, arranjo um serviço de meio período para você lá.

O Nexus Club era um bar mediano da cidade, caracterizado por suas noites agitadas e pela overdose de clientes embriagados. Chaeyoung já havia sido chamada para trabalhar lá, mas não tentou, porque tentar algo novo significa viver com a possibilidade de fracassar.

— Não sei se é uma boa... — Ela diz suspirando, seus dedos batucando levemente no vidro do carro enquanto olhava pelas ruas em distração — Não sou boa em ser barista.

— Como sabe que não é boa se nunca tentou? — Dahyun retruca — Você pode tentar. Você não vai morrer se der errado, é só um gancho para você começar de novo.

— É. Pode ser.


NOTES

parece que a mãe de Chaeyoung não vai facilitar nem um pouco, né? Infelizmente, é assim que as coisas funcionam. Até o próximo capítulo!

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