Capítulo 9
Se for para o bem geral da nação, digam a eles que voltei KKKKKKK mlk tanta coisa aconteceu nesse último mês, mas TANTA COISA, que dava pra fazer até um livro novo... Teve até aro começando a namorar outro aro, e essa foi a coisa mais normal que aconteceu KKKKK enfim BÓ PRO CAP.
Pra quem não lembra: no passado, paramos na festinha do Jason. No presente, Jason tava vendo os vídeos aro do Charlie. Essa foi a recapitulação, pronto.

2014.
A primeira coisa que vi quando cheguei no pátio decorado da escola foi o meu grupo de amigos, que acenaram animados quando me viram. Perguntei para minha mãe se eu podia falar logo com eles e ela concordou, mas me mandou guardar a travessa de doce primeiro.
Depois que terminei de ajudar a arrumar as coisas que trouxemos, tive carta branca para ver os garotos. O lugar estava bem cheio de alunos e adultos, havia música Pop tocando e eu secretamente adorei ouvir Katy Perry na escola, mas não iria deixar alguém saber disso, óbvio.
Robert, Thiago, Josué, Caíque e Antônio não dançavam nem chamavam outras garotas para fazer alguma coisa, apenas riam entre si e zoavam de outros alunos. Eles tinham uma mentalidade bem ruinzinha às vezes, mas isso era ser um garoto hoje em dia e eu gostava deles. Robert, em especial, estava lá só para comer e segurava dois cachorros quentes enormes.
Quando cheguei perto deles, um funcionário passou com vários saquinhos de pipoca e aproveitei para pegar um. Havia uma mesa com refrigerante e suco e também me servi, quase derramei refri no chão, mas deu tudo certo. Olhei para os lados enquanto bebia e reconheci algumas garotas da minha sala, até ver Amanda sentada em uma mesa de plástico e outras meninas com ela - inclusive Fabi.
Quando a garota me viu, seu sorriso foi enorme e nada inocente. Ela se virou para as outras garotas e disse alguma coisa que eu não poderia saber por causa da distância entre a gente. Fabi também me olhou, mas com um sorriso mais contido, e eu não conseguia acenar por estar com as duas mãos ocupadas com a pipoca e refri. Desajeitado, coloquei o copo na mesma mão e ergui o braço para elas.
Robert surgiu atrás de mim para pegar um copo de refrigerante para ele também, e quando viu para onde eu estava olhando deu uma risadinha.
— Eu aposto que tu consegue pegar a Fabi E a Amanda essa noite! Duuuuas!
— Vai te fuder, Robert! — Ri alto com sua frase, eu não esperava nem pegar uma.
Mas... Isso seria possível?
— Se tu quiser colar com nois depois, tchê, tamo' ali na arquibancada! Bah, e perto do banheiro tem um corredorzin bom pra se pegar, o Caíque ficou com a Marina lá já.
Robert saiu se sentindo um expert em dicas de pegação e eu balancei a cabeça, achando aquilo divertido. Olhei de novo para as garotas na mesa e elas olhavam vez ou outra para mim. Fabi particularmente me olhava de forma bem tímida, o que eu achei engraçado e fofo.
A pipoca já havia acabado, então joguei o papel na lixeira ao lado. Tomei o restante do refri em um só gole e tateei os bolsos, à procura da bala de menta que consegui no carro da minha mãe.
Eu não podia fazer feio. Seria meu primeiro beijo, mas ela — não sabia ainda quem exatamente era "ela" — não podia saber. Eu não queria que ela me achasse um trouxa que nunca beijou alguém antes.
Caminhei até a mesa e as garotas passaram a olhar mais para mim. Além de Amanda e Fabi, havia mais uma garota da nossa sala, de cabelos loiros que eu não me lembrava do nome, e a quarta cadeira da mesa estava vazia.
— Ooooi, Jason! — Amanda apoiou o cotovelo na mesa e colocou a mão no queixo. — Chegou há muito tempo?
— Agora, na verdade! E aí! — Sentei na cadeira e acenei para a menina que eu não sabia o nome, ela apenas ergueu os dedos em um gesto tímido e manteve a postura reta na cadeira. — Qual o seu nome?
— Samira. — Sua voz saía muito baixa, ela devia estar com vergonha. — É a primeira vez que você fala comigo.
— Ah, desculpa, eu acho que eu falo mais com a Amanda lá na sala...
— Somos best friends! — Amanda inclinou a mão e tocou no meu braço, ela falava de um jeito engraçado, eu não sabia se ela brincava ou falava sério.
— Ah, oi Fabi! — Sorri para a garota, que parecia um pouco... Ansiosa? Nervosa? Eu não sabia.
— Oi, bom te ver. — Ela sorriu ainda mais tímida e um silêncio pairou na mesa de repente. Então Amanda, do nada, revirou os olhos.
— Vem aqui, Jason, preciso falar com você!
— Mas eu acabei de sentar! — Olhei confuso para ela, mas a garota se ergueu da cadeira e me fez levantar também. Ela usava um vestido colado azul brilhante bem atraente, eu tinha que admitir.
Amanda era bonita.
Nos afastamos um pouco da mesa das meninas, ela passou o braço ao redor do meu e falou mais baixo para que apenas eu ouvisse.
— A Fabi quer ficar contigo, guri.
— Sério? A Fabi? — Eu devia ser muito burro, pois não tinha suspeitado. Tá, eu desconfiei um pouquinho, mas não tinha certeza também.
— Mas tu é muito sonso, tchê! Óbvio! E aí, tu vai chegar nela ou não?
— Eu... Ahn, vou, claro. — Tentei não gaguejar, mas falhei. Amanda ergueu uma das sobrancelhas para mim enquanto nos afastávamos cada vez mais da multidão.
— Ué, tu não quer ficar com ela? Fabi é tão bonita, guri!
— Eu sei, é que... — Respirei fundo e abaixei a cabeça para falar mais próximo de Amanda. — Não conta pra ninguém, é que eu nunca beijei antes.
Se o queixo da minha colega pudesse se desprender do corpo e cair, ele teria feito isso. A boca de Amanda se abriu de forma muito surpresa e ela cobriu com a mão para esconder o seu estado.
— Tu tá brincando, Jason...
— Não tô, véi...
— Não, isso é zoeira, tu tá brincando. — Ela continuava de olhos arregalados e começou a andar mais rápido, eu nem sabia para onde estávamos indo e talvez nem ela.
— Eu não sei chegar numa guria, Amandinha, eu queria mas não sei como.
A garota respirou fundo e pensou um pouco. Quando me dei conta, já estávamos perto dos banheiro do pátio. Ela tirou o seu braço do meu e ficou de frente para mim.
— Tá... Você quer ajuda?
Foi a minha vez de arregalar os olhos. Virei a cabeça em todas as direções, com medo de alguém nos ver, mas Robert tinha razão: perto dos banheiros havia um lugar fácil para se pegar ali.
E eu estava lá... Com a Amanda.
— Isso é sério?
— Bom, eu ia te mostrar esse lugar aqui pra tu saber onde ficar com a Fabi. - Ela apontou pro corredor ao lado dos banheiros que dava para a antiga sala de informática, praticamente abandonado. — Mas tu nunca ficou com alguém antes, então se tu quiser... Sei lá... Treinar. — Ela fez aspas com os dedos. — Eu posso ajudar, e prometo não contar pra ninguém.
Pisquei várias vezes para a garota, que mordeu o lábio levemente e olhou para baixo. Amanda era atraente, óbvio que eu ficaria com ela. E agora que ela sabia sobre esse segredo, eu me sentia um pouco mais confortável.
— Ahn... Pode ser então. — Minha "deixa" fez minha amiga dar um sorriso e ela me puxou pela mão para dentro do corredor pouco iluminado. Olhou uma última vez para fora apenas para se certificar de que não havia ninguém passando.
Apesar do corredor ter um espaço amplo, estava ficando quente. Eu não sabia se era assim naturalmente ou se era a tensão do momento.
— Coloca a mão na minha cintura. — Amanda pegou minhas mãos e passou ao redor do seu corpo, diminuindo a distância entre nós dois. Eu era alguns centímetros mais alto do que ela, então eu abaixei minha cabeça e ela ergueu um pouco a sua. Nossas bocas estavam mais próximas e eu senti uma leve ansiedade.
— Só fica relaxado, guri. — Ela sussurrou e colocou suas mãos na minha nuca, puxou os meus fios e então me beijou.
A primeira impressão que tive foi de um beijo lento e molhado. A segunda, foi... A sensação de que o interior das minhas pernas estava se esquentando.
A língua de Amanda se misturava com a minha e percebi que criamos um ritmo juntos. Seria assim nas outras vezes ou só era assim com ela? Tanto faz também, Amanda beijava bem pra caralho. Ela parava algumas vezes para morder o meu lábio e eu beijava a sua boca rapidamente, para logo em seguida beijá-la com intensidade de novo. O meu aperto em sua cintura ficou mais forte e tive coragem de pressionar meu quadril contra o dela.
A reação fez Amanda parar o beijo imediatamente e soltar um suspiro pesado.
— Jason... Caramba, tu... — Ela olhou para baixo e depois para mim novamente. Fiquei confuso. — Mas tu tá... — Ela mordeu o próprio lábio, deu uma risadinha e passou os braços ao redor do meu pescoço, voltando a me beijar.
Para Amanda, eu estava "duro". De certa forma, eu estava mesmo, mas não do jeito que ela pensava. A prótese ficava um pouco volumosa dependendo da forma que eu deixava na cueca, e eu propositalmente havia deixado-a assim naquela noite, fazendo Amanda perceber quando pressionei meu corpo no dela.
— Tu é gostosa pra caralho. — falei por impulso assim que interrompi o beijo e ousei descer os lábios para seu pescoço. Amanda pareceu gostar, pois soltou outro suspiro e ergueu a cabeça para me dar mais liberdade. Mordi sua pele de forma leve para não deixar alguma marca, pois não queria que descobrissem aquilo. Contudo, com Amanda puxando meu cabelo e mexendo o quadril em direção ao meu, ficava difícil me conter.
— Pode fazer mais disso, Jason. — Ela disse meu nome quase como um "por favor" e, porra, eu fiquei com tesão. Tomei coragem e mordi novamente seu pescoço, acabei não me controlando e puxei sua pele com a boca, criando o que os garotos da sala chamavam de "chupão". Amanda se segurou na minha blusa e passou uma perna ao redor da minha, provavelmente querendo sentir mais o meu volume.
O corpo da garota fervia. Então era assim que a coisa toda funcionava. Será que eu conseguiria fazer isso mais vezes? Era viciante.
— AMANDA?!
Minha amiga deu um grito e me empurrou com força para longe dela. Meio desnorteado, me virei para ver quem estava no início do corredor e minha boca se abriu ao ver que era Fabíola. Ela alternava seu olhar entre a amiga e eu, seus olhos estavam brilhando e eu suspeitava de que ela queria chorar.
— Vocês... O que vocês... — Sua voz falhou e Amanda ajeitou o vestido, um pouco sem graça.
— Fabi, não é o que tu tá pensando, eu tava...
— Cala a boca! — Fabi colocou a mão no rosto, pois uma lágrima havia descido.
Droga, por que eu estava ficando com a Amanda se eu sabia que a Fabi queria ficar comigo? Mas a Amanda quem estava ali... Só que a Fabi... Que confuso, caramba.
— Fabi? Tudo bem? — Comecei a andar em direção a ela, mas minha colega deu passos para trás.
— Não fala comigo! Foi mal aí atrapalhar vocês dois, podem continuar. — Ela disse com a voz chorosa e andou rápido para longe de nós. Eu queria ir atrás dela, mas também não sabia o que dizer. Eu tinha culpa nisso? Alguém tinha culpa? A Amanda só estava... Tentando me ajudar? Eu não sabia o que pensar.
— Droga, ela nunca vai me perdoar. — Minha amiga ajeitou o cabelo e soltou um suspiro, não mais de prazer, mas de tristeza. — Eu... Vou no banheiro. Depois a gente se fala.
— Beleza. — Balancei a cabeça e fiquei sozinho no corredor, de braços cruzados e ainda tentando entender tudo aquilo. Me apoiei na parede e fechei os olhos, pensando na Fabi.
Havia algum código de conduta sobre com quem os garotos deveriam ficar, quando havia amigas das garotas na história? Saber que Fabi queria ficar comigo me impedia de ficar com a Amanda? Era moralmente ruim?
De qualquer forma, era só um beijo. Não havia nenhum sentimento. Não era como se, do nada, Amanda começasse a gostar de mim e eu dela. Mas talvez Fabi gostasse, quer dizer, ela gostava mesmo, já que até chorou por me ver pegando a Amanda...
"Então essa é a sensação de partir o coração de uma garota."

O flashback ficou muito grande aí não deu pra falar de 2020 rs mas o próximo cap vem aí
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