Capítulo Um

O meu rabo estava a vibrar. Sentia o dispositivo em todo o meu corpo, algo que podia ser desconfortável, mas, naquele momento em específico, era só irritante. Tinha os binóculos à frente dos meus olhos e estava a tentar ver as duas pessoas que se encontravam a um par de centenas de metros à minha frente. Durante uns segundos, aguentei a vibração no meu traseiro, irritado mas determinado a ignorar o dispositivo e a distração que certamente seria. No entanto, quando o telemóvel parou de vibrar e recomeçou dois segundos depois, suspirei com força. Deixei os binóculos caírem – sabendo que estavam seguros pelo fio que tinha em volta do meu pescoço – e, com a mão direita, agarrei no telemóvel.

Revirei os olhos quando vi duas chamadas perdidas de uma das minhas irmãs mais novas. No entanto, o nome e a fotografia a ocuparem o meu ecrã disseram-me que não podia ser nada de grave. Se o fosse, não seria ela a ligar e por isso, com essa informação na cabeça, ignorei a sua chamada e voltei à tarefa que tinha em mãos.

- Não vais atender? – olhei, pela minha visão periférica, para o meu parceiro. Cabelo loiro, covinhas a marcarem as suas bochechas sorridentes e olhos verdes – Caleb. Naquele momento, ele olhava para mim com a expressão mais curiosa de todo o mundo.

Quem olhasse para ele nunca diria que ele era o polícia mais competente – para não dizer mortífero - que existia na nossa esquadra.

- Não deve ser nada demais. Ela está sempre a ligar-me durante o dia, eu fico alarmado, e depois a chamada foi só para dizer que ela comeu um bolo de chocolate muito bom. – Caleb riu, embora eu estivesse a falar muito a sério.

- E já encontraste alguma coisa? – e apontou com a cabeça na direção das duas pessoas que eu estava a observar pelos binóculos.

- Não. – bufei – Mas eu vou apanhá-los. O meu instinto raramente falha.

- E não achas que pode estar a falhar agora? Quer dizer, estamos a segui-los há umas duas semanas e ainda não os viste a fazer nada. – Caleb limpou a sua garganta e eu revirei os olhos, já sabendo que a sua voz iria suavizar, como se estivesse a falar com uma criança. – Se calhar está na altura de...

- Se fores dizer a palavra desistir... - o meu parceiro encolheu os ombros e deixou-se relaxar na cadeira em que estava sentado. – Eu sei que eles são culpados. Nada do que possas dizer me vai convencer de outra coisa.

Caleb tinha razão, no entanto. Há duas semanas que saíamos da nossa esquadra e íamos para aquele sítio, aquela varanda que nos dava a visão perfeita da janela onde eu suspeitava que o crime acontecia. Eu sabia que ele duvidava de mim, principalmente depois de tantos dias sentado ao meu lado em cadeiras desdobráveis e sem qualquer resultado, mas eu não podia estar errado. Simplesmente não podia. O meu instinto praticamente gritava que aqueles dois homens eram culpados e eu faria de tudo para provar que tinha razão. Nunca mais ninguém duvidaria de mim, depois disso.

- Eu acho só que estás demasiado investido na coisa. Há quanto tempo é que não sais? Te divertes?

- Não fui programado para diversão. – respondi, numa voz exageradamente séria. Caleb gargalhou, sabendo plenamente que eu estava a brincar. – Eu saio.

- Sair à noite com as tuas irmãs mais novas não conta.

- Não conta? Desde quando? – vi-o a revirar os olhos, mas ignorei-o. Voltei a tentar focar a minha atenção naquilo que estava a ver e não em ouvi-lo. Precisava de provas e sentia, com todas as minhas forças, que aquele seria o dia. – Como está a Candy?

- Não mudes o assunto! – não respondi – Está ótima. Acreditas que já faz três anos na próxima semana?

- Está enorme. – assenti, sorrindo, ao falar, pensando na filha daquele que era, para todos os efeitos e propósitos, o meu melhor-amigo. Talvez o meu único amigo, se estivesse a ser rigoroso.

Eu tinha muita gente na minha vida. Dava-me bem com quase todos os meus colegas da esquadra e, durante os meus dez anos nas forças policiais, tinha feito grandes amigos. Uma das minhas irmãs mais novas acabou a namorar com um deles, aliás, num truque marado do destino. E o facto de ter duas irmãs mais novas tinha-me apresentado a muitas pessoas. Amigos seus, amigos dos seus namorados, amigos de amigos de amigos dos seus namorados. Ao pensar nelas, um sorriso soltou-se nos meus lábios e os meus ombros suavizaram. Teria que lhes ligar, saber como elas estavam, já não falávamos há alguns dias.

- São eles? Ali no canto? – Caleb falou, depois de uns minutos em silêncio. – O que é que eles estão a fazer?

- O que é que achas que eles estão a fazer? Estão a provar que eu tinha razão e a dar-me uma garrafa do meu vinho preferido. – pisquei-lhe o olho, lembrando-o da aposta que tínhamos feito.

Caleb, inicialmente, acreditara em mim. E, apesar de ter deixado de o fazer, as horas passadas comigo naquela varanda, a conversar de tudo e de nada, eram o refúgio perfeito da esquadra. Apesar da tensão que me envolvia sempre que eu observava aqueles dois homens a fingirem que não estavam a fazer nada de mal, nós divertíamo-nos. Como polícias, tínhamos que ter a capacidade de separar as coisas. Por isso é que conseguíamos estar a olhar para dois criminosos e, ainda assim, fazer piadas e falar das nossas famílias. Éramos amigos por isso, conseguíamos acompanhar o ritmo um do outro e éramos a perfeita companhia.

Eventualmente, a razão para ele me acompanhar tão fielmente foi o facto de termos feito uma aposta. Não tinha partilhado a minha teoria com muita gente mas, aqueles com quem o tinha feito, pediram a Caleb para registar provas que eu teria conseguido apanhar os criminosos em flagrante. Ele não resistia a apostas e uma tinha sido prontamente feita. Se eu ganhasse, eles juntar-se-iam para me pagar a garrafa mais cara e preciosa do meu vinho preferido e, se eu perdesse, pagaria um jantar a todos. Era justo, na minha opinião, e quase estava a salivar só de pensar no sabor daquele vinho. Teria que partilhar com as minhas irmãs, também, mas valeria a pena – coisas gratuitas valiam sempre a pena.

Portanto, ali estava eu. Um polícia de trinta e quatro anos, com o meu parceiro da mesma idade, com as mãos completamente tensas a agarrarem uns binóculos, enquanto ele segurava na máquina fotográfica e tentava apanhar os criminosos em flagrante.

A certo ponto, ouvi a gargalhada suave do meu amigo e comecei a rir com ele. Depois de duas semanas, ali estava ela: doce vitória, doce razão. Doce vinho.

Quase rosnei quando os vi a abrirem o frigorífico. As minhas mãos começaram a doer, da força com que eu agarrava a minha ferramenta, enquanto decidi relaxar os meus braços ao rodar os ombros para trás. Senti algumas vértebras a estalarem – algo normal, tendo em conta que estava sentado na mesma posição há cerca de quarenta minutos – e soltei um suspiro. Ao meu lado, Caleb continuou a rir, mas não perdeu tempo: o som de fotografias a serem tiradas era distinto. Ele podia estar a achar toda a situação ridícula – e tinha tido razão quando dissera que eu estava demasiado investido – mas não podia negar o que estava a ver. Era claro.

- Aqueles idiotas vão aprender a nunca mais me roubarem o almoço.

Ouvi a máquina fotográfica cair com força no chão e, ao mesmo tempo, a gargalhada indistinta do meu melhor-amigo. Ele ria tão alto e com tanta força que o seu corpo tremia e, a bater nas suas próprias pernas algumas vezes, o seu corpo convulsou. Foi-me inevitável acompanhá-lo, porque a situação tinha piada, mas também porque o seu riso era a coisa mais contagiante de sempre. A sua filha, Candy – apelido carinhoso, pois o seu nome era Ariana -, herdara aquela forma peculiar de rir e tornava-a ainda mais adorável. Precisava de ir visitar a criança, no futuro. Talvez a levasse a um parque para ela andar de baloiço – ela adorava que eu a empurrasse no baloiço destinado a crianças da sua idade, completamente seguro e era óbvio que, aos poucos, se estava a tornar tão viciada em adrenalina como o seu pai.

- Espero que o capitão nunca descubra o que andámos a fazer durante estas horas de almoço todas.

- Claro que vai descobrir! Eu vou imprimir essas fotos e colá-las em todo o lado. Ninguém rouba comida ao Steve Farrell.

Caleb abanou a cabeça, mas não me desmentiu. Ele adorava-me.

Lentamente, trabalhámos em equipa a arrumar tudo aquilo que tínhamos deixado na varanda. Teoricamente, aquele prédio pertencia à nossa esquadra também, mas era utilizado apenas para treinos e as ocasionais reuniões que não poderiam ser feitas dentro do edifício principal. Tinha pedido autorização ao meu capitão para utilizar apenas aquela varanda e, depois de algum tempo a implorar – e a argumentar que o par de idiotas também tinha roubado alguns dos seus almoços – ele deu-me autorização para o fazer. Caleb não sabia que aquela luta não era apenas minha, no entanto, essa tinha sido a condição do nosso superior. Ninguém poderia saber que o capitão da esquadra mais importante da cidade não conseguia apanhar dois ladrões de comida que estavam - quase literalmente – sob o seu nariz.

- Vou aproveitar para ligar à Mia de volta. Podes ir andando. Mas não digas nada! Quero ver a cara deles quando lhes mostrar todas as minhas provas.

- Tu consegues ser tão obcecado, Steve. – ofereci, como uma resposta, um encolher de ombros.

Vi-o a afastar-se, distinguindo claramente o abanar de cabeça que, embora não estivesse a ser lançado na minha direção, era obviamente para mim. Sorri, contente por ter apanhado finalmente os ladrões que me atormentavam as horas de almoço há demasiado tempo e voltei a pegar no meu telemóvel. A Mia – uma das minhas irmãs mais novas – não tinha voltado a ligar, talvez assumira que eu estava ocupado, mas eu senti-me mal por ter ignorado duas chamadas dela. Ela sabia que eu estava na minha hora de almoço – só abdicava dela quando estava a tratar de algum caso especialmente importante – e isso significava que ela sabia que eu escolhi não lhe atender.

- Mia, adivinha!

- Viste os One Direction juntos pela primeira vez e por isso é que não me atendeste? – mordi os meus lábios para não rir, mas não consegui resistir à tentação. Aquela resposta tinha sido, por falta de melhor descrição, típica da Mia.

- Os One Direction não seriam razão suficiente para eu te ignorar. – antes que ela pudesse dizer alguma coisa – Mas, a Britney Spears? Definitivamente. De qualquer forma, não foi por isso que não te atendi. Adivinha quem é que eu apanhei hoje.

- A Operação Almoço Perdido Com Aspas está finalmente resolvida?

- Sim! – o riso feliz da minha irmã mais nova foi o suficiente para um sorriso rasgar a minha cara.

- Aceito, então. A razão para eu ter ligado é só um bocadinho mais importante que isso.

Estava confuso. Por um lado, Mia estava a dizer coisas sérias mas, por outro, o seu tom era completamente de brincadeira. Sempre que falava com ela tinha que me forçar a lembrar que ela era educadora de infância e que, nos últimos anos, tinha aperfeiçoado a sua voz-para-falar-com-crianças. Era essa voz que ela estava a usar naquele momento, uma voz tranquila e divertida mas que, por detrás, escondia algo sério. Parei de andar e encostei-me à parede do prédio de onde eu tinha acabado de sair e forcei-me a analisar tudo o que conseguia captar da chamada. Ela estava divertida, estava a rir-se e pôde perder tempo a fazer piadas comigo. Isso queria dizer que ninguém estava a morrer ou gravemente ferido – já tínhamos apanhado sustos suficientes para saber que, quando algo grave acontecia, tínhamos que ser rápidos a partilhá-lo.

Senti-me tenso, ao lembrar-me do dia fatídico em que achei que ia mesmo perder Ava, a minha outra irmã mais nova e gémea de Mia.

- Mas não te vou dizer agora.

- Mia Farrel! – repreendi – Queres dar-me um ataque cardíaco? Eu estou demasiado velho para isto!

- Por favor, ainda não tens quarenta anos. – a forma como ela tentou confortar-me não resultou, obviamente, e revirei os olhos. – Depois do trabalho, consegues passar aqui no apartamento?

- Mas passa-se alguma coisa?

- Não. Sim. Hm...mais ou menos.

- Que eloquente. – Mia gargalhou, como sabia que iria fazer. De seguida, ouvi um suspiro e alguém a chamá-la, ao longe. – Eu passo aí, sim. Se eu chegar a vossa casa e vir alguma de vocês com gesso nalguma parte do corpo, é bom que saibas que eu vou ralhar.

- Estamos ambas inteiras. Nada partido. Até logo, adeus! – e desligou, antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa.

Bufei, para a confusão que foi aquela chamada, e obriguei-me a pensar que estava tudo bem. Mia tinha dito que estavam ambas inteiras e era o que era preciso. Mas, conhecendo ambas, estar inteira não era dizer muito – Mia era a rapariga mais desastrada que eu conhecia e a Ava era cientista. Alguma coisa no seu laboratório podia ter explodido, ou ela podia ter ficado presa depois de alguma experiência que dera para o torto... Não, Steve. Elas estão bem. Não te preocupes.

- Está tudo bem? Pareces preocupado. – Caleb inquiriu, minutos mais tarde, quando eu saí do elevador e caminhei até à minha secretária, diretamente à frente da sua.

- Sim. E estou. A Mia ligou-me, disse que tinha algo importante para dizer, mas não me disse o que era. Acreditas nisto? – vi o meu parceiro a sorrir e a relaxar, quando percebeu que era algo perfeitamente normal. Infelizmente, eu estar preocupado com as minhas irmãs – com a minha família, no geral – era ocorrência diária, Caleb sabia disso e já estava mais que habituado.

Olhei em volta, enquanto me sentei, tão discretamente quanto consegui. No canto da grande sala aberta, junto ao garrafão de água, vi os dois polícias que observava há duas semanas. Semicerrei os meus olhos, quase como que a afunilar a minha própria visão, e foi preciso levar um pontapé na canela para me despertar daquele transe. Lancei o meu olhar severo na direção do homem à minha frente; ele colocou-me a língua de fora, num movimento que eu não duvidava que tivesse sido aprendido com Candy.

- Não dês nas vistas. Temos que os apanhar desprevenidos.

- Agora quem é que está demasiado investido nisto? – o meu melhor-amigo encolheu os ombros e, com os cotovelos pousados na secretária, esticou o pescoço para se aproximar de mim – Gastei duas semanas da minha vida a vê-los comer, não vou deitar tudo ao lixo agora. Sou demasiado orgulhoso.

- Somos dois.

Depois daquela conversa bem-humorada, a tragédia do costume aconteceu. Um telemóvel tocou no escritório do capitão e, vinte segundos depois, ele estava a chamar os nomes de umas quantas pessoas para se lançarem ao trabalho. Ninguém morreu, felizmente, mas não deixou de ser uma tragédia o facto de eu não conseguir enfrentar os meus criminosos naquele dia. Continuei o resto da tarde na secretária, sobretudo a tratar de papelada de casos anteriores, e atento ao meu telemóvel. Secretamente, esperava que Ava traísse a confiança da sua irmã gémea e me ligasse para me contar o que acontecera. Por vezes, era o namorado da minha irmã que o fazia – quando Asher achava que Mia estava a abusar do secretismo e achava que eu devia saber algo, como quando a Mia caiu nas escadas da sua escola e partiu um braço e uma perna, traumatizando dezenas de crianças pelo caminho – mas não recebi nenhuma chamada.

Era possível que não fosse nada demais. Ou que fosse uma novidade boa – como ela ser promovida ou ter decidido finalmente voltar a falar com os nossos pais. A curiosidade estava a matar-me. 


eu odeio escrever sequelas, é verdade. nunca gostei muito da ideia de "saturar" um só casal ou uma só relação, mas algo que eu gosto é isto. pegar em personagens que já existem como secundárias numa outra história e dar-lhes uma só deles.

quando o fiz com Ava, irmã de Mia (e de Steve) da Cair e Levantar, foi completamente sem querer. eram duas Avas diferentes mas que, de alguma forma, se juntaram e ficaram muito parecidas. mas o Steve...oh, o Steve sempre mereceu uma história. na 1ª história (CL), ele apareceu só como o irmão mais velho polícia que assustou o Asher, mas na 2ª (DSVAL) ele ganhou uma outra personalidade. continuou a ser o mesmo irmão mais velho e protetor, mas o Dax - com todo o seu olho atento e observador - conseguiu logo achar parecenças entre os três irmãos. quando dei por mim, estava a dar-lhes ligações mais profundas que tinha dado na CL.

escrever a sua história foi-me inevitável, para ser completamente honesta. desde a DSVAL que estava com aquele bichinho...o meu cérebro dizia-me que ele merecia uma história. merecia também ter a sua relação bonita e feliz e, quando me apercebi que ele vivia muito para as suas irmãs, a história apareceu. demorou, mas apareceu. e é muito bonita, acreditem. estou a adorar escrevê-lo!

o Steve tem trinta e quatro anos e é oficialmente a minha personagem mais velha. acho que é da idade do meu irmão mais velho, embora as diferenças de idades entre mim e os meus irmãos sejam muito diferentes da Ava/Mia com o Steve. até porque, na minha cabeça, esta história passa-se em 2024. sete anos depois de a Mia conhecer Asher.

quando escrevi Mia, não tinha como saber que a sua família seria tão importante, mas acabou por ficar. os pais dela não aparecem na história de Ava - e é explicado porquê - mas voltam nesta, porque o Steve é...o mensageiro. é o intermédio. é a pessoa neutra, que trata de todas e de quem nunca ninguém trata, infelizmente. 

se há algo que vai ser diferente na Contrabalançar, em comparação com a DSVAL, é a frequência com que Mia e Ava aparecem. e isto, para além das coisas que vão acontecer nos próximos capítulos, tem muito a ver com o facto de Steve viver muito para as suas irmãs. acho que isto foi-se notando mesmo na diferneça entre as várias histórias. Mia tinha uma vida muito separada da sua irmã, mas Ava já não era tanto, e Steve muito menos vai ser. ele vive literalmente para proteger pessoas, para proteger simbolicamente a sua família, e isto é muito importante

e não posso negar que imaginar os meus bebés Ash e Mia mais velhos me dá muita satisfação.

por hoje, só digo isto, peço desculpa pela nota enorme, mas espero que gostem da aventura do nosso Steve <3 espero que ele vos faça rir tanto como faz a mim!

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