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Vinculado

Ele está sozinho e em sua forma humana. Correu de sua casa até aqui, atravessando a floresta de maneira imprudente direto para a casa de seus inimigos naturais. Mas havia algo diferente, ele nunca mais ficaria contra os vampiros. Estava fadado à isso e soube que não tinha escapatória.

— Swan!— ele grita assim que está perto o suficiente da casa. Beatrice e Jasper se entreolham confusos e todos os Cullen correm para a sacada para olhar de cima para o rapaz moreno que veste apenas uma bermuda. Ele não está ofegante, demorava para se cansar, mas também não era impossível— Beatrice Swan, eu preciso falar com você— ele pede quando a mesma toma a frente dos outros vampiros. Ela o olha com curiosidade, nunca teve nenhum contato direto com Embry, por que logo ele precisaria falar com ela? O lobo de pelagem da cor da areia... Beatrice reconhece o olhar dele.

— Comigo?— Beatrice pergunta, confusa, Jasper olha ao redor, mas não avistam nenhum outro lobo.

— Está sozinho rapaz?— pergunta Carlisle— Qual seu nome?

— Estou e meu nome é Embry Call— Embry bufa, não consegue nem se irritar, de repente a garota com os olhos diferentes era tudo o que ele via. Sentia uma atração magnética o puxando para ela— Eu preciso falar com você, por favor— ele repete, olhando diretamente para a garota. Beatrice pula da sacada e Jasper a segue de perto. Os olhos castanhos de Embry encaram o loiro também sem camisa, Jasper não se importava de o assustar com suas cicatrizes. Aprendeu que é principalmente com medo que se ganha respeito. É assim em seu mundo. E o que esse cachorro poderia querer com sua garota? Jasper o mede de cima a baixo com desgosto, sentindo a falta de Edward por não saber o que passava na mente daquele descabelado.

— Do que se trata? Eu estou prestes a partir, é melhor que seja importante— Beatrice fala, impaciente. Se Sam queria lhe dar alguma ordem remota estava muito enganado se acha que conseguiria ter qualquer controle sobre ela.

— Eu vou com você— Embry disse, ansioso.

— O convite não é aberto, garoto— Jasper cruza os braços. Beatrice balança a cabeça concordando.

— E além do mais eu não pedi ajuda dos lobos na caçada— ela acrescenta e olha para Carlisle— Isso foi discutido quando fomos embora?— o doutor balança a cabeça, negando, Beatrice volta a encarar Embry— Você iria pra que, para nos espionar? Diga a Sam para não ficar no meu caminho ou eu...

— Isso não foi ideia de Sam, eu estou me voluntariando— Embry a interrompe. Beatrice o encara surpresa.

— Por que faria isso?— ela pergunta depois de um tempo, cruzando os braços.

— Porque eu vou para onde você for— Embry fala, envergonhado. Beatrice sorri.

— Qual é a da piada? Eu não entendi— pergunta, quase se divertindo.

— Ela já vai estar comigo— Jasper anda ficando entre os dois— Não precisa se preocupar.

— Não é uma piada, eu dou minha palavra— Embry promete. Há algo de inofensivo nele, Beatrice observa, parece inofensivo demais. Ela fica cada vez mais desconfiada.

— Eu nem te conheço, por que sua palavra valeria qualquer coisa?— Beatrice irrita-se.

— Eu sei, é loucura, mas... é complicado— Embry faz careta.

— Descomplique, eu não tenho todo tempo do mundo— Beatrice bufa tentando repelir o cheiro de cachorro.

— Não posso falar com você a sós?— Embry pede, os olhos suplicando porque estava morrendo de vergonha. Jasper revira os olhos ao passo que Beatrice vai se sentindo solidária, só um pouco, mas ainda sente pena do moreno— Por favor.

— Você tem cinco minutos— ela determina após um minuto— Consegue me acompanhar numa corrida?

— Tris— Jasper chama, irritado, uma censura— Sozinha?

— Eu poderia atravessar seu peito com minha mão agora— Beatrice se aproxima em passos lentos de Embry e coloca o indicador no peito dele, encarando-o severa, ele é quente demais e ela é fria demais. Embry sentiria repulsa do toque se ela não fosse tão bonita. Estava enfeitiçado— Se eu me sentir minimamente ameaçada eu vou matar você sem nem piscar, Embry— ela fala, é baixo, mas todos escutam, claro. Jasper dá um sorrisinho contido. Orgulho seria?— Eu estou no meio de uma coisa muito importante agora e eu não gosto de atrasos, então eu te pergunto, você consegue me acompanhar?

— Eu sou seu fã, Tris, minha nossa— Emmett ri, o único realmente extasiado ali, parece que nenhum clima o afeta. Beatrice sorri e fecha os olhos por um momento, Emmett a tirava do sério de um jeito que ela gostava, mas realmente não era o momento. O coração de Embry bate com mais força ainda. É uma sensação arrebatadora e que o deixa nervoso e confortável ao mesmo tempo. Embry nunca tinha se apaixonado, ele é jovem, ainda podia ter tempo, mas agora não existiria ninguém além dela.

— Consigo— ele sussurra. Jasper se estressa com o jeito que o moreno a olha, mais confuso ainda com aquele sentimento de dependência. Beatrice baixa a mão e abre os olhos de novo, retomando a seriedade.

— É melhor que consiga correr bem rápido— Jasper fala encarando Embry que o olha neutro, o moreno também se sente incomodado com sua presença, é visível e completamente recíproco. Jasper levanta as sobrancelhas com a cara fechada, firmando sua ameaça silenciosamente. Beatrice se aproxima do loiro rapidamente e o abraça. Jasper abraça ela com o olhar fixo no de Embry— Se você não voltar em cinco minutos, eu vou te buscar— ele fala na orelha dela. Beatrice o dá um beijo na bochecha e se afasta.

— Não se preocupa comigo— ela garante— Cuide das coisas aqui. Eu já volto— ela se afasta, acena para Embry e corre em disparada para a floresta, numa linha reta.

Cinco minutos Jasper sibila para Embry, lembrando-o que o relógio estava correndo. O moreno dá meia volta segurando-se para não revirar os olhos e vai correndo atrás da garota. Não precisam se afastar muito. Apenas param quando não podem mais ouvir os outros.

— Alice?— Jasper chama.

— Eu não consigo ver através da matilha, Jazz— a vidente se adianta, balançando a cabeça— Ela está sozinha mesmo— fica emburrada, mas não mais do que Jasper.

— A garota sabe se cuidar, Jazz, fique tranquilo— Emmett acena para que o irmão se aproxime, Jasper cerra os punhos, olhando na direção que os outros dois foram.

— Eu sei, mas isso não impede nada— ele bufa— Que porra ele quer?

— O que você quer?— Beatrice pergunta para o garoto. Não confia de ficar perto dele e então subiu em uma das arvores para o olhar de cima. Os olhos de Embry cintilam na noite escura, diferente dela, ele parece exatamente querer chamar a atenção para si— Desembuche.

— Eu precisaria de mais do que cinco minutos para explicar— ele começa.

— Não terá mais— ela levanta a sobrancelha.

— Eu não posso mais me afastar de você agora que te vi, porque... eu tive um... uma coisa de lobo por você— ele se enrola, não faz ideia de como resumir.

— O que é uma coisa de lobo?— Beatrice pergunta.

— Um imprinting— Embry resmunga— É uma coisa incontrolável... e pode até ser um benefício para você— ele aponta, querendo desviar o foco do assunto, mas também querendo contar tudo a ela— Se tornou muito importante para mim, Beatrice, o que te faz intocável para toda minha matilha— ele baixa o olhar— Eles não podem te ferir porque estariam me ferindo também.

— Espera, que?— Beatrice fica incrédula com o que ouve ainda desacreditada do que ele está falando— Como assim?

— Eu falei que precisaria de mais que cinco minutos!

— E eu já respondi isso— ela argumenta.

— Me desculpa— ele murmura voltando a encará-la. Beatrice tomba a cabeça para o lado e balança os pés de cima da arvore.

— Não peça desculpas atoa, elas perdem o valor, se usadas com frequência— ela dispensa, ele assente apenas, tomando aquilo como sua ordem. Ele estava condenado, se moldaria como ela quisesse, faria tudo por ela, e nem se importaria de ser praticamente o escravo da garota, isso o indignava quando ele ouviu a história de Sam, mas já era passado— Conte mais, por que iriam te ferir ao me ferir? Nos conectamos ou o que?— a esse ponto ela já não duvida de mais nada. O mundo sobrenatural é sempre essa loucura? Não fazia ideia de como se acostumaria.

— Não necessariamente te liga a mim, mas... eu fico completamente ligado a você de hoje em diante— ele se sente embaraçado de ter que explicar isso. Era proibido falar sobre esses assuntos com qualquer pessoa fora da tribo, mas essa regra não se aplicava ao alvo do imprinting. Ele é incapaz de mentir ou omitir qualquer coisa dela.

— Explique ligado— ela pede calmamente.

— É... é como amor a primeira vista, só que mais forte e perpétuo. O imprinting nos mostra aquela com quem devemos passar o resto de nossas vidas— ele suspira, Beatrice franze a testa, tentando processar— Isso nunca aconteceu com uma vampira, o que contraria o boato de que encontramos nossas parceiras com quem teríamos descendentes mais fortes... Para você ver como eu tive sorte.

Híbridos. É a primeira coisa que Beatrice pensa, mas não faz sentido a não ser que a porra dele seja mágica já que ela está morta.

— Você é minha alma gêmea— ele suspira.

— Mas você não é a minha— Beatrice fala, sentindo-se mal logo em seguida por o estar magoando, mas ele tinha que saber a verdade imediatamente— Eu já tenho namorado.

— Não estou te pedindo em namoro, Beatrice, acho que o loiro me mataria se o fizesse...

— O nome dele é Jasper— ela esclarece.

— Que seja— Embry dá de ombros— Eu vou ser o que você quiser que eu seja, é o meu destino. Ficarei bem se você estiver bem.

— Isso é suicídio, lento e doloroso— ela fala, pulando da arvore, ficando de frente a Embry— Eu não entendo. Você me ama agora? De uma hora para a outra? Nem me conhece.

— Nem preciso. Pode não ser a palavra que eu usaria, mas... é, você agora é muito importante para mim. Mais do que até minha própria alcatéia.

— Você não pode me acompanhar, garoto— ela balança a cabeça— Isso é cruel.

— E irreversível— ele fala, entristecendo-se.

— Você... não vai poder amar mais ninguém?— Beatrice se sente mal por ele.

— Não sabemos disso também já que, geralmente, ficamos com nossas almas gêmeas— ele se encolhe, acanhado. Beatrice não quer ser rude então se mantem quieta— Mas, como eu disse, eu vou ser o que você quiser que eu seja. Um amigo, um irmão... Almas gêmeas não se resumem a interesses amorosos.

— Olha... eu sinto muito por você, Embry, mas eu realmente nem sei o que pensar disso, tampouco acho que posso fazer algo, por que você veio até mim?

— Porque eu vou para onde você estiver.

— Você...— ela respira fundo e balança a cabeça, se contendo— também vai fazer o que eu mandar?

Embry a olha, assustado.

— Nem vou hesitar— ele admite.

— Então pare de sentir isso por mim— ela dá de ombros, encarando-o. Tinha que tentar— vá viver sua vida como se nunca tivesse me visto.

— Não acho que funcione desse jeito— Embry suspira. Não sente nenhuma diferença em si. Beatrice faz careta e toca o ombro dele.

— Eu sinto muito, garoto.

— Eu também— ele baixa a cabeça porque descobriu a razão da vida dele e não vai a ter. É exatamente como ela disse, um suicídio lento e doloroso. Por que logo ele? Por que logo ela?

— Mas sua vida vai seguir normalmente, não é? Tipo, isso não te obrigar a me seguir para todo lado nem deixar sua vida para trás só para ficar perto de mim, né?

— Não impede, mas eu o faria se você pedisse.

— Eu não quero, não gosto que me prendam, jamais faria isso com outra pessoa.

— Não é escolha sua também, Beatrice. As correntes são para sempre. Não importa quem ou o que as colocou em mim.

A garota hesita, unindo as sobrancelhas.

— Você não pode vir comigo. Sua presença impede Alice de ver o futuro e isso é o que eu mais preciso no momento. Visão.

Não posso te atrapalhar, mas também não acho que vou poder me manter afastado.

Beatrice fica pensativa um momento.

— Vai vir comigo mesmo que eu te mande ficar?

— Eu tenho que te proteger a qualquer custo, você significa minha vida, não posso nem quero perdê-la.

— Você deve ir para casa agora, garoto.— ela fala, séria.

— Não posso!— ele insiste— Eu vou atrás de você de um jeito ou de outro, principalmente agora que eu sei que está no meio de uma caçada, algo que pode te pôr em perigo. Eu posso ser útil, meu olfato pode ser ainda mais eficaz que o de vocês— Beatrice cerra os dentes irritando-se.

Fique aqui.— sibila— Eu tenho que conversar com os outros sobre isso— balança a cabeça, encara Embry por um momento longo. Não vai conseguir se livrar dele, dá para ver— Merda— fala sozinha e corre de volta para a casa dos Cullen quando Jasper estava se arrumando para ir atrás dela, os cincos minutos haviam se esgotado. Ele fica imediatamente aliviado ao vê-la chegar inteira. A espera na porta da frente— Temos mais uma complicação— ela fala mal humorada e puxa Jasper para dentro.

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