‣ Judgment
꧁ Julgamento ꧂

— Você bem que poderia me contar quem são os Volturi agora— Beatrice fala, quebrando o silêncio depois de horas de viagem correndo sem parar com um lobo enorme no seu encalço, os dois tem que frear porque as arvores acabaram e logo terão que enfrentar a cidade. Estão escondidos entre as arvores, olhando o movimento. Beatrice sente sua garganta arder, há cheiros delirantes para todos os lados, mas Jasper a mantém focada. São sete horas da manhã. Embry está se aproximando depressa, eles ouvem a respiração dele, Jasper revira os olhos para a insistência do garoto.
— Talvez eu possa roubar um carro, vai ajudar a gente a passar sem você ter que enfrentar diretamente nenhum humano... Eu venho te buscar aqui, o problema é o sol...— Jasper comenta, distraído.
— Não finja que não me ouviu— Beatrice censura, dando uma cotovelada na barriga dele.
— Eu sei, é importante, só estou em dúvida também por onde começar— ele fala olhando ao redor.
— Eles são os poderosos, pelo o que eu entendi— ela suspira— Mas são o poder supremo ou há mais líderes? Como funciona?— Jasper sorri para a garota.
— Eles são o poder supremo. Não há ninguém mais poderoso nem que chegue a seus pés. É a maior família de vampiros que existe, a nossa vêm depois, o que causa certa intriga e inveja já que somos mais uma família do que um exército, lealdade é algo mais firme, algo que eles desejam. Não é normal tantos de nós vivermos juntos e em paz, Carlisle acredita que eles vivem juntos apenas pela mesma ambição, estar no controle do que supostamente deveria ser incontrolável. Têm soldados talentosos como eu, caçadores como James ou ainda melhores e alguns tem dons ainda mais poderosos, como o seu, são perigosos se contrariados, e não há tantas leis, mas há uma que é aplicada constantemente, não chamar atenção... Olha, você não nada melhor para fazer não?— Jasper se irrita, interrompendo seu discurso que Beatrice ouvia com atenção, Embry os alcançou e estava voltando a forma humana para poder falar com eles. Se transformou às pressas na noite anterior e estava completamente sem roupa. Ele se esconde atrás de uma arvore e coloca a cabeça para fora olhando diretamente para Beatrice escondida mais a frente sob a sombra. Ela ainda não se viu na luz do sol, se mantiveram nos cantos com muito cuidado.
— Eu te disse— ele fala. A garota bufa, impaciente.
— A gente não vai ficar esperando por você— ela responde. Jasper balança a cabeça e joga sua mochila para o moreno que a agarra com facilidade.
— Veste alguma coisa, cachorro— ele suspira.
— Hã, valeu— Embry se esconde novamente para pegar alguma roupa que fedesse menos a vampiro. O casal o dá as costas.
— Continua— Beatrice incentiva, Jasper aponta a cabeça para o rapaz ofegante— Não acho que ele vá ficar muito tempo sem saber no que está se metendo.
— Uma aliança entre vampiros e lobisomens é algo que nenhum vampiro aceita. São nossos inimigos naturais...
— É contra as regras então?— Beatrice conclui.
— Não necessariamente, mas seria a desculpa que Aro tanto almeja para dizimar nossa família. Ele se sente ameaçado muito facilmente— Jasper a assusta sem intenção.
— Eu não vou fazer nada que complique a vida de Beatrice— Embry diz aparecendo completamente vestido e descalça como o casal, devolve a mochila de Jasper e o loiro a deixa cair nos seus pés, fazendo cara de nojo por causa do odor. Embry se aproxima ofegante, está exausto— Posso guardar segredo.
Beatrice e Jasper se encaram, o loiro cruza os braços e revira os olhos. Embry se dobra, acabado por correr sem parar.
— Vem cá, vocês não param para nada mesmo? Nem para comer, dormir?— ele pergunta, deitando-se no chão.
— Não dormimos— Beatrice responde.
— E nem precisamos parar para comer, o lanchinho já está seguindo a gente— Jasper provoca.
— Eu tenho o cheiro tão ruim para vocês quanto vocês tem para mim, né?— Embry se senta encarando Jasper com tédio.
— Tem— Beatrice diz olhando para a rua, carros passando, alheia a conversa dos dois.
— Isso nunca me impediu de matar uma presa— Jasper fala com um sorrisinho debochado. Embry mostra os dentes para ele, um rosnado subindo no seu peito.
— Calem a boca ou eu bato nos dois— Beatrice revira os olhos e os rapazes a encaram, ela olha para o céu, pensativa— Jazz, acha que eu consigo fazer o céu ter mais umas nuvens? Assim você poderia roubar um carro sem problemas.
— É ladrão além de tudo— Embry comenta com deboche.
— Mas que comidinha falante, inacreditável! Vou ter que te silenciar?— Jasper rebate, chuta as pernas do moreno que se levanta depressa e os dois quase se peitam, mas Beatrice se mete entre eles e os empurra para os lados com força.
— Jasper!— ela chama, impaciente, os dois cambaleiam tentando manter a postura, mas é falho, a garota está com os dois na coleira— Acha que eu consigo?
— Você consegue qualquer coisa, linda— Jasper fala a olhando nos olhos, nem precisa ver para saber que Embry está revirando os dele— Fecha os olhos— ele indica, Beatrice obedece e relaxa os ombros para se concentrar, seu estresse e ansiedade estão em outro nível, mas pelo menos ela está conseguindo administrar— Consegue sentir seu dom?
Ela pensa por um momento, sabe que tem algo ali.
— Sim— ela confirma. Agora aquela coisa não parece tão maleável, mas não é impossível de controlá-la também. Beatrice olha para cima, encarando o céu pelas frestas dos galhos e folhas verdes.
— Só é complicado se você tiver medo, deixe que ele se iguale a você, que tome o controle do seu corpo— Jasper vai falando, mas ao mencionar medo, a primeira coisa que Beatrice pensa é em seus machucados. Ela não se deixa levar por esses pensamentos, as marcas de Jasper estavam muito menores agora, apenas nas palmas das mãos e um pouco no peito.
Ele vai ficar bem. Agora ela tem que se concentrar em continuar a caçada para que seu pai fique bem também. Há poucas nuvens no céu, ela se sente conectada a elas de um jeito não convencional. Ela se concentra nas batidas do coração de Embry como um som de fundo para meditar e na mão de Jasper nas suas costas a passando segurança. O vento aumenta ao redor dos três, a nuvens vão se movimentando.
— Legal— Embry sussurra.
— Shh— Beatrice sibila, ele obedece, as nuvens começam a esconder o sol.
— Ela é sempre mandona assim?— Embry pergunta para Jasper.
— Ela não fica no controle o tempo todo— ele consegue rir antes que Beatrice lhe dê um tapa atrás da cabeça, arrancando a risada de Embry— Eu previ essa— fala, levando a mão a nuca.
— Está passando tempo demais com Emmett, agora vai lá pegar nossa carona— Beatrice balança a cabeça para ele, Jasper sorri e a rouba um selinho.
— Volto logo, meu amor— fala para ela e olha para Embry— Você se vira.
Embry cruza os braços e revira os olhos.
— Deixe de implicância— Beatrice reclama.
— Só estou dizendo— Jasper leva a mão ao peito, fazendo-se de ofendido— Talvez seja bom ter você por perto, no final das contas— fala para Embry— Seu cheiro ruim vai dar um motivo a mais para ela ficar sem respirar.
— Jasper— Beatrice o fulmina com o olhar, ele ergue as mãos se rendendo.
— Tô indo!— ele recua devagar, depois corre em uma velocidade humanamente aceitável em direção a cidade.
— O que você vê nele?— Embry pergunta, olhando para Beatrice.
— Ele não precisa de um imprinting para me amar— ela ironiza, olhando as nuvens, concentrada em mantê-las no lugar.
— Ai, precisava, linda?— Embry sorri. Ela revira os olhos.
— Precisava.
Ele fica a encarando quando o silêncio entre eles se estende.
— Olha, lobinho— Beatrice murmura— Jasper pode fazer essas piadas por ciúme, mas caso vocês inventem de brigar por conta de pura testosterona, e você acabar o machucando, por mais que eu duvide que isso seja possível— ela o olha de canto. Embry está do lado em que o olho vermelho dela se destaca, ele fica tenso— Eu vou machucar você.
Embry baixa o olhar, pensativo e um tanto submisso, mas o imprinting só o fazia gostar de Beatrice, o resto ainda é o resto.
— Você parece um garoto bom e eu sinto muito que seja logo por mim que você sinta essa coisa. Eu não sou boa e, pior ainda, não dou a mínima para isso— ela sorri, amarga, Embry hesita, mas cede a vontade de tocá-la no ombro. Beatrice recua, não quer o dar liberdade e o braço dele cai sem apoio— Estou vendo que não tem como te manter longe e eu, honestamente, estou bem distante de quem eu sou, você não vai gostar do que você vai ver, por isso, eu vou te falar de novo para voltar para casa, Embry. Ou tudo o que você vai ter, serão mais histórias de terror para contar para sua tribo a respeito dos frios— ela o encara séria.
— Não importa o que você faça, a dor de te ter longe seria pior— ele admite, não há dúvidas que está sendo sincero. Beatrice volta a se concentrar nas nuvens.
— Vai importar para sua matilha quando você voltar— ela bufa, está mesmo difícil respirar com ele por perto— A última coisa que preciso é que eles julguem Jasper errado. Ele é bom demais. Implicante, mas bom— ela sorri— Eu não sou como ele. Jasper não estaria planejando matar minha irmã por vingança— Embry franze a testa, surpreso e confuso, mas não interrompe o discurso dela— É péssimo te ter por perto e saber como minhas decisões podem se ampliar agora que eles não podem ver mais meu futuro, lobinho. Eu posso, mas não tenho mais certeza se consigo...
— O que está te segurando?— ele pergunta, ainda sem entender do que ela está falando.
— Não o quê. Quem. O irmão do garoto que eu amo, é quem eu mais quero matar— ela sente o olhar do moreno e isso a irrita, parece que isso fica estampado no seu rosto já que Embry para de encará-la no segundo seguinte. Mas então, ela ri. Sentindo-se estúpida— Nem sei porque estou falando com você sobre o que nem é da sua conta— ela balança a cabeça— deixa para lá— ela resmunga. Ouve as pessoas ao longe questionarem porque estava ventando tão forte.
— Segurou por tempo demais e precisava falar com alguém que não fosse te julgar, é o meu palpite— ele fala sorrindo de canto, sendo gentil. Beatrice baixa o olhar, triste, deu-se o direito de sentir isso, agora que Jasper não está por perto. Não gosta de tortura-lo.
— Faz ideia de como eu posso sair dessa, Embry?— ela pergunta, olhando para o chão.
— Não. Eu sinto muito, Beatrice— ele fica triste com ela.
— Eu também— ela fala, baixinho. Eles não falam mais nada, esperando Jasper voltar.
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