‣ Consequences


Consequências

— É inadmissível que se comportem de tal maneira na minha escola— O homem grita em sua sala, negro, careca, baixo e roliço, geralmente é um homem muito paciente, e um excelente diretor, mas quando ele fica bravo, ele fica pra valer.

As quatro garotas, feridas e segurando comidas congeladas onde mais doía, estavam sentadas de frente para a mesa dele, caladas e divididas, se olhando torto, Anna e Beatrice que estavam no meio, se davam cotoveladas vez ou outra, quando o senhor Miller não estava olhando.

— Eu estou tão desapontado— ele expressa, Beatrice e Katlyn baixam o olhar— Seus pais virão buscá-las, vocês serão suspensas pelas próximas duas semanas inteiras e eu não quero que isso volte a acontecer, espero que vocês pensem bem no que fizeram, porque eu quero que peçam desculpas umas às outras assim que me falarem quem foi que começou.

— Foi a Anna!— Beatrice fala.

— Fui eu!— Katlyn fala ao mesmo tempo que a amiga, Beatrice a censura com o olhar.

— Maldita lufana— resmunga entredentes.

— Katlyn me deu o primeiro tapa, por motivo nenhum!— Anna fala, Beatrice precisa se segurar muito para não pular no pescoço dela e a deixar roxa.

— Foi Katlyn— Hilary fala, irritada, tinha quebrado um dente com a surra que Beatrice lhe deu com a bandeja— Mas foi a Swan que desencadeou tudo.

— Como é que é!?— Beatrice reclama— Anna que me chamou de vadia, falou da minha família e dos meus amigos, a única coisa que eu vou me desculpar com você foi de não ter arrombado a porra da sua boca de tanto bater ela na mesa— ela fala apontando para a cara de Anna.

— Ei!— o diretor grita, incrédulo.

— Pode vir, quero ver se você é mulher mesmo!— as duas se levantam de novo.

— Me desculpa, mas eu não brigo no tapa, sua cobra, quer tanto meu namorado que fica falando de mim pelas costas!— Beatrice grita— Esquece a porra do meu nome! Eu nem lembro da sua existência quando não estou vendo essa sua cara de cu!

— Jasper só não é meu porque eu não quero!— Anna rebate, as duas ignorando os berros do diretor como se ele não estivesse falando. Beatrice ri da garota— Se eu quiser teu namoradinho, eu pego!

— Seria hilário ver você tentando! Quando eu acho que você não pode se humilhar mais, você vai lá e se supera! Eu não vou brigar por macho com você, estou num nível superior, meu amor!

Anna cospe na cara de Beatrice, Beatrice a soca de novo, a secretária, o diretor, Hilary e Katlyn se metem no meio das duas, as separando.

— Eu vou matar você!— Beatrice esperneia, o diretor e Katlyn a seguram com força.

— JÁ CHEGA!— o senhor Miller berra, descontrolado. As meninas recuam, ofegantes, fuzilando uma a outra com o olhar— Como a filha do xerife dessa cidade, acreditei que você teria muito mais compostura, senhorita Swan! Sinto tanto por estar enganado a seu respeito!— ele olha para a morena, ela não consegue manter contato visual com ele. Odiava desapontar aqueles quem respeita.

Katlyn pega um lenço na mesa do diretor e passa para a amiga para que ela limpe a bochecha.

— Fui eu quem começou isso, senhor Miller— Katlyn se adianta— Não teria passado de uma discussão se eu não tivesse dado o primeiro tapa, eu sinto muito!

— Não me importa mais quem começou! Todas vocês estão suspensas, saiam da minha frente antes que eu as expulse de vez! Me sinto tão envergonhado— ele continua falando conforme as garotas obedecem depressa a sua ordem posterior— Não tenho mais o controle de nada nessa escola, vocês são quase adultas e agem como crianças! Primeiro as fotos do senhor Stuart, agora isso!— ele bate a porta do seu escritório antes que Anna argumentasse que Beatrice também tinha feito aquilo.

Elas são mantidas em lugares separados para que não se vejam nem retomem a briga.

— Você não devia ter admitido nada— Beatrice fala para Katlyn, elas duas estão sentadas perto da porta do diretor, as outras duas estão sentadas no corredor.

— Isso não importa, ele mesmo disse— Katlyn responde balançando a cabeça— E as duas iriam apontar para mim, de um jeito ou de outro.

— Não importa. Seriam elas duas apontando para você e nós duas apontando para Anna, você é uma aluna exemplar, uma pessoa muito mais gostada nessa escola do que aquela puta. A questão poderia ser virada a nosso favor se falássemos tudo que ele precisasse ouvir.

— Relaxe, Tris, já foi, vamos ser todas tratadas do mesmo jeito, no fim das contas— Katlyn tenta amenizar.

Beatrice fica quieta, encostada na cadeira. Katlyn poderia ler os pensamentos da garota.

— Ah, não faça nada sobre isso, Tris!— Katlyn balança a cabeça— Nós já brigamos com elas.

— Mas estamos empatadas! Eu não gosto de empates— Beatrice argumenta, roendo as unhas. Katlyn revira os olhos.

— Você é impossível.

— Eu também te amo— Beatrice beija o rosto da melhor amiga, Katlyn ri.

Impossível— repete, com mais ênfase.

Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ


Charlie não faz muito caso na frente de ninguém, espera até estarem em casa, no quarto de Beatrice.

— O que foi que aconteceu lá?— ele cruza os braços, Beatrice se senta na sua cama e abraça um de seus travesseiros enquanto o xerife a encara de pé.

— Anna Carter falou mal de mim, dos meus amigos— dá de ombros— Eu dei uma cabeçada nela porque ela foi uma vadia.

— Olha a língua!

— Desculpa— Beatrice faz careta e se segura para não revirar os olhos, sempre achou ridículo essa coisa de não poder xingar, mas não é de desrespeitar o pai— Mas ela me chamou de vadia, por sinal— ela acrescenta— Eu teria saído depois de discutir um pouco, mas aí ela gritou e você sabe que eu não gosto que me desrespeitem.

— Eu sei, querida, mas há coisas na vida que podemos ignorar sem quebrar o nariz nem o dente de ninguém. Agora você foi suspensa, por pouco não foi expulsa, isso vai ir na sua ficha escolar, Bea. Não pode pelo menos fingir que está arrependida?— ele pede.

Beatrice o encara com tédio, nem precisa responder.

Charlie bufa e vai em direção a porta, realmente precisa voltar ao trabalho, voltar à caçada. Ele sai.

— Mas, ei— Charlie entra no quarto de novo, um minuto depois, metade do corpo para fora, no corredor, Beatrice o encara— Você mais bateu do que apanhou?

Beatrice sorriu de canto.

— O que você acha?

— Acho que você arrebentou ela— Charlie ri.

— Ainda não acabei com ela— Beatrice levanta as sobrancelhas, sugestiva.

— Bea!— Charlie censura, rindo— Eu não quero ter que te algemar, minha filha.

— Está bem, eu prometo não ser pega dessa vez— ela levanta as mãos, se rendendo.

— Bea, sério!

— Estou brincando, papai— ela faz bico.

— Eu acho melhor trancar sua janela— ele finge pensar em voz alta, cerrando os olhos. Beatrice afunda na cama, gemendo.

— Eu só vou atrás dela no amanhecer, depois que você for trabalhar— ameaça, irônica.

— Fique em casa, viu!— Charlie aponta para ela— Eu tenho que voltar para o trabalho.

— Está bem!— ela bufa. Charlie entra de novo no quarto e beija a cabeça dela.

— Fico feliz que tenha batido mais— ele brinca, bagunça os cabelos dela e vai embora.

Beatrice fica encarando o teto enquanto ouve o carro de seu pai ir embora. Tira o casaco e a camiseta, planeja ir dormir para que o tempo passe logo.

Está só de sutiã quando Jasper pula na janela e bate no vidro para lhe chamar atenção. Os dois se olham e arregalam os olhos, Jasper se deixa cair de volta no térreo, mas já viu mais que o suficiente.

Beatrice veste a camiseta de volta as pressas e corre para a janela, abrindo-a e olhando para Jasper lá embaixo.

— Me desculpa, eu devia ter jogado pedrinhas ou algo assim— ele faz careta, a imagem cravada em sua mente, muito clara. O sutiã dela é rosa choque.

— Está tudo bem, Jazz— ela sorri— Venha— se afasta da janela, o loiro pula de novo, entrando.

— Quis vir ver como você estava— diz ele, sorrindo— Devo admitir, estou muito impressionado.

— Pode dizer orgulhoso— Beatrice ri e fecha a janela, Jasper se joga na cama dela, deitando-se de barriga para cima.

— Eu até pensei em me meter, mas vi que você estava com controle da situação— ele ironiza.

— Eu ainda não acabei com elas— Beatrice fala, se deitando de bruços do lado dele. Jasper gosta muito dela nessa posição. Ele encara o teto, tentando não pensar demais.

— Claro que não. Mas vai mesmo acabar com a loira também?

— Óbvio— Beatrice sorri, o encarando, põe a mão na bochecha de Jasper desenhando formas desconexas na pele de mármore— Ela bateu na Katlyn, eu quero atirar nela. A Kat também é minha família, ninguém toca na minha família e sai impune.

Jasper ri, balançando a cabeça.

Respira fundo sentindo a garganta arder e vira o rosto na direção de Beatrice, os narizes ficam lado a lado. Beatrice se arrepia, mas não é de frio.

— Você é uma garota má— ele sussurra com uma voz rouca e sexy encarando os olhos esverdeados dela, as pupilas de Beatrice se dilatam e ela respira fundo.

— Eu puno quem merece— ela argumenta.

— Lúcifer?— Jasper brinca, os dois riem.

— Eu sou mesmo um anjo.

— Caído— Jasper acrescenta.

— Ainda sou a porra de um anjo— ela dá um sorriso largo, rouba um selinho de Jasper.

Ele vira todo o corpo para ela.

— Caiu direto nos meus braços.

— Essa foi péssima— Beatrice fala baixinho e ri.

— Foi necessária— Jasper fala, no mesmo tom, rouba um beijo dela, breve e pedindo por mais. Ele ergue a mão e desliza os dedos de leve pelo rosto dela, a bochecha dela levemente vermelha, mas pelo menos ela não se cortou em momento algum— Fico feliz de ter te encontrado.

Beatrice o encara e abraça a cintura do loiro.

— Ah é?— murmura.

— Você não faz ideia do quanto— ele garante. Eles se sentem conectados de um jeito diferente nesse momento, Jasper beija o rosto dela, cada parte dele, devagar e com carinho, e então a abraça, puxando o rosto da morena para o seu peito. Beatrice retribui, colando mais seus corpos— Se você não fosse tão briguenta, eu diria agora que não deixaria ninguém te machucar. Nunca.

— Mas?— Beatrice ri.

— Eu sinto que não tem como proteger quem não precisa de proteção— ele franze a testa— Você já é muito forte sem mim, Antonella.

A garota sorri e os dois compartilham a deliciosa sensação de felicidade e contentamento. Ela o abraça mais.

— Então me fortaleça— ela sussurra.

— Eu vou— ele promete.

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top