Capítulo 22

Bem vindes ao eleito melhor cap do livro (fonte eu mermo). Na versão antiga, quando os capítulos tinham título, ele se chamava "Primeira Vez."

A casa dos pais de Sammy cheirava a bolo de chocolate quando eu passei pela porta de entrada. Era um lugar colorido, desde as cortinas até à toalha de mesa, com uma atmosfera que acalmou um pouquinho os meus ânimos.

Eu não sabia muito a respeito dos seus pais, mas eu já tinha conhecimento de que, apesar do que as redes sociais de Sam mostravam, o sobrenome deles não era Kendric, e sim Ferreira. Kendric veio após um jogo online e que a garota achou muito mais bonito. 

Sam estava do meu lado e me pediu para acompanhá-la até a cozinha, onde encontrei os seus pais. Percebi como eles estavam um pouco tensos, mas sorriram para mim assim que me viram.

— É um prazer te conhecer, Charlie! — A Sra. Ferreira era uma mulher alta, com um tom de pele negro mais escuro que o da filha. Seus cabelos estavam soltos e pareciam uma cascata de tão lisos que iam até a cintura, e ela usava um vestido azul de corte reto, não muito formal, mas nem informal. — Pode me chamar de Amara.

— Que nome lindo. — falei automaticamente como um pensamento alto, e a mulher deu um sorriso para mim.

— Significa graça e misericórdia em nigeriano. — Sammy disse com orgulho.

— E você pode me chamar de Isaque. — O pai de Sam se aproximou e apertou minha mão em um cumprimento firme. Sua pele era um pouco mais clara do que a da garota e sua cabeça era raspada. — Esse nome já é mais famoso, aquele que ri.

— Agora fiquei curioso para saber o significado do meu próprio nome. — comentei animado. 

— Eu já pesquisei. — As bochechas de Sammy se avermelharam e ela sorriu. — Significa "homem" e "liberdade".

Ela tocou em meu braço e senti um conforto repentino. Queria sorrir de alegria, mas me contive.

O significado do meu nome era simplesmente o meu gênero, isso era fantástico.

— Queria dizer que nós o respeitamos muito e sentimos pelo modo que sua família anda te tratando. — A Sra. Amara pousou a mão em meu ombro, com um olhar triste. — Samantha falou muito sobre ti, e se em algum momento te ofendermos pode ficar à vontade para falar, estamos tentando aprender, tudo bem?

As palavras de Amara fizeram meus olhos lacrimejarem no mesmo instante. Isaque também me olhava com um pequeno sorriso, concordando com ela.

— Puxa... É, obrigado. — Falei rouco e Sammy puxou meu rosto para depositar um beijo na minha bochecha.

— Você é muito emocionado, guri! Mãe, vai deixar o Charlie sem graça!

— Eu só fui sincera! — Amara falou com o semblante irritado, mas com humor na voz. — Querida, pode levar a bolsa dele pra cima? Eu te acompanho, depois eu e seu pai vamos à igreja. — A mãe de Sam indicou com a cabeça o segundo andar e estranhei que elas queriam subir sozinhas, sem mim. — Seu pai e Charlie têm umas coisas de homem para conversar.

"Temos?!?!?!?!"

Olhei boquiaberto as duas subirem às escadas e o Sr. Isaque caminhar até a geladeira da cozinha. Era possível ver que ele estava um pouco incomodado, mesmo se esforçando ao máximo para ser gentil.

— Aceita uma água?

— Ah, por favor. — Ele encheu um copo e me entregou, seria bom ter algo para refrescar o meu corpo diante daquela conversa.

— Olha, Charlie, a Samantha é uma moça incrível. Tu reconhece isso, não é?

— Claro, senhor, com certeza. — Me esforcei para não gaguejar. Então era assim que os pais das garotas conversavam com o futuro pretendente delas.

— Eu não me importo se tu nasceu uma garota. Se tu age como um garoto, se te identifica como um e pensa como um, eu vou te tratar como um garoto também. — Ele gesticulou enquanto falava, estava apoiado na bancada de granito da cozinha e me olhava sério. — Isso significa que eu vou ficar de olho em ti.

Metade de mim surtava por dentro por estar vivendo um drama que qualquer garoto apaixonado deveria viver, e a outra metade, claro, estava concentrada nas palavras do Sr. Isaque.

— E não é porque vocês não podem ter filhos igual os outros adolescentes que eu vou afrouxar as rédeas com os dois, entendido?

Eu queria enfiar a minha cara em qualquer buraco disponível quando ele falou isso. Minha vontade era de dizer "mas senhor, eu nem parei para pensar em como vou fazer isso ainda!". Contudo, tentei agir como um garoto normal que estava mostrando ao futuro sogro que era um rapaz confiável. 

— Eu vou respeitar a Samantha, senhor, não se preocupe. — falei com toda a convicção possível na voz.

— Vou confiar em ti, Charlie. — Ele afrouxou a expressão em um sorriso e se aproximou de mim para dar um tapinha nas minhas costas. Dei um sorriso aéreo e tentei não fazer o copo na minha mão tremer.

— Tudo pronto pra sair, amor? — A voz de Amara soou atrás de nós e Isaque foi até a mesa da cozinha para pegar as chaves do carro e o paletó de seu terno.

— Tudo certo, vemos vocês mais tarde! Tem bolo de chocolate no fogão esfriando, e mais tarde vamos pedir uma pizza!

Olhei para Sammy, que estava no pé da escada, e acenamos para os dois. Assim que a porta se fechou, ela se virou para mim.

— O meu pai te assustou?

— Não, que isso. — Sim, me assustou muito.

— Pode falar a verdade.

— Talvez um pouco, mas ele me deu um voto de confiança. — falei orgulhoso e notei que Sammy olhava para minha boca. Ela mordeu o próprio lábio inferior e pegou na minha cintura.

— Bah, tu não pode quebrar a confiança dele então não, hein. — Ela falou num sussurro e beijou o meu pescoço. O gesto fez minha pele se arrepiar.

Nós iríamos dormir juntos pela primeira vez. Ela deveria ter pensado sobre isso há muito tempo. Eu também havia pensado alguma coisas, mas ainda estava confuso. E a voz do Sr. Isaque no fundo da mente não deixava mais fácil. 

Eu não sabia se era capaz de fazer aquele tipo de coisa. Eu tinha vontade, queria tentar, mas o medo era grande. 

Apertei o corpo de Sam no meu e afundei minha cabeça entre o vão do seu pescoço. Respirei fundo e ela percebeu minha inquietação.

— O que foi, Charlie? — Ela passou os dedos no meu cabelo.

— Eu não sei como vou fazer isso, me desculpa.

— Ei, tu não precisa fazer se não quiser, tá tudo bem.

— Mas eu quero, esse é o problema! Não estou nem aí com o voto de confiança, desculpa te decepcionar. — falei com uma risada e Sammy gargalhou, afastei meu rosto para olhar em seus olhos. — Eu quero fazer tudo com você, mas realmente não sei como.

— Charlie, eu sou tão inexperiente quanto tu. — Ela deu um riso fraco. — Vamos pro meu quarto.

Deixei que Sam me guiasse pela mão pelas escadas até o primeiro cômodo do corredor. Meu coração queria sair do peito e eu tinha medo de que aquela noite fosse um grande desastre.

O quarto de Sammy era parecido com o meu, exceto pela falta de uma escrivaninha e a presença de uma parede com pôsteres de vários cantores pop. Olhei a Rihanna me encarando e fiquei um pouco sem graça, não queria plateia.

"Deixa de ser idiota, Charlie."

Sammy se sentou na cama e fui até ela, um pouco mais lento e desengonçado. Ela usava uma calça moletom e uma blusa regata, enquanto eu estava de calça jeans e casaco, o tênis havia ficado na entrada do quarto. 

— Você já... Fez isso antes? — Perguntei sem saber se queria ouvir a resposta. Estava curioso para saber se Sam tinha alguma experiência, mas também não queria saber se ela já ficou com alguém antes e sentir ciúmes.

— Algumas coisas, mas não foi nada demais. E você?

— Você já sabe a resposta.

Ambos rimos, ainda envergonhados.

Garotos foram ensinados a tomarem a frente nesses momentos. Mesmo achando aquilo besteira, eu queria dar à Sammy uma experiência normal, como se eu fosse um garoto comum. Ela já havia tomado a iniciativa no nosso primeiro beijo, eu queria dar um passo também.

Coloquei minha mão em sua coxa e aproximei meu rosto para beijá-la. Ela correspondeu e pegou em minha nuca, intensificando o gesto.

Beijar Sammy sempre era a melhor coisa do mundo, eu nunca me cansava daquilo.

Com a minha mão ainda em sua coxa, dei um leve aperto na região e me mexi na cama para que ela se deitasse. Ela ajeitou o travesseiro para ficar em uma posição mais confortável e meu corpo ficou entre o meio de suas pernas. Nossos quadris se encontraram e tentei afastar da mente o pensamento que eu tinha com frequência: tinha algo faltando ali.

"Não, Charlie, não tem nada faltando. Esquece isso."

Me ergui o suficiente para tirar meu casaco, e Sammy me ajudou, revelando minha blusa branca de manga curta. Minha respiração estava acelerada, assim como a dela.

— Você quer tirar a blusa?

— Eu não sei. — Falei ofegante, sem saber como me sentir. Eu queria tirar, queria fazer isso. Céus, como eu queria!

— Tudo bem, não precisa tirar. — Sammy falou calma e colocou a mão em meu rosto. — Você é lindo.

Suas palavras me fizeram sorrir e tentei continuar. Coloquei minha mão por dentro de sua blusa e encontrei o seu sutiã, a pele da garota estava arrepiada. Ela mexeu seu quadril contra o meu e segurou na minha cintura, voltando a me beijar.

Com um pouco de dificuldade, encontrei a abertura do sutiã – que felizmente era na frente – e, ainda tímido, segurei em seus seios. Ela arqueou o corpo para mim, como quem pedia por mais. Interrompi nosso beijo para morder o seu pescoço, tomando cuidado para não deixar uma marca.

Apertei seu corpo contra o meu e Sam gemeu no meu ouvido. Eu queria mais, não sabia como fazer aquilo, mas queria.

Sammy sempre sabia um pouco mais do que eu, já era de costume. Ela pegou em minha mão e a abaixou, colocando-a entre o meio das suas pernas. Seu shorts era elástico e consegui passar por ele com facilidade, e logo encontrei a peça fina de tecido que a cobria.

Minha boca saiu de seu pescoço e voltou a beijá-la. Quando afastei sua calcinha e a toquei pela primeira vez, Sam escapou um gemido durante o beijo, um pouco tímido mas ainda intenso. O toque dos meus dedos era leve, eu queria absorver cada segundo daquele momento, era uma sensação surreal sentir o corpo daquela garota.

Ela estava se entregando para mim e eu queria corresponder da mesma forma.

Interrompi o gesto e o corpo de Sam se arrepiou, mas seu olhar confuso sobre mim se transformou em surpresa ao perceber que tomei coragem e me afastei para tirar a camisa. Ela me observou atenta, talvez queria se certificar de que eu estava bem. Joguei a peça de roupa no chão e revelei o top que eu usava quando não estava de binder. Mesmo não escondendo os intrusos tão bem, era mais confortável.

Sammy viu que eu estava inquieto. Com cuidado, ela ergueu as mãos e me tocou. Meus olhos arderam, eu queria chorar, precisava me controlar.

— Você é um garoto lindo, Charlie. — Seus olhos brilharam.

Me aproximei dela novamente e a beijei com ainda mais urgência, tentando esquecer toda a disforia, tudo o que me fazia lembrar de que eu era diferente. Eu só queria ter uma noite normal e ter a minha primeira vez com aquela garota. 

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