4. Jack White (p.5)
Zac sentiu o rosto queimar quando o olhar de Jack desceu até a mão dele, que segurava o pulso de Bárbara.
— Atrapalho? — perguntou o líder dos híbridos.
Zac tentou, mas não conseguia dizer nada. Na verdade, quem falou foi Bárbara.
— Ele passou no teste — ela disse. — Zac não tocou em mim, e tentou me fazer parar de beber. É confiável.
— Excelente! — disse Jack batendo palmas.
Mais tarde lhe explicaram que tudo não passou de uma avaliação do quanto Jack poderia confiar em ter Zac próximo aos seus filhos. Ofereceram-lhe um quarto, e Jack avisou que os tais “hackers” viram no dia seguinte.
***
Marina ainda não havia conseguido dormir quando ouviu os sussurros de Arthur.
Ela se virou para olhá-lo. Ainda que no escuro, podia vê-lo sentado no colchão ao lado de sua cama, as pernas encolhidas e as mãos agarrando os próprios cabelos com força.
Sua voz aumentava gradativamente, e o que antes pareciam apenas sussurros sem sentido, agora eram claramente decifráveis.
— Dean. Dean. Dean. — O nome soava como um mantra para alguém que tranquilizava a si mesmo.
— Arthur — Marina falou em voz baixa, pondo a mão em seu braço. A pele emitia um calor febril.
Ele não pareceu ouvir, enquanto ela repetia o nome dele, tentando tirá-lo do transe em que se encontrava, a janela que ficava entre o quarto dela e o de Miguel e Chloé se abriu.
— O que está acontecendo? — Miguel colocou a cabeça pra dentro. Ele acendeu a luz do próprio quarto, e a luz que entrou foi suficiente para ver Arthur. — O que deu nele?
— Dean. Dean. Dean. — Arthur continuava alheio ao que acontecia ao seu redor.
Chloé pulou a janela e se sentou em frente ao irmão. Conseguiu fazer com que ele soltasse os próprios cabelos, e Marina conseguiu ver seu rosto.
Arthur estava chorando, e os olhos pareciam muito enevoados. O nariz e as bochechas estavam ainda mais vermelhos.
— Ele pegou Dean — Arthur disse. — Morselk pegou Dean.
— Ninguém pegou Dean, Arthur — Chloé tentou tranquilizar, segurando seu rosto com as mãos. — Papai, mamãe e Dean estão bem. Foi um pesadelo.
Só nesse instante Marina se recordou de quem era Dean. Era o irmão mais novo dos dois. Há dias os via as vezes conversando, preocupados com o que teria acontecido com a família depois que se tornaram procurados.
— Não foi um pesadelo! — Arthur rebateu, apesar de possuir um tom de incerteza na voz.
Diana apareceu na porta do quarto, com um ar sonolento.
— O que aconteceu?
— Arthur teve um pesadelo — Marina respondeu.
— NÃO FOI UM PESADELO! — Arthur gritou com ela, fazendo-a sentir como se tivesse sido agredida.
— Calma — Diana se ajoelhou no colchão em frente a ele, enquanto Chloé dava-lhe espaço. Ela estendeu a mão direita na direção dele, mas Arthur recuou.
— Não toque em mim, feiticeira!
Mas ela o ignorou, e em um movimento rápido, tocou sua testa, e Arthur caiu molemente para trás.
Ajeitaram-no na cama, e antes que cada um voltasse ao seu quarto, Chloé perguntou para Diana:
— Foi um pesadelo, não é?
— Eu espero que sim — Diana respondeu com um suspiro.
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