4. Jack White (p.3)

Aparentemente, Jack tinha um jatinho particular a sua disposição, e o líder dos híbridos decidiu puxar conversa durante o voo.

— Você têm ideia de onde estamos indo?

— Nenhuma — Zac respondeu, esfregando as mãos suadas na calça jeans.

— São Paulo.

— É no estado vizinho, certo?

— Certo. — Jack o mediu com os olhos. — Vou buscar pessoalmente uma pista que pode ser sobre o seu amigo.

Zac o olhou espantado

— Parece muita coincidência eu chegar justamente quando você encontra uma pista.

— Sim. — Jack acenou com a cabeça, balançando os cabelos compridos. — Mas algumas coisas parecem obra do destino. Você acredita em destino?

— Eu nasci e cresci em Alexandria, onde previsões feitas por estrelas começam guerras. É claro que eu acredito em destino.

Jack assentiu mais uma vez, agora em aprovação.

— E o destino parece estar ao nosso favor.

— Por que diz isso?

— Você conhece Morselk? — Jack perguntou, olhando de lado para ele.

— Líder dos Anjos de Terra de Alexandria, conheço.

— Há alguns dias, Morselk entrou em uma loja de eletrônicos para consertar um celular, mas alguma coisa aconteceu de errado e ele acabou matando o funcionário da loja. Ele foi embora, deixando o cara morto no chão e o celular sobre o balcão. Infelizmente, a polícia chegou antes dos meus — ele pensou por um minuto — ajudantes — foi o termo que ele usou —, e levaram o celular como evidência. Por sorte, tenho gente infiltrada na polícia, que conseguiu pegá-lo pra mim.

— E o que tem de tão importante nesse celular?

— É exatamente esse o ponto — disse Jack. — O que diabos teria de tão importante nesse celular, a ponto de fazer Morselk, o líder dos Anjos de Terra, sair pessoalmente de Alexandria para resolver?

— A mesma coisa que está fazendo você, líder dos Híbridos, viajar pessoalmente para busca-lo.

— Por que não se deixa coisas importantes na mão de amadores. Morselk sabe disso tão bem quanto eu. E se algo é tão importante assim pra ele, é de extrema importância que chegue até a minhas mãos.

— Você é um manipulador do caramba — disse Zac olhando para ele com as sobrancelhas erguidas.

— Como acha que me tornei um líder? Minha beleza é extraordinária, mas não foi a aparência física que me colocou no comando.

Zac não soube bem como reagir, pois não tinha ideia se era sério ou uma piada, então mudou de assunto.

— Você adotou filhos — Zac afirmou. — Híbridos são estéreis, e mesmo se não fossem, eles são muito diferentes de você.

— Sim, eu adotei filhos. Bernardo e Bárbara foram abandonados na minha casa quando eram pequenos. Alguém invadiu minha casa e deixou duas crianças dopadas no meu sofá. Bárbara tinha quatro anos, Bernardo seis, eu calculei, e depois que acordaram nenhum dos dois tinha a menor ideia de quem eram, nem de onde vieram. Quis entregá-los pra alguém cuidar, mas não consegui confiar o suficiente em alguém para isso, então os mantive comigo. E há três anos a cena se repetiu com Bianca, que hoje tem quatro anos.

— Acha que todos são filhos das mesmas pessoas? — Zac perguntou.

— Eu tenho certeza disso. Fisicamente são idênticos, exceto aquelas covinhas que aparecem na bochecha, que só a Bárbara não tem. E tirando também as personalidades. Bianca é a minha princesinha, que eu gostaria que não se tornasse adolescente jamais. Bárbara sempre no celular, e vive em seu mundo de sombras e escuridão. Não tem uma roupa no guarda roupas dela que não seja preta! Bernardo é sempre muito gentil e educado, e muito sério quando me ajuda. Um garoto maravilhoso, meu filho, mas acha que é o Don Juan gay, e eu gostaria que ele parasse de flertar com os clientes do bar. Mas que pai não tem nada a reclamar dos filhos? — Jack perguntou. — que filho não tem nada a reclamar dos pais? Que pessoa não tem nada a reclamar sobre os outros? Não existe ninguém perfeito, e o que pode parecer um defeito pra você, pode ser considerado qualidade por outra pessoa. Isso nos torna humanos, mais do que qualquer outra coisa.

— Mas não somos humanos. — Zac contestou.

— Somos — insistiu Jack. — no fundo, todos somos humanos, e é isso que faz com que sejamos todos iguais, por mais diferentes que possamos parecer.

— Você disse que Bernardo dá em cima dos clientes do bar — comentou Zac. — pensei que fosse uma cafeteria.

— As duas coisas. Durante o dia é uma cafeteria, e a noite um bar.

— Agora o nome faz sentido... — resmungou Zac.

— Café com Tequila foi genial, não é? As vezes me surpreendo comigo mesmo. — Jack pigarreou. — Agora voltando ao assunto sério, vou te dizer o que fazer quando chegarmos lá.

— Certo.

— Primeiramente. Você me obedece, não questione, apenas faça tudo o que eu mandar.

— E como eu posso confiar em você?

— Não pode — ele abriu os braços —, mas vai ter que confiar se quiser encontrar seu amigo. Continuando, você mantém a cabeça baixa, e não fala com ninguém sem a minha permissão.

— Tipo Cinquenta Tons de Cinza, só que sem sexo.

— Isso.

— Tá.

— Vai ser rápido, quando se der por conta, já estaremos de volta — disse Jack.

Zac apenas assentiu, apoiou a cabeça no encosto da poltrona, e nem percebeu quando pegou no sono.


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