Capitulo 17
-Amélia? O que você está fazendo aqui?
Ele me pergunta olhando diretamente para minha barriga. Cada uma.
Cris fica duro igual uma pedra do meu lado. Como se tivesse sido enfeitiçado por alguma medusa enfermeira.
-Vim visitar meu primo, aquele que você bateu e quase matou, lembra?
Alex fica branco, e Cris resmunga um "Amélia", seguramente me repreendendo pelo infeliz comentário. Sinto muito, mas esse idiota já me causou muitos maus momentos.
-Eu nem liguei os pontos, faz tanto tempo que não vejo você... vocês. Eu... eu sinto muito Amélia. Eu realmente não queria ter bebido e dirigido.
-Ninguém realmente quer, mas a maioria não pensa antes de pegar um volante bêbado, não é mesmo.
-AMELIA!
Dessa vez, meu namorado quase grita, pelo visto ele não gosta de chamar a atenção em um hospital, porém eu não dou a mínima.
Alex sempre foi irresponsável, antes mesmo de nos conhecermos. Ele me contou várias histórias das suas famosas noites de bebedeira com os amigos e como tudo terminou. Eu pensei que eram apenas farras juvenis, mas no final, resultou ser quase um grau de alcoolismo.
Eu sempre tive aquele famoso "amor cego" que relevava as condutas dele. Quando tive Jonah, aí eu abri os olhos e percebi com quem eu estava saindo.
Cris olha diretamente para Alex, sem nem piscar, e percebo que se não sairmos daqui agora, pode acabar acontecendo um confronto.
-Olha Alex, espero que da próxima vez você pense melhor antes de dirigir bêbado. De todas formas sinto muito pelo acidente e tudo mais, mas eu realmente preciso ir. Adeus.
Puxo o homem ao meu lado, que graças a Deus, resolveu se mexer e vou direto para a porta sem nem esperar resposta de Alex.
-Amélia, espera!
Ele vem correndo ou melhor andando o mais rápido que pode e pega no meu braço quando me alcança. Cris quase o fuzila com o olhar, mas não diz nada. E eu? Bom eu não sei o que fazer. O toque dele me causou um arrepio. Mas não um arrepio bom, como quando Cris me toca. Um arrepio de lembranças ruins e memorias indesejadas.
Não respondo nada. Apenas espero para ver o que é que ele quer me dizer.
-Será que podemos conversar, depois que eu tiver alta? Por favor?
Uh... deixa eu pensar... é obvio que não tenho nada para falar com esse homem.
-Olha, Alex, eu ando muito ocupada com o trabalho. E realmente não tenho tempo. Sinto muito.
Me viro e continuo meu caminho pela porta, torcendo para que ele não me siga novamente. Cris me segue calado, até o carro. Entramos e ele dá a partida pegando a avenida que nos leva de volta a empresa.
Todo o caminho foi silencioso e eu senti que algo andava mal com meu namorado, mas não quis perguntar. Já chega de drama por hoje.
*********
Chegamos na empresa e cada um vai direto para sua sala. Eu notei que Cris estava meio distante, mas minha cabeça anda a mil com os acontecimentos de hoje.
Não passam nem dois minutos depois que eu fecho a porta da minha sala, quando escuto batidas rápidas.
Me levanto para abrir, esperando que seja Cris, mas a pessoa que me espera do outro lado, é nada menos que Marcela, sua secretaria.
-Precisa de alguma coisa, Marcela?
Pergunto um pouco seria demais, não quero papo com ninguém hoje.
-Eu vim em um mal momento?
Ela diz meio sem graça, e eu me arrependo de ser grosseira, ela não tem culpa de nada, coitadinha.
-Não... desculpa, é que hoje aconteceram tantas coisas, e eu não estou com cabeça para nada. Em que posso te ajudar?
-Oh, não se preocupe, eu volto outra hora. É que o chefe entrou e quase arrebentou a porta do escritório, pensei que algo ruim tinha acontecido. Me desculpa a intromissão.
Espera! Como assim?
-Ele parecia bravo?
Pergunto antes que ela resolva voltar ao trabalho.
-Posso me sentar? - Marcela aponta para a cadeira de couro vazia na frente da minha mesa.
-Claro!
Me sento do outro lado e espero que ela comece a contar o que viu.
-Então, o chefe entrou, nem me cumprimentou, e ele nunca esquece de me cumprimentar. Aí, ele foi direto para o escritório, e como disse bateu a porta tão forte, que chegou a tremer o vidro da janela da minha mesa. Uns minutos depois, ele me ligou pelo ramal, e disse que não era para receber ninguém.
Uau. Pelo visto, ele ficou bravo mesmo com alguma coisa.
-Nossa. Eu não entendo... - penso alto.
-Nem eu. Vocês brigaram ou algo assim?
Por um momento, levo um susto, mas aí lembro que contei a ela mais cedo sobre nossa relação secreta.
-Psiu! Não fala muito alto que alguém pode nos escutar, você sabe que as paredes têm ouvidos aqui. E não, não brigamos. Eu... encontrei um ex no hospital, foi um momento muito incomodo para ser bem sincera, e o idiota ainda pediu para conversar comigo, acredita?
Marcela começa a rir e eu fico sem entender nada.
-O que tem de tão engraçado? - Pergunto com algo de mal humor. Odeio ser motivo de piadas.
-Você não percebeu até agora, Amélia?
Essa menina ficou doida, só pode!
-Percebi o que?
-O senhor S. está caidinho de ciúmes.
-Até parece Marcela...o Cris com ciúmes de mim? Até parece.
-Se você quer continuar pensando assim, tudo bem. Mas eu aposto que ele está com ciúmes. Puro e simples ciúmes.
Bem na hora que vou dar uma resposta a ela, o telefone da minha mesa começa a tocar a todo volume.
-Escritório de Amélia Regins, em que posso lhe ajudar?
-Amélia, preciso que você venha até a minha sala, agora.
E desliga. Agora sim estou preocupada.
-Bom Marcela, acho que vamos saber agora se sua teoria está correta, o chefe acabou de me pedir, ou melhor, mandar ir até a sala dele. Então se me der licença.
Espero que ela saia para trancar a porta e vamos juntas até o bendito escritório de Cris. Marcela se senta na sua habitual mesa e eu bato levemente na porta.
-Entre. - Ele diz somente.
Entro e fecho a porta devagar.
-Tranque com a chave, não quero ninguém entrando de surpresa.
Faço o que ele pede e caminho lentamente como até estar parada na frente da sua mesa.
-Posso lhe ajudar em algo?
-Senta, Amélia.
Agora já deu, isso está ficando ridículo.
-Qual é Cris, você pode me dizer de uma vez porque está tão distante comigo? O que fiz de errado?
Por alguns minutos, o homem sentado na minha frente não diz absolutamente nada, apenas me olha com o seu olhar frio.
-Porque você não me apresentou como seu namorado?
-O que?
-Porque você não me apresentou como seu namorado ao Alex?
Agora que ficou calada fui eu. No momento estava tão chateada, que realmente não me passou pela cabeça apresentar a Cris. Droga! Ele deve ter pensado que eu não queria que Alex soubesse que éramos namorados.
-Eu sinto muito Cris, no momento estava brava por encontrar o idiota do Alex, e eu realmente não pensei em te apresentar, me desculpa.
Ele me olha profundamente, quem sabe analisando minha resposta para ver se estou sendo sincera ou não. Depois de alguns segundos, ele esfrega ambas mãos no rosto e me olha cansado.
-Droga! Quem pede desculpas sou eu. Que idiota!
-Não meu bem, você não é idiota, só estava com ciúmes.
Agora ele está rindo. Rindo!
-Eu? Com ciúmes... jamais.
-Pode confessar amor, você estava caidinho de ciúmes de mim. - Copio as palavras de Marcela. Mas em vez de ele rir, fica serio de repente. Será que fiz alguma brincadeira que ele não gostou? Esse homem vai me deixar louca qualquer dia desses.
-Você me chamou de amor. - Ele me olha fixamente, os olhos brilhando.
-Sim, chamei. - Não adianta negar.
-Pode me chamar assim sempre que quiser... quando estivermos fora da empresa, claro.
-Vou pensar no seu caso. - Brinco para quebrar essa tensão de minutos atrás.
Me levanto e contorno a grande mesa de mogno marrom e acabo sentando no seu colo.
-Você não precisa ter ciúmes de mim amor. Ainda mais do idiota do Alex. Se eu estou com você, é porque quero estar. Não sou igual a Martha ou a qualquer outra garota que se interessa pelo bem material, eu me interessei por você: Cris, o homem que dormiu três dias na minha casa, que cozinhou para mim e que me ajudou. Já te queria antes mesmo de saber que você era meu chefe. E agora até que essa coisa de chefe/funcionaria é excitante, não é?
Minha resposta vem em forma de um beijo bem quente. De repente estou em cima da mesa e com a roupa no chão sendo penetrada duramente pelo homem a quem estou aprendendo a amar e a conhecer cada qualidade e cada defeito. Tentamos o máximo não fazer barulho, mas vez ou outra, um gemido (meu) ou um grunhido (dele) acabam escapando.
Fazemos amor por mais algumas vezes, até que decidimos que ficar a tarde toda trancados na sua sala, pode parecer muito suspeito.
Nos vestimos e me olho no espelho do banheiro escondido no seu escritório para ver se não estou com cara de quem fez sexo pelo menos umas quatro vezes.
Quando saio do banheiro, Cris está ao telefone, então me despeço somente com um beijo e saio da sala com a alma e o coração tão leves como uma pena.
Até que me esbarro com as duas nerds magricelas.
-Olha só quem temos aqui, a mais nova queridinha do chefe. - Cospe Bianca, exalando inveja pelos poros.
-Me erra Bianca. - Respondo seca e começo a voltar para a minha sala.
-Não sei se você sabe, mas as paredes têm ouvidos nessa empresa viu, querida.
Paro em seco. Será que ela...? Não, ela não pode ter escutado o que eu conversei com a Marcela, nos praticamente sussurramos.
-Não tenho a menor ideia do que você está falando, querida.
Faço minha melhor cara de paisagem e continuo indo até a minha sala. Deixo as duas cobras falando sozinhas. Elas digam o que quiserem, não tem nenhuma prova de que eu realmente saio com Cris, e sabem que se fizerem confusão podem chegar até a ser despedidas. Mas a preocupação ainda não sai da minha cabeça. Essas duas são capazes de fazer qualquer coisa com tal de conseguir o que querem.
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