Capítulo XL

Os jardins do palácio tornaram-se o lugar preferido de Anastásia. Fazia longas caminhadas diariamente, muitas vezes sozinhas, outras vezes acompanhada de Phillip. Ele a fazia bem, gostava de estar na companhia dele, mesmo sabendo que não poderia se apegar demais, pois ele voltaria para a Inglaterra brevemente. Mas, mesmo assim, continuava se apegando aqueles momentos ao seu lado.

O vento batia violentamente em seu rosto, como se avisasse para ela entrar no palácio, pois outra tempestade de neve estava próxima, contundo, não se importava, o frio estava fazendo bem a ela, e por mais que muitas vezes chegasse a ser quase insuportável. Mas ela era uma russa, o inverno era como um lar.

— Anastásia! — Natasha gritou. — Anastásia!

— Estou aqui, Nat! — gritou de volta, acenando.

Sua irmã tentou andar rapidamente até ela, mas ela tropeçava na neve por causa da pesada roupa que usava para evitar o frio. Seu cabelo loiro estava solto, coisa muito rara de se ver, pois ela sempre o mantinha preso.

— Finalmente encontrei você. — sorriu.

— Deve ser algo muito urgente para estar me procurando desesperadamente. — Anastásia sorriu discretamente. — Diga-me seus segredos.

— Como sabe que é um segredo? — sua irmã arqueou as sobrancelhas e seu rosto ficou ligeiramente assustado.

— Ora, eu estava apenas brincando. — chutou um pouco de neve. — Agora vejo que realmente tem um segredo.

— Sim, eu tenho. Digamos que ele é um pouco grave.

— Santo Deus, o que andou fazendo?

— Apaixonando-me. — respondeu dando de ombros.

— Por quem? — sua curiosidade despertou completamente.

— Edik.

— Como? — perguntou surpresa.

— Sim, seu colega guarda. Meu Deus, não é possível que seja algo tão abominável me apaixonar por uma pessoa que não possui um título de nobreza.

— Fico feliz por você minha irmã. — pegou as mãos de Natasha. — Mas sabe o que virá futuramente, não sabe? Tenho absoluta que sabe mais do que eu, inclusive.

— Como se Edik não me lembrasse disso todo dia quando nos encontramos. — revirou os olhos e apertou a mão de Anastásia novamente. — Porém, serei forte. Lutarei por nós dois.

— Dimitri...

— Não quero falar sobre isso com ele ainda. — interrompeu Anastásia. — O casamento dele está próximo, não quero aborrecê-lo com minhas questões por enquanto. No momento certo, direi.

— Creio que o problema não será ele.

— Ah, com certeza não será ele. Será as pessoas que o rodeiam. Tenho somente medo disso. Eles vão querer impor um casamento entre mim e uma pessoa que possua títulos e um sangue nobre. Não aceitarei. Enfrentarei tudo por ele.

— Que paixão enlouquecedora é essa? — Anastásia crispou os lábios. — Ele faria o mesmo por você?

— Você acha que não?

— Quem sabe a resposta não sou eu. — pendeu a cabeça de lado.

— Creio que sim.

— Se os dois estiverem completos e certos sobre o que sentem, pretendem lutar por esse amor, direi que deve seguir em frente. Mas, escute-me minha irmã, haja com sabedoria e razão. O coração é traiçoeiro.

— Está sabendo alguma coisa sobre ele que eu desconheço? — seus belos olhos estavam assustados olhando para Anastásia.

— Já lhe disse que não. — respondeu de mau humor.

— Diz coisas...

— Não quero vê-la sofrendo por mais uma coisa. — fungou.

— Annie... Por favor, não chore.

— Desculpe-me, as lágrimas vêm a todo momento. Acredita?

— Sim. — Natasha passou seu dedo enluvado debaixo dos seus olhos. — Alegre-se, amanhã é dia de festa! — tentou alegrar a irmã. — Imaginou a quantidade de comidas gostosas que vai ter?

Anastásia sorriu e beijou os cabelos da irmã.

— Estou imaginando.

— Vamos entrar?

Anastásia negou com a cabeça.

— Vamos nos ver no jantar?

— Provavelmente não.

— Quando vai retornar a jantar conosco?

— Vai demorar um pouco mais, certo? Prefiro ficar solitária em alguns momentos.

— Alguns momentos ou sempre? Faça-me o favor, Annie.

Simplesmente ignorou Natasha e começou a andar sem a companhia dela, quando sentiu algo atingir suas costas e uma irmã com um sorriso diabólico estava atrás dela formando outra bola de neve para arremessar novamente.

— Gosta de brincar com neve, Srta. Bulganova? — perguntou Natasha ironicamente.

Anastásia abaixou-se e começou a formar uma bola de neve.

— Gosto, e muito. Principalmente quando uma certa senhorita precisa receber uma lição.

— Oh, isso é uma ameaça?

— Não, minha querida. — deu um sorriso diabólico. — Isso é um aviso.

E arremessou a bola de neve no rosto de Natasha.

O dia do seu casamento havia chegado mais rápido do que imaginava. Estava extremamente ansioso para ter Elizabeth como sua legitima esposa. Quando ela tinha finalmente se convertido para a Igreja Ortodoxa, tudo se tornou mais fácil para casá-los. Elizabeth resolveu manter seu nome, afinal, era um nome aceito na Rússia.

Desceram da carruagem em frente as escadarias do palácio Anitchkov, onde sua madrasta, os esperava no alto da escada de honra para recebê-los. Dentro dele, desejava que fosse sua mãe naquele papel, mas nada podia fazer, não podia ressuscitar os mortos. Assim como desejava a presença do seu pai naquele momento. Pediu a Deus que seus pais estivessem vendo aquele momento tão bonito de onde estivessem.

Elizabeth apertou sua mão, como se soubesse o que estava passando na cabeça dele. Na verdade, ele achava que desde então eles haviam desenvolvido algo profundo, como se eles soubessem o que cada um sentia. Jamais se imaginou apaixonado, mas ele se rendia completamente para aquela mulher.

Quando eles chegaram ao alto da escada, foram conduzidos por Lara para a câmera nupcial, e seu coração ficou mais acelerado do que nunca. Aquele momento seria único e perfeito, pois ele teria as pessoas que mais amava por perto para celebrar sua felicidade.

Bastou entrar na câmera nupcial para todos os olhares serem direcionados para eles. Mas ele não achava que era digno de admiração, e sim, sua Elizabeth. Seu belíssimo vestido branco trabalho em pérolas e fios de ouro, o delicado véu branco em sua cabeça e uma ostentosa coroa de diamantes, complementaram sua beleza. Poderia ficar olhando para ela durante uma eternidade e não se cansaria.

— Todas essas pessoas. — murmurou Elizabeth. — E não vejo um rosto da minha família.

— Não se preocupe, meu bem. — apertou sua mão delicadamente.

— Não vou me preocupar. — um pequeno sorriso brotou em seus lábios. — A sua família também é a minha. E meu irmão preferido está aqui. Então nada mais importa.

Dimitri assentiu, não podiam falar mais.

Ao se aproximarem do altar, observou que todos seus irmãos tinham sorrisos maliciosos e diabólicos nos lábios. Arqueou a sobrancelha em forma de dúvida, mas sabia que nada de bom poderia vir em sorrisos como aqueles, principalmente quando se tratava dos seus irmãos.

O metropolitano abençoou os dois e deu início a cerimônia matrimonial.

A cerimônia foi bastante extensa, como ele já previa. Quando o metropolitano terminou todos os votos e juramentos que eles tinham que jurar e prometer a cumprir, declarou que eles estavam oficialmente casados. Dimitri sentiu-se realizado e aliviado, sua ansiedade, nervosismo havia acabado instantaneamente, pois tudo o que ele desejava tinha se realizado.

— Meu amado marido, teremos uma bela noite hoje, não? — Elizabeth sussurrou.

— Minha amada esposa, nada será mais bela do que você hoje á noite.

Ela sorriu e seu coração também.

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