• Capítulo 5
Oiee!
Boa leitura <3
Viajando Com Estranhos
• Por, Melissa...
Uma vez eu li um livro de romance, ele contava a história de um casal em três tempos diferentes. Na primeira parte, eles se conheceram, se apaixonaram mas não ficaram juntos.
Já na segunda parte, eles se reencontram tentando recomeçar, mas percebem que talvez não fosse tão fácil assim. Então novamente, eles não ficam juntos.
E logo ao final do livro, quando cada um já havia construído uma família, uma nova vida.
Eles se encontraram mais uma vez!
Eles se olharam, foi descrito como aquele olhar que vale mais do que mil palavras, eu não sei explicar...
Mas talvez fosse tarde demais para eles. Não era mais quando ambos eram jovens, adolescentes e que podiam fazer o que quisessem. Agora eles tinham uma família, cada decisão que eles tomassem, poderia mudar a vida de tantas pessoas.
Mas talvez fosse o destino, certo?
Quando duas pessoas estão destinadas a ficarem juntas, não importa o que aconteça, elas sempre irão se encontrar!
Uma pena eu não ter conseguido terminar o livro para saber o que aconteceu. Infelizmente o mundo acabou e eu deixei ele em cima da mesinha, ao lado da minha cama.
Se eu voltasse na minha casa, ele ainda estaria lá?
Que pergunta idiota!
.••.
— Ela está acordando... De novo! — escutei a voz daquela menina ao fundo.
— Ela ainda não está consciente, Ellie. — logo, a outra voz feminina disse.
Aos poucos, fui abrindo os olhos e tentando raciocinar o que estava acontecendo. Eu não sabia se era real ou outra alucinação minha.
— E-eu... — tentei falar, mas senti a garganta muito seca.
— Porra! Ela acordou mesmo! — Ellie disse alto, fazendo eu ter certeza de que aquilo era sim real.
Enxergando melhor, notei que é noite, mas não estou mais naquele quarto de hotel. Vi várias árvores e o céu escuro com algumas, poucas estrelas.
Tentei me levantar, percebendo que estava enrolada em um saco de dormir que definitivamente não era meu.
— Hey! Vai com calma! — Ellie disse se aproximando e me ajudou a ficar sentada.
Fiquei olhando para aquela menina em minha frente que parecia tão feliz em me ver.
Eu nem a conhecia.
— Cara, pensei que você tinha morrido ou estava em coma, algo assim. — ela sorri, definitivamente animada.
— É a segunda vez que você me diz isso. — com dificuldade conseguir dizer, dando um sorriso fraco.
Nossa conexão foi interrompida pela voz grossa daquele que eu não conhecia, mas por algum motivo não saia das minhas alucinações.
— Ellie, venha para cá! — escutei sua voz de longe e me direcionei para olhá-lo.
Ellie sussurrou um "cuzăo" e se afastou de mim indo na direção dele, que estava do outro lado de onde eu me encontrava. Seguindo ela com o olhar, percebi que estamos em uma espécie de acampamento.
Existia uma fogueira que iluminava e esquentava um pouco o local, do outro lado haviam outros dois sacos de dormir, algumas mochilas e o que parecia ser a minha também. Estava tudo do outro lado, incluindo o carrancudo em pé, encostado em uma árvore que não tirava os olhos de mim.
Até desmaiada ele me manteve longe.
Mas afinal... como eu vim parar aqui?
— Hey! — fui tirada de meus pensamentos com a Tess se aproximando.
— Oi! — respondi ainda meio perdida.
— Como você se sente? — ela perguntou com um sorriso amigável, logo sentando ao meu lado.
— Tonta e com sede. — respondi.
Rapidamente ela me entregou uma garrafa de água e eu bebi um único gole, mesmo com meu corpo pedindo para que eu engolisse logo a garrafa.
— Beba tudo, não tem problema! — Tess disse, parecendo ler meus pensamentos.
— Mas e vocês? — perguntei ainda exitante.
— Você ficou quase quatro dias sem beber água direito, Melissa. — ao escutar aquelas palavras eu entrei em choque.
Quase quatro dias?
Eu apaguei por quase quatro dias?
Eu tinha muitas perguntas para fazer a ela, mas naquele momento a minha maior necessidade era beber toda a água daquela garrafa. E assim eu fiz, bebi até a última gota, quase ouvi um "obrigada" do meu próprio corpo.
— Eu apaguei por quatro dias? — olhei para Tess assustada e sem entender. — O que vocês fizeram comigo? — logo minha mente pensou o pior.
Tess soltou uma leve risada.
Ela estava debochando de mim?
De repente, ela se aproximou mais vindo com sua mão e eu recuei. Mas ela me lançou um olhar tão sério que eu fiquei com medo, então fechei os olhos e esperei ela fazer, o que quer que fosse.
— A febre passou. — ela comentou, assim que colocou a mão em minha testa.
— Febre? — a olhei sem entender ainda. — Que febre?
— Você não se lembra de nada? — ela perguntou e eu tentei me lembrar.
— Eu estava fugindo da FEDRA, encontrei Ellie no estacionamento do motel, fomos atacados e... — só então lembrei da minha queda e do meu pé. — Oh, Deus! — disse, tentando ver como estava meu pé.
Abri aquele saco de dormir e fui em direção ao meu pé, retirando o sapato e me surpreendendo por quase não sentir dor. Ele ainda estava enfaixado, mas dando uma olhada rápida, percebi que estava muito melhor do que a última vez.
Eu ainda não entendia o que havia acontecido. Mas como sempre, Tess pareceu ler meus pensamentos...
— Acho melhor eu explicar tudo de uma vez. — ela começou. — Após nossa conversa, Joel e eu saímos do quarto para discutir o que faríamos, mas quando voltamos você estava apagada. Achamos que você estava cansada, só que você não acordou mais e então percebemos que sua ferida havia infeccionado. — ela deu uma pausa e me olhou estranho. — Tem certeza que não se lembra de eu ter contado isso?
— Como assim, você já me contou isso? — eu realmente não fazia ideia de mais nada.
— Você apagou por três dias naquele motel. — ela disparou e mais uma vez eu entrei em choque. — Você chegou a acordar, mas não falava nada com nada, estava com muita febre.
Eu lembro disso?
Não sei, talvez...
Eram tantas coisas em minha mente, eu não sabia o que era real ou não, então achei melhor não arriscar.
— Bem, ficamos no motel por três dias, Joel foi até a Zona atrás de medicamentos para você. — ao ouvir aquilo, imediatamente olhei para ele, que ainda mantinha os olhos em mim e logo desviei com medo e vergonha. — Ele conseguiu e nós começamos a te dar os remédios, mas já havíamos ficado tempo demais no motel. — ela parou e deu suspiro. — Desde então estamos caminhando, já se passaram mais quatro dias e então... você acordou! — ela finalizou, como se fosse algo tão simples.
Era muita coisa para absorver!
Joel havia ido pedir ajuda da FEDRA?
Eu estava viajando com eles a quase uma semana sem saber?
Por que eles me ajudaram?
Por que estão me carregando por aí como se eu fosse uma carga?
Aí deus!
Joel me carregou?
Será que ele me carregou todos esses dias?
Por que?
••
Após conversar mais um pouco com Tess, minhas suspeitas foram confirmadas e sim, Joel tem me carregado no colo desde que saímos do motel. Eu queria perguntar o porquê, queria saber o que teria mudado a cabeça dele para me ajudar assim, de repente.
Eu sei que arrisquei a minha vida pela Ellie, mas ele poderia muito bem ter me deixado para trás sem nenhum remorso.
Mas por que ele não fez?
Ao mesmo tempo em que tinha essas dúvidas, sentia que ele não me suportava, já que a Ellie não podia trocar meia palavra comigo sem que ele chamasse a atenção dela.
Eu não sabia o que ele queria e aquilo estava me matando!
— Hey, você! — chamei Joel o mais baixo que pude.
Ellie e Tess haviam adormecido a algum tempo. Ao que pude perceber, haviam três sacos para dormir e um deles estava comigo, deixando o carrancudo sentado no meio do frio com sua arma em mãos.
Eu estava longe, mas não o suficiente para ele não me escutar.
Ele estava me ignorando!
— Não vai mesmo me responder? — insisti em falar com ele.
— Vá dormir! — ele disse, sem ao menos olhar para trás.
Não contente, saí do meu saco de dormir e tentei me levantar, percebendo que ainda estava muito fraca, mas conseguia dar alguns passos.
— Volta. — ele disse, ainda olhando para frente.
Continuei meu caminho até chegar próximo a ele, me jogando no chão ao seu lado.
— Eu diss...
— Eu dormi por sete dias! — sussurrei o encarando. — Me dá uma folga! — suspirei cansada.
— Você pode ficar acordada do outro lado. — ele ainda não me olhava e aquilo estava me deixando muito estressada.
Eu não sabia porquê, nunca senti a necessidade de manter contato visual com alguém, mas por algum motivo ele estava tirando essa necessidade em mim.
— Eu não te entendo. — sou sincera ao dizer, desistindo dele e olhando para o outro lado.
Fiquei um tempo em silêncio, apenas observando o silêncio ambiente naquela floresta escura. Eu não fazia ideia do que seria da minha vida dali pra frente.
De repente, lembrei do meu pai e quis chorar de saudade, mas me segurei.
— Por que você quer tanto morrer? — de surpresa, escutei Joel perguntar.
Eu com certeza não esperava ouvir isso, ainda mais vindo dele.
— O que? — perguntei de volta, olhando para ele novamente.
E então ele me olhou, finalmente, e mais uma vez eu reagi de uma forma que nunca havia feito antes.
— Você disse isso, quando o infectado estava prestes a te devorar. Depois quando estava delirando de febre e depois ficou dizendo umas coisas enquanto estava apagada. — assim como Tess, ele disse aquelas coisas com a maior naturalidade do mundo. — Então, por que quer morrer?
Por que eu quero morrer?
Como eu devo responder isso, se nem eu mesma sei dizer o que quero.
Eu só... Eu sinto tanta falta do meu pai!
••
Eu dei uma sumida, desculpem!
Até a próxima ❤️
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