𝗳𝗶𝘃𝗲 ── 𝙩𝙝𝙚 𝙚𝙣𝙙 𝙤𝙛 𝙩𝙝𝙚 𝙛𝙪𝙘𝙠𝙞𝙣𝙜 𝙬𝙤𝙧𝙡𝙙

⋆ Ꮺ ❜🩰 𝐃𝐄𝐀𝐃 𝐆𝐈𝐑𝐋 𝐖𝐀𝐋𝐊𝐈𝐍𝐆
걷는 죽은 소녀 𓂅
𝘀𝘂-𝗵𝘆𝗲𝗼𝗸 all of us are dead 𝗳𝗮𝗻𝗳𝗶𝗰𝘁𝗶𝗼𝗻 *☽ *˚˛✩

well, well, well. it seems like we won't last a day in this hell.

CÉREBRO. O ÓRGÃO mais importante do sistema nervoso, está dividido em duas partes simétricas chamadas de hemisférios. O córtex cerebral é a parte mais externa do órgão, o responsável pela percepção, sensações e constatações. Todos os movimentos voluntários do corpo são pensados e comandados pelo córtex.

A hipótese de que seu sistema nervoso poderia ter entrado em choque era a raiz do desespero para qualquer um que se encontrasse na mesma situação que Hwang Jisoo. Mesmo com as pernas pesadas e movimentos um tanto catatônicos, a única força que a mantinha em movimento era a aplicada pela mão de Su-hyeok entrelaçada a sua, a bailarina foi capaz de chegar a uma constatação: estavam fodidos.

Seu tornozelo queimava, mas a dose de adrenalina que ardia em suas veias cumpria a tarefa de anestesiar a luxação, as consequências do excesso de esforço seriam um problema para a Jisoo do futuro lidar. Isso se ela fosse capaz de se manter viva até lá. O trio continuava correndo pela extensa área do colégio, mantendo o ritmo acelerado mesmo quando sem querer esbarravam em pessoas contaminadas.

Com a entrada para o refeitório completamente inviável, eles retornaram aos jardins. Jisoo forçou-se a manter uma postura calma e a face plácida enquanto observavam o jardineiro da escola tentar se defender dos adolescentes que o atacavam com uma tesoura de poda. Era uma pena para ele não ter conseguido, mas para a bailarina e seus companheiros, a escada que ele havia deixado para trás após ser derrubado era a promessa de que continuariam vivos mesmo que apenas por mais alguns minutos.

Su-hyeok aproveitou o momento de distração dos zumbis com sua refeição para correr até a escada, posicionando-a exatamente na frente da janela que levava a uma das salas de aula. O jovem arracou a bolsa de ginástica das mãos de Jisoo, passando-a pelo ombro largo e deixando a jovem apenas com sua mochila leve. Em seguida subiu primeiro, entrelaçando as mãos da bailarina nas da presidente antes de ir e pedindo para que tomassem cuidado. Aquela era, provavelmente, a maior forma de contato que qualquer uma das duas já haviam tido. Não apenas entre elas, mas de um modo geral. Todos sabiam que as detentoras dos corações mais grotescamente duros do Colégio Hyosan jamais demonstravam qualquer tipo de toque físico, ou sequer emoções na maior parte do tempo.

Assim que o Lee conseguiu abrir a janela, o mesmo foi puxado para dentro por seus demais colegas. Woo-jin, Chaeong-san e um Dae-su coberto da cabeça aos pés de pó químico, em seguida, ajudaram a içar Jisoo para dentro da sala de aula, a jovem fora a segunda a subir logo atrás de Su-hyeok, embora seu tornozelo tornasse a ação um tanto quanto difícil.

Assim que estava novamente em terra firme, Hwang virou-se para a janela, estendendo um dos braços para ajudar Nam-ra que já estava quase no topo da escada.

— Presidente, depressa. – Su-hyeok teve a mesma ideia que a bailarina, debruçando-se sobre a janela com os dois braços pendurados para fora.

A presidente acelerou o passo, agarrando-se às mãos dispostas pelo Lee e por Jisoo no exato momento em que um zumbi lançou-se contra a escada, derrubando-a com um som metálico estridente na calçada abaixo deles. Ambos fizeram esforço para terminar de puxar Nam-ra para dentro. A jovem estava ofegante e cabelo grudava em sua testa pelo suor, a expressão de medo em seu rosto diferia de maneira brutal da máscara de indiferença a qual os estudantes naquela sala estavam acostumados.

— Tudo bem? – Su-hyeok perguntou com as mãos nos ombros dela, ao passo em que a presidente apenas confirmou com a cabeça. Sua boca estava seca demais para que as palavras conseguissem sair.

— Essa foi por pouco, presidente. – Jisoo deu um sorriso de lado, como se fosse o Gato de Cheshire que falasse com Nam-ra e em seguida deu-lhe um soco fraco no ombro, tornando a enfiar as mãos nos bolsos do casaco tão rapidamente quanto um reflexo. Involuntário. Demonstrações de contato não estavam inclusas na programação de seu cérebro.

Ao se afastar da dupla, Jisoo percebeu que Onjo os encarava fixamente. Seria um período interessante de convivência forçada afinal de contas.

— É isso, não é? – Bare-su se jogou no chão, ofegando audivelmente como se sua descarga de adrenalina só começasse a abaixar agora, dando-o tempo para finalmente começar a raciocinar sobre tudo que havia acontecido. — Zumbis.

Todos na sala se entreolharam, inquietos. O apocalipse zumbi não era algo que qualquer um deles esperasse vivenciar fora das enormes e sensacionalistas telas do cinema. A realização que recaiu sobre os estudantes da classe 2-5 do Colégio Hyosan foi como um baque. Mas para Jisoo, a única coisa que conseguia se passar em sua mente era como caralhos tudo aquilo havia começado.

O momento de silêncio e compreensão mútua foi brutalmente interrompido pelo baque agonizante quando um zumbi lançou-se contra a porta da sala de aula, até então escorada por Oh Joon-yeong, que escorregou pálido pela mesma, até sentar-se no chão tremendo como se tivesse o mal de Parkinson. Durante aquele momento de adrenalina, Hwang Jisoo se perguntou como o resto da Coreia estava lidando com a situação e se a epidemia já havia se alastrado de tal modo. Não tinha, no entanto, como conseguir essas respostas, portanto tudo que lhe restava assim como a seus colegas de classe era aguardar e rezar para o melhor.

Em questão de segundos, uma horda de zumbis surgiu para acompanhar seu amigo pioneiro, Joon-yeong e Gyeong-su, os responsáveis por segurarem as duas portas da sala impedindo a entrada da companhia indesejada que se mantinha a espreita do lado de fora gritaram para que seus colegas de turma – ocupados procurando por algum celular que pudessem usar para ligar para a polícia – agilizassem a busca.

— Ei Joon-yeong. – Gyeong-su gritou de sua porta. — Estou dizendo, eles não sabem abrir porta.

— Fique segurando por enquanto. – Joon-yeong rebateu, era melhor previnir do que remediar. Principalmente em um caso em que remediar não era exatamente possível.

— Achou algum? – Cheong-san perguntou para dos amigos, que lhe deram respostas negativas antes que o Lee abandonasse sua busca para ir em direção a Onjo.

Era divertido para Jisoo ver seus colegas frustrados tentando encontrar um celular, quando o dela estava escondido debaixo das muitas camadas de Chiffon da saia de seu uniforme. Com um sorriso um tanto maléfico cobrindo seu rosto delicado, a bailarina acendeu um cigarro, seu maço já estava pela metade e ela sabia que não deveria fumar tanto, principalmente por ser uma atleta, mas a porra do mundo já estava acabando de qualquer maneira. Um grande consumo de tabaco provavelmente não seria o que a mataria. Não naquelas circunstâncias.

Segurando o cigarro entre os dedos após soltar uma tragada, Jisoo caminhou até Su-hyeok, que não havia feito o esforço de tirar sua bolsa de ginástica dos ombros e, assim como os demais, estava procurando por um aparelho telefônico nas carteiras espalhadas pela sala. Hwang segurou o garoto pelos ombros, virando-o para si e ignorando os olhos arregalados do jovem que a encarava pela ação repentina. Guardando seu cigarro entre dos dentes, ela puxou a bolsa para a frente do corpo alto do Lee, abrindo o zíper com um gesto delicado e enfiando a mão no fundo da bolsa, tateando até sentir o contato da superfície fria da tela do celular em seus dedos.

Com um semblante entediado, ela puxou o objeto balançando-o algumas vezes enfrente aos olhos de Su-hyeok, que abriu um largo sorriso de lado antes de avisar aos outros que haviam conseguido encontrar um.

— Você tinha isso até agora e durante esse tempo não passou pela sua cabeça a ideia de nos mostrar antes? – Cheong-san inquiriu fazendo bico.

— Queria saber quanto tempo vocês levariam rodando essa sala igual a um bando de tontos, mas eu fiquei entediada bem rápido. – Jisoo respondeu de forma banal, limpando a sujeira por debaixo de suas unhas aparadas. Também fazia parte de todo o lance de bailarina manter suas unhas limpas e sempre feitas. Aparência era tudo afinal de contas, mesmo nos mínimos detalhes.

— Ora, sua... – Na-yeon fez menção de avançar na Hwang, porém foi impedida por Su-hyeok que entrou em sua frente com um sorriso.

— O que importa é que ela nos deu o celular, certo? – seus olhos pousaram nos de Cheong-san que continuava meio emburrado. — Certo?

— Tanto faz. – ele bufou em resposta, bufando até onde o melhor amigo estava e tomando o celular da bailarina nas próprias mãos, apenas para perceber que faltava um detalhe importante.

— Vamos, o que você está esperando? – Na-yeon questionou com um grito estridente.

— Tem senha. – o Lee estendeu o celular de volta para Jisoo, que pressionou seu polegar no botão da digital desbloqueando o celular.

— Prontinho, não precisava fazer drama.

Com um resmungo, Cheong-san abriu o aplicativo do telefone, logo discando o número da emergência. O silêncio entre as chamadas do telefone criaram um fio de tensão crescente entre os alunos, que esperavam, com os cantos das unhas carcomidas, o resgate o mais breve possível. Após alguns toques, finalmente uma voz ao outro lado da linha surgiu.

— Polícia. Qual é a emergência? – a voz monótona do policial enviou expressões de alívio para os adolescentes, que se permitiram semear um pouco de esperança em seus corações.

— Alô! – Cheong-san praticamente gritou em resposta. — Estou no Colégio Hyosan. Zumbis apareceram. Todos viraram zumbis.

— Não pode dizer que são zumbis. – Onjo se aproximou do amigo, orientando-o. A polícia jamais acreditaria no que o garoto estava lhes dizendo.

— E vou dizer o que? – o jovem perguntou para a mais baixa.

— Era só ter dito que tínhamos uma emergência no colégio. Roubo, tentativa de assassinato, incêndio. Qualquer coisa, menos zumbis. – Jisoo completou, revirando os olhos.

— Não vão acreditar. – Onjo disse exatamente o que se passava na mente da Hwang naquele momento.

— Não são bem zumbis, mas são algo do tipo. – Cheong-san retomou sua conversa com o policial e Jisoo deixou escapar uma bufada audível, insatisfeita com o rumo que aquela situação estava tomando. Em reação à sua postura irritada, a garota sentiu o calor de uma mão pressionando seu ombro direito.

Ao olhar para trás a bailarina se deparou com Su-hyeok. A mão dele fazia um peso confortável em seu ombro e seu rosto estampava a sombra de um sorriso como se lhe dissesse que não precisaria se preocupar e logo as coisas ficariam bem. Sem saber exatamente como reagir àquela proximidade repentina, ela apenas virou-se novamente, focando toda a atenção em tentar acompanhar a conversa com o policial.

Sim, zumbis no Colégio Hyosan. – a voz do homem era impaciente, como se já estivesse cansado das milhares de ligações de jovens desocupados querendo lhes pregar peças que recebia todos os dias. Mesmo que aquela não fosse uma pegadinha. Jisoo sabia que aquilo não daria certo. — Por favor, informe seu nome e número. Sabe que há uma multa por trote, né?

— Não é trote. Todos estão... – Cheong-san engasgou nas próprias palavras, olhando em volta para seus amigos antes de continuar a ligação de maneira atrapalhada pelo nervosismo. — Enfim, venham logo.

Tudo bem. – o policial deu-se por vencido, concluindo que a única maneira de encerrar aquela conversa seria ir na onda do rapaz. — Lee Cheong-san. Seu número é 010-4362... Fique em um lugar seguro para não ser mordido. Já estamos indo.

Com as últimas palavras do policial, o jovem tirou o celular do ouvido, virando-se para os demais estudantes que o observavam com olhos esperançosos.

— Ele disse que já estão vindo. Que é para ficarmos em um lugar seguro para não sermos mordidos.

— Sabe que isso não significa merda nenhuma, não é? – Jisoo cruzou os braços ao falar. — Não acreditaram em uma palavra que dissemos, estamos oficialmente sozinhos e fodidos.

— Não é verdade. – Onjo tomou a frente. — Logo eles vão perceber que algo está errado, não podemos perder a esperança.

O clima na sala de aula pesava, todos estavam tensos, sem saber o que fariam em seguida; desesperados para sobreviver. E o barulho dos zumbis que se pressionavam contra as portas não ajudava a aliviar a tensão. O constante lembrete do inferno que estavam vivendo. Criaturas que uma vez frequentaram as mesmas aulas, comeram no mesmo refeitório, vestiram os mesmos uniformes e agora eram apenas cascas ocas do que algum dia haviam sido.

Os estudantes da classe 2-5 estavam todos a postos, a posição defensiva cortesia de toda a adrenalina ininterrupta que bombeava por seus corpos. Os sentidos aguçados, em busca de qualquer sinal de perigo, como a movimentação da horda de zumbis para longe das portas da sala de aula onde se encontravam.

— O que? – uma das vozes, a qual Jisoo não fora capaz de reconhecer. perguntou.

— Aonde estão indo?

— Por que estão saindo? – os estudantes remanescentes uniram suas vozes em perguntas confusas sobre a motivação que levou os zumbis, antes tão focados em tentarem invadir a sala, a correrem para a direção oposta.

Gyeong-su deslizou a porta para o lado, abrindo uma greta grande o suficiente para que ele conseguisse colocar a parte superior de seu corpo para fora da sala espiar o que estava acontecendo.

— O que está fazendo, idiota? – Su-hyeok foi em sua direção, puxando-o para dentro novamente. — Feche.

— Está bem. – Gyeong-su voltou a deslizar a porta, fechando-os dentro da sala novamente. — Você me assustou.

Jisoo chiou uma risada com o canto da boca em resposta a interação entre os rapazes e sentou-se em cima de uma das mesas espalhadas pela sala, puxando o discman para seu colo. Sua atenção desviada para Onjo, que falava com Cheong-san sobre a ligação para a polícia novamente.

— Ele disse que viriam. – o garoto a tranquilizou.

— Acreditaram em você? – Gyeong-su, que ainda estava frente à porta com Su-hyeok agarrado em seus ombros, perguntou. — E se acharem que é trote e não vierem?

— É isso que eu estou tentando falar desde a droga do começo. – Jisoo pulou da mesa onde estava sentada, o discman em mãos. — Estamos por nossa própria conta. Não vai ter nenhum policial, bombeiro ou cavaleiro da armadura dourada no final para nos salvar. Ou sobrevivemos, ou sobrevivemos.

— Ligue de novo! – Na-yeon ficou de pé, gritando. — Diga para virem rápido!

— Pare de gritar. – Jimin mandou. — E se os zumbis voltarem?

— Me de o celular. – Onjo puxou o aparelho das mãos de Cheong-san, começando a discar o número do corpo de bombeiros.

Você ligou para os bombeiros.

— Alô! Conhece o capitão Nam So-ju, da equipe de resgate 1?

Não. Temos muitos bombeiros. Do que se trata?

— O capitão Nam So-ju é meu pai. – Jisoo pode sentir a dor que emanava da voz de Onjo a cada palavra que ela dizia. — Peça que ele venha a minha escola logo.

Aqui é do PABX. Ligue para o grupamento dele se quiser falar com ele.

— Tem um incêndio. – Onjo gritou sua última tentativa.

— Finalmente. – a bailarina abriu um sorriso, pelo menos alguém ali ainda tinha um pouco de massa cinzenta funcionando.

Incêndio?

— No Colégio Hyosan, sala 2-5. O fogo está se espalhando. – ela continuou construindo sua mentira e logo em seguida também encerrou a ligação.

— Pensou rápido, capitã. – a Hwang disse, assim que Onjo tirou o telefone da orelha, batendo palmas lentamente. — É bom saber que pelo menos alguém aqui ainda tem as sinapses conectadas. Agora nossas chances subiram de 0 para 2%.

— Cale a boca sua bruxa. – Na-yeon gritou. Em resposta, Jisoo apenas deu de ombros, posicionando o fone das orelhas. Percebendo que a bailarina não entraria naquela briga e em um ímpeto de desespero, a menina de suéter rosado ficou de pé, as pernas trêmulas. — Ligue para a polícia de novo. Eles não vêm.

— Estou tentando, mas não atendem. – respondeu Onjo, encostada em uma das paredes próxima a janela.

— Ei. – Na-yeon caminhou em direção à presidente de classe. — Faça alguma coisa. Chame a Profa. Park aqui. Faça algo.

— O que ela pode fazer? – Su-hyeok partiu em defesa da presidente, que apenas permaneceu calada encarando a Lee. Jisoo ajeitou-se na mesa onde estava sentada, cruzando as pernas e se apoiando melhor para assistir ao espetáculo que acontecia ali.

— Ela deveria fazer algo. – a estudante insistiu. — O que já fez como presidente?

— Pare com isso.

Todos da sala prestavam atenção minuciosa no embate que acontecia entre as duas garotas. Nam-ra, que havia permanecido calada, ergueu-se da cadeira caminhando até estar cara a cara com Na-yeon. A encarando por mais alguns segundos antes de finalmente se pronunciar.

— Devo sair? Vou à sala dos professores? Pode ser?

— Por que está me perguntando? – Na-yeon empalideceu. Não esperava que a presidente fosse de fato respondê-la.

— Me disse para fazer algo. Não era isso que queria? – o rosto de Nam-ra continuava uma máscara inexpressiva. Aqueles momentos de fraqueza em sua barreira frígida compartilhados com a bailarina não voltaram a se repetir desde quando alcançaram a sala de aula.

— Parem vocês duas. – Onjo interviu. — Ela só disse isso por que você é a presidente.

— Certo. Você é a presidente. – Dae-su concordou, sendo complementado por Wu-jin logo em seguida.

— Tenha paciência, está bem?

— Vocês são engraçados. – Nam-ra olhos para os rostos de todos ali.

— Como assim? – perguntou Onjo e a presidente virou para encara-lá.

— Agora que estamos nessa confusão, sou a presidente? – ela soltou uma risada sem humor.

AÍ. – Jisoo elevou a voz, se levantando e caminhando em direção ao centro da roda que havia sido formada, para do ao lado de Nam-ra. — Ela está certa. Desde quando qualquer um de vocês já a tratou como presidente? Eu pelo menos não me lembro de já a ter considerado assim alguma vez e continuo não a considerando, muito menos agora. Vocês só estão procurando uma maneira de tirarem os de vocês da reta, babacas covardes.

— Ei, acalme-se bailarina. Não é como se você estivesse se esforçando para ajudar também. – Dae-su retrucou.

— É mesmo, a única coisa que fez até agora foi reclamar e tentar gerar o caos. – sua fala foi terminada por Wu-jin. Ambos estavam agindo como gêmeos siameses, exceto que nenhum dos dois possuía neurônios o suficiente para completarem sequer um cérebro inteiro.

— Já chamamos a polícia. Só precisamos esperar um pouco. – Su-hyeok levou a atenção para ele novamente, impedindo que mais uma briga se formasse.

— Mas ninguém virá. – Na-yeon gemeu mais uma vez, teimando que o socorro não chegaria.

— Pare! Também estamos com medo. – foi a vez de Jimin se meter.

— Por isso estou mandando ligarem!

— Então ligue você!

— Puxa, puxa, puxa. – Jisoo disse com falsa tristeza, chamando a atenção da presidente que continuava ao seu lado, abrindo um sorriso de canto para ela. — Parece que não vamos durar nem um dia nesse inferno.

A presidente apenas a ignorou, voltando a acompanhar a briga que acontecia, o que apenas alargou o sorriso da Hwang.

— Ei, pessoal, parem de brigar. – Gyeong-su, que ainda segurava a porta, reclamou.

— Quem é você para nos impedir, otário? – a de suéter rosado respondeu, alastrando o conflito para um novo ramo.

— O que? "Otário"? – Gyeong-su desencostou o corpo da porta, caminhando decididamente na direção da garota.

— Eu disse. – Jisoo falou, resolvendo acender um cigarro para acompanhar a briga, o movimento da tirar a caixinha do elástico de sua saia chamando a atenção da presidente mais uma vez. Ao perceber que a jovem a encarava, a bailarina estendeu a caixa em sua direção, oferecendo um. Nam-ra, por sua vez, apenas a encarou por uns segundos antes de negar firmemente com a cabeça, recebendo um dar de ombros como resposta. Era ela quem estaria perdendo.

— Você me chamou de otário. – Gyeong-su avançou para cima da estudante, sendo parado pelos demais alunos.

— Ei. Pare com isso.

— Ei, Gyeong-su.

O rapaz fora segurado por Dae-su e Wu-jin, que murmurou dizendo para que ele deixasse para lá, mas a chama de raiva que brilhava em seus olhos escuros não havia se apagado. Pelo contrário, brilhava efervescente.

— Pare com isso. – Su-hyeok assumiu a liderança. — Segure a porta. Mandei segurar a porta.

— Quem ela pensa que é? – Gyeong-su pareceu derrotado, soltando-se dos amigos e caminhando novamente para a porta. — Esqueça a porta. Ouviu o que ela disse?

— Gyeong-su, segure a porta. — até mesmo Joon-yeong, que havia se mantido calado durante todas as demais discussões, se pronunciou.

— Deixe para lá. Não é novidade. – Wu-jin tentou amenizar a situação.

— Já chega. Vou embora. – Gyeong-su decidiu magoado, não querendo passar mais nem um minuto respirando o mesmo ar que a garota.

— Segure a porta. – Wu-jin revirou os olhos, insistindo.

— Tudo bem. Pelo amor. – o jovem reclamou, finalmente cedendo e se direcionando para seu antigo lugar, mas nem mesmo conseguindo terminar o ato, ao ser jogado violentamente para trás pela pessoa que adentrou de maneira desesperada a sala.

Todos se colocaram em alerta enquanto encaravam o Professor Kang encurralado como um ratinho assustado em uma das quinas da sala de aula. Ninguém sabia se a presença dele ali era segura. Não deveriam em confiar em ninguém, nem em si próprios. Pelo menos era isso que se passava pela mente de Jisoo, quando Su-hyeok se colocou na frente dela, bloqueando o caminho entre seu corpo e a direção do professor. A jovem bailarina não disse nada, mas sentiu a fumaça do cigarro se fechar em sua garganta em resposta ao movimento inesperado.

— Prof. Kang. – um dos alunos disse, não obtendo uma resposta imediata do professor que continuava com os olhos arregalados e respiração descompassada.

— Vocês estão bem? – finalmente perguntou, depois de um tempo, quase aos sussurros. Os alunos balançaram as cabeças positivamente, recebendo um suspiro aliviado do professor em troca.

— E o senhor? Não foi mordido? – Gyeong-su assumiu a frente, sendo o primeiro a caminhar até o homem.

— Não, claro que não. Estou bem. – respondeu. — Oi, pessoal. Primeiro, vamos bloquear a porta.

— Isso não me parece ser uma boa ideia. – a Hwang disse antes de tragar lentamente, Su-hyeok virando-se para olhá-la. Os demais alunos já começavam a movimentar as mesas.

— E por que não? Fazer uma barricada parece a opção mais segura.

— Não devíamos confiar nele. Não devíamos confiar em qualquer um para falar a verdade. Se eu tivesse sido mordida e conseguisse encontrar uma sala segura longe dos zumbis, eu jamais contaria a verdade, mesmo que fosse acabar me transformando de qualquer jeito. Ninguém gostaria de ser jogado de volta aos zumbis, é simplesmente o instinto de sobrevivência humana. Foda-se os outros. – Jisoo concluiu sua explicação com os olhos vidrados, a cabeça de Su-hyeok estava muito mais perto do que ela havia reparado anteriormente e ele a balançava para cima e para baixo de maneira lenta, como se absorvendo tudo que ela tivesse acabado de falar.

— Vamos apenas torcer para que você não esteja certa, então. – ele sorriu, virando-se e começado a arrastar mesas e cadeiras assim como todos os outros.

A Hwang bufou, decidindo não fazer parte de qual quer que seja o plano elaborado pelo professor. Quando tudo desse errado ela queria poder reclamar em paz, sem nenhum peso na consciência.

— Isso empilhem bem alto! – ouviu o professor dar as coordenadas enquanto se recostava em uma das janelas, observando os outros trabalharem. Ela gostava da vista. — Mais alto!

— Prof. Kang. – Onjo chamou o mais velho. — Seu braço.

— O que estão fazendo? Mais alto! – o professor ignorou o que a garota havia dito. Obrigando-a a ser um pouco mais indelicada.

— O senhor foi mordido no braço! – Jisoo endureceu o corpo no mesmo momento, ouvindo o coro de "O que" que se prolongava entre seus colegas de classe. Todos agora haviam parado para encarar o homem parado no centro da sala.

Nenhum estudante ousava mexer um músculo, com medo do que o professor poderia fazer a seguir. Mas todos observavam atentamente a mesma coisa, a marca profunda e avermelhada da mordida cravada em seu antebraço, visível apenas pela manga levantada do agasalho.

(4045 palavras não revisadas)

★ ━━ quem é vivo sempre aparece não é mesmo?? sejam bem-vindes ao oficial início do segundo ato da fanfic, onde a coisa aperta e ninguém segura na mão de ninguém.

☆ ━━ reta final enem agora não posso prometer quando vai ser a próxima atualização, mas prometo apenas que o ano não acaba sem cap novo. eu posso ser bem lentinha, mas essa é a fanfic que eu mais me dediquei e pretendo dar continuidade.

★ ━━ o cap ficou bem mais focado na parte dos diálogos e interações com cenas já existentes na série e por isso peço perdão se tiver ficado muito cansativo ou confuso, é trabalhoso colocar na escrita as milhares de informações que acontecem ao mesmo tempo no audiovisual, mas eu pretendo melhorar.

☆━━ é isso amores, feliz halloween, boa noite e fiquem bem <333

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