2.19- "PROTECTING MY FRIENDS"

Natalie segurava no cinto do carro com força, se perguntando mentalmente repetidas vezes como e porquê deixou uma situação daquela acontecer.

Com Amber sentada no banco de trás, Harry em seu colo. Mike espremido ao lado dela, junto com Lucas que estava segurando um mapa em mãos e um Steve desacordado sendo segurado por Dustin. Ter a Max dirigindo o carro até o local de destino era um terror.

— Segura o volante com as duas mãos, Maxine! – Natalie disse com desespero na voz

— Você tá me deixando nervosa! – Max disse enquanto acelerava mais

— Você vai deixar a gente morrer! Meu Deus! – Natalie reclamou

Deu um pulo no banco quando Max passou por um quebra molas. Lucas deu algumas instruções, Steve abrindo seus olhos.

— Nancy? – O Harrington perguntou confuso

Natalie viraria a cabeça para olhar Steve, que parecia não estar nada bem ao confundir Mike com Nancy no banco de trás, mas estava preocupada demais em se envolver em outro possível acidente para tirar os olhos da estrada que Max dirigia.

Amber fechou os olhos enquanto Dustin tentava acalmar Steve ao seu lado.

— Acho que vou vomitar. – Amber falou

— Espera para não ver se a gente vai morrer antes. – Harry diz

O Harrington olhou avoado para tudo o que estava acontecendo, uma confusão maior se fazendo presente ao perceber que Amber estava ao lado de Dustin e Natalie no banco do passageiro, tudo isso em um carro em movimento.

Ver Max no volante pareceu ser o estopim para Steve surtar de vez ao acordar, mesmo com Lucas dando as instruções, Max ainda dirigia de maneira confusa.

— Vai devagar! – Natalie mandou desesperada

— O que tá acontecendo? – Steve perguntou

Max olhou para trás ao ouvir a voz do garoto.

— OLHA PARA FRENTE! – Natalie mandou com um grito

Os olhos de Harrington se arregalaram o máximo possível, mesmo com os ferimentos.

— Aí caramba! – Ele exclamou

— Relaxa, ela já dirigiu antes. – Dustin tentou o acalmar

Amberly pensou seriamente em pular para fora do carro em movimento, quebrar um braço parecia menos torturante do que desafiar todos os limites de segurança ficando em um carro com uma garota de 13 anos ao volante

— É, em um estacionamento. – Mike disse

— Isso conta. – Lucas defendeu Max

— Deveriamos ter pego um táxi. – Harry diz

— Que táxi iria até onde estamos indo? – Amber perguntou

Max pisou mais forte no acelerador ao ouvir as vozes de seus amigos de maneira frenética no banco de trás.

Perceberam que Natalie estava completamente maluca, quando a mesma desprendeu o cinto de segurança que usava.

— Max para o carro! – Natalie mandou

— Meu Deus! Parem o carro! Devagar! – Steve falava desesperado – PAREM O CARRO!

— EU FALEI QUE ELE IA ENTRAR EM DESESPERO!

— PAREM DE GRITAR! – Nat gritou

— A GENTE VAI MORRER. – Amber falou fechando os olhos

— CALEM A BOCA! EU TO TENTANDO ME CONCENTRAR! – Max gritou enquanto dirigia

— Max, para o carro! – Natalie mandou – Me deixa…

— É ali! O Monte Sinai! – Lucas exclamou

— O que? – Max perguntou

— VIRE PARA A ESQUERDA! – Lucas respondeu

Percebendo estar atrasada para fazer a curva, Max virou o carro rapidamente. Natalie voaria para cima dela se não se segurasse na porta.

Antes que pudesse continuar o trajeto, Natalie usou seus poderes para fazer a garota pisar no freio aos poucos.

O carro parando no meio de uma rua escura.

— Graças a Deus! – Harry exclamou

— Por que fez isso? – Max perguntou com raiva

— Vamos trocar! – Natalie respondeu

Sem muita dificuldade, as duas trocaram de lugar ainda dentro do Camaro azul de Billy. Steve iria protestar em continuar o trajeto, quando Natalie acelerou.

A garota que ainda estava tonta por usar seus poderes após quase ser morta por Billy, não dirigia melhor que Max.

Os gritos dentro do carro eram audíveis por qualquer um, a um ponto em que Natalie não conseguia identificar de quem vinham.

A garota passou por meio de arbustos, que riscaram o carro no mesmo, momento. Descendo um barranco em alta velocidade até chegar o local onde dava acesso a estrada para chegar ao buraco.

Natalie saiu do meio do mato, virando o volante para o lado ao quase bater em uma árvore.

Continuou o trajeto em uma velocidade maior ainda, dessa vez em uma rua plana.

— Natalie, abaixa a velocidade! Está logo ali! – Harry pediu

Natalie no entanto continuou a dirigir rapidamente até ao acesso ao mundo invertido. Quando estava prestes a deixar o carro cair dentro do buraco, virou o volante puxando o freio de mão. Ela deu um cavalinho de pau, parando exatamente ao lado da entrada.

Os gritos cessaram. Respirações ofegantes tomando seu lugar.

— Uau. – Mike disse surpreso

— Acho que posso dividir o meu papel de Zoomer… – Max murmurou

Amberly praticamente jogou Max contra o painel do carro, quando precisou deitar o banco para sair do carro, abriu a porta da frente, descendo do mesmo e vomitando perto de uma árvore. Steve colocou a mão no ombro de Natalie.

— Você nunca mais vai dirigir perto de mim, entendeu? – Ele perguntou, fazendo a morena revirar os olhos – Nenhuma das duas.

Acabara de se lembrar o porquê de beijar Steve Harrington não era uma boa ideia. Ele era um saco.

Natalie negou com a cabeça, ela e as crianças descendo do carro o mais rápido que conseguiram.

Harry olhou para Amber.

— Você tá bem? – O mais novo perguntou, recebendo um jóia como resposta

Natalie abriu a porta do porta malas, pegando as coisas que separaram no porta malas. As criancsd se juntando a elas.

Steve desceu do carro as encarando.

— Vocês tem certeza que vão todos até lá? Eu consigo fazer isso sozinha. – Natalie falou

— Por que você quer tanto fazer isso sozinha? – Lucas perguntou – Queremos ajudar.

— Eu sei que querem, mas falei que ia cuidar de vocês. Não acho que seria uma boa babá se deixasse vocês entrarem em uma passagem pro inferno. – Natalie respondeu

— O que? – Steve perguntou, sendo ignorado

— Seria uma péssima babá se nos deixasse sozinhos aqui. – Dustin falou

Natalie suspirou, cansada.

— Ok, se preparem. – A Goodwin falou, sua irmã se aproximando de si – Está melhor?

— Sim, só nunca mais encoste em um volante perto de mim. – Amber pediu, fazendo Natalie rir

Todos pegaram as bandanas e óculos de natação, prestes a se preparar para entrar no local.

— Não! Não! NÃO! – Steve repetiu – Vocês não vão entrar aí, vocês são surdos?

— Gostaria de comentar que se tivéssemos saído antes, você e minha irmã não teriam levado uma surra do irmão da Max. – Harry comentou

A garota olhou para Harry, visivelmente ofendida.

— Eu não levei uma surra, eu ganhei a briga. – Natalie se defendeu – Ele que levou uma surra.

Harry jogou a cabeça pro lado, concordando.

— Sendo sincera, Steve. Sua opinião não é importante aqui. – Amber falou

— Você não estava do meu lado achando isso perigoso? – O Harrington perguntou

— Achava, mas é melhor isso do que ficar em uma casa com o Hargrove. – Amberly respondeu

As crianças ignoravam Steve o máximo possível.

— Isso é loucura! Isso é loucura, ok? – Steve disse, chegando perto de Nat – Não tem chance de vocês entrarem nesse buraco, ouviram? Isso acaba agora!

Natalie suspirou, impaciente.

— Steve, você é minoria aqui. – A morena falou – Você não manda em mim, eu vou entrar lá de qualquer jeito. As crianças querem ir comigo, Amber vai junto. São duas babás com elas e se você parar de graça, serão três.

— Você não está me ouvindo… – Steve foi interrompido

— Não! Você não está! – Natalie falou – Sei que está com raiva. Eu entendo, também estou. Não é todo dia que a gente apanha de um babaca, apesar de ser a segunda vez que você tem que encarar tudo isso com o rosto todo machucado de uma surra…

— Isso era para me incentivar? – Steve perguntou

— Will e Eleven precisam de ajuda, eu não posso deixar que essa ajuda fique na mão do meu pai ou do Hopper… Ou de qualquer outra pessoa. Eu preciso fazer alguma coisa e sei que as crianças pensam do mesmo jeito. – Natalie respondeu, colocando uma mão entre o ombro e o pescoço do Harrington – Sei que prometeu para a Nancy que cuidaria deles, mas você já fez demais. Agora é a minha vez. Você é uma boa pessoa, Steve. Defendeu as crianças e eu quando precisamos…

Steve a olhava. Estavam perto um do outro, conseguia sentir a respiração de Natalie e ver cada detalhe de seu rosto também machucado.

— Eu perdi a briga. – Steve relembrou

— Mas salvou minha vida. – Natalie falou

Steve negou com a cabeça.

— Natalie…

— Você sabe que o Hargrove teria me matado enforcada se não tivesse chego a tempo, na frente das crianças ainda. Você tá cuidando delas… Estamos cuidando delas. – Natalie disse – Vou entender se não quiser entrar lá com a gente, mas vamos de qualquer forma. Se vai continuar me ajudando a cuidar dos pestinhas ou não, a decisão é sua.

Ela se afastou dele, pegando uma corda no porta malas e indo até a frente do carro.

— Beleza, me esperem. – Ouviu o Harrington falando para as crianças enquanto amarrava a corda no para-choque do carro de Billy

Esperava fielmente que ele aguentasse o peso de todos para subir na volta, apesar de uma parte dela querer que ele saltasse para fora do carro.

Quando desceram para os túneis, o arrependimento veio de imediato para Amberly. O lugar era frio, o cheiro era estranho e tudo era escuro.

Algumas lanternas iluminavam o caminho. Natalie se virou para as crianças.

— Ainda querem vir comigo? – Perguntou a mais velha

— A resposta continua sendo sim. – Lucas respondeu

Mike analisava um mapa em sua mão, enquanto Steve olhava para os lados, impressionado.

— Acho que o caminho é para cá. – O Wheeler disse

— Você acha ou tem certeza? – Steve perguntou

— Tenho cem porcento de certeza. – Mike respondeu

Amber negou com a cabeça, olhando para Harry.

— Estamos fudidos. – Ela falou para o irmão

— Com o Mike no comando? Com certeza. – Harry concordou

— Venham comigo. – Mike chamou, dando alguns passos a frente

Natalie riu, entrando na frente do mesmo. Ele a olhou totalmente confuso.

— Não acha que vai tomar a frente né? – Natalie perguntou

— Natalie tem razão. – Steve disse, parando ao lado dela – Se um dos merdinhas morrer aqui, nós levamos a culpa. Entendeu, mané?

— Mané? Sério? – Natalie resmungou, impaciente

Steve tirou o mapa das mãos do Wheeler.

— Daqui para frente, eu vou na frente. – Steve afirmou

Amber suspirou ao ver Natalie rir ironicamente, tirando o mapa da mão do Steve.

— Nada disso, eu vou na frente. – Natalie disse

Já tinha a estratégia em sua própria mente antes do Harrington acordar. Não queria as crianças entrando junto com ela nos túneis, mas sabia que não iam desistir da ideia.

A maioria ali eram tão teimosos quanto ela mesma.

Ir na frente sem dúvidas era a melhor coisa que poderia fazer, não sabiam o que iriam encontrar lá embaixo ou quem os encontrariam. Se fosse a primeira a ser atacada, além de mais chances de ter uma luta justa, também daria tempo para Amber, Steve e as crianças correrem.

— Qual é, Natalie! – Steve reclamou

— É a melhor estratégia, eu tenho poderes, se aparecer alguma coisa é só eu usar eles e vocês correrem. – Natalie disse – Alguém tem que ir atrás para olhar as crianças.

— Vão logo os dois na frente e a Amber vai atrás! – Max disse, impaciente

Tanto Steve quanto Natalie olharam para Amber, esperando sua opinião sobre a estratégia.

A morena suspirou.

— Claro, eu vou atrás. Não é nada perigoso. – Amber disse, continuando a reclamar quando começaram a andar

— Beleza, então vamos pessoal! Sem lerdeza! – Steve falou

Dustin estava a frente de Amber.

— Isso sempre é uma boa ideia em filmes de terror né? Com certeza Daphne nunca é pega quando tá andando por último na fila em Scooby Doo… – Ela continuou a reclamar

Foram minutos de uma caminhada difícil pelos túneis, onde haviam cipós, pedras e elevações de terra pelo caminho.

O lugar escuro não ajudava a identificar onde estava cada empecilho pelo caminho, Natalie dando tropeços diversas vezes durante o caminho.

Harry exclamou alguns palavrões quando quase foi de encontro ao chão.

Steve parou de repente, vendo que existiam diversas passagens pela frente.

— Credo. – Harry disse ao ver os cipós gosmentos na parede

— Que lugar é esse? – Max e Lucas perguntaram juntos

Natalie olhou em volta, entregando o mapa ao Steve.

— Sabe por onde continuamos? – Ela perguntou

Steve olhou durante alguns segundos.

— Sim. – Ele a respondeu – Vamos, pessoal. – Ele iluminou um dos caminhos – NÃO PAREM!

Amber trombou com Dustin no fim da fila. O garoto havia parado de andar de repente, olhando para cima.

Amber negou com a cabeça.

— Porra, por que parar assim? – Amber falou

— O que é isso? – O Henderson perguntou

Ele iluminava uma flor acima da cabeça deles, Amberly se afastou quase no mesmo momento com uma careta.

— Sei lá, pode ser uma planta venenosa… Pode estar cheio de bichos… – Amber começou

Antes que pudesse terminar a frase, a planta soltou um pólen estranho na cara de Dustin. Ambos começaram a gritar no mesmo instante.

Natalie foi a primeira a correr de volta ao ouvir os gritos de sua irmã e de seu amigo.

— MERDA! MERDA! PUTA MERDA! SOCORRO! – Dustin gritava enquanto tossia

— PUTA QUE PARIU, AJUDEM AQUI! – Amberly gritava

— ENTROU NA MINHA BOCA! – Dustin proferiu

Natalie veio se tacando no chão ao lado de Dustin e batendo em suas costas enquanto ele tossia.

Todos se reuniram em volta deles.

— Dustin! O que aconteceu? – As crianças e o Steve perguntavam

— ENTROU NA MINHA BOCA! – Dustin repetiu com dificuldade pelos tapas que estava levando nas costas

Ele cuspiu mais algumas coisas, parando de tossir rapidamente.

— E então? – Harry perguntou

Natalie parou de bater em Dustin.

— Estou bem. – O Henderson disse com um sorriso, levando um tapa na nuca dado por Natalie – Aí!

— Filho da puta, você me assustou. – Natalie reclamou

— Sério? – Amber perguntou para Dustin

— Muito engraçado, cara. – Steve ironizou – Muito legal.

Harry negou com a cabeça, se virando para Lucas e Max.

— Grandes babás… – Ironizou o Goodwin mais novo

Natalie se levantou, voltando a andar. Todos foram atrás, Amber deixando Dustin para trás dessa vez.

— Que idiota… – Max reclamou

— Ei! Me esperem! – Pediu Dustin se levantando e correndo atrás deles

Foram necessários mais alguns minutos andando até chegarem no ponto central do mapa, no lugar onde precisavam colocar fogo.

Natalie olhou em volta algumas vezes para ter certeza que estavam no local certo.

— Muito bem, Wheeler. – Parabenizou o Harrington – Parece que achamos o ponto central.

— Encharquem de gasolina. – Mike falou para seus amigos

— Cuidado para não se molharem com a gasolina, a última coisa que precisamos é de um de vocês sendo queimado. – Natalie alertou

Jogaram a gasolina por todo o local, tendo a certeza que causaria uma explosão quente o suficiente para atingir a mente coletiva deles e atrair suas atenções.

O cheiro de gasolina subiu rapidamente, soltaram os galões de combustível no chão e foram em direção aos túneis. Steve pegou o isqueiro na mão. Os mais velhos estando a frente dos mais novos.

— Estão prontos? – Natalie perguntou

Todos concordaram. Steve olhou para Natalie, mesmo através dos óculos de natação, sentia a mistura de medo com determinação no olhar da morena.

Ele jogou o isqueiro aceso no local onde haviam acabado de sair.

Não demorou muito para o fogo se espalhar pelo local, os cipós e as videiras se remexerem com dor. Como se tivessem acabado de atacar uma lula gigante e os tentáculos estivessem se debatendo.

Natalie cobriu seus olhos quando, mesmo com a proteção, começaram a arder.

— Vamos! – Amber chamou a todos para correrem – Temos que sair daqui antes que sejamos o prato principal dos Demo-cães.

Eles começaram a correr o percurso contrário que haviam acabado de fazer, Natalie segurava a mão de Amber que quase caia quanto mais rápido tentavam ir.

Alguns gritos das crianças e de Steve mandando correrem eram ouvidos, enquanto todos os seguiam.

Uma das plantas com consciência se enroscou em Mike, o derrubando.

— SOCORRO! – O Wheeler gritou

Natalie empurrou Amber para frente, voltando correndo até Mike com uma mão erguida. Conseguia ver o Harrington fazendo a mesma coisa enquanto pegava o taco.

O nariz de Natalie voltou a sangrar, mas dessa vez por causa de seus poderes.

Ao invés de usar sua telecinese para fazer Mike ser soltou, Natalie decidiu tentar outra coisa.

— SOLTA ELE! – Mandou a garota

Surpreendentemente, a videira se desenrolou de Mike, voltando para seu lugar habitual. O Wheeler a olhou confuso.

Natalie agora tinha uma certeza: em algumas situações, conseguia controlar os seres do mundo invertido, pelo menos por um momento.

A videira não se livrou dos golpes que Steve a acertou mesmo depois de ter soltado o Mike.

— Já basta, Harrington! – Natalie falou

— Se acontece algo com esse garoto, a Nancy me mata. – Steve diz antes de olhar para a Natalie – O sangue no pano é por causa dos seus poderes ou pelo soco do Billy?

— Os dois, eu acho. – Natalie disse – Bom, acho que ele arrumou meu desvio de septo.

— Da para os dois flertarem depois? – Amber perguntou

Os dois voltaram a correr.

— Não estamos flertando! – Natalie respondeu

— Tá bem, Mike? – Harry perguntou

— Sim. – Mike diz

— Temos que ir! – Lucas exclamou

Antes que pudessem continuar, um Demo-cão apareceu na frente deles.

Ele rosnou para o grupo, Natalie correu para se por a frente deles e usar seus poderes no ser quando Dustin entrou na sua frente.

— Dart? – O Henderson perguntou

O menino começou a andar lentamente até o animal.

— Tá maluco, Dustin? – Natalie sussurrou

— Confiem em mim, por favor. – Dustin pediu

Ignorando os protestos dos amigos, o Henderson continuou a andar em direção ao Dart. Natalie praticamente preparada para o salvar de um ataque, já que sua mão estava um pouco levantada.

Ele levantou os óculos e tirou sua bandana.

— Oi, caramba! Sou eu! – Dustin falou pro Dart – Sou seu amigo, Dustin. Sou o Dustin. É o Dustin, tudo bem? Você se lembra de mim? Vai nos deixar passar?

A criatura rosnou, fazendo o grupo dar um pulo para trás enquanto Natalie deu um passo para frente.

— Não sei quem é mais maluco. – Amber sussurrou para Steve, segurando em seu braço com medo

— Ok, ok. Sinto muito pelo porão. Fui bem babaca. Está com fome? – Dustin perguntou, mexendo em suas coisas

— Ele é louco! – Lucas disse

— Cala a boca. – Todos disseram em uníssono

— Tenho nosso favorito. Caramelo. – Dustin abriu um chocolate – Veja só. Gostoso. Está aqui, tá bem? – Colocou o chocolate no chão

Natalie olhou para trás, surpresa. Sibilando um "Isso é sério?" para Harry e recebendo um aceno positivo como resposta.

— Coma, amigão. – Dustin disse – Vamos!

O resto do grupo passou pelo demo-cão enquanto ele comia o chocolate, Natalie esperou Dustin passar para ir atrás.

— Adeus, amigão. – Dustin disse

— Vamos, garoto. – Natalie chamou o Henderson com uma mão em seu ombro – Parabéns, muito bom. Você é o cara!

— Não fiz nada demais…

— Você foi incrível lá. Agora corre. – Natalie disse parando perto de uma parede

Dustin fez uma careta.

— Você não vem? – O Henderson perguntou confuso

— Estou indo logo atrás. – Natalie respondeu

Quando Dustin começou a correr, Natalie se virou. Esperou ele se afastar o suficiente para erguer Dart no ar e quebrar seu pescoço. Não correria o risco de deixar aquela coisa os alcançar novamente.

Respirou fundo, cansada acabou colocando sua mão em uma das paredes do local. Seus olhos se fecharam, ela entrou na mente das criaturas, mesmo sem querer

Estranhamente, não conseguiu ter visão de nenhuma delas. Ao invés disso, uma angustiante dor tomou conta de si enquanto imagens aleatórias apareciam em sua cabeça.

Uma casa estranha. Um pequeno animal morto. Tudo bagunçou , viu Jonathan, Nancy e seus pais junto de Joyce. Um relógio quebrado na parede, fazendo exatas quatro badaladas. Um demo-cão, o devorador de mentes em seu estado normal, como uma grande aranha.

Foi na quarta badalada que Natalie conseguiu ver os demo-cães correndo pelos túneis.

Natalie tirou a mão da parede, completamente confusa. Ao ouvir o barulho dos animais se aproximarem e ver o primeiro no fim do corredor, a morena saiu correndo.

Dustin chegou correndo até o grupo, cansado. Todos que estavam embaixo da saída o olharam confusos.

— Dustin, cadê a Nat? – Steve perguntou

O Henderson olhou para trás.

— Puta merda, ela disse que já estava vindo. – Dustin respondeu

O medo tomou conta de Amberly. Steve a olhou.

— Vou atrás dela. – Steve alertou

Ele deu um passo a frente.

— Não! Me ajuda a tirar as crianças daqui, confio na Nat. Ela deve estar vindo. – Amber falou

Steve a olhou.

— Mas…

— Rápido, Steve.

Amberly foi a primeira a subir, de cima ajudando Max, Mike, Harry e Lucas a serem puxados para cima.

Natalie apareceu correndo ofegante.

— O que ainda estão fazendo aqui? – Natalie perguntou – Estão vindo!

Dustin iria subir, quando os demo-cães se aproximaram ainda mais. Estavam quase alcançando o trio.

A Goodwin olhou pelo canto do olho para Steve e Dustin, antes de usar seus poderes para os jogar para fora dos túneis.

Ambos caíram na grama. Amber olhou para Nat que não tentara ao menos subir pela corda.

— NAT, O QUE VOCÊ TA FAZENDO? – Amber gritou

Zero respirou fundo, olhando diretamente nos olhos de sua irmã.

— Ajudando meus amigos. – Natalie falou, sumindo da visão das pessoas de cima

Todos os demo-cães apareceram de uma vez. Não consegui do passar pelo corredor onde Natalie estava, já que os poderes da garota os seguraram parados ali. Como uma grande barreira, os impedindo de avançar ou voltar.

Eles estavam presos, todos tumultuados. Os grunhindos de todas criaturas eram altos conforme Natalie usava seus poderes para ergue-los um por um, tirando suas vidas.

As luzes do carro de Billy começaram a piscar.

Não sabia quanto tempo havia se passado com ela usando seus poderes para parar os animais, quando a luta de todos eles chegou ao fim e eles caíram sem vida.

Eleven havia conseguido.

Natalie respirou cansada, indo até a corda que dava acesso a saída. Ela subiu com um tanto de dificuldade, sentindo os braços de sua irmã segurando a si mesma e puxando para cima.

— Conseguiram! – Lucas exclamou

As crianças abraçaram Natalie e Amber. Os olhos de Natalie se encontraram com o de Steve que estava um pouco afastado. Ficou confusa ao perceber lágrimas em seus olhos, enquanto tinha um sorriso aliviado no rosto.

Steve se juntou ao abraço quando Natalie o chamou com a cabeça.

(...)

Natalie se ajeitou no banco do passageiro enquanto Steve parava o carro perto da casa dos Byers. Billy Hargrove estava parado em frente a casa, esperando voltarem com seu carro.

Max segurou no braço de Amber quase no mesmo momento.

— Ele já tá acordado? – A ruiva perguntou

— Fica tranquila, você vai dormir na nossa casa hoje. – Amber respondeu

— Saiam do carro e evitem o Hargrove. – Natalie mandou, conseguia ver um tanto de pavor nos olhos de Steve enquanto as crianças entravam na casa dos Byers – Você tá bem, Steve?

Demorou alguns segundos para Steve responder.

— Sim. – Ele disse, antes de descer e andar em direção ao Hargrove

Natalie olhou do carro onde estava para Billy, que não parecia tão paciente mesmo depois do que fizera contra ele.

Ela pulou para o banco do motorista, ligando o carro e mudando a marcha para a ré. Os dois garotos olharam para o carro com faróis acesos.

Natalie encarou Billy com ódio, antes de dar ré no carro de uma vez, batendo a traseira contra uma árvore. O Camaro desligou no mesmo instante, a batida havia dado PT no carro.

Ela saiu pela porta da frente, tentando não cambalear ao ver Billy indo em sua direção. Ela estendeu a chave do carro.

— Você deu PT no meu carro. – Billy disse com raiva

— Não, você bêbado deu PT no seu carro. Uma pequena vingança pelo meu. E vai ser a desculpa que você vai usar para seu pai quando ele perguntar porque a Max não voltou com você. – Natalie disse – A menos que queira ver sua mamãe de novo.

A ameaça foi o suficiente para Billy pegar a chave do carro e sair andando, tentando não demonstrar medo. Não sabia como, mas Natalie fizera alguma coisa com ele que o fez encarar seu maior trauma.

Talvez tenha sido efeito do calmante que injetaram nele anteriormente, mas preferiu não arriscar.

Natalie andou até Steve.

— Você é maluca, sabe disso né? – Steve a perguntou

— Sei. – Ela respondeu – Você tá muito fofo com esse curativo infantil nos machucados, mas tá na hora de tratarmos ele melhor o que acha? Eu preciso ir no hospital, mas preciso achar uma desculpa para tudo isso antes. Quer tomar um antiinflamatório?

— Quero. – Steve respondeu

Natalie segurou em sua mão, o puxando para dentro de casa. Steve se sentou em uma cadeira enquanto Natalie procurava pela caixa de primeiros socorros que sabia que Joyce guardava.

Achou o remédio, mas não os novos curativos. Ela se sentou perto dele.

— Aqui. – Natalie estendeu o comprimido para Steve

O garoto assentiu, o tomando em completo silêncio. Não precisou de muito para Natalie entender que o garoto não estava bem. Era muita coisa acontecendo em seguida e ver o homem que quase o matou espancado em pé quase sem ferimentos, exceto alguns roxos no rosto e um nariz quebrado,  na frente dele.

Aquilo deveria ter sido o estopim para surtar de vez.

A porta da casa dos Byers se abriu, Will foi o primeiro a entrar, seguido dos outros que haviam ido tirar o Devorador de mentes dele. Havia dado certo.

Natalie se levantou ao ver seus pais entrarem, Nancy a olhou totalmente confusa.

— Tem um carro batido em frente a casa… – Reginald parou de falar

— O que aconteceu aqui? – Ayla perguntou

Natalie cruzou os braços, pensando em como explicar aquilo.

Reginald olhou de Steve para Natalie.

— Por favor, não me digam que vocês dois brigaram e saíram no soco, porque eu quebro a cara dele… Mais ainda. – Reggie disse

Nat negou com a cabeça.

— O meio-irmão de Max… O cara que eu bati na escola, Billy Hargrove. Ele veio atrás dela e já não gostava muito de nós… Bem, ele tentou bater no Lucas. – Natalie se embolou para explicar

Amber se aproximou em passos rápidos, abraçando sua mãe.

— Natalie e Steve entraram em uma briga com ele para defender o Lucas e acabaram assim. – Amberly explicou

Natalie confirmou com a cabeça, explicando rapidamente como havia sido a briga dentro da casa.

— Ele mandou a Max ficar longe do tipo de gente do Lucas. – Natalie contou

Ayla levou a mão a boca em choque, olhando para o Sinclair ao longe.

— Um covarde racista? Nada novo na cidade… – Reginald murmurou irritado, ele olhou para Steve na cadeira – O Hargrove quem fez isso nele?

— Sim. – Natalie diz – Pai, não fale nada ofensivo pro Steve, por favor. Ele tá mal… Ele salvou minha vida.

Natalie jogou o cabelo para trás, mostrando a marca de mão deixada no pescoço de Natalie pelo Hargrove.

Reginald assentiu, por um segundo se arrependendo de não ter ficado com eles na casa dos Byers para dar uma lição no irmão da ruiva. Ele andou em direção ao Harrington.

— Harrington. – Chamou Reggie – Me segue, vamos fazer os primeiros socorros direito em você.

O Goodwin mais velho pegou a caixa de primeiros socorros no guarda roupa do quarto de Joyce, puxando uma cadeira para se sentar em frente ao Steve quando foram para o quarto da mulher.

Reginald molhou um algodão.

— Vai querer que eu te leve até a delegacia para avisar seu pai que vai dormir aqui? – Reggie perguntou

— Não. – Steve respondeu – Eles não vão se importar comigo fora. Não costumam se importar…

A voz do Harrington sumiu enquanto Reginald limpava as feridas do adolescente.

— Não costuma se dar bem em brigas, não é? – Reginald perguntou – Segundo ano seguinte que você aparece com a cara toda fudida.

— No ano passado você ameaçou piorar a situação. – Steve lembrou

— Ia ameaçar de novo, se Nat não me explicasse o que aconteceu. – Admitiu o homem mais velho

Reggie riu. Pegando algumas coisas para fazer um curativo no rapaz.

— Salvou as crianças mesmo? – Reginald perguntou

— Nat salvou elas, eu só ajudei. – Steve respondeu

— Ela me falou que salvou a vida dela. – Reggie disse

Reginald ficou confuso quando Steve afastou sua mão quando ia grudar o curativo.

— Eu não salvei ninguém. – Steve falou

— Não é o que o Dustin disse quando chegaram aqui mais cedo ou o que Nat me disse agora. – Reggie disse – Não seja modesto, Harrington. Não vou ficar enchendo seu ego, sabe que foi um herói.

Os olhos de Steve se encheram de lágrimas, Reggie ainda o encarando.

— Não se sente mesmo um herói? – Perguntou confuso

— Quase deixei a Natalie morrer, não deveria ter esperado do lado de fora. Mesmo com ela mandando. – Steve disse, algumas lágrimas caindo sobre seu rosto – Quando tentei ajudar, ele quase me matou. Nós dois poderíamos ter morrido, tudo isso na frente das crianças… Prometi cuidar delas, mas não consegui as defender nem de um adolescente idiota.

As lágrimas desciam dos olhos do rapaz, Reginald não teve outra reação além de abraçar o mais novo. Um abraço calmo e reconfortante que o pai de Steve nunca havia o dado.

— Não importa muito o que você acha, para aquelas crianças lá fora, para as minhas filhas… Você é um herói tanto quanto Nat, Hopper, Eleven… – Reggie diz – Poderiam ter morrido? Não morreram. Nenhum dos dois. Nenhuma das crianças. Pode falar que não fez isso sozinho, mas tenho certeza que se precisou ajudar, Natalie não conseguiu fazer sozinha também. Vocês se ajudaram. Se chama trabalho em equipe. Sabe quantas vezes Hopper e Ayla salvaram minha vida? Não estou falando só em campo de batalha. Não tire seus créditos porque não se acha capaz, rapaz.

Era até estranho para o Harrington pensar aquilo, mas naquele momento, Reggie não parecia o homem que o odiava e sim o pai que sempre desejara ter.

— Obrigado. – Steve falou, limpando as lágrimas

— Agora, o que acha de darmos a desculpa que Natalie e você foram sequestrados protegendo as crianças para levarmos vocês ao hospital? – Reggie perguntou

— Só a Nat. – Steve respondeu – Se meu pai souber que eu me meti em confusão com os Goodwin, acho que vou ser expulso de casa. Briguei com ele antes de sair de casa por causa dela.

— Da Nat? – Reggie perguntou desconfiado

— Sim. Ele não é uma pessoa tão boa quanto diz ser. – Steve respondeu

— Acredite, garoto. Sei bem disso. – Reginald falou

Hopper e Eleven entraram na casa de Joyce, a mais nova parando e analisando Natalie assim que entrou no local.

— Você conseguiu mesmo! – Natalie disse empolgada

— Você está horrível. – Eleven falou, se referindo aos inúmeros machucados no rosto da mais velha

— É, eu sei. – Natalie riu se virando para Hopper – Posso conversar com você?

Hopper assentiu, entrando na cozinha com Natalie em seguida.

Os dois se encararam em silêncio por alguns minutos.

— E então? – Hopper perguntou

— Desculpa… Por ter falado sobre sua filha. Eu não queria te machucar, mas eu não pensei direito antes de falar… – Natalie respondeu – Eu estava com muita, muita raiva mesmo. Só me deu conta do que falei depois de ter falado.

— Tudo bem Natalie, eu entendo… – Hopper falou

Natalie negou com a cabeça.

— Não, Hopper. Eu estou sendo sincera. Fui uma idiota. Você me ajudou bastante durante essa semana e… Eu nem se quer quis pensar sobre o porquê de voce ter escondido Eleven. Eu entendi o porquê você e meu pai fizeram isso agora. Entendi que estavam tentando proteger ela, mesmo não concordando com a forma que fizeram isso. – Natalie falou – Você não precisa me desculpar, mas eu peço perdão. De verdade.

Hopper abriu um sorriso.

— Eu te desculpo. Também não deveria ter mentido para você. – Hopper falou Somos mais parecidos do que você pensa, Natalie. Não leve isso como uma coisa boa.

Natalie riu, antes de abraçar Hopper.

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