cap. vinte e três
Nox estava deitada de lado na cama de Peter, os olhos preguiçosamente vagando pelo teto enquanto ele trabalhava em silêncio em sua escrivaninha. As ferramentas faziam pequenos sons metálicos, misturando-se ao barulho distante da cidade lá fora. Era curioso como tinham se tornado amigos tão rapidamente depois de tudo o que haviam passado. Talvez fosse a solidão compartilhada ou as cicatrizes que ambos carregavam.
Voltar a Nova York, depois de ter viajado por meio mundo, deveria ter sido mais difícil para ela. Mas, com Peter, tudo parecia mais fácil. A sensação de familiaridade que ele trazia era como um alívio.
— Ok. — Peter murmurou, finalmente se virando com um sorriso satisfeito. — Acho que consegui fazer os ajustes.
Nox ergueu a cabeça, curiosa, antes de se sentar rapidamente.
— Deixe-me ver! — disse, animada, levantando-se para ir até ele.
Na mesa, Peter segurava a roupa com cuidado, exibindo sua criação. O traje agora era completamente preto, feito de elastano de alta qualidade, com pequenos fios metálicos entrelaçados que refletiam a luz sutilmente. Os ajustes não apenas aumentavam a elasticidade, mas também tornavam o traje mais resistente e funcional.
— Maneiro. — Nox comentou, os olhos brilhando de admiração enquanto passava os dedos pelo material. Um sorriso genuíno iluminava seu rosto. — Você mandou bem, Parker. Vou me vestir.
Ela pegou o traje das mãos dele com cuidado e se dirigiu ao banheiro. Peter a observou desaparecer pela porta, um leve sorriso ainda em seus lábios. Ele se recostou na cadeira, finalmente relaxando um pouco, enquanto ouvia o som abafado da porta se fechando.
Dentro do banheiro, Nox segurou o traje por um momento, sentindo o peso simbólico daquilo. Era mais do que uma roupa — era um novo começo. Ao vesti-la, ela se viu no espelho. A silhueta do traje ajustava-se perfeitamente ao seu corpo, e os pequenos detalhes metálicos davam um toque futurista e elegante.
Ela se virou de um lado para o outro, testando os movimentos. O material era incrivelmente confortável, permitindo uma flexibilidade que ela nunca havia experimentado antes. Um sorriso satisfeito surgiu em seus lábios.
— Impressionante. — murmurou para si mesma antes de abrir a porta e voltar para o quarto.
Peter ergueu os olhos assim que ela saiu, e seus olhos se arregalaram por um breve momento antes de ele se recompor.
— Uau. — foi tudo o que conseguiu dizer, cruzando os braços com um sorriso brincalhão. — Tenho que admitir, ficou ainda melhor do que eu esperava.
Nox deu uma pequena volta, exibindo o traje como se estivesse em uma passarela.
— Ficou perfeito. — ela disse, antes de olhar para ele com um sorriso genuíno. — Obrigada, Peter. De verdade.
Ele deu de ombros, tentando parecer casual, mas não conseguiu esconder a satisfação em seu rosto.
— Você sabe que eu adoro um desafio. E, bom, você merece algo que seja tão incrível quanto você.
Nox revirou os olhos, mas não pôde deixar de sorrir.
— Certo, certo. Não deixe isso subir à cabeça, Parker.
Os dois riram juntos, e pela primeira vez em muito tempo, o peso que ambos carregavam parecia um pouco mais leve.
[...]
Vestidos com seus uniformes, Peter e Nox estavam escondidos em um dos becos de Nova York. As luzes da cidade piscavam acima, mas o foco deles estava totalmente voltado para o que acabara de acontecer. O sentido aranha de Peter estava ativado, uma sensação que ele não experimentava há anos. Ele parou abruptamente, os olhos atentos ao ambiente.
— O que você sentiu? — Nox perguntou, inclinando a cabeça em sua direção, visivelmente alerta.
— Um formigamento... — Peter murmurou, franzindo a testa. — Algo como... aquilo.
Antes que ele pudesse explicar mais, ambos se viraram ao mesmo tempo para a origem da perturbação. No final do beco, uma enorme esfera brilhante começou a se formar, sua luz pulsando com intensidade. O ar ao redor parecia vibrar. Quando a esfera finalmente se estabilizou, revelou uma sala do outro lado, como uma janela para outro mundo.
Nox arregalou os olhos, incrédula.
— Isso é...
— É sim. — Peter confirmou, já conhecendo aquele tipo de distorção dimensional.
Nox virou-se para ele, a incredulidade misturada com uma pitada de esperança.
— Conseguimos? — ela perguntou, a voz quase um sussurro.
Peter assentiu, o rosto grave.
— Conseguimos.
Antes que pudessem processar o que estavam vendo, vozes do outro lado da sala chamaram por Peter.
— PETER! — uma garota gritou, sua voz cheia de urgência.
— PETER! — um garoto ecoou, tão agitado quanto.
Nox apontou para o par de figuras do outro lado, a confusão evidente em sua expressão.
— Acho que eles te conhecem. — ela disse, olhando para Peter. — Você conhece eles?
Peter balançou a cabeça, ainda mais confuso do que ela.
— Nunca os vi antes.
Nox suspirou, cruzando os braços.
— Só tem um jeito de descobrir. Vamos lá.
Sem esperar por resposta, ela começou a caminhar em direção à esfera. Peter hesitou por um momento, mas acabou seguindo-a. Assim que os dois passaram pelo portal brilhante, a esfera se fechou atrás deles, cortando qualquer conexão com o beco de Nova York.
Agora, eles estavam em uma sala ampla e iluminada, com equipamentos tecnológicos espalhados por todos os lados. Nox olhou ao redor, fascinada e cautelosa ao mesmo tempo.
— Onde estamos? — ela perguntou, girando lentamente para observar cada detalhe.
Antes que alguém pudesse responder, a garota que havia chamado por Peter deu um passo à frente, os olhos fixos nele.
— Peter Parker? — ela perguntou, a voz cheia de expectativa.
Antes que Peter pudesse responder, Nox virou-se para o outro garoto na sala. Ela o reconheceu imediatamente.
— Eu conheço você. — ela disse, apontando. — Seu nome é Ned, não é?
O garoto pareceu tão surpreso quanto ela.
— Sou eu! Mas... quem é você? — ele perguntou, tentando entender.
Nox retirou a máscara, revelando seu rosto. A reação de Ned foi imediata.
— MEU DEUS! É a Nox. Mas... você morreu.
— Eu tecnicamente não morri. — Nox murmurou, desviando o olhar, como se a explicação fosse complicada demais para aquele momento.
Ned apontou para o Peter ao lado dela, ainda tentando processar tudo.
— E quem é ele?
— Peter Parker. — Nox respondeu antes que o próprio pudesse falar. — Mas de outra dimensão.
Os olhos de Ned se arregalaram, um sorriso animado surgindo em seu rosto.
— Isso é tão maneiro! — ele exclamou, quase saltando de empolgação.
Enquanto isso, Nox olhou ao redor novamente, como se algo estivesse clicando em sua mente. Subitamente, ela virou-se para Peter, o rosto iluminado por uma emoção que ele não conseguia decifrar.
— Espere. — ela murmurou. — Estou de volta. — Um sorriso amplo tomou conta de seu rosto. Ela tocou no braço de Peter, os olhos brilhando. — Eu preciso ir a um lugar.
— Nox? — Peter chamou, confuso.
— Eu já volto. — ela respondeu, apressada, enquanto começava a correr em direção à saída da casa. — Se divirta!
Peter ficou parado por um momento, observando-a desaparecer pela porta. Ele sabia que ela sempre seguia seu próprio ritmo, mas algo sobre a pressa em seu comportamento o deixava inquieto.
— Ela sempre faz isso? — Ned perguntou, rindo enquanto caminhava até Peter.
— Mais do que eu gostaria de admitir. — Peter respondeu, balançando a cabeça com um pequeno sorriso antes de se virar para os outros. — Certo, vamos começar do início. Alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui?
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