01
Sexta-feira, 13 de setembro de 2010
Atlanta, Geórgia
Hannah Isabel Grimes
As malas estão prontas, o passaporte e documentos estão em mãos, já avisei o meu irmão que estou embarcando. Glenn me trouxe até o aeroporto, eu não queria deixar o meu carro no estacionamento daqui, não acho seguro, então ele veio me deixar.
— não esquece de alimentar o Bart, quero meu gato vivo quando eu voltar. – digo enquanto o abraço, ele dá risada.
— não se preocupa, tia. Eu vou alimentar o Bart. – Giulia diz, me fazendo sorrir.
A abraço e digo que voltarei antes que ela possa sentir minha falta. Dou tchau a eles e sigo para o portão de embarque.
King County, Geórgia
Ao desembarcar do avião, avisto um rosto familiar no saguão do aeroporto. Desvio o olhar e abaixo a cabeça, na intenção de não ser reconhecida. Mas, não dá para se esconder de um caçador.
— Docinho! – ele diz ao me ver passar por ele, arrastando sua mala preta em minha direção.
Murmuro um palavrão e levanto a cabeça, lhe oferecendo um leve e falso sorriso.
— Merle! – digo surpresa
— caramba, Hannah. Quanto tempo, em? – fala, o mesmo tom de voz de sempre.
— é, faz um tempo mesmo.
— está finalmente voltando para a cidade? – pergunta empolgado — Darlynda vai adorar saber da notícia.
— não, na verdade eu vim visitar meu irmão. – digo, tentando fingir que não escutei a última parte — ele me disse que foi promovido a xerife, aproveitei que estava com um tempo livre depois de meses e vim fazer uma visita.
Merle faz uma careta engraçada. Pareceu compreender que eu não pretendia falar sobre seu irmão.
— e a faculdade, já está acabando?
Sorrio animada e afirmo.
— último ano, acredita? – ele sorri — Mas e você, juntou os trapos com a Bárbara?
Merle muda a face derrepente e faz uma careta amarga. Hmm, parece que fiz besteira.
— acredita que aquela mulher me abandonou? – levanto as sobrancelhas — sumiu do mapa. Vadia desgraçada.
— poxa, Merle. É uma pena, vocês eram bonitinhos juntos.
— assim como você era com o meu irmão? – pergunta, rolo os olhos e ele dá risada. — ele ta lá fora, se ainda quiser algo...
— isso foi há três anos atrás, Merle. Tenho certeza de que o seu irmão ainda me odeia.
— talvez – murmura — mas foi você quem o deixou para trás, não ele.
— sim, claro. Muito obrigada por me lembrar o óbvio. – ele ri, como quem dizia 'de nada'.
Varamos fora do aeroporto. Avisto o carro de Rick, ele está encostado na porta do carro preto, os braços cruzados, nem me viu ainda.
Me viro para Merle, ele ainda está ao meu lado. Gosto muito desse babaca e eu realmente passaria horas conversando com ele, mas não garanto que não iria lhe dar alguns tapas durante nossos diálogos.
— meu irmão chegou. Foi bom ver você, Merle. – digo, ele sorri sinicamente.
— foi bom ver você também, docinho. Boa sorte na faculdade, estou torcendo por você, garota.
Sorrio gentilmente para ele. Merle Dixon consegue ser gentil quando deseja.
— obrigada, Mer. Prometo que te atendo de graça se algum dia se enfiar em uma enrascada e precisar de cuidados médicos. – ele dá risada — boa vida, Dixon.
— boa vida, Grimes.
Merle e eu pegamos lados opostos, ainda bem. Já pensou se ele e o irmão estivessem parados ao lado do carro de Rick? Eu enfiava minha cara no asfalto. Me aproximo do carro de meu irmão, ele falava ao telefone enquanto estava virado para o outro lado da rua. Paro em sua frente, esperando até que ele me veja e abra um grande sorriso. E foi assim que aconteceu.
— amanhã resolvemos isso, Shane. Hannah acabou de chegar.
Ele desliga o telefone e o colocou em seu bolso, meu irmão abre os braços e me agarra em um abraço apertado e cheio de saudades. Já faz um tempo que não vejo meu irmão, provavelmente quase um ano, já que eu só apareço nas festas de fim de ano e nos aniversários de Carl e antes nos de Camilla, minha sobrinha mais nova.
— vai me matar sufocada, Rick – resmungo enquanto dou risada.
Ele me solta e beija o topo da minha cabeça. Segurou meu rosto entre suas mãos por alguns segundos, sorrindo animado. Amo estar de volta nos braços do meu irmão.
— vamos logo, meu ex está por aqui – resmunguei com pressa. Ele riu, abrindo a porta de trás para colocar minha bagagem.
— Carl queria vir, mas Lori o convenceu de que você só chegaria amanhã de manhã bem cedo.
Solto uma risada.
— já sei que vou ser acordada na base de pulos.
Amo meu sobrinho, amo sua empolgação quando me vê, amo ser recebida por abraços e beijos calorosos, sua vozinha gritando "tia Hannah" sempre aquece meu peito. Carl definitivamente é a parte boa de minhas viagens de volta à cidade. E agora Camila, que se mudou recentemente para cá com a mãe.
— se eu fosse você, trancava a porta antes de dormir – ele diz, colocando minha mala no banco de trás.
— e perder a pérola que será quando ele acordar? – entro no carro, colocando o cinto de segurança — não sou tão má.
Pegamos a estrada até sua casa, não é tão longe, mas nos rende boas conversas. Conto a ele algumas coisas que passei em Atlanta, na faculdade, coisas que ele ficaria feliz em saber. Rick é o mais velho, ele se preocupa demais comigo e sempre, sempre, tenta me trazer de volta para a nossa cidade natal.
A rua está escura, a maioria das casas já tem suas luzes apagadas, menos a de Rick, que tem a luz da sala e varanda ascesas. Ele estaciona o carro na garagem de casa e entramos pela porta da garagem para a sala. A TV está ligada, indicando que tem alguém na sala.
Rick carrega minha mala, andamos em passos silenciosos para não acordar a pimentinha que meu irmão chama de filho. Lori está sentada no sofá, cochilando.
— isto é porque disse que ficaria acordada até eu voltar – ele sussurra, me fazendo rir
Ando nas pontas dos pés até ela e abaixo a cabeça, ficando com a boca bem perto de seu ouvido. Amo pertubar a minha cunhada, é com certeza o meu hobbie favorito. Céus, como eu amo estar em casa.
— seu pior pesadelo chegou, Lô – sussurro, Rick nega com a cabeça e deixa a mala em um canto da sala. Ele vem até nós e me empurra para o lado — ei, me deixe se divertir.
— amor, chegamos – ele diz enquanto toca seu ombro
Lori abre os olhos lentamente, os piscando algumas vezes. Desligo a televisão e ando em direção a cozinha, estou com muita sede. Paro em frente a geladeira, uma foto minha e de Carl está pendurada nela, foi tirada há menos de dois anos, quando eu o levei para passear de barco. A aprecio com carinho, é uma boa lembrança.
De todos os meus momentos em família, os favoritos são ao lado dos dois sobrinhos sapecas que meus irmãos tiveram a bela ideia de me conceder.
— Carl insiste em deixá-la bem ai – ouço, é Lori. Me viro para trás com um sorriso nos lábios enquanto seguro a foto entre meus dedos — bom te ver, Bel.
Ao contrário da maioria, Lori me chama por este apelido. Ela diz que é para que eu me lembre dela todas as vezes que alguém me chame assim, sua estratégia funciona perfeitamente.Ela vem até mim em busca de um abraço da saudade, e é isso que ela ganha.
— soube que não deixou meu sobrinho ir me buscar no aeroporto – impliquei assim que a soltei. — você é má, Lori.
Ela dá risada e me serve um copo de água.
— alguém tem que dizer não ao garoto, dá pra perceber que este alguém não é você ou seu irmão. A mais sensata é a Lara, mas as vezes ela também extrapola os limites.
— eu prefiro ser a tia rica e amada, vocês podem ser os bruxos. Eu sempre serei a fada madrinha que o salva de suas garras – brinco, ela dá risada.
Depois de uma conversa saudável, subimos para o quarto. Apesar de não vir tanto por aqui, eu tenho o meu próprio quarto na casa do meu irmão. Ele fica de frente para o de Carl, são as últimas portas do corredor.
Entreabro a porta do quarto de Carl, ele dorme lindamente em sua cama. Carl tem o sono leve, então não acho uma boa ideia passar para lhe dar um beijo de boa noite. Engulo a minha imensa vontade de beijar suas bochechas rosadas e fecho a porta.
Sábado, 14 de setembro de 2010
A luz do sol ultrapassa as cortinas brancas, iluminando todo o quarto. Olho no relógio ao lado da cama, 8:05 da manhã. Me levanto e vou para o banheiro, escovo os dentes e lavo o rosto, tentando me livrar da cara de sono. Troco o pijama por uma roupa melhor e ainda não passa das oito e vinte.
Desço as escadas silenciosamente, podendo ouvir a voz de Carl e Lori na cozinha. Ainda sonolenta, apareço na porta da cozinha, Rick me vê e sorri, mas Carl está de costas. Ele cutuca o garoto e indica a entrada, o menino se vira rapidamente e o sorriso abre em seu rosto.
— bom dia, família! – falo, o garoto pula da cadeira e corre em minha direção
Ergo os braços, pronta para sua chegada. Carl pega impulso e se atira em meus braços, por pouco ele não cai de cara no chão, mas o garoto não se abala, pois conseguiu o que queria, estar em meu colo.
— você veio – ele comemora, os braços entrelaçados em meu pescoço e a cabeça deitada em meu ombro.
A sensação de tê-lo em meus braços é maravilhosa, mas a ficha caindo de que ele está crescendo e essa provavelmente será a última vez que o pegarei assim, me dói o coração. Afagava seu cabelo macio e brilhoso quando deixei um beijinho em seu rosto.
— claro que sim, eu jamais perderia um evento tão especial.
— filho, deixa a tia Hannah se sentar, você está mais pesado do que a última vez.
Ele escorrega pela minha barriga, alcançando o chão. Cruza os braços e bufa
— mas eu não estou gordo – resmunga ao se sentar
Seguro a risada. Carl não levaria como uma brincadeira, é sentimental igual ao pai.
— não mesmo – me sento ao seu lado, lhe ofereço um sorriso — está forte, forte como um super herói.
Ele sorri e volta a tomar seu café.
— e então? Há que horas começa a festa? – pergunto, colocando café em minha xícara
— Shane ficou de passar no mercado, ele deve chegar antes das dez.
— teremos festa? — Carl pergunta confuso
— apenas um churrasco em comemoração a promoção do seu pai, amor.
— e quem vem?
— Teddy, Shane, Peter e a esposa, sua tia Lara, sua prima Cams e o Andy.
Ao ouvir o último nome, me engasgo com o café. Carl me passa um guardanapo e dá tapas em minhas costas. A indignação subia por mimhas veias feito veneno.
— cuidado, tia. Não pode tomar café tão rápido – ele diz preocupado
Lori segura a risada. Limpo minha boca e bato com as mãos sobre a mesa.
— é sério isso? Andy?
— eu te disse que ela iria surtar – Lori sussurrou ao marido.
Rick suspira, olhando feio para a esposa antes de dirigir sua palavra a mim e tentar se explicar.
— achei que não teria problemas – bebeu seu café, calmo demais. — vocês terminaram há quase cinco anos atrás, pensei que tivessem se resolvido.
— como irei me resolver com alguém como o Andy, Rick? O cara é um mala sem alça – rebato.
— o que é um mala sem alça? – Carl questiona, Lori limpa a garganta, nos lembrando da criança à mesa
— é o Andy, amor. — explico, Lori enfia um pedaço de pão em minha boca para me calar
— agora já é tarde, desmarcar com o Andy assim em cima da hora seria muita falta de respeito.
Bufo e engulo o pão em minha boca, os braços cruzados. Lori ria baixo, Carl ainda estava confuso com o termo "mala sem alça". Havia esquecido que todo dia em uma casa Grimes era uma bagunça.
— nós pelo menos vamos poder usar a piscina? – indaguei, a boca ainda cheia.
— o dia está quente, então eu acho que sim.
Ótimo, pelo menos uma coisa boa por aqui.
Andy é um rolo do passado. Ele e eu ficamos juntos por um ano e meio, era o cara mais romântico que já conheci, um certo dia eu descobri que seus atos românticos eram para recompensar os chifres que ele me dava durante a semana. Ele trabalha com o Rick, está em seu ciclo de amigos desde a academia, era meio óbvio que estaria aqui, eu apenas não me lembrava de sua existência.
A campainha toca. Antes que alguém possa se levantar, Carl sai correndo em direção a sala, sua mãe gritando "não corra", mas ele não parece ouví-la
— meu filho não me obedece mais, que ótimo – ela resmunga
Logo ouvimos a comemoração do garoto, era Shane. Carl idolatra esse homem, é como um tio para ele. Os passos se aproximam, as vozes vão ficando mais altas, e então, eles adentram a cozinha.
— papai, o Shane chegou – ele disse, todo entusiasmado
Não olho para trás, pois sei que ele se dará ao trabalho de me incomodar de alguma forma. Shane e eu somos bons amigos, amigos do tipo que se atacam e se humilham em todo momento. Nosso jeitinho de se amar.
— e quem é essa do cabelo desidratado sentada em sua mesa de jantar, Carl? — ele começa, me fazendo negar enquanto comia meu pão com queijo e presunto
— quem é o portador dessa voz tão fanha e irritante? – me viro, olhando para ele — uau, Shane, é você! – digo, parecendo surpresa
— Hannah, meu Deus! – disse ele, entrando na onda — caramba, você está velha e acabada.
— e você parece um idoso, por isso não reconheci. – brinco, Carl se explode em gargalhadas
Ele bagunça meus cabelos e coloca o pacote de compras em cima do balcão.
— comprei as coisas do churrasco, Andy está trazendo as bebidas e os refrigerantes para as crianças.
Rolo os olhos por ouvir esse nome outra vez. Shane me olha e segura a risada, pronto para fazer uma piada da minha desgraça.
— e o chifre, Hannah? Já caiu, ou ainda tem dificuldade para passar pelas portas? – pergunta, puxando uma banqueta para se sentar.
— no c...
— HANNAH ISABEL GRIMES – Lori gritou, me impedindo de continuar uma frase obscena. — polua a cabeça do meu filho e eu mando ele para morar com você.
— eu nem ia dizer algo poluído – minto, levando a xícara até a boca.
Shane dá risada. Terminamos nosso café e Rick e Shane vão para os fundos, onde fica a área de lazer da casa. Ajudo Lori com a mesa enquanto Carl atrapalha o pai lá fora.
Amo estar em família, amo esse caos que fica quando estou aqui. Carl já me disse que a casa é bem mais alegre quando estou aqui, que a mãe grita bem mais e o pai fica mais contente. Em fim, eu sou a alegria desses pobres infelizes.
— se você se sentir desconfortável com a presença do Andy, ou ele te falar algo que você não goste, é só falar comigo e eu resolvo, está bem? – disse ela enquanto colocava os copos sobre a pia.
— vai expulsar ele com uma vassoura? – brinco, ela nega e encara o rolo de massa, me fazendo rir.
— pode apostar, eu super faria isso.
Lori é super protetora, igual ao meu irmão. Se fosse possível, Rick e ela me protegeriam até do vento. Lembro que, no dia em que cheguei aos prantos em sua porta, dizendo que peguei Andy e Flora no ato. Rick dirigiu até a casa do homem e o presenteou com um belo olho roxo. Não sei como ainda são amigos, Rick não costuma perdoar as pessoas tão facilmente.
Após organizar a cozinha, varamos para o quintal para olhar e irritar os meninos na churrasqueira.
— hey, Shane. Cuidado por ai, podem te confundir e te colocarem na churrasqueira — digo, me sentando na ponta da mesa enquanto Carl dá risada. Ele com certeza adora nossos insultos.
— ouviu isso, Rick? Deve ter algum boi por perto – ele rebate, a mão encostada na orelha.
Rick nega enquanto dá risadas. Com certeza, se eu não fosse da família, Lori já teria me mandado pastar há muito tempo, é cada coisa que falo em frente ao filho dela.
— vou dar o telefone de vocês na escolinha do Carl, assim eles falam direto com vocês quando ele repetir isso para algum coleguinha.
Uma vez, no ano passado, eu falei ao Shane que o caminhão de lixo estava chegando para buscá-lo e levar ele para casa, Carl reproduziu minha fala em sua escola, me gerando um grande problema. O exemplo vem mesmo de casa.
— prometo que vou me esforçar e parar de insultar o seu amigo, Rick. – sorrio falsamente, meu irmão nega sabendo que não é verdade.
A campainha toca, Shane me lança um olhar de "o diabo chegou", me fazendo rolar os olhos. Rick diz que vai atender e que já volta, me pedindo para ajudar Shane a ascender a churrasqueira.
— não me olhe assim, Walsh – resmungo, mantendo o foco na brasa que se ascendia
— ainda sente algo por ele ou seu coração continua sendo daquele caçador?
Continua sendo do caçador
— já encontrou alguém que apague as luzes? – o provoco, ele dá risadas — te peguei nessa, policial.
Não acho que eu ainda tenha sentimentos pelos meus antigos namorados. Já se passaram muitos anos desde que eu decidi ir embora e seguir a minha vida, qualquer sentimento que eu tinha ficou bem aqui, em King County. O problema é que eu estou em King County agora.
Rick e Andy passam pela porta, conversavam aleatoriamente. O fogo finalmente ascendeu e Shane eu comemoramos com um gritinho alegre. Percebi o olhar de Andy sobre mim por alguns segundos, mas ele tratou de mudar sua visão quando meu irmão o acertou com uma cotovelada.
— Andy esqueceu de comprar os refrigerantes – Rick diz, Carl entristeceu o olhar imediatamente — desculpe, filho. Mas temos suco na geladeira.
— não é a mesma coisa – ele murmura tristonho
Carl não toma muito refrigerante, os pais não deixam. Ele só é permitido quando tem festas em casa, então é óbvio que ele ficaria chateado.
— eu posso ir comprar, se quiserem. – me ofereço, percebendo o sorriso nascer nos lábios do pequeno Grimes.
— a gente pode ir no mercado da senhora Davis – ele propõe animado, Lori ri
Rick enfia a mão no bolso, puxando sua carteira. Ele me entrega algumas notas e guarda a carteira outra vez.
— vou levar o Carl comigo – digo, o garoto comemora — e o seu carro também, passa a chave.
Shane bufa, mas me entrega a chave do carro dele. Estico a mão, chamando meu sobrinho, ele vem animado e partimos rumo a garagem da casa.
O mercado da senhora Davis não é tão longe, fica há duas ruas da casa do Rick. Lembro de ir lá toda semana só para jogar conversa fora com a velha senhora, ela me adorava. Já não falo tanto com ela, mal a vejo quando passo pela cidade.
Obrigo Carl a colocar o sinto de segurança e partimos enquanto ele me conta histórias que aconteceu na escola dele. Gosto dos meus diálogos com ele, são sempre muito interessantes, gosto de dar atenção nas histórias dele, acho importante.
Dois minutos e meio, foi o tempo que gastamos para chegar até o mercadinho. Estaciono o carro na beira da calçada e descemos juntos. Adentramos o lugar, Carl me guia até a sessão de congelados.
— quantos devemos levar? – ele pergunta, estava escolhendo os sabores
— acho que você e a Cams não bebem tanto refrigerante, mas é bom levar três, não é? – ele sorri animado
Colocamos os refrigerantes na cesta de compras e andamos em direção o caixa. Ao virar um corredor, dou literalmente de cara com alguém.
— desculpe – digo, o homem estava de costas
— olhe por onde.... – ele se vira, revelando seu rosto
— Daryl?
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top