3

Kin Daikichi

Karube estava ferido depois do jogo. O teimoso do meu irmão resolveu caçar um dos "coisa" e acabou com um corte não tão superficial na altura do fígado. Mas Karube não agiu sozinho, ele teve ajuda do militar e o menino da faixa também ajudaram na caça ao "coisa", mas o menino acabou morto pelo cabeça de cavalo. No fim do jogo o militar fugiu e deixou Karube largado no chão com o corte na pele, o homem musculoso saiu com tanta pressa que deixou seu walkie-talkie para trás. Karube contou que ouviu algo sobre "a praia" através do dispositivo esquecido e que lá haviam outros sobreviventes, outros jogadores e respostas sobre tudo o que está acontecendo. Durante a manhã, Arisu e eu fomos até a Tokyo Gate Bridge o que consideramos poder ser o local da praia. Não encontramos nada. Assim que voltamos para o Shopping, me dei conta da real situação de Chota.

A perna do Chota ficou um tempo exposta ao fogo causando uma queimadura de segundo grau. A recuperação dele demoraria cerca de três semanas, mas Chota não tem o luxo de esperar a perna curar para poder jogar. Ele precisa renovar o visto que acaba hoje. Meu visto tinha sido renovado ontem a noite durante o jogo, ainda tenho dois dias para ficar sem jogar. Karube pediu para que eu não fosse no jogo de hoje a noite e que ficasse no shopping vigiando o walkie-talkie.

– Você está louco! Não vou ficar na reserva para ser babá de uma porcaria de walkie-talkie!

– Você tem que parar de ser teimosa! Você pode achar que está crescida o suficiente, mas eu ainda sou o seu irmão mais velho.

Assim que eu comecei a discordar de Karube, todos se afastaram nos deixando a sós. Mas eu sei que Arisu, Chota e Shibuki estavam escutando tudo e observando cada gesto que um de nós dava.

– Eu não quero deixar você ir para aquela merda de jogo suicida sem mim, Karube! Somos uma dupla.

– Eu sei que somos, Kimmy. – Karube apoiou uma mão no meu ombro. – Mas se você realmente quer que eu fique bem, vai ficar enquanto nós vamos para o jogo.

– Você é impossível!

Tiro a mão do meu irmão com brutalidade do meu ombro e saio bufando para longe dele. Sentei em um canto e enterrei meu rosto nos meus joelhos.

– Podemos conversar? – A voz do Arisu soava receosa. Ousei desenterrar o rosto do joelho olhando para o meu amigo.

– Sim. – Arisu se sentou ao meu lado e abraçou os próprios joelhos.

– Karube está tentando te proteger. – O fuzilei com os olhos. – Olha Kin... você sabe que ele sempre vai tentar te proteger mesmo que você fique com raiva.

– Só não é justo, Arisu. Vocês vão se arriscar por Chota e eu vou ficar aqui com um walkie-talkie. Eu também quero ajudar.

– Sei que quer, mas se vamos ser honestos um com o outro preciso dizer que a escolha não foi só de Karube. Chota e eu também concordamos que seria melhor se você ficasse aqui. Shibuki que não concordou com a ideia.

– E desde quando ela é a favor de alguma coisa que me beneficie? – Arisu jogou a cabeça para trás e deu uma gargalhada.

– Não brigue com o Karube por conta do jogo e não deixe ele ir para o jogo irritada com ele, nem com ninguém. Eu estou com medo de ir, Kin. Tenho certeza que eles também estão.

– Arisu...

– Só fique. Você vai ser só mais um motivo para sairmos vivos daquele jogo.

Encostei minha cabeça no ombro dele e logo Shibuki apareceu com a pose típica de mesquinha e nariz empinado. Me levantei e Arisu pegou na minha mão para se levantar também. Arisu foi até a sacada e Shibuki o acompanhou para fumar seu cigarro. Chota resava sentado no banco enquanto Karube me olhava. Fui até o meu irmão e o abracei sem dizer nada. Depois das pequenas discussões nós sempre nos resolvemos assim, o silêncio também é subestimado.

– Eu amo você. – Karube sussurrou no meu ouvido.

– Também amo você. Por favor, só ganhe o jogo.

– Eu vou fazer o melhor para você.

Karube depositou um beijo na minha testa depois de desfazer o abraço e foi pegar novos curativos para sua ferida. Chota já tinha terminado de rezar e me olhava sorrindo, ele podia estar se esforçando para parecer feliz e bem, mas seus olhos o entregavam. Ele estava com medo. Me sentei ao lado de Chota e segurei sua mão fzzendo carinho com o polegar em seu dorso. Arisu chegou pouco tempo depois sugerindo um almoço de celebração adiantada da vitória do jogo de hoje à noite. Os sorrisos fracos e os olhares tristonhos revelavam que o almoço estava mais para uma despedida do que uma comemoração. Eles acham que um deles não vai conseguir, eles tem medo de ir até a arena mortal.

A noite caiu revelando o céu misterioso carregando consigo as  mais belas e formosas estrelas, mas havia algo de errado naquela calmaria que a noite carregava consigo. Os corpos celestes emanava um brilho forte demais como se avisasse uma tempestade chegando — mas que tipo de tempestade seria essa? — Arisu conseguiu arrumar um par de muletas para ajudar Chota a andar, já que a dor da queimadura recente permanecia. Os acompanhei até o lugar onde o jogo aconteceria, me despedi de todos com abraços apertados e beijos delicados nas bochechas. Me despedi até mesmo de Shibuki. Fiz todos me prometerem não olhar para trás na hora de entrar na arena. Olhar para trás nessas condições seria como uma despedida e eles vão voltar bem do jogo.

Dois, cinco, dez minutos pareciam uma eternidade. Ficar do lado de fora do jogo era torturante. Não vou ficar parada aqui sem fazer nada enquanto eles estão lá se arriscando. Preciso fazer alguma coisa. Começo a andar pelas ruas de Tokyo e ouço o walkie-talkie chiar de dentro do bolso. "Aqui você terá suas respostas". Ótimo, agora onde fica essa porcaria de praia? Começo a andar mais rápido como se eu estivesse tentando ultrapassar alguém na multidão. O walkie-talkie começa a chiar mais uma vez com a porcaria da mesma mensagem, é inútil dizerem que vão ter todas as respostas, mas não dão a maldita localização. Começo a resmungar com o aparelho quando bato com a cabeça em algo duro.

– Ai! – a reclamação se fez em tom de voz masculina.

Esfreguei a minha cabeça com a mão é olhei para onde — na verdade em quem — eu tinha esbarrado. O menino loiro do jogo anterior. Agarrei seu casaco e o puxei para perto antes que ele pudesse fugir ou algo do tipo.

– Está virando costume nos encontrarmos por aí. – Ele disse com um sorriso mínimo estampado em seu rosto e eu o puxei para mais perto quase roçando seu nariz no meu.

– Me deixou sem resposta da última vez. Era você o menino de capuz quando eu estava saindo da empresa, não era?

– Não sei do que você está falando. – Ele disse friamente.

– Não sabe?

Com a minha mão livre, coloquei o capuz no menino e girei seu corpo ficando atrás dele. A mesma altura, mesmo capuz, mesma sensação.

– É você. – abaixei o capuz e ele ainda estava de costas para mim. Como eu queria estar vendo a cara dele nesse exato momento. – Ainda não sabe do que está falando? – Sorri contra sua orelha.

Ele virou para mim e tirou uma de suas mãos do bolso estendendo-a para mim.

– Chishiya.

– Kin. – Apertei sua mão. O walkie-talkie voltou a dizer a mesma mensagem e o menino fitou o aparelho por uns instantes.

– Onde você conseguiu isso?

– No último jogo. Sabe alguma coisa sobre essa tal de praia? – Ele não respondeu.

Chishiya levou seu polegar ao dorso da minha mão fazendo uma pequena e delicada carícia na minha pele. De repente, ele puxou o aparelho da minha mão e começou a correr.

– Seu idiota!

Comecei a correr atrás dele. Durante a  corrida consegui tirar um dos meus sapatos e atirar o calçado nas costas dele. Chishiya diminuiu o ritmo da corrida para me fitar e ver o que tinha atingido suas costas.

– O que diabos foi isso? – Antes que ele pudesse apertar o passo eu já tinha o alcançado. Pulei em cima dele fazendo-o cair no chão.

– Era o meu sapato. – Falei por cima dele.

– Você tem uma boa mira.

– Tenho. Agora me entrega o walkie-talkie.

– Não. – Ele respondeu com uma expressão cínica me fazendo revirar os olhos. Comecei a revistar o corpo dele com as minhas mãos até achar o aparelho.

– Obrigada pela sua não colaboração. – Falei enfiando o dispositivo dentro do meu bolso.

Saí de cima do Chishiya e estiquei o braço para ajudá-lo a levantar. Seu olhar alternava entre meus olhos e ele permanecia deitado no chão. Sacudi meu braço oferecendo ajuda para levantar mais uma vez. Ele aceitou a ajuda. Segurou na minha mão e eu o puxei para que ele ficasse de pé.

– Acho que deveria ter deixado você no chão.

– Acho que você deveria calçar o seu sapato. – Chishiya retrucou. Não achei nada melhor para responder então soltei uma risada nasal baixinha mexendo a cabeça para os lados.

– De fato. – Soltei sua mão e fui até meu sapato jogado no chão e me sentei no asfalto para calçar o mesmo. Quando me levantei Chishiya não estava mais por perto. –  Ele é muito esquisito. – murmurei comigo mesma.

Fui caminhando de volta para o jardim botânico onde o jogo estava acontecendo e nenhum deles estava do lado de fora. Nada. Me sentei no chão. Me levantei. Dei algumas voltas ao redor do local. Nada.

A angústia já parecia fazer parte do meu corpo e a preocupação aumentava a cada segundo. E se nenhum deles sobreviver? E se nenhum deles ganharem o jogo? Meu corpo tremia ao cogitar a possibilidade de nenhum deles sobreviverem ao jogo. Olhei para o céu mais uma vez com a mesma sensação de que alguma tempestade estava por vir. Uma tempestade impetuosa e sombria.

De repete uma figura saiu pela entrada do local. Estava muito escuro para ver de longe quem era. A medida em que eu ia me aproximando, me dei conta que não era Shibuki. Os cabelos não eram cumpridos. Pelo porte, não era Chota. Pela altura, não era Karube. Arisu. Assim que Arisu me viu ele paralisou, corri até ele e procurei por feridas e machucados em seu corpo. Nada além de um borrão escuro espalhado pelo rosto. Fitei a entrada por um bom tempo e ninguém mais saiu de lá. Arisu estava sozinho. Os outros não saíram do jogo

— Vocês estão gostando da história?
— Leriam a do niragi?

(ahh eu atualizo de 5 em 5 dias, as vezes o capítulo pode sair antes, mas a principio 5)

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top