16
(obs: todos os pov's estão acontecendo ao mesmo tempo, os pov's vão se alinhar no fim do capítulo. Esse é o último capítulo.)
Usagi Yuzuha
Todos os jogadores se encontraram no salão principal para esperar as novas instruções do jogo. Todos menos Arisu. Um círculo enorme de pessoas rodiava um cadáver de uma menina com uma faca cravada no peito. A milícia da praia estava tentando intimidar os outros jogadores enquanto aqueles que apareciam no salão se dirigiam em direção da mesa dos celulares.
Peguei dois celulares, um para mim e um para Arisu. Kin pegou um dos aparelhos e se distanciou da multidão. Chishiya estava com ela com um pequeno sorriso no rosto, mas o sorriso não durou por muito tempo. Logo os dois começaram a fazer gestos expressivos demais para ser apenas uma conversa, eles estavam discutindo. Não demorou muito para Kin saísse de perto de Chishiya e fosse em direção do outro lado do salão.
Me pergunto sobre o que brigavam.
– Quem a matou? – Nigari perguntou enquanto circulava o corpo da menina feito um corvo. – Quem fez isso?
O homem de cabelos pretos e piercings levantou a arma em direção das pessoas e começou a apontar para cada um que estava no cômodo da sala.
– Você. – ele apontou para uma menina de blusa amarela. – Ela era sua amiga. Foi você quem a matou?
– O que? Não! – as pessoas começaram a vaiar para ela. – Não fui eu!
Procurei alguém que parecesse ser culpado pela morte dela, mas não vi ninguém. Chishiya e Kin também já não estavam mais por perto. Ann se aproximou do cadáver e retirou a faca do peito dela com certa dificuldade.
– Sua maníaca! – Nigari debochou. – Obcecada por corpos.
Ann nem se deu o trabalho de responder, apenas saiu de perto deixando Nigari falar besteiras.
Aguni deu um passo em direção à menina morta e encarou todos que estavam em seu campo de vista. A milícia da praia se posicionava atrás do líder como malditos guarda-costas.
– Jogo: Bruxa. Objetivo: achar a bruxa e queimá-la na fogueira. – a voz eletrônica ecoou vinda de todos os celulares ao mesmo tempo. – Dificuldade: dez de copas.
– Quem a matou? – Aguni perguntou impaciente antes de puxar a menina de blusa amarela pela gola.
Saí discretamente do salão para não causar nenhuma suspeita e comecei a procurar por Arisu. Ninguém aparentava estar pelos corredores, ninguém aparentava ser a bruxa.
Arisu não estava em nenhum dos quartos no primeiro andar. Onde está você? Um barulho oco e extremamente alto ecoou pelos corredores da praia. Tiros, mais de um.
Arisu Ryōhei
Gritos e tiros ecoavam enquanto eu permanecia amarrado na cadeira e com uma maldita mordaça na minha boca. Se eu tivesse escutado Kin e não confiado no Chishiya...
Comecei a me balançar para frente e para trás na tentativa de conseguir levantar da cadeira. Usei todo o peso do meu corpo para atingir o chão com o maior impacto possível, mas não foi o suficiente para quebrar a madeira da cadeira. Permaneci deitado no chão amarrado.
Usagi Yuzuha
A milícia perdeu a cabeça de vez! Estão matando todos os jogadores e jogando os corpos em uma grande fogueira na orla da piscina.
Corria pelos corredores tentando desviar dos outros jogadores quando percebi que os disparos estavam cada vez mais perto. Entrei no primeiro quarto que vi e me escondi dentro do armário. Não demorou muito para que outros jogadores entrassem aqui também, mas perseguidos pela milícia.
Ouvir uma voz masculina implorar por misericórdia antes de três tiros serem disparados. Tampei a boca com as mãos e prendi a respiração esperando que fossem logo embora com os corpos.
Permaneci em silêncio aguardando.
Chishiya Shuntarō
– Jogo: Bruxa. Objetivo: achar a bruxa e queimá-la na fogueira. – a voz eletrônica ecoou vinda de todos os celulares ao mesmo tempo. – Dificuldade: dez de copas.
A última carta que preciso para sair desse lugar de uma vez por todas. A multidão começou a se agitar e Niragi começou a chamar atenção. Puxei Kuina pelo braço e nos afastamos do salão o mais rápido e discretamente possível.
Fomos até a sala de segurança para observar as câmeras. Kuina começou a mastigar um palito impaciente.
– Você é a bruxa? – perguntei já sabendo a resposta.
– Não. Você?
– Não.
A milícia começou a disparar contra os jogadores desenfreadamente. Animais.
– Vão matar todos até acharem a bruxa. – Kuina murmurou. – Está com as cartas?
– Ainda falta uma.
– Está de brincadeira com a minha cara! – uma voz familiar reclamou atrás de nós.
Sorri sabendo quem era.
Kin Daikichi
– Já estou de saída. – falei fazendo menção em fechar a porta, mas Kuina me chamou.
– Kin! Não saia agora. A milícia perdeu o bom senso!
E quando já tiveram?
– Se eu ficar na mesma sala que ele – falei sem olhar diretamente para Chishiya, mas pude ver com o canto dos olhos o sorriso sumindo de seu rosto – vou acabar o matando.
– Sabe que Arisu participou por conta própria, não sabe? Não o obriguei a fazer isso, assim como não obriguei você a participar.
O ignorei e fui em direção ao monitor, como se Chishiya fosse invisível. Pude sentir Chishiya se aproximar de mim o suficiente para sentir o calor emanado pelo seu corpo, sem nenhum contato físico direto.
– Saia. De. Perto. De. Mim. – silibei ainda olhando para o monitor.
– Kin, olhe para mim.
– Não me diga o que fazer, Chishiya.
– Não estou mandando, estou pedindo.
Delicadamente, ele colocou a mão na minha cintura e me puxou para mais perto segurando a minha blusa. Engoli seco ao sentir sua respiração em minha orelha.
– Meu irmão se sacrificou por ele e você simplesmente usou ele de isca. Arisu é meu melhor amigo, a única família que me restou e você ajudou a tirar isso de mim. – falei com frieza, mas firme.
Ainda sem tirar os olhos do monitor.
– Nada pessoal. – Chishiya sussurrou no meu ouvido causando um leve arrepio. Pude sentir o imbecil sorrindo contra minha orelha. – Danos colaterais.
– Merda. – Kuina murmurou.
Me desvencilhei de Chishiya e o empurrei para longe.
– Dano colateral? Pela mãe! Como você é doente!
Taquei o caderno que estava em cima da mesa nele.
– Eu vou matar você!
Continuei tacando tudo que estava no meu alcance em cima dele enquanto Kuina chegava apenas para trás, se distanciando da confusão.
– Eu odeio você!
Os objetos disponíveis acabaram. Continuei me aproximando de Chishiya, que agora se encontrava contra a parede e levantei a minha mão para dar um tapa pesado nele. Chishiya segurou a minha mão antes que eu desferisse o tapa e me puxou para perto. Tão perto que nossos narizes se encostaram.
– Eu odeio você. – sussurrei.
Chishiya invertou as posições e me prendeu na parede com um pequeno sorriso nos lábios.
– Acho que gosto de você. – ele sussurrou de volta.
– Bem, o problema é seu. Se você acha que por algum momento eu vou deixar de te odiar pelo o que você fez com Arisu, você está completamente errado.
– Pode me odiar. – Chishiya se inclinou para frente deixando uma aproximação ridícula entre nós dois e selou seus lábios contra os meus.
Continuei beijando Chishiya enquanto minhas mãos passeavam pelo seu tronco até o bolso do casaco onde as cartas estavam. Guardei as cartas comigo e mantive o beijo até precisar de ar novamente. Não foi ruim assim. Chishiya permaneceu me olhando e a ponta de seu nariz estava encostada no meu até Kuina chamar a nossa atenção.
– Parem de se agarrar na minha frente e venham ver isso.
Ann estava sendo seguida em direção à um dos quartos pela menina de blusa amarela. As duas andavam muito rápido e pareciam estar tramando alguma coisa.
– Acha que elas são as bruxas? – Kuina perguntou.
– Não. – Respondi. – Não acho que sejam elas, apesar de ser algum traidor na praia. Se eu fosse a bruxa, eu... Eu sei quem é. Kuina, ache Ann e Chishiya, ache Arisu.
Kuina saiu da sala imediatamente me deixando sozinha com ele.
– Se você falhar comigo agora nunca vai conseguir sair desse lugar.
Chishiya percebeu do que eu estava falando e colocou as mãos no bolso a procura das cartas.
– Me diga, Chishiya. Como é a sensação de ser traído? – comecei a caminhar em direção da porta. – Traga o Arisu.
Arisu Ryōhei
A porta se abriu e Usagi entrou no quarto acompanhada de outros jogadores que eu não sabia o nome.
– Arisu!!!
Eles me ajudaram a levantar e me desamarraram da cadeira. Chishiya estava encostado no portal da porta com um sorriso no rosto.
– Não sabe o trabalho que eu tive para chegar até aqui. – Chishiya falou quase inaudível.
Todos os jogadores se encontraram no salão esperando por Ann e Kin. Elas tinham achado a bruxa. A própria menina menina tinha se matado. Um plano praticamente perfeito, mas ela não era a mestre do jogo. Os jogadores queimaram o corpo dela e Chishiya coletou a carta antes de desaparecer por Tokyo.
Chishiya Shuntarō
O desenho que achei em algum dos jogos era um mapa. A estação de metro. Chegamos a estação de metrô e encontramos todos os funcionários mortos. Não tinha ninguém aqui além de Kuina e eu.
Uma iluminação fraca e direcionada como de uma lanterna brilhou no fim do corredor. Usagi, Arisu e Kin.
Kin estava seria e pareceu ficar mais séria ainda quando me viu aqui em baixo. Mostramos as gravações dos funcionários jogando os desafios também antes de perderem a rodada na praia. Todos ficaram em silêncio até Kuina sussurrar no meu ouvido:
– Você devia falar com ela.
Caminhei até Kin e a puxei para longe dos amigos dela. Kuina e Arisu estavam conversando enquanto Usagi escutava tudo atentamente.
– Me beijou apenas para pegar as cartas?
– Para pegar as cartas. – ela confirmou antes de colocar as mãos no meu rosto e me puxar para um beijo.
– E esse?
– Esse foi porque talvez eu goste um pouco de você também.
– Não gosto pouco de você. – sorri.
Um telão se acendeu iluminando a sala inteira. Mira estava sentada em uma cadeira branca quase invisível pelo fundo branco enquanto sorria bizarramente para nós.
–Parabéns jogadores, vocês conseguiram as cartas comuns. Agora está na hora de conseguirem as cartas especiais.
O jogo ainda não acabou.
Infelizmente chegamos ao fim :(
Não quis mudar muita coisa no final em relação a série, porque se a série tiver uma segunda temporada eu pretendo voltar com essa fanfic.
Agradeço todos os comentários, votos e carinho que vocês me deram, de verdade❤️ E desculpem pela demora! Estava quebrando a cabeça tentando decidir se eu iria deixar o final em aberto ou construir um desfecho, acabei optando por deixar mais fiel a série.
Espero que tenham gostado ❤️
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