12

Assim que Chishiya entrou na sala de reuniões se deparou com o menino que enfrentou Niragi mais cedo na orla da piscina. Ele seria uma boa adição ao plano, Chishiya pensou consigo mesmo.

O Chapeleiro estava sentado na beira da grande mesa esperando que a sua "corte" se juntasse a ele.

Chishiya se sentou na penúltima mesa entre Ann e Fuyuki. Não demorou muito para que Mira e os restantes entrassem na sala. O Chapeleiro estava começando a deixar Chishiya irritado por estar constantemente adicionando novos jogadores em sua "corte", apesar do grupo de confiança continuar o mesmo.

– Todos já chegaram. O que estamos esperando? – Ann perguntou de braços cruzados.

– Nem todos. Arisu, onde está a sua amiga? – o jogador número um perguntou colocando seus óculos escuros.

– Qual amiga?

– Kin.

Kin. Ela está no quarto de Chishiya e ninguém sabe que ela está lá e com certeza ela não sabe que deveria estar aqui.

– Não sei. Ela foi festejar e não consegui mais achá-la.

– Fuyuki, vá procurá-la.

– Posso achá-la.

Chishiya se ofereceu ao meio do desespero. Certamente não seria bom para ele se descobrissem que ele e Kin estão agora dividindo um quarto, ainda mais com chances do Chapeleiro descobrir que os dois se conheceram antes dela e os amigos chegarem na praia. Se descobrissem Chishiya perderia a confiança do Chapeleiro e isso seria um empecilho para completar o plano de sair da praia e vencer o jogo.

Chishiya e Kin seriam considerados como traidores por ocultarem informações e os dois seriam mortos. Chishiya não se importa com quem for machucado para a execução do plano, mas de alguma forma ele sentia que não podia deixar Kin pagar pelo seu plano arriscado de fugir. Parte do menino de cabelos loiros quer que Kin vá com ele, algo faz com que os dois continuem se encontrando e isso deixa Chishiya apenas mais intrigado com a menina.

– Sua ajuda é apreciada por mim, Chishiya, mas quero que Fuyuki faça isso. – o menino assentiu em resposta ao jogador número um.

Os nervos começaram a tomar conta do corpo do Chishiya, mesmo que ele não transparecesse suas emoções. Longos minutos de tensão se passaram até Fuyuki voltar para a sala e Kin o acompanhava. Eles descobriram.

– AÍ você está! – o Chapeleiro se levantou. – Por onde esteve?

– No bar. – Kin respondeu seca e Yuki concordou.

– Agora que todos estamos aqui podemos começar o ritual.

Ritual. O Chapeleiro pretendia inserir Arisu e Kin no conselho. O Chapeleiro sorriu ao dizer ritual e no mesmo instante Chishiya percebeu o desconforto de Kin e o pavor ao ouvir o ritual. Ele queria poder dizer que é só uma iniciação meia boca para se juntar ao grupo do Chapeleiro, mas ele precisava se manter indiferente diante da situação.

– Ritual? Não quero participar de ritual nenhum. Eu estava melhor bebendo. – Kin deu um passo para trás fazendo Mira rir.

– Acalme-se, menina. É uma iniciação para fazer parte do conselho.

– E quem disse que eu quero fazer parte disso?

– Apenas lembre-se das regras, Kin.

Ouvir o Chapeleiro ameaçando Kin fez Chishiya encarar o homem com raiva por alguns segundos antes de voltar a se mostrar indeferente a tudo o que estava acontecendo.

– Então faça logo essa merda de iniciação.

O Chapeleiro preferia que ela fosse mais cuidadosa com a escolha de palavras, mas por ele estava tudo bem desde que ela continuasse ajudando com as cartas.

– Arisu, Ann me contou como você conseguiu vencer o jogo e conseguiu uma carta muito importante para nós. Kin, nunca havia visto Mira estar tão impressionada com alguém antes. Mira me contou com detalhes o que aconteceu no jogo e eu preciso admitir estar curioso. Como sabia onde a chave estava?

– A chave só estava em um lugar visível, mas onde ninguém pensaria em procurar.

– E ninguém pensou. Ninguém, menos você. O que mais me surpreendeu foi o fato de você ter jogado com Mira, uma das minhas jogadoras mais inteligentes e perspicazes. Você de alguma forma conseguiu superá-la e com sua ajuda conseguimos a última carta de paus. Obrigada, Kin. Você é uma mulher maravilhosa.

Chishiya se irritou ao ver o modo com que o Chapeleiro sorria ao se dirigir à Kin e como a chamou de maravilhosa. O Chapeleiro estava dando em cima de Kin o que deixou o menino de capuz enjoado. Quem diabos o Chapeleiro pensa que é?

Kin engoliu em seco, o que Chishiya deduziu ser desconforto pela situação. Ann bufou irritada pela demora da iniciação.

– Vamos a iniciação. Conte-nos um segredo embaraçoso.

– É essa a iniciação de vocês? – Kin gargalhou. – Vocês são o que? Um grupo de meninas de quinze anos tentando fazer alguém se inturmar? Por favor!

Arisu deixou escapar uma pequena risada levando uma fuzilada através do olhar vinda do Chapeleiro.

– Minha orelha arde quando eu fico muito tempo no sol.

Kin falou séria arrancando um pequeno sorriso de Chishiya. Kin é meticulosa e ele gosta disso sobre ela.

– É esse o seu segredo? – Ann perguntou desacreditada.

– Sim. Nunca tinha contado para ninguém sobre as minhas orelhas de fogo. – Kin sorriu vitoriosa.

– E você, Arisu? – O Chapeleiro perguntou novamente.

Arisu parecia estar nervoso, não, Arisu estava nervoso. Seu rosto estava completamente vermelho.

– Beijei a Kin!

– Arisu! – Kin repreendeu o amigo, ou seja lá o que ele fosse para ela.

A atenção de todos se voltou para Kin. Chishiya se perguntou o porquê dela ter escolhido Arisu para beijar.

– Seu idiota! Te pedem um segredo e é esse que você conta? Vai contar a história também seu idiota? Deus! Se Karube soubesse, ele iria...

A cor dos olhos de Kin se transformou em um tom de marrom mais fechado, ela parecia estar mais chateada quando as palavras morreram em sua boca.

– Quero escutar a história. – O Chapeleiro se sentou e apoiou as pernas na mesa.

– É, Arisu. Conte a história. – Kin bufou.

– Na oitava série as meninas populares estavam me caçoando por não sair com ninguém e nunca ter beijado ninguém. Kin escutou e ficou furiosa por elas estarem sendo idiotas comigo na frente de várias pessoas e me beijou na frente de todos na escola.

– Foi incrível! – os olhares se voltaram para Kin. – Não me olhe assim.

De alguma forma Kin percebeu o olhar de Chishiya delatando uma pontada de desconforto sobre o beijo dos dois, mas para o restante da sala ela se dirigia a todos. O menino de moletom deixou escapar um pequeno sorriso misturado com um pouco de surpresa por ela estar ficando boa em decifra-lo, pelo menos parte dele.

– Foi incrível ver a Gwen com aquela cara de ganso molhado! Não o beijo.  Foi o pior beijo da minha vida.

– Ei! Também não foi o melhor beijo da minha vida! Foi o seu primeiro beijo. – Arisu rebateu.

– O seu também, idiota. E como pode não ter sido o melhor beijo da sua vida se foi o único?

Os dois eram amigos, estavam apenas se provocando sobre a situação.

– Depois que ela me beijou as meninas pararam de caçoar. Kin era uma das meninas mais bonitas na escola e elas ficaram quietas! Depois comprei um sorvete de desculpa para Kin e ficamos rindo por horas!

– E agora você me deve mais sorvete porque contou para todo mundo aqui.

– Bem. – o Chapeleiro os interrompeu. – Está na hora de conversamos sobre o que viemos conversar. Sejam bem vindos ao conselho.

O Chapeleiro precisava jogar novamente e precisava de ajuda para conseguir vencer o jogo. Todos trocaram ideia enquanto Chishiya e Kin ficaram calados. Os dois trocavam alguns olhares durante a reunião até que Kin chutou sua perna por baixo da mesa fazendo com que Chishiya parasse de olhá-la.

Assim que a reunião acabou os dois se afastaram até a boate e voltaram juntos para o quarto sem serem percebidos por ninguém. Kin vestiu uma blusa bem larga — que parecia praticamente um vestido curto — para dormir.

Chishiya começou a se sentir tenso por tê-la em seu quarto, mas não sabia ao certo o que essa tensão significava.

A menina estava lendo um papel e nem percebeu que Chishiya a observava de cima da cama. As mãos de Kin tremiam ao ler as palavras escritas e a respiração da menina parecia pesar.

– Tem certeza que consegue dormir no chão?

Chishiya perguntou tentando distraí-la do que seja lá que estava escrito no papel. Kin tomou um susto quando a voz de Chishiya preencheu o silêncio no quarto.

– Foi um convite para eu me deitar com você?

A menina sorriu para Chishiya provocando um pequeno arrepio pelo corpo. Ela se levantou do chão se divertindo com a falta de resposta de Chishiya. Ela estava gostando de provocar o menino.

– Não vai responder?

Kin fez menção em se deitar na cama com ele, mas Chishiya apenas deu um pulo e se levantou da cama fazendo Kin rir.

– Só estou brincando! – ela gargalhou. – Não vou dormir com você, não precisa ficar desconfortável. Boa noite, Chishiya.

A menina voltou a se deitar no chão. Chishiya a observou até que ela caísse no sono preocupado com a possibilidade dela não conseguir descansar. Assim que ela dormiu, ele se permitiu descansar também.

Gostaram desse capítulo? Foi um Pov mais focado no Chishiya sem ser ele especificamente narrando. Não quero que ele narre nada (ainda) :)

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