𝗨𝗠🐄

Liam Dunbar🌸

— Se eu vou ter que ir pra esse fim de mundo, pelo menos me deixa levar meu celular — digo ao meu pai enquanto ele carrega a última mala no carro.

— Nós conversamos, Liam. Você está de castigo, o que significa que você também não terá seu telefone. — meu pai fecha o porta-malas do carro e eu olho para ele, braços cruzados, fazendo beicinho. — de qualquer forma, onde estamos indo não há sinal de qualquer maneira, então tanto faz.

Achei que meu fim seria menos doloroso!

Meu pai está indo para a fazenda do meu tio, ele vai pra lá para falar sobre terras que ele comprou ou sei lá o que, e está me levando com ele. Eu insisti mil vezes para ficar em casa, mas meu  pai disse que não vai me deixar sozinho porque estou de castigo e porque sou muito novo para ficar sozinho em casa durante tanto tempo.

Isso é ridículo! Tenho dezessete anos e sei me cuidar, mas o papai pode ser dramático às vezes.

E o motivo de estar de castigo é que algo aconteceu na escola, nada demais...

Tivemos o último teste pré-férias, ninguém estudou, então a gente deu um jeito de pegar o teste na sala dos professores e pegar as respostas da prova. Fizemos isso, deu tudo certo, até que Corey acidentalmente deixou cair no chão as respostas que escreveu e o professor viu.

Ele foi parar na direção da escola e dedurou todos nós, aquele gay homofobico me paga!

Isso fez com que toda a classe ficasse depois da aula, ligaram para os nossos pais e literalmente todos nós ficamos de castigo.

Fui proibido de assistir TV e meu pai confiscou meu telefone, laptop, ipad e até meu telefone reserva para ouvir música. Ele pegou tudo de interessante que eu tinha e ainda está me levando pra esse fim de mundo.

Isso é maus tratos contra uma pobre criança indefesa como eu.

— Pegou tudo? Já vamos partir. — o mais velho disse enquanto checa seus bolsos.

— Esqueci a minha vontade de ir, acho melhor o senhor ir na frente e eu te encontro lá. — posso ver meu pai rir.

— Não precisa ser dramático, Liam. Lá nem é tão ruim assim e ainda tem seus primos, eles tem a sua idade agora. — meu pai entra no carro e entro junto no banco do passageiro.

Eu nunca fui até a fazenda do meu tio, meu pai costumava ir quando eu era pequeno e eu sempre ficava na casa de alguma tia por aqui mesmo. Mas meu pai sempre falou muito do tio Joseph e eu conheço sua família apenas por foto.

Ele tem quatro filhos, cada um ele teve com uma esposa diferente e, portanto, eles são bem diferentes um do outro. Bem diferente mesmo.

— Mas sem meus amigos não vai ter graça, pai — choramingo, enquanto coloco o cinto de segurança.

— Sua mãe ia gostar de ver você visitando o irmão dela, de ver você junto com seus primos... — ele dá partida no carro e me olha de canto.

— Não tenta me comover por causa da mamãe, você sabe que sempre funciona. — ele ri.

Minha mãe morreu no parto, eu não a conheci, mas meu pai fala dela pra mim e sei que ela foi uma mulher incrível.

Meu pai me criou desde sempre, por isso eu e ele somos tão unidos assim, ele sempre esteve comigo e sempre me apoiou nos momentos que eu mais precisei. Sou muito grato por tudo que ele fez e continua fazendo por mim.

— A viagem vai ser longa, enquanto isso vamos ouvir uma música de qualidade — ele liga o rádio e começa tocar um sertanejo mais velho que minha avó.

— Pai, pelo amor de Deus.

— Essa aqui é do meu tempo, você precisa mostrar pros seus amigos depois, o Scott vai adorar — disse ele dançando.

Essa viagem vai ser mais longa do que eu pensei.

...⌛...

— Liam, acorda — abro meus olhos e vejo que estamos parados. — chegamos, bela adormecida. — meu pai diz enquanto eu esfrego meus olhos.

— Já escureceu? — eu pergunto.

Minha bunda tá doendo, por quantas horas eu dormi sentado aqui?

— Você apagou depois que passamos no restaurante — meu velho tira o cinto de segurança. — Olha seu tio lá. — ele disse sorrindo enquanto saia do carro.

Só agora percebi que estamos parados em frente a uma casa grande. Uau, eu não sabia que o tio Joseph era rico.

Joseph! — disse meu pai ao sair do carro com os braços estendidos pronto para abraçar o cara barbudo em sua frente.

— Robert! — meu tio disse, imitando o ato do meu pai.

Desço do carro enquanto vejo os dois se abraçando.

— Esse aqui é o Liam? Minha nossa senhora, como ele cresceu! — meu tio vem até mim sorrindo e me abraça de surpresa.

Meu Deus, ele não podia ser mais delicado não?

— Oi tio — eu abro um sorrisinho — quanto tempo né...

— Os meninos lá dentro, gostariam de te conhecer, falaram sobre o primo deles a semana toda  — ele diz com seu sotaque caipira — vamos entrar.

— Vamos pegar as malas primeiro. — meu pai diz.

— Não esquenta a cabeça, Robert, meu funcionário cuida disso depois. Entrem, vocês devem estar cansados da viagem.

Minhas costas doem, nunca mais vou dormir no carro por cinco horas seguidas.

Meu tio vai direto para sua casa conversando com meu pai e eu sigo os dois.

Esse cheiro de mato me deixa até enjoado.

— Tio Roberto! — uma garota com o cabelo amarrado em uma Maria Chiquinha sai correndo na direção do meu pai assim que o vê e pula em seu colo o abraçando.

— É Robert, sua burra. — um outro garoto alto e magrelo a corrige, vindo em nossa direção. — Eu sou Isaac, muito prazer — ele segura um pedaço de palha entre os dentes e me cumprimenta apertando minha mão e quase quebrando meus dedinhos.

— Oi, eu sou Liam. — digo tentado me libertar de sua mão.

— Olá Kira, tudo bem, querida? — meu pai pergunta enquanto a menina o abraça forte.

— Tudo sim, tio, eu estava com saudades.

O sotaque dessa aí é tão caipira que chega parecer falso.

— Larga do seu tio, menina, deixa ele cumprimentar seus irmãos  — o tio Joseph falou.

— Como você cresceu, Isaac. — meu pai dizia enquanto cumprimentava Isaac.

Vejo um menino e uma menina entrando na sala, o menino parece envergonhado e a menina parece cansada.

— Esse aqui é o Nolan e ela é a Malia — meu tio diz para mim.

Nolan caminha até mim timidamente e estende a mão para mim.

— Oi — ele sorri.

— Gostei da sua pulseira — digo me referindo a pulseira que ele está usando com as cores do arco-íris.

— Obrigado. — ele sorri tímido e sorrio também.

— E aí? — Malia aperta minha mão e enquanto termina de comer uma espiga de milho.

Esses dois não me escondem que também são do vale.

Essas coisas eu posso detectar de longe.

— Cadê o Theo? Quero ajudar os dois com as malas — disse Joseph.

— Foi ver o novo cavalo, já deve tá voltando. — Kira diz.

— Eu vou atrás dele — Isaac diz, passando por nós e indo lá pra fora.

Eu mal cheguei e esse lugar já está acabando com a minha pele. Tem pernilongos pra todo canto.

— Com licença, será que você teria um repelente pra me emprestar? Eu não trouxe nenhum. — peço para o Nolan, quando ele estava prestes a responder a Kira o interrompeu.

— Nois num tem nada disso aqui não, matamos o pernilongos na raça mesmo.

— Que raça? — eu pergunto.

— Me chamou, chefe? — olho para trás e questiono a mim mesmo se morri e fui pro céu. — o Isaac disse que o senhor precisa de mim.

Olhos verdes, cabelo castanho com uma mecha caindo nos olhos, camisa com alguns botões abertos, braço forte, calça apertada marcando as coxas grossas, chapéu e botina... Porra, quem é ele?

— Liam, Robert. Esse é o Theo. — ouço meu tio dizer, mas não consigo tirar os olhos desse homem que... Meu senhor...

— É um prazer. — ele se inclinou para perto de mim e apertou minha mão, olhando para mim ligeiramente.

O sotaque fica melhor nele, muito melhor.

E que pegada...

— É, sim... Um prazer... — eu digo. Devo estar com cara de tonto agora, babando nele feito um cachorrinho.

— Ele trabalha aqui na roça, é meu braço direito. O que vocês precisarem pode falar com ele. — meu tio diz enquanto Theo cumprimenta meu pai e aproveito para dar uma boa olhada pra bunda redondinha dele.

Minha nossa senhora do gay enrustido.

— É, eu com certeza vou precisar muito dele...

Todos me olham confusos.

O que foi?

Eu falei isso em voz alta? AimeuDeus.

— Eu vou precisar muito da ajuda dele com as malas — me apresso em dizer.

— Theo, pode pegar as malas deles no carro? — o tio Joseph falou.

— Eu ajudo. — meu pai diz, indo lá pra fora conversando com meu tio e Theo.

— Você tem um celular? — Kira chegou perto de mim e perguntou.

— Sim, eu tenho.

— Posso ver? — ela pergunta alegremente.

— Para de importunar o menino. — Isaac repreende ela — Cê tá com ele aí? — ele pergunta curioso.

— Eu não trouxe. Mas, vocês não tem um celular?

— Claro que não, bobinho — Kira diz como se fosse óbvio.

— Não vende essas coisas aqui, e o papai quase não deixa a gente ir até a cidade. — Nolan falou.

— Que triste. O que vocês fazem por aqui então? — pergunto incrédulo.

— Tiramos leite da vaca, cuidamos dos porco, das galinha, cavalgamo por aí, tomamo banho no rio... muitas coisas — Isaac diz.

— Ah...

Aonde eu vim parar?

— Liam, o Theo vai te levar pro seu quarto — meu tio volta com os dois e Theo está segurando minhas três malas. — Isaac, vai ver se a janta tá pronta enquanto eu mostro a casa pro seu tio.

— É lá em cima — Theo olha pra mim e aponta para as escadas.

Assenti e paramos em frente a escada e ele espera para que eu suba na frente. Essas escadas são enormes, só subi um degrau e já estou cansado.

— Ocê tem bastante roupa, né? — ouço Theo dizer atrás de mim enquanto carrega minhas malas.

— Eu não fazia ideia do que trazer pra roça, foi difícil encontrar algum look que combinasse, sabe? — digo.

— Ah...

— Você quer que eu... — paro de andar e quando olho para trás, Theo fica extremamente sem graça e desvia o olhar rapidamente.

Esse cowboy safado estava olhando pra minha bunda.

Solto uma risadinha e finjo que não percebi.

— Quer ajuda com as malas? — pergunto.

— Eu dou conta — ele diz.

Pode olhar o quanto quiser, Theozinho. Se quiser tocar também...

Depois que subimos as escadas, Theo pegou a frente do corredor e caminhou até o final, parando na última porta e abrindo-a.

— Obrigado. — digo enquanto ele deixa minhas malas no chão e olho em volta.

O quarto é pequeno, comparado ao meu quarto lá de casa. Mas pelo menos tem uma cama grande, tem um guarda roupa caindo aos pedaços que eu nem me atrevo a encostar ali, se eu abrir essa coisa eu tenho certeza que os morcegos que dormem lá dentro vão me atacar.

Ele também tem um ventilador antigo, uma porta que pode ser um banheiro e uma pequena mesa com um pequeno rádio.

Eu nem sei como se usa um rádio desses.

— Deixa eu te perguntar uma coisa, aqui tem água quente né? Eu tô morto e preciso mesmo de um banho quentinho pra me relaxar e... — ele me interrompe.

— Eu tenho que ir, boa noite. — ele diz simples, sai do quarto me deixando falar sozinho praticamente.

Ok...

Bem grosseiro da parte dele, mas ele é um gostoso.

Passar minhas férias nesse fim de mundo é tudo que eu não quero, mas não tenho outra escolha.

Eu espero que esses três meses passem logo, não vou tolerar ficar neste lugar com esse barulho insuportável de grilo lá fora.

•🐄•

Oii tudo bem com vocês?

Vazaram fotos do Liam chegando na fazenda:

Me contem o que acharam do primeiro capítulo.🥰

Deixe o seu voto se puder. Te vejo no próximo capítulo!

;; Um beijo procês, tchauu.🤠

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