𝗧𝗥𝗘̂𝗦🐄

Theo Raeken🐎

Azedou o pé do frango!

O mauricinho saiu daqui puto da vida depois de ter caído na lama da Mimosa, ainda jurando nois tudo de morte.

O Nolan tá com medo do baixinho ter ficado zangado, mas nois num tem culpa dele ser estabanado dum tanto que caiu nas lama.

Foi engraçado ver ele bravo por conta de que sujou as roupa cara dele, ele fico ainda mais bravo de ver nois cascando o bico da cara dele.

Ele é engraçado, diferente dos menino que já vieram aqui, até pinta as unha.

— Ocê tá bem? — perguntei, vendo ele me olhando com uma cara de bobo.

Depois que ele se estabacou na lama eu encontrei o brinco dele lá no meio, ele deve ter deixado cair e nem se deu conta. Mesmo no meio da lama ainda brilhava feito diamante, a Malia acha que é falso, mas o Isaac jura que é diamante porque viu um igualzinho em uma das madame que vem pra cá compra terra.

Eu limpei seu brinco e subi no quarto dele pra devolver. Ele abriu a porta e tava só com uma toalha amarrada na cintura e com o rosto ainda sujo de lama.

O mauricinho até que é bonitinho.

Não que eu repare nos rapaz, eu não faço isso.

— Já estive melhor — Liam respondeu.

Ele fica me olhando de um jeito esquisito.

— Ocê deixou cair isso aqui. — mostro pra ele o brinco e ele coloca a mão na orelha.

— Meu Deus, eu nem percebi que caiu. — entrego pra ele.

— Tava no meio das lama dos porco, por sorte eu achei.

— Theo, muito obrigado. — ele se aproxima de mim e faz um biquinho com os lábios.

— O que tá fazendo? — eu me afasto atordoado com a ação.

—  Te agradecendo. — ele diz simples.

— Me beijando?

— Na bochecha, seu bobo. Relaxa, gato. — ele ri e se afasta.

— Ocê é estranho… — murmurei.

— Já me disseram muito isso.

Minha nossa senhora, por que eu não consigo parar de olhar pro corpo dele?

— Eu já vou indo — digo.

— Obrigado mais uma vez. Se eu puder te recompensar de alguma forma é só me dizer. — ele abre um sorrisinho e desce o olhar pelo meu corpo.

Esse menino me deixa sem graça, me olha feito as moça da roça.

— Num precisa de nada não. — eu dei um passo pra trás.

— É um brinco muito importante pra mim, se eu perdesse eu ficaria bem chateado…

— Mas não perdeu. Tenha um bom dia.

— Não precisa fugir de mim, Theo, eu não mordo — ele dá uma piscadela pra mim, me deixando surpreso.

Saio andando em outra direção e ouço ele rir.

Esse filho do comprador é pra lá de doido.

É melhor eu ficar longe dele o máximo que der.

…⌛…

Já é noite. Hoje eu tive bastante trabalho na roça e tô faminto.

O seu Zé me deixa comer na casa todo dia, o que é bão demais já que a comida da dona Vilma é a melhor do mundo.

— Senta direito, menina. —  o patrão briga com a Malia enquanto ela se senta à mesa.

— Malia senta igual macho. — Isaac zomba dela e Kira começa a rir.

Malia dá o dedo do meio pra ele que devolve na mesma hora.

— Ocês dois para com isso! — o patrão briga com os dois — Trate de se comportar que nois tá com visita.

— É o Isaac que começa. — Malia diz brava.

Esses três vive brigando, o Nolan é o único mais quieto dos três.

— Boa noite. — o pai do mauricinho aparece na sala de jantar junto com o filho.

— Estávamos esperando ocês, o jantar já tá pronto. — o patrão diz enquanto Robert se senta ao lado dele e Liam vem pro meu lado.

O Liam ainda tá com cara de emburrado, mas o cheiro de porco saiu dele, ele tá cherozin.

— Eu e Liam estávamos tendo uma conversa — Robert diz enquanto o pessoal começa a se servir.

— E tá tudo bem? — chefe pergunta.

— Tudo bem, tio Joseph — Liam diz.

— Não precisa dessa formalidade, sobrinho. Pode me chama de tio Zé!

— Ah, tudo bem tio Zé. — ele dá um sorrisinho com aquela cara de antipático dele.

— Liam, nois queria se desculpa pelo que aconteceu lá nos porco. Nois num devia ter rido docê e nois tá se desculpando por isso. — Kira diz acanhada.

— Tudo bem, Kira. Eu me irritei na hora mas não era pra tanto. — Liam diz.

O pai deve ter brigado com ele, por isso que tá com o rabinho entre as perna agora.

— Theo, eu preciso que ocê vá na cidade pra mim amanhã comprar uns trem que tá faltando. A Vilma fez uma lista e ocê trate de pega com ela depois da janta. — o patrão diz.

— Sim, senhor.

— Você vai na cidade? Eu posso ir também? Eu posso te ajudar com as compras. — Liam oferece.

— Não precisa, eu dou conta. — digo.

— Eu quero conhecer a cidade, pai eu posso ir com ele? — Liam pede ao seu pai.

Que menino mais teimoso.

— Por mim tudo bem, desde que não dê trabalho ao Theo. — o pai dele diz.

— Eu não sou mais criança, pai. — Liam reclama.

— Vai ser bom procê dar uma volta por aí, conhecer mais o lugar... Amanhã depois do café eu dou a chave da caminhonete procês sair. — o patrão diz decidido.

E minha opinião num conta? Eu não quero ficar pra cima e pra baixo com o mauricinho não.

...⌛...

No dia seguinte👨🏻‍🌾📅

— A lista tá aqui, as coisa mais importante tá em cima que é procê num esquecer. — o patrão me entrega outro papel com tudo que é pra comprar e a chave da caminhonete. — E cuida do menino Liam, ele é pequeno demais e é capaz docê perde ele no meio do povo. — eu rio um pouco.

Baixinho do jeito que é, eu não duvido.

— Podemos ir? Eu quero ver se encontro alguma coisa útil pra mim na cidade. — Liam diz entrando na cozinha.

Ele usa umas roupa esquisita, mas fica bem nele.

— Vocês podem ir, voltem antes do almoço porque a Vilma vai estar esperando vocês pra cozinhar.

O Zé diz enquanto saímos da cozinha.

— Ei, aonde você dorme? — Liam pergunta enquanto andamos — Eu não vejo você aqui a noite e nem de manhã.

— Eu tenho uma casinha aqui perto. — digo, indo na frente e abrindo a porta da caminhonete.

— Você mora sozinho? — abro a porta da caminhonete e ele me olha curioso.

— Por quê?

— Não sei, eu só… quero saber. — ele entrou no banco do passageiro e entro no motorista.

— Coloca o cinto. — digo, vejo ele fazer uma careta.

— Theo, obrigado mais uma vez pelo brinco. — ele diz enquanto dou partida.

— Não precisa me agradecer tanto.

— Preciso sim, esse brinco é muito importante pra mim e se eu perdesse não sei o que  faria. — ele ajeita seu cabelo enquanto olha para o espelho do carro. — Era da minha mãe. Ela morreu quando dava a luz a mim e eu não pude conhece-la. Meu pai disse que ela adorava esses brincos e eu me apaixonei por eles quando os vi, meu pai diz que ela ficaria feliz se me visse usando eles. — Liam sorri.

— Sinto muito por sua mãe. — digo.

— Tudo bem, sei que as coisas acontecem por algum motivo mesmo que as vezes a gente não entenda. — ele diz.

Ele suspira.

— E você? Trabalha pro meu tio há muito tempo? — ele me pergunta.

— Tô aqui desde pequeno. — digo, ele me olha curioso.

— Você trabalha desde pequeno? Meu Deus, bicha, você sabe que trabalho infantil é crime né? O meu tio é... — o interrompi.

— Do que ocê me chamou?

— Eu?

— É, ocê memo. Me chamou de bicha. — Liam ri.

Sujeitinho mais abusado.

— É costume meu chamar as pessoas assim, relaxa gato. — bufo irritado.

— Ocê trate de parar com isso, se o patrão ouvir ocê falando essas coisa vai dar ruim pro seu lado. E para de me chamar de gato também. — digo. Esse menino me deixa todo desconcertado.

— Você quer que eu pare porque não gosta ou porque tem medo que as outras pessoas ouçam?

— E faz diferença? Só para e pronto.

— O que as outras pessoas pensam é problema delas, não deveria se importar tanto com isso, é besteira. — Liam diz.

Ele fala como se fosse simples.

— E sabe de uma coisa? Eu acho que..

Ele para de falar quando ligo o rádio da caminhonete no volume mais alto. Eu não quero falar dessas coisa não.

Não demorou muito pra chegarmos na cidadezinha, o mauricinho ficou quieto depois que liguei o rádio, agora sei o jeito dele ficar de bico fechado.

— Eu vou comprar as coisas do almoço primeiro, se quiser esperar no carro fica aí.

— Tá maluco? Não vou ficar dentro desse carro cozinhando no sol e ainda sozinho. — ele desce do carro rapidamente quando me vê descendo também.

— Tem medo de ficar sozinho? — ele me olha indignado.

— Está rindo do que? Claro que não tenho, só quero conhecer a cidade também. — ele fecha a porta do carro. — Sabe onde vende protetor solar, repelente, protetor labial, gloss, creme corporal e prendedor de cabelo?

— Como é que eu vou saber?

— Você mora aqui, deveria saber onde vende as coisas. — ele diz.

— Mas eu não uso essas coisa não. Óia, eu vou comprar o que tá na lista e ocê procura o que cê quer. — vou andando na frente mas ele segura meu braço.

— Espera aí, eu não quero ficar sozinho. Me deixa te fazer companhia e eu juro que fico caladinho. — ele tá com uma cara de cachorro que caiu do caminhão de mudança.

— Toma. — entrego uma das listas pra ele — Ocê lê as coisa e eu vou pegando.

Entramos no mercadinho e só agora percebo que ele ainda tá agarrado no meu braço.

— Posso fazer uma pergunta? — pergunto. Ele me olha surpreso e afasto meu braço.

— Quantas você quiser, baby.

— A cidade é grande assim como o povo fala?

Liam abre um pequeno sorriso pra mim.

— É sim, grande e cheia de prédios. Você nunca foi pra cidade? — nego com a cabeça.

— Eu sempre quis ir, mas nunca tive condição e nem oportunidade. Eu trabalho muito aqui na roça, não tô reclamando, eu gosto do que faço, mas meu sonho mesmo é morar na cidade.

— Sério? Ai que fofo, seus olhinhos brilham quando você fala da cidade. Por que nunca pediu pro Joseph te dar um aumento pra você conhecer a cidade grande?

— Seria muito abuso da minha parte, ele já faz muito por mim e eu ainda peço aumento? Não, não... — pego um carrinho de supermercado.

— Eu gosto da cidade, eu nunca vim pro campo então não estou nem um pouco acostumado com tudo aqui e isso é nítido. Mas ainda acho que você deveria pedir ajuda do Joseph pra realizar seu sonho, você podia até morar por lá, quantos anos você tem?

— 19 — respondi.

— Meu senhor, ainda é um neném. — ele quase se derrete enquanto fala.

— Ocê tem que idade?

— 17.

— E eu sou bebê?

Liam ri.

— Vamo pega as coisa logo, daqui a pouco nois tem que volta pra fazenda. — digo, mas Liam continua falando.

…⌛…

— Puta merda, está tão calor que eu acho que estou prestes a derreter. — Liam diz enquanto colocamos a última sacola no carro.

Nós fizemos as compras das duas listas. Três, porque Liam comprou um monte de coisa pra ele, agora pude crer memo que ele é rico igual Isaac comentou com nois.

Comprou tanta bobagem e ainda queria pegar mais, mas não deixei porque se ficassemos mais tempo a gente ia se atrasar pro almoço.

— E olha que hoje nem tá tão quente, já teve dia pior que isso. — digo, enquanto entramos na caminhonete.

— Como vocês aguentam? Eu estou suando por lugares que eu nem sabia que dava pra suar. Esse carro não tem ar condicionado?

— Se quiser vento abre a janela. — digo, abrindo uma garrafinha d'água que compramos.

— Eu precisava mesmo era de um ar condicionado, mas já que só tem isso...

Abro um pouco os botões da minha camisa e tomo um gole d'água, um pouco da água escorre pelo meu peito e isso acaba me refrescando um pouco.

— Acho que não é só a temperatura que tá subindo aqui não... — me engasgo quando ouço Liam dizer.

Olho para ele e percebo que ele estava me olhando esse tempo todo.

— Eu falei em voz alta né? Liam, se controla, garoto. — ele começa a resmungar, suas bochechas estão vermelhas e não tenho certeza se é só por causa do calor.

— Vamo logo pra casa, né? É melhor... — digo, dando partida no carro.

— Só não coloca aquele sertanejo de novo, pelo amor de Beyoncé.

— Pelo amor de quem?

— Já usei muito o nome do senhor em vão essa semana. — ele olha para o céu — Você e meu pai tem o mesmo gosto péssimo pra música.

Ele é bom em mudar de assunto e fingir que não falou uma baita besteira agora pouco.

— Meu sertanejo é melhor do que suas música da cidade. — digo, vendo ele colocar o cinto de segurança e faço o mesmo.

— Você diz isso porque nunca ouviu Harry Styles. — Liam se ajeita no banco.

— Não ouço nada que eu não saiba pronunciar o nome. — Liam começou a rir.

Eu gosto da risada dele.

— Somos muito diferentes um do outro. — digo, Liam nega.

— Temos uma coisa muito em comum.

— O que é? — pergunto.

— Ah, você sabe.

— Não sei não.

— Gostamos da mesma coisa.

Ele mal me conhece e já acha que sabe tudo sobre mim, esse pessoal da cidade pode ser bem abusado as vezes.

— Toma um pouco de água. — entrego a garrafinha pra ele.

Assim ele fica quieto e para de falar bobagem.

Ligo o rádio novamente e Liam volta a ficar indignado.

— O que foi que eu fiz pra merecer isso? Eu devo ter feito striptease na cruz na minha vida passada, ou algo do tipo. Como pode alguém sofrer tanto assim? — Liam reclama enquanto olha para o céu.

E assim ele foi reclamando o caminho todo.

•🐄•

Oii como vocês estão?

Me contem o que acharam do capítulo e deixem o seu voto.🥰

Vejo vocês no próximo capítulo.🌈

;; Um beijo procês, tchauu🤠

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