Capítulo 40
- O QUÊ?
Minha mente tenta raciocinar, mas sem sucesso.
- Por favor, Ash, diga que isso é uma piada! E de muito mal gosto.
- Infelizmente não é, Clara. - Viro-me ao ouvir a voz do meu namorado. Caminho lentamente em sua direção até ficarmos frente a frente. Ele está vestido, lindamente, com um terno Armani cinza com as mãos nos bolsos da calça. Olho além dele, afim de raciocinar melhor.
- Vocês irão ficar com o gato? - Pergunto em um sussurro. Ele suspira e olho para os pés.
- Ainda não sabemos, amor. Não somos apenas nós agora. - Diz a última parte me encarando. Sem saber o que falar ou fazer, respiro fundo e caminho para o corredor.
- Eu preciso me arrumar! Por favor não me esperem! - Digo curta e um pouco grossa. Antes de sair da sala viro-me e direciono a palavra ao meu namorado - Ah! Assim que sair, feche a porta da varanda por favor. - Volto a caminha sem esperar sua resposta.
Entro no quarto e bato a porta com uma força além do necessário.
- Droga! - Bato em minha testa percebendo a burrada que eu tinha acabado de fazer. Abro a porta e retorno para a sala, mas ele não estava mais lá. Ash me olha com um olhar reprovador.
- Por favor, não diga nada! - Respirei fundo - Avise à Meg que chegarei atrasada hoje, depois me acerto com ela. - Minha amiga assente e sai do apartamento sem dizer nada.
***
- Você precisava ter visto a carinha dele, Lauren! Foi de cortar o coração! - Ashley contava à nossa amiga o episódio de hoje.
- Coitado do meu primo, Ana! Ele nem decidiu nada, e pelo visto por sua causa! - Diz tomando um gole de sua bebida.
- Vocês querem parar de me deixar pior? - Digo chateada.
Ashley bufa.
- Lau, preciso fazer umas compras após o expediente, você gostaria de me acompanhar?
- Claro, amiga! Compras é o meu sobrenome! - A morena diz animada.
- E eu não recebo o convite? - Pergunto emburrada.
- Não! - As duas respondem juntas me fazendo arregalar os olhos.
- Você irá se acertar com o senhor bonitão! - Ashley diz seriamente.
- Tudo bem! - Levanto da mesa e pego minha bolsa - Nos vemos depois. - Pago a minha parte da conta e saio do restaurante.
Caminho alienadamente pelo Central Park. Vejo alguns casais correndo juntos, outros sentados conversando e pessoas simplesmente fazendo seus caminhos. Suspiro, ainda mais chateada comigo. Aproximo-me do lago e decido sentar em um dos bancos. Pego o celular dentro da bolsa e fico brincando com ele entre minhas mãos, decidindo se eu deveria ligar ou não para ele. Por fim, não precisei ficar muito tempo nessa dúvida, pois o celular começou a tocar.
Suspiro pesadamente e atendo a ligação.
- Hey! - Digo um pouco sem graça.
- Oi! - Sua voz está indecifrável, principalmente por conta do barulho dos dois lados da linha.
- Eu... Eu queria - Começo a puxar, nervosamente, alguns fiapos da minha bolsa - Eu queria conversar com você.
- Assim você vai estragar a sua bolsa. - Diz com um tom zombeteiro. Imediatamente olho para os lados, e sentado ao meu lado esquerdo, a alguns bancos de distância, está o meu namorado sorrindo fracamente. Desligo a ligação e me aproximo dele. Assim que chego, sento ao seu lado olhando para o lago - Eu sinto muito pela forma como te tratei hoje, Roy! - Viro-me para ele - Perdão!
- Ei, está tudo bem, amor! - Diz segurando minha mão que, sem eu perceber, estava arrancando os fiapos da bolsa novamente - Eu te perdoo! - Diz me oferecendo um doce sorriso.
- Eu só fiquei assustada pela descoberta, Ro. Você sabe o meu pavor por gatos! - Digo séria.
- Eu sei, Clara! - Diz colocando um fio de cabelo rebelde atrás da minha orelha - Ou você esqueceu que eu precisei te levar para o hospital devido o incidente com o Cookie?
- Sim... - Volto meu olhar para o lago - Mas eu não sou egoísta, Roy! Eu sei como a Emily p, e até mesmo você, gostam desse... desse gato. Sem contar que agora ele está sozinho, e pelo visto já escolheu vocês para serem seus novos donos. - Jogo minha cabeça para trás - Eu só não sei o que eu farei.
- Meu amor, você tem razão ao dizer que gostamos muito do Cookie! Mas ele não é mais importante que a nossa maravilhosa vizinha! - Olho para ele - Nós te amamos, linda, e com toda certeza não te trocaríamos por um gatinho inofensivo.
Encosto minha cabeça em seu ombro.
- Às vezes eu fico pensando se um dia conseguirei vencer essa fobia...
Sinto a mão de Roy puxar meu queixo para cima afim de que eu o olhasse.
- Você vai conseguir! - Diz firme - Se você decidir que quer vencer esse medo, eu serei o primeiro a estar ao seu lado te ajudando! Ou melhor, o segundo, pois O primeiro nunca te deixou sozinha. - Sinto as lágrimas tentando embaçar minha visão, mas pisco algumas vezes para impedi-las.
- Eu te amo, Roy! Obrigada por estar sempre ao meu lado! - Coloco minha cabeça em seu ombro novamente - Acho que posso tentar.
- O quê? - Questiona sem entender.
- Acho que posso tentar conviver com o Cookie. Não deve ser tão difícil assim.
- Assim que se diz, linda! - Deposita um beijo em minha cabeça.
Ficamos mais alguns minutos conversando até que precisamos voltar para os nossos trabalhos.
Por volta das 5:00 p.m. Megan aparece em minha sala com mais alguns tecidos e croquis para que eu analisasse e desse os toques finais em alguns looks. Daqui a duas semanas seria a New York Fashion Week. Minha segunda NYFW. A empresa costumava ficar movimentada até depois das cinco, mas hoje estava um pouco mais silenciosa que o normal. Precisei ficar além do horário, pois cheguei quase uma hora atrasada, mas já sabia que isso iria acontecer.
Quando o relógio marcou 6 horas, arrumei minhas coisas e desci.
- Que cara é essa, senhorita Bianchi? - Pergunta o segurança rechonchudo.
- Essa é a minha cara de cansada, muito prazer! - Digo sem humor.
- Nossa... Acho que está precisando de uma boa piada. - Balanço a cabeça negativamente - Como se chamam os seguranças que trabalham do lado de fora da Samsung?
- Não faço a menor ideia, Kevin! - Digo sem paciência.
- São os Guardiões do Galaxy! - Respondeu rindo da própria piada.
- É... Depois dessa eu realmente preciso ir! Boa noite, Kevin!
- Boa noite, Ana!
Pego meu carro e em menos de 20 minutos chego em casa. Vou direto para o banho. Tudo o que eu mais quero nesse momento é algo para encher minha barriga e partiu cama. Ainda não tinha descansado totalmente da viagem.
Após o banho pego meu celular e vejo uma mensagem de Roy dizendo que passaria aqui em casa às 7:00 p.m. Quando olho no relógio percebo que ele deve chegar em menos de cinco minutos.
Vou até a sala e destranco a porta da varanda. Depois corro para o quarto, pois precisava colocar uma roupa mais apresentável. Escolho um vestido longo de alcinha, passo um batom clarinho e deixo meus cabelos soltos.
- Amor? - Escuto a voz de Roy vindo da sala.
- Já estou indo, meu bem! - Respondo da porta do quarto. Volto para o closet, coloco uma rasteirinha, os brincos que ele me deu no natal e caminho para a sala.
- Isso tudo é para ficar em casa? - Ergue as sobrancelhas.
- Exagerei? - Pergunto assustada.
- Você está linda, meu amor! - Diz me dando um selinho em seguida - Vem, tenho uma coisa para te mostrar.
- O que é?
- Deixa de ser curiosa, minha gatinha! - Seguimos pela varanda.
- Não suporto esse apelido - Sussurro.
- Mentira! Eu seu que você gosta! - Olha para trás me encarando - Seu rosto vermelho te denuncia. - Pisca para mim e vira para frente.
Chegando em sua porta percebo algo estranho, as luzes nunca ficavam apagadas.
- Nossa, sua casa está tã... - Mas não consigo terminar, pois na hora as luzes são acesas.
- SURPRESA! - Pulo colocando a mão no peito ao escutar os gritos dos meus amigos.
- Uau! - Digo após recuperar o fôlego - O que é isso tudo? - Questiono olhando para Roy, mas quem responde é o Evans.
- Ora, Ana! Achou mesmo que deixaríamos de comemorar o seu aniversário? - Veio me dar um abraço.
- Vocês são incríveis! Estou realmente surpresa! Muito obrigada, pessoal! - Digo sem tirar o sorriso dos lábios. Olho ao redor analisando cada rosto conhecido por mim, até que paro em um específico - Até você, Meg?
- Por que você acha que ignorei seu atraso, docinho? Quanto mais tarde chegasse em casa, melhor! - Sorri me entregando um embrulho.
Cumprimento todos os meus amigos, até mesmo Charlotte, Dominic e David que estavam presentes via chamada de vídeo. Depois de um tempo batendo altos papos e colocando a conversa em dia, sinto falta de uma pessoinha. Vou até Roy, que fala animadamente com Ev e Thom.
- Desculpe interromper a conversa, rapazes. - Olho para o meu namorado - Amor, onde está a Emily?
- Ela deve estar no quarto, mas se eu fosse você, não iria lá sozinha. - Logo compreendo o porquê.
- Cookie... - Ele confirma com a cabeça.
- Vamos, eu vou com você. - Pede licença aos nossos amigos e me acompanha até o quarto de sua irmã. Assim que ele abre a porta vemos a pequena de costas para nós completamente distraída - Em, o que está...
Assim que ela vira em nossa direção, com cara de quem foi pego fazendo arte, vemos o pobre gato vestindo uma espécie de... não faço ideia do quê. Não pude conter a risada.
- Querida, o que você está fazendo com o pobre animal?- Pergunto em meio às risadas - Ele até que ficou fofinho parecendo uma florzinha.
- Amor, fico feliz que esteja achando graça, mas se você me apertar mais um pouco eu posso ficar com algum hematoma no braço. - Roy diz olhando para o seu braço. Acompanho seu olhar e logo percebo que, devido a fobia, o medo fixado em meu subconsciente fez com que eu agarrasse o homem ao meu lado com toda a força do meu ser.
- Perdão, Ro! - Solto seu braço - Força do hábito. - Dou uma risadinha sem graça colocando as mãos atrás do corpo. Ele esfrega o local com uma careta no rosto.
- Então, mocinha, por que você colocou isso no Cookie? - Ele pergunta à irmã
- É o meu arquinho da fantasia de primavera. Achei que ficaria fofinho! - Dito isso, abraçou o gato tão forte que o felino soltou um miado que fez os pelos do meu corpo se arrepiarem. Dei alguns passos para trás, mas fui impedida por Roy, que me abraçou fortemente.
- Tire isso dele e venha conosco, Emily! - Ordena - Está acontecendo uma festa em nossa casa e você está se isolando.
- Mas, Ro, não tem crianças aqui! Está chato! - Bufa soltando o gato, que segue para sua cama. Uau, ele já tem até uma cama! Penso comigo.
- Ela tem razão, amor, não tem nenhuma criança para brincar com ela. Isso é horrível! - Sussurro.
- Eu sei, mas ela não pode ficar isolada, Clara! - Assinto em silêncio e logo a pequena vem em nossa direção.
- Hey, não fica assim! Vamos encontrar algo divertido para fazermos. - Tento anima-la, sem sucesso.
- Aí está ela! - Ashley diz ao chegarmos na sala - Está na hora do parabéns!
- OBA! - Emily pula batendo palminhas.
- Acho que agora ela saiu do tédio - Sussurro para Roy que concorda dando risada da irmã.
>>>><<<<
Será que a Ana conseguirá vencer sua fobia?? O que acha?
Amanhã tem mais, pessoal!!
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Boa semana a todos!!
Att.
NAP 😘
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