Capítulo 31
Seis semanas se passaram desde o ano novo. Charlotte e Emily foram para a França bem no início de janeiro. O aniversário da pequena foi há uma semana, e infelizmente não estava com ela, o que a deixou bem triste. Lauren já estava instalada em New York e morávamos no mesmo bairro.
Desde o incidente com o Mike, Ashley passou a morar comigo, e assim que ela conseguisse um apartamento, se mudaria. Minha amiga ainda estava bem abalada, mas a cada dia parecia estar superando. Há uma semana ela aceitou o meu convite de irmos à igreja, e desde então o Senhor tem trabalhado em sua vida, e eu podia sentir que em breve o filho pródigo retornaria à casa do Pai!
E o Roy... Bom, ele estava fazendo uma falta absurda! Tentávamos conversar quase todos os dias, mas não era nada fácil conseguirmos conciliar nossos horários, visto que a diferença é de 5 horas.
Dominic Carter, o meu sogro, estava se recuperando com a graça de Deus. Ele havia despertado do coma há algumas semanas e já conseguia falar poucas coisas. As queimaduras foram gravíssimas e ainda precisavam ser tratadas no hospital. Segundo o meu namorado, em duas semanas no máximo ele já receberia alta e poderia terminar o tratamento em casa mesmo.
- Ana! - Ashley me chama ao entrar em meu espaço de trabalho - Vou precisar sair para resolver algumas coisas do meu novo apartamento. Não poderei almoçar com você hoje. - Sorria sem mostrar os dentes.
- Tudo bem, amiga, resolva suas coisas na paz! - Pisco para ela - Além do mais, o Thom acabou de ligar me convidando para almoçar com ele.
- Que bom! Mande um abraço para ele. - Maneei a cabeça afirmativamente - Bom, estou indo! Até mais tarde! Beijo!
Junto minhas coisas e saio da sala calmamente, pois ainda tinha algum tempo antes de encontrar o meu amigo. Olhei o celular pela milésima vez, mas nada de Roy dar as caras, e aquilo estava me deixando agoniada. Estávamos há quase dois dias sem nos falarmos, a última mensagem que enviei pelo whatsapp foi há duas noites e até agora ele não visualizou.
Respiro profundamente e entro no elevador. Caminho pelo saguão e avisto Kevin em seu posto.
- E aí, grandão! Como está? - Pergunto ao segurança gorducho.
- Estou muito bem, Ana! Deixa-me lhe perguntar algo! - Diz ainda observando o local ao nosso redor - Você sabe quando foi a primeira vez que os americanos comeram carne?
Franzo as sobrancelhas enquanto tentava encontrar a resposta em minha mente.
- Hum... Essa eu não sei! - Dou de ombros.
- Quando chegou Cristóvão com Lombo! - Riu da própria piada.
- Ainda não acredito que perco o meu tempo parando para ouvir suas piadas ruins!
- É porque não são tão ruins assim, senhorita! - Ele me dá uma piscadela.
- Tanto faz! - Rio - Até daqui a pouco, Kevin!
- Bom almoço, Ana!
Vou caminhando até o local combinado com Thomas, e durante o percurso observo atentamente a paisagem ao meu redor, notando pequenos detalhes que até então nunca tinha percebido.
- Está atrasada! - Diz ao me aproximar de sua mesa. Olho meu relógio de pulso e ergo uma sobrancelha.
- Dois minutos! Acho que molenguei demais! - Sento-me em sua frente.
- Estou vendo! Não é do seu feitio se atrasar. - Percebo que ele se diverte com a situação incomum.
- Tanto faz! - Digo sem muito interesse. O garçom chega e anota nossos pedidos.
- Qual é o problema? - Observa-me atentamente.
- Problema? Que problema, Thom?
- Eu te conheço muito bem, Ana Clara, e sei quando tem algo te incomodando. Cruza os braços na frente do peito.
Meu celular toca, alertando-me que tenho uma notificação. Pego o aparelho euforicamente quase o deixando cair de minhas mãos, mas logo fecho a cara ao ver que era um e-mail do trabalho. Suspiro frustrada guardando-o na bolsa.
Olho para o meu amigo, que ainda aguarda uma resposta minha, e bufo - É o Roy! Ele não responde minhas mensagens e não atende minhas ligações há quase dois dias. Estou ficando preocupada.
- Relaxa, Aninha! Ele deve estar enrolado com as coisas do pai dele. Fiquei sabendo que o seu sogro estava para receber alta durante esses dias.
- Ah é? - Pergunto sem esconder o descontentamento em minha voz. Como até o Thomas sabia disso e eu não?
- O David falou com a Lauren ontem. - Nosso pedido chega e começamos a comer em silêncio - Poxa, Aninha, não fique assim comigo! Não tenho culpa de nada.
- Desculpa, Thom! Só fiquei um pouco desanimada. Poxa, é do pai do meu namorado que estamos falando!
- Tudo bem! - Segura uma das minhas mãos sobre a mesa - Já tentou falar com Charlotte?
- Ainda não, mas assim que sair do trabalho ligarei para ela. - Tomo um gole da minha limonada suíça saboreando a deliciosa bebida - E como está a Lauren? Combinamos de ir ao shopping esse fim de semana.
- Ela está bem! Semana que vem iremos trabalhar juntos novamente. - Diz abrindo um grande sorriso.
- Fico feliz! - Sorrio.
Terminamos de almoçar e pagamos a conta. Thom decide me levar até à Carolina Herrera.
- E a Ashley? Como está? - Ele e a minha amiga se tornaram bons amigos desde o dia em que se conhecera, e Thom, desde o incidente na virada do ano, vive me perguntando como ela estava.
- Está bem melhor, mas não cem por cento! Ela tem me acompanhado nos últimos cultos, e o Evans tem sido bem presente, o que é bom, eu acho! - Digo a última frase pensativa.
- O Evans? - Ergue as sobrancelhas e logo abre um sorriso zombeteiro - Que interessante! - Dou um tapa em seu braço - O que foi, mulher?
- Respeite minha amiga! Ela acabou de terminar um noivado de anos, Thomas!
- Perdão! - Levanta as mãos em rendição - Prontinho, está entregue! - Nos despedimos e eu entro.
***
Saio da empresa pouco antes das seis, e a primeira coisa que faço é ligar para Charlotte. Chama, chama, mas ninguém atende. Tento uma, duas e na terceira, quando estava prestes a desligar alguém atende.
- Ana? - A senhora atende com a voz preocupada.
- Charly, desculpe-me por estar li...
- Ana? Eu...Cons... Cutar - A ligação começa a falhar. Vejo o sinal do meu celular e está completo.
- Charlotte? Consegue me escutar agora?
- An... - A ligação cai e frustrada, desisto de ligar novamente.
Vou caminhando para casa na tentativa de esfriar a cabeça. O frio estava congelando meus ossos, mas estava sendo uma distração para não ficar pensando no que poderia ter acontecido com o Roy.
Meu celular toca e rapidamente eu o pego dentro da bolsa, e sem ver a pessoa que me ligava, atendo.
- Alô?
- Amiga? Cadê você?
- Ah, Ash! - Digo desanimada.
- É claro! Achou que fosse quem? O papai Noel? - Reviro os olhos.
- O que foi? - Pergunto impaciente.
- Onde você está, mulher? Já escureceu e até agora você não chegou.
- Eu resolvi vir andando, só isso!
- NESSE FRIO? - Ela surta.
- Olha, Ash, eu estou há duas quadras de casa! Já já chego aí, por favor prepare uma coisa bem gostosa para comermos. - Ela dá uma gargalhada do outro lado e se despede em seguida.
Chego ao prédio em pouco menos de dez minutos. Cumprimento o novo porteiro e entro no elevador, me encostando em uma das paredes e fechando os olhos. Chegando ao meu andar, pego as chaves de casa e assim que abro a porta me surpreendo ao ver o ambiente pouco iluminado, um som suave vindo da TV, a mesa completamente arrumada, com direito a luz de velas e tudo. E o aroma... Ah o aroma estava maravilhoso. Dou risada e fecho a porta atrás de mim.
- Nossa, parece que você realmente levou a sério o meu pedido, amiga! - Digo tirando o meu sobretudo e colocando a bolsa em um pequeno aparador perto da entrada. Aproximo-me da mesa reparando nos detalhes da decoração - Está até parecendo um jantar român... - Viro-me e arregalo os olhos ao vê-lo parado atrás de mim com um lindo sorriso torto me encarando.
- Roy? - Sussurro incrédula.
- Esperava outra pessoa? - Pergunta vindo lentamente em minha direção. Toco o seu rosto e ele segura o meu pulso depositando um singelo beijo. Com sua mão livre acariciava os meus cabelos.
- Eu não acredito que você está aqui! - Minha voz ainda sai como um sussurro.
- Mas eu estou, minha linda! - Suas palavras aquecem o meu coração e me arrancam um grande sorriso. Ele me puxa para um abraço apertado, repleto de sentimentos e um deles é a saudade. Acariciava minhas costas e meu cabelo, puxando-me ainda mais para perto. Eu não queria que aquele momento chegasse ao fim, por semanas senti falta do seu abraço, do seu cheiro, da sua voz, do seu beijo...
Lentamente ergo minha cabeça e seguro seu rosto o trazendo para mais perto de mim. Nossas testas se encontram e seu olhar está voltado para a minha boca. Ele beija minhas têmporas, minha bochecha e novamente cola as nossas testas.
- Clara, Não teve um dia sequer em que eu não sentia sua falta! - Fecho os olhos me concentrando em suas palavras. Meu coração bate tão forte calando as minhoquinhas em minha mente, mas é inevitável sentir as borboletas batendo suas asas em meu estomago. Uma de suas mãos vai para a minha nuca, fazendo-me arrepiar da cabeça aos pés. Abro os meus olhos vagarosamente e me deparo com suas esmeraldas verdes, encarando-me profundamente - Tudo o que eu mais desejava era tê-la perto de mim! - Sussurra beijando o canto da minha boca e em seguida unindo por completo os nossos lábios em um beijo calmo e delicado.
Em pouco tempo o beijo foi se aprofundando e as carícias aumentando. A saudade que estávamos sentindo ansiava para termos mais um do outro. No entanto, o Espírito me fez despertar, e rapidamente separei nossos lábios nos afastando um pouco. Estávamos ofegantes e nos encarando. Roy engole a seco e se afasta um pouco mais.
- Desculpe-me, meu amor! - Respirou fundo - Nós precisamos vigiar mais! - Assinto sem conseguir falar absolutamente nada.
- Eu... Eu vou tomar um banho e trocar de roupa. - Digo um pouco sem graça.
- E eu vou terminar de prepara nossa janta. - Ele segue para a cozinha e eu para o quarto.
Entro no cômodo e fechando a porta atrás de mim. Apoio minha cabeça no batente e fecho os olhos.
- Meu Deus, o que foi isso? - Cubro o rosto com as mãos - Nos perdoe se passamos dos limites, Espírito Santo! Nos ajude a vigiarmos e a ficarmos mais atentos! Mas obrigada por trazê-lo de volta para mim! - Sorrio sentindo a alegria e a paz inundarem o meu ser.
Separo um vestido de manga longa, com o comprimento um pouco acima do joelho, um par de lingerie e vou para o banheiro. Visto-me, prendo meu cabelo em um coque frouxo, faço uma make super simples e neutra, coloco algumas joias, um salto fechado e pronto!
- Esse cheiro está me matando, meu bem! O que preparou? - Pergunto ao chegar na cozinha, vejo Roy terminando de passar a comida da panela para um refratário.
- Boeuf bourguignon! - Diz em seu perfeito sotaque francês.
- Que biquinho lindo! Fala novamente! - Digo abraçando sua cintura. Ele apoia o talher, que estava segurando, na pia e retribui o abraço.
- Tu es parfaite, ma belle! - Diz me olhando apaixonadamente.
- Meu francês está um pouco enferrujado, poderia refrescar minha memória? - Questiono.
- Você está perfeita, minha linda! - Sorrio envergonhada e apoio a cabeça em seu peito. Sua mão toca o meu queixo, fazendo-me encará-lo - E fica mais ainda quando está tímida! - Dá um beijo na ponta do meu nariz e se afasta - Vamos, já está tudo pronto! Só falta levar isso. - Aponta para o refratário. Sigo-o em direção à sala de jantar.
- Obrigada! - Agradeço ao sentar na cadeira oferecida por ele - Fez tudo isso sozinho? - Refiro-me a organização da mesa posta.
- Tive uma pequena ajuda... - Sentou-se à minha frente.
- Ash! - Ele sorri e dá de ombros - Por falar nisso, onde ela está?
- Na varanda! - Arregalo os olhos - Brincadeira! - Diz rindo da minha reação - Ela está com Lauren e Thom em meu apartamento.
- Ah! Que susto, lá fora está congelando! - Sorrio, mas logo percebi o que ele acabou de me dizer - Espera, você disse Thom? Ele sabia que você viria hoje?
- Sim! Inclusive eu pedi que ele a convidasse para almoçar, afim de te sondar. E segundo ele, você estava muito brava! - Diz achando graça.
- Vocês são dois sínicos! - Digo me sentindo traída.
- Eu? - Pergunta fingindo incredulidade.
- Você mesmo, Roy Carter! - Digo jogando um guardanapo em sua direção.
- Não fique assim, minha bravinha! - Ri pegando o objeto - Só queria te fazer uma surpresa! - Reviro os olhos.
- Tudo bem! Vamos comer pois minha barriga não para de roncar! - Digo ainda rabugenta.
- Seu desejo é uma ordem!
Fizemos uma oração, em seguida jantamos e conversamos colocando os assuntos em dia. Ele contou que seu pai recebeu alta ontem, e todos decidiram que o melhor a ser feito era trazê-lo para New York até sua completa recuperação. Dessa forma, Roy precisou voltar alguns dias antes para ajeitar tudo por aqui.
- Então ele ficará em sua casa durante esse tempo? - Questiono colocando as louças sujas na pia.
- Sim! - Responde guardando a comida que sobrou na geladeira - David e vovó também virão. Ela me ajudará a cuidar da Em, e ele a cuidar do meu pai e da empresa.
- Que bom! - Sentamos no sofá, apoio minha cabeça em seu ombro e ele me envolve em um abraço lateral. Observo seu rosto cansado por um tempo - Está exausto não é?
- Muito! - Oferece-me um sorriso fraco - Mas eu estou feliz por estar de volta. Só de tê-la ao meu lado eu já me sinto mais forte e motivado.
- Eu não estive presente fisicamente, mas tenho certeza que durante todos esses dias minhas orações chegaram ao trono, e através delas, o Senhor cuidava de você por mim!
- Eu tenho certeza disso, amor! Muito obrigada!
Ficamos conversando por mais algum tempo e depois nos despedimos. Assim que ele saiu eu fui correndo para o quarto e me tranquei, sabia que Ashley viria como um furacão para ficar por dentro de tudo o que aconteceu. Quando estava escovando os dentes ouvi os passos no corredor.
- Ana! - Escuto batidas nervosas na porta - Ana eu sei que você está acordada! - Não consigo conter o riso, mas coloco as mãos na boca para abafar - Você vai me contar tudo e agora! - Frisou a última palavra. - Abra a porta, amiga!
Terminei de me ajeitar e fui para a cama.
- EU SABIA QUE VOCÊ ESTAVA ACORDADA! EU ESTOU TE VENDO PELO BURACO DA FECHADURA, SUA CARA DE PAU! - Sem conseguir me conter começo a gargalhar - RI MESMO! VOCÊ VAI SENTIR FALTA DA SUA AMIGA!
- Boa noite, dramática! - Digo me deitando e apagando as luzes.
- Você não vai mesmo me contar, Ana Clara Bianchi? - Pergunta incrédula
- AMANHÃ! - Grito.
- Amanhã eu não vou nem olhar na sua cara! Passar bem! - Escuto seus passos pesados pelo corredor.
- ASSIM VOCÊ VAI ACORDAR MEUS VIZINHOS DE BAIXO! - Zombo, e o que eu ganho em resposta é a porta de seu quarto sendo fechada bruscamente. - GROSSA! - Grito rindo.
>>>><<<<
Nosso Roy retornou 😍😍😍 Como estava sentindo sua falta!!!
Ash e Ana agora estão morando juntas! HAHAHA Sempre quis morar com minha melhor amiga, mas esse desejo não era da vontade do Pai, então tenho que me contentar com a Ana e a Ash 😅🤷🏼♀️
Espero que esteja gostando! Não esqueçam de clicar na ⭐️ votando nesse capítulo.
Até mais!!
Att.
NAP 😘
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