Capítulo 29
- Vamos iniciar com a diferença entre as pistas - Estávamos na estação de Esqui, o pessoal já estava se divertindo e Roy tentava me ensinar algumas coisas, mas eu estava com tanto medo que mal prestava atenção - Amor, está tudo bem?
Ainda não estava acostumada a ser chamada dessa forma por ele, mas eu me derretia toda vez que escutava um apelido carinhoso ou um elogio destinado a mim.
- Não! Nem um pouco! - Digo sentando-me em um banco próximo à nós - Eu não vou conseguir esquiar, Roy! Isso é muito difícil, e eu sou muito nova para morrer! - Cruzo os braços e ele ri.
- Minha dengosa! - Diz dando um beijo em minha bochecha - Não precisa ter medo, eu sou o melhor professor de esqui desse lugar!
- HA HA HA!
- É verdade!
- Tudo bem! - Levantei-me - Leve-me para a pista mais fácil!
- Pode deixar, senhorita Bianchi!
Ele me passou as informações necessárias e mais importantes, como aprender a ler as placas informativas, quais pessoas devem ter prioridade na pista. Ensinou-me a como manter o controle e outras informações. Colocamos os equipamentos e fomos para a pista fácil.
Roy foi atencioso e sempre estava atento aos meus movimentos. Ele realmente era um excelente professor de esqui, sem contar que esquiava muito bem!
- Acho que te julguei errado! - Digo ao sairmos da pista.
- Como assim? - Lança-me um olhar curioso.
- Você não é o executivo tedioso que eu imaginava. - Ele dá uma gargalhada.
- Ah é? - Questiona - E o que você está achando dessa minha versão aventureira?
- Estou gostando, eu acho...
Rimos juntos, mas nossa alegria acaba ao avistarmos o restante do pessoal. David nos olhava seriamente. Roy ficou tenso ao meu lado, e logo começamos a andar mais rápido.
- O que aconteceu? - Perguntou ao chegarmos perto deles.
- Chegando em casa a gente conversa! - Ele concordou e em seguida voltamos para a cabana.
Ao chegar na casa, encontramos Em e Charly sentadas à mesa. Percebi a expressão no rosto da senhora, aparentemente ela sabia o que estava acontecendo, e era algo realmente sério. Emily estava ao seu lado desenhando como se nada estivesse acontecendo.
- Em, o que acha de desenharmos juntas no salão de jogos? - Ela concorda. Roy sussurra um obrigado e eu me afasto com a pequena, dando espaço para que eles conversassem à vontade.
Estávamos sentadas na mesma mesa da última vez, ela desenhava e falava animadamente, mas minha mente estava distante.
- Não vai desenhar?
- Estou sem criatividade no momento, querida! - Apoio o queixo em minha mão - Deixe-me ver o que você está fazendo? - Ela me entrega o papel.
- Somos, você, Roy e eu! - Diz alegre.
- Que lindo, Em! - Olho para ela - Você realmente está feliz com o nosso namoro?
- É claro que eu estou! Muito feliz! Assim ó! - Diz levantando e abrindo os braços - Papai do céu ouviu minhas orações!
Nesse tempo de convivência com os meus vizinhos, pude notar a carência de Emily por uma figura feminina presente em sua vida. Ela tinha a avó, que é uma pessoa maravilhosa e a ama demais, no entanto, Charlotte mora longe. Eu tinha consciência de que, no momento, eu estava ocupando este papel, mesmo antes de começar a namorar o seu irmão.
- Querida, eu fico muito feliz em saber disso! - Pego suas mãos em cima da mesa - Saiba que eu estarei ao seu lado para o que você precisar!
- Até mesmo quando eu estiver com o Cookie? - Diz fazendo graça.
- Negativo! - Recuo - Daquele lá eu quero distância! - Ela ri.
- Você vai se acostumar com ele!
- Duvido muito, princesa!
- Minha professora da EBD costuma dizer que tudo é possível àquele que crer! - Diz com autoridade.
- Tudo bem! Não está mais aqui quem duvidou! - Sorrio.
- Em, querida, você poderia me acompanhar? - Charlotte diz ao entrar no salão.
- Claro vovó! - A pequena se levanta e caminha até a porta.
- Ana, o Roy pediu para que você o encontrasse. Ele foi para o quarto. - Diz serena, mas sei que no fundo, ainda continua preocupada.
- Já estou indo! - Elas saem e eu me levanto indo para o andar superior.
- Ana! - Lauren segura meu braço quando eu começava a subir as escadas - Cuide do meu primo, por favor! Ele precisa de você agora! - Assinto e subo as escadas rapidamente.
Chegando ao quarto de Roy fico com receio, mas bato na porta mesmo assim.
- Pode entrar! - Ouço sua voz do outro lado.
Abro a porta devagar e observo o ambiente. O quarto é bem parecido com o meu, contendo apenas alguns toques masculinos. Ele está em pé de costas para mim observando a paisagem lá fora. Sua mala está na cama junto com algumas roupas, e isso já me deixa preocupada. Fecho a porta e caminho até ele.
- Tudo bem? - Toco em seu braço e ele vira seu rosto em minha direção. Seu olhos estão marejados - O que aconteceu, amor? - Pergunto preocupada tocando eu seu rosto. Ele segura a minha mão e deposita um beijo em meu pulso.
- É o meu pai, Clara. - Roy se afasta e senta na beira da cama - Um dos médicos da clínica ligou para a minha avó essa manhã, informando que aconteceu um acidente ontem à noite.
- Acidente? - Pergunto preocupada - O que aconteceu? - Ele olha para a janela e eu vejo que as lágrimas estão prestes a cair. Aproximo-me dele.
- Uma parte do local pegou fogo, ainda não se sabe o porquê. Mas o meu pai estava... - Suas palavras são interrompidas por um soluço. Ele caminha até a cama se sentando na mesma. Eu sento ao seu lado e o envolvo em um abraço. Ele coloca o rosto entre o meu pescoço e chora. Sua dor me envolvia e eu me sentia impotente, sem saber o que fazer ou falar. Comecei a orar em silêncio clamando a Deus pelo coração do meu namorado e pela vida do meu sogro, que até então, não tinha certeza do que aconteceu.
Depois de um tempo, Roy se afasta me encarando - O médico disse que ele foi levado ao hospital com vida, mas em estado crítico! - Enxugo suas lágrimas - Disse que a qualquer momento ele pode vir a óbito.
- Meu amor! - Seguro seu rosto. Nunca tinha o visto assim - Há vida, então ainda há esperança! - Digo - E mesmo se não houvesse mais vida, eu creio no Deus que dá vida ao que estava morto, mas vamos clamar para que Deus faça a Sua soberana vontade, amém?
- Amém! - Diz com um pequeno sorriso.
- Você vai para a França? - Ele confirma.
- Eu preciso ir, Clara! Não posso deixá-lo sozinho! - Diz agitado.
- Ei, tudo bem! - Acaricio o seu rosto - Eu concordo com você!
- Eu não sei quanto tempo ficarei fora, mas só voltarei quando tudo se resolver. - Ele me olha preocupado, e eu entendo sua preocupação.
- Não se preocupe conosco, ok? Deus está no controle de tudo! - Ele confirma - E a sua irmã? Irá com você ou ficará?
- Ela ficará com nossa avó, mas após o ano novo ela retornará para a França e Em irá com ela.
- Ok! - Agora vamos orar! - Pego suas mãos e fecho os olhos - Papai, nesse momento tão incerto e doloroso, quero entregar diante de Ti a vida de Dominic Carter, pai dos Seus filhos Emily e Roy! Eu tenho convicção de que o senhor ainda tem planos para ele aqui nessa terra! Eu creio que essa situação não será para a morte, e sim para que o Teu nome seja glorificado, pois o Senhor ainda é o mesmo Deus de milagres e maravilhas! Visite o meu sogro neste momento, vá naquele hospital e toque nele! Que não sejam as mãos dos homens, mas sim a mão do Médico dos médicos! Cremos no Seu poderio, Papai! Mas que não seja feita a nossa vontade, e sim a Sua, pois ela é boa, ela é perfeita e é agradável! - Sorrio - Também gostaria de te entregar a vida de toda a família Carter! Santo Espírito, console cada coração neste momento, mas em especial eu oro pela vida do Teu filho, o Roy. Que a angustia seja substituída pela paz que excede todo entendimento! Que a confiança e a fé, substituam o medo e a incerteza! Seja com ele nesse vale escuro, e capacita-me para ajudá-lo conforme a tua vontade, meu Pai! Em nome de Jesus, amém!
- Obrigado, minha linda! - Deposita um beijo em minha testa - Tudo o que Deus faz é perfeito! Eu o louvo por ter você ao meu lado nesse momento!
Arrumamos sua mala rapidamente. Todos decidimos voltar para New York, e em menos de 1h estávamos prontos. Por ora, eles optaram em não contar nada para Emily até terem mais notícias. A pequena estava com um bico enorme por saber que estávamos voltando, mas logo conseguimos reverter a situação.
- Já volto! - Roy diz antes de ir em direção ao balcão, junto com os outros homens, para comprarem nossas passagens. Emily estava agarrada em minha cintura enquanto conversávamos acerca do que faríamos no ano novo. - Não temos notícias muito boas! - Roy diz ao se aproximar de nós - Conseguimos comprar as passagens, mas em voos diferentes. No voo de agora, conseguimos apenas 3 passagens e as outras serão para um voo noturno.
- Tudo bem, meu filho, nós esperamos! - Falou Charlotte.
- Amor, você gostaria de vir comigo e com o David nesse voo? - Direciona a pergunta à mim.
- Se não houver problemas, sim! - Concordo.
- Então está resolvido! - Roy se abaixa diante de Emily e sussurra algumas coisas para a pequena que está com um bico na boca e lágrima nos olhos. Ela assente e depois o abraça fortemente - Despedimo-nos do restante do pessoal e fomos para o salão de embarques.
- O que você disse para a Em? - Pergunto quando já estávamos sentados esperando o horário do nosso embarque.
- Disse a verdade, que surgiu uma emergência e eu precisava ir para a França o quanto antes. - Sorriu fraco - Ela só aceitou quando eu disse que você ficaria aqui - Eu ri.
- Ela é uma fofa! - Ele respira fundo e fecha os olhos. Aproveito que nossas mãos estão entrelaçadas e começo a acariciá-lo. - Amor! - Sussurro e ele abra os olhos - Não hesite em me ligar, em momento algum! Ok?
- Ok! - Roy se aproxima me dando um selinho.
- Por favor, não quero ficar de vela! - David diz nos fazendo sorrir.
***
Chegamos em nossos apartamentos por volta das 4 da manhã. David se despede de mim e entra.
- Você está exausto! - Digo - Tente descansar um pouco antes do voo, pois será mais uma viagem longa! - Roy estava visivelmente abatido e cansado.
- Vou tentar!
- Se precisar de algo, sabe onde me encontrar! - Pisco para ele, que sorri e me abraça.
- Sim! Qualquer coisa eu chamo a minha linda vizinha! - Nos beijamos calmamente - Vou sentir a sua falta! - Diz encostando nossas testas.
- Eu também! - Seguro suas mãos - Esforça-te, e tem bom ânimo; não temas, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus é contigo, por onde quer que andares - Recito uma parte de Josué 1.9 - O seu pai precisa de você, Roy, e Deus estará contigo em todo o processo!
- Eu creio! - Sussurra.
- Boa noite, amor! Que Jesus abençoe sua viagem e te leve em segurança!
- Amém! Obrigado! Nos vemos em breve, minha linda! - Nos despedimos com mais um beijo e entramos, cada um para o seu apartamento.
Dou um longo suspiro ao fechar a porta. Coloco a mala no closet, pego uma roupa qualquer e vou para o banho, na tentativa de relaxar antes de dormir. Ao sair do banheiro, verifico se as portas estão fechas, desligo as luzes e volto para o quaro. Vou até a janela e de lá levanto um clamor pelo Roy e sua família.
***
Acordo com uma baita dor de cabeça! O quarto ainda estava escuro por causa do blackout. Tateio minha cama e encontro o celular.
- JÁ SÃO QUATRO HORAS! - Faço as contas e percebo que dormi por quase 12 horas. Levanto-me e abro as cortinas - Roy já deve estar chegando na França. - Digo pensativa. Saio do quarto e vou para a cozinha preparar algo, pois estava com muita fome, mas antes ligo a TV e coloco um louvor. Dessa vez escolho um brasileiro.
- Até que o Senhor venha, eu vou clamar! - Canto junto com o Ministério Zoe, enquanto preparava meu almoço - Até que o Senhor venha, eu não vou descansar! Até que o Senhor venha, eu vou gastar a minha vida diante do teu altar, Deus! Diante do teu altar!
Na segunda parte da música eu já não me continha. Deixei de lado os legumes que estava picando e ergui minhas mãos ao céu e comecei a louvar de todo o coração.
- Fere o meu coração com uma ferida de fome por ti! Fere o meu coração com uma ferida de sede por ti! Ensina-me a clamar e a suplicar, até que o Senhor venha! - Chorava e cantava sentindo a presença do altíssimo naquele momento.
Fui em direção ao sofá e dobrei meus joelhos. Ali, o Espírito Santo me direcionou a levantar um clamor pela vida do meu sogro, e assim o fiz.
- Deus de poder e grande glória! Tu és soberano sobre toda a terra e céu! Não há outro além de Ti! Exaltado está o Senhor acima de todas as nações, e a sua glória sobre os céus. Quem é como o Senhor nosso Deus, que habita nas alturas? Não existe ninguém semelhante a ti, ó SENHOR; és Grande, e magnífico é o poder do teu Nome! - Minha oração era baseada na palavra do próprio Deus, Salmos 113 e Jeremias 10 - Venha ao nosso encontro, socorre-nos com a tua mão forte, meu Deus! A tua palavra diz que não há absolutamente nada impossível para Ti! Aleluia! - A glória do Senhor era tão intensa que eu comecei a chorar - Visita aquele leito de hospital! Toca onde o homem não consegue tocar! Traga a salvação e a cura para a vida de Dominique Carter! Eu creio que o senhor ainda tem uma história com Ela, Papai, então mude esse quadro! Mas acima de tudo, cumpra a tua soberana vontade!
Após clamar e adorar ao Senhor, sentia um calor tomar conta de mim. Levantei afim de abrir a porta da sacada, e ao me aproximar encontrei um conhecido papel envelhecido. Peguei com um grande sorriso em meus lábios.
- Sentirei sua falta! - Sussurro apertando a carta contra o peito.
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Coitadinho do Roy, de partir o coração! Ainda bem que agora ele tem a sua Clara como ajudadora não é verdade??
Eu amo um casal 🧡
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Até sextaaaa!
Att.
NAP 😘
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