Capítulo 47
Termino de secar o cabelo e saio do closet. Estava pronta para receber nossos amigos, que apareceriam a qualquer momento.
— Eles chegaram! — Roy comenta animado, quando entro na sala.
— Que bom! — contorno seu pescoço com os braços e dou um beijo demorado no meu amado — Eu amo você! — limpo os resquícios de batom que ficaram em seus lábios.
— Amo você, meu amor! — franzo o cenho.
— Por que não me chama mais de mon amour? — tento imitar sua voz em seu sotaque francês, e Roy ri.
— Porque agora estamos nos Estados Unidos. — sorri torto.
— Mas eu sinto falta. — apoio as mãos em seu peito e faço beicinho.
O que está acontecendo comigo?
Ro se aproxima da minha nuca e deposita leves beijos na região, subindo até a orelha. Fecho os olhos, aproveitando cada carícia.
— Je t'aime, mon amour! — sussurra com a voz rouca, em seu, enlouquecedor, sotaque francês.
Estava prestes a unir nossos lábios quando a campainha toca, nos fazendo pular pelo susto.
— Por que convidamos nossos amigos mesmo? — Roy pergunta com falsa irritação, enquanto se afasta para receber os convidados.
— Primo! — Lau foi a primeira a entrar, seguida por Thom. Logo atrás estavam Evs e Ash.
Ao me ver, Thomas solta um suspiro e me analisa atentamente, antes de vir ao meu encontro e me envolver em um abraço.
— Desde o dia do desfile, em que te vi passando mal, sabia que tinha algo errado. — diz se afastando — Sinceramente, não entendo o motivo. Sei que não deve estar sendo fácil para você, se fingir de durona para não ver os que ama sofrendo ainda mais, mas creio que o nome dEle será glorificado pelos que creem e principalmente pelos que não creem!
Thom era uma das poucas pessoas que me conhecia muito bem. Nossa amizade é especial, de uma forma diferente. Independentemente do que estiver acontecendo, ou de onde estivermos, sei que poderei contar com ele para qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo! Meu amigo fará o possível, e com a ajuda do Pai, o impossível, para me socorrer.
— Nada passa despercebido por você, Thomas Daves!
— Quando o assunto é Ana Clara Bianchi, — nega com a cabeça e abre um sorriso sem mostrar os dentes — nada!
Cumprimento Evans, que também diz palavras de encorajamento e oferece apoio. Em seguida, as meninas.
Como o tempo estava frio, principalmente agora a noite, resolvemos fazer nossa reunião na sala mesmo. A mesa de jantar era grande o suficiente para cabermos nós seis e mais dois casais. Após me casar, comecei a ver vários vídeos, no youtube, relacionados à mesa posta. Claro que não perdi a oportunidade de colocar o meu novo conhecimento em prática.
— Uau! Tenho certeza que não foi o Roy o responsável por arrumar a mesa. — Evans empurra o amigo com o ombro.
— Eu ajudei sim! — meu esposo se defende, sentindo-se um pouco ofendido.
— Carregando taças e pratos, aposto! — Thomas entra na brincadeira.
— Também, mas... — então ele crispa os olhos em minha direção — Não irá defender o seu esposo?
— Coitadinho, gente! — caminho até ele e beijo sua bochecha, desarmando-o. O mesmo segura minha cintura, trazendo-me para mais perto — Meu digníssimo esposo fez um trabalho excelente trazendo as louças e posicionando os talheres da forma correta. Merece receber um pouco do crédito também. Ele sorri e concorda com a cabeça.
— Que homem! — Evans comenta em tom de gozação, fazendo os demais rirem.
Com a ajuda dos homens, o jantar foi servido e logo estávamos desfrutando da maravilhosa refeição feita, exclusivamente, pelo meu marido.
— Tenho certeza que esta comida foi feita pelo meu primo! — Lauren comenta de boca cheia. Olho em sua direção com uma sobrancelha arqueada.
— O que quer dizer com isso? — brinco com a faca no ar. Ela arregala os olhos.
— Que a comida do Roy tem um tempero único. — sorri para o homem ao meu lado — Apenas isso!
— Como diria David, se saiu bem, baixinha! — Roy toca minha mão, que ainda segura a faca. Com delicadeza, abaixa até a mesa — Só tome mais cuidado para não irritar a mamãe urso, da próxima vez. — ri do próprio comentário. A mesa, porém, fica em silêncio, e todos os olhares se voltam para ele, inclusive o meu — O que foi? — pergunta inocentemente.
— Acho que alguém falou demais. — digo baixo, mas com um sorriso no rosto.
— Mamãe urso? — Thom pergunta com um sorriso nascendo nos lábios.
— Oh. My. God! — Ashley exclama, imitando a Janice, de Friends.
— Então... — Roy começa a falar, mas é impedido pelo falatório que toma conta do ambiente. Lauren grita de animação, à medida que Ash comenta que já imaginava algo do tipo, pois eu estava mais inchada e com os peitos maiores. O que me fez arregalar os olhos e olhar feio para ela. Ao meu ver, ainda não apresento mudança alguma, ou praticamente nenhuma. Thomas e Evans, assim como David, começaram um tipo de zoação masculina, voltada exclusivamente para o meu esposo.
No meio do falatório, Roy tenta falar, mas ninguém dá ouvidos ao meu esposo.
— CALEM A BOCA, POR UM MINUTO! — grito, colocando-me de pé e conseguindo o silêncio que queríamos. Sorrio e assinto para Roy, que, ainda espantado pela minha reação repentina, e anormal, coloca-se de pé ao meu lado.
— Bom, parece que estraguei a surpresa... — diz, alisando a nuca. O falatório começa novamente.
— SILÊNCIO! — grito mais uma vez. Desta vez, respirando fundo, tentando controlar a pequena irritação — Continue, querido.
— Bom, Deus tem sido bondoso demais conosco. — segura minha mão e sorri plenamente, como sempre fazia ao falar do nosso bebê — No mesmo dia em que soubemos sobre o tumor, recebemos a notícia de que seríamos pais. Recebemos do Senhor uma das maiores benções do casamento, um filho. Nossa herança.
— É verdade! — olho para os nossos amigos — E nós estamos extremamente felizes e realizados com isso! Não sabemos como será daqui a um tempo, mas sabemos que será, porque Deus está no controle de tudo. — toco meu ventre e dou uma leve fungada — Ah! — digo sem graça — Essa gritaria e emoções descontroladas — aponto para as lágrimas que rolam no meu rosto — devem ser por causa dos hormônios. Não entendo muito sobre essas coisas, mas deve ser. — dou de ombros e volto a me sentar — Desculpa!
Roy faz o mesmo, mas rindo baixo.
A conversa gira em torno da minha gravidez e dos futuros planos. A melhor parte da noite foi quando começamos a falar sobre Deus. Compartilhamos experiências e testemunhos; oramos; louvamos. Foi uma noite incrível, na presença do Eterno e dos nossos amigos.
Era quase meia noite, quando todos foram embora. Roy e eu estávamos arrumando a cozinha. Nossos amigos nos ajudaram com a parte mais pesada antes de partirem. Sinto-me exausta, com o corpo cansado. O que é normal, visto que não tive muito tempo de descanso. Apoio as mãos na bancada da cozinha e me esforço para ficar de pé.
— Roy! — Chamo com a voz um pouco fraca.
— O que houve? — questiona preocupado, aproximando-se de mim e segurando minha cintura.
— Estou me sentindo um pouco estranha. Preciso deitar. — na mesma hora ele me toma em seus braços e nos leva para o quarto. Deita-me na cama e senta ao meu lado.
Roy olha para a mesa de cabeceira ao meu lado e depois volta a me encara.
— Tomou o remédio hoje? — fecho os olhos e faço careta.
— Esqueci. — viro-me pegando a cartela com o remédio.
— Vou pegar um copo com água. — ele se levanta da cama e sai do quarto.
Encosto as costas na cabeceira e enfio o remédio na boca.
— Obrigada! — agradeço ao pegar o copo oferecido por Roy.
— Agora descanse, querida. Logo, logo a dor irá passar. — volto a me deitar e fechar os olhos. Sinto seus lábios macios em minha testa antes de se levantar da cama — Irei desligar as luzes e fechar a casa. Volto já.
Não demorou para que ele voltasse e se deitasse ao meu lado. Com sua presença aqui, foi muito mais fácil relaxar e deixar o sono me levar.
***
— Você está perfeita, minha princesinha! — digo, observando a imagem de Emily através do grande espelho do quarto.
— Obrigada, Clarinha! — agradece, abraçando minha cintura — Senti sua falta!
— Eu também, Em! — acaricio seu rostinho macio — Está pronta para ser a daminha de honra mais linda desse casamento?
— Sim! — responde animada — A tia Lau disse que a prima do tio Thomas e um outro primo dele, irão entrar comigo.
— Está nervosa? — inclino a cabeça e abro um pequeno sorriso lateral.
— Não muito! Estava mais nervosa no seu casamento com o Ro. — morde os lábios.
— Estão prontas? — Roy aparece na entrada do quarto.
— Sim! — Emily responde e eu apenas assinto.
— Ótimo! Todos também estamos. — ele se aproxima de nós, com seu sorriso que tira meu fôlego — Estão maravilhosas! — beija a testa da irmã e minha bochecha, em seguida. Ajeito sua gravata borboleta.
— Você não está nada mal! — beijo a ponta do seu nariz — Fique com a Em, preciso ver como as meninas estão, e principalmente a noiva mais nervosa que o mundo já conheceu.
Despeço-me dos dois e saio do quarto. Subo a escada da casa de veraneio dos pais do Thom, local onde a cerimônia será realizada. Chego próxima à suíte e começo a escutar o falatório. Respiro fundo antes de bater à porta e abri-la.
— Onde você estava? — Lauren se vira para mim, com os olhos cheios de lágrimas e as mãos trêmulas. Minha vontade era de rir, pois conhecia muito bem aquela sensação. Porém, preferi me controlar e não deixá-la mais nervosa.
— Terminando de arrumar uma de suas daminhas de honra. — sigo até ela. É inevitável sorrir, Lau está esplêndida em seu vestido de noiva sereia com calda longa, todo bordado, delicadamente. Ele foi um dos meus primeiros desenhos ao chegar na Chanel. A morena se apaixonou assim que viu o primeiro croqui, disse que era do jeitinho que ela queria — Espero que realmente tenha gostado! — seguro suas mãos e ela deixa algumas lágrimas rolarem.
— Ele é perfeito! — enxugo suas lágrimas.
— Você está perfeita! — digo sincera.
— Acabei de dizer isso, mas essa menina não para de chorar! — tia Sally, como pediu para que eu a chamasse, ajeita a calda do vestido da filha.
— Só tome cuidado para não estragar minha obra de arte, meu bem! — diz a maquiadora, que guarda seu material espalhado sobre a enorme penteadeira.
— Onde estão as meninas? — indago com curiosidade.
— Saíram um pouco antes de você voltar. — a noiva responde.
— Ok. — olho-me no espelho e sorrio mais uma vez, observando o vestido desenhado por Ash e aprovado por Lauren, para suas demoiselles. O modelo de um ombro só é justo na parte do corpete e vai soltando da cintura para baixo, até o pé. Na cor azul Tiffany. Meu cabelo está preso em uma trança lateral e a maquiagem leve, como sempre — Irei me juntar às outras. Por favor, não surte!
— Tentarei! — fecha os olhos e balança a cabeça em concordância.
Desço a escada e assim que chego ao hall, vejo o restante dos meus amigos, e mais algumas pessoas que participarão da cerimônia. Roy segura minha mão ao chegar no último degrau.
— Não me canso de dizer que você está maravilhosa! — beija o dorso da minha mão.
— Aninha, — o noivo se aproxima de nós — como ela está? — analiso meu amigo por um instante, então sorrio.
— Como você! — ele franze o cenho — Completamente nervosa.
— Não sei como não surtaram no casamento de vocês. — Ajeita a gravata, antes de passar a mão pelo cabelo.
— Ilusão sua. — Roy comenta, segurando uma risada.
— Não se preocupe! — toco seu ombro, com compaixão, mas também seguro uma gargalhada — Quando casar passa!
— E eu achando que me acalmaria vindo até vocês. — revira os olhos, mas com um sorriso nos lábios.
— Pessoal, — a cerimonialista chama nossa atenção — a cerimônia irá começar. Por favor, fiquem cada um em sua posição.
Roy e eu nos posicionamos na fila que se formou, atrás de David e Sofia.
— Acho que preciso ir ao banheiro. — Dav vira o rosto em nossa direção. O coitado suava frio.
— Ainda dá tempo, cara. — o primo se aproxima, falando baixo.
— Vocês não estão entendendo! Eu preciso...
— Ele precisa cagar! — Sofia diz, nos fazendo gargalhar. A cerimonialista olha feio para nós.
— Está nervoso a esse ponto, priminho? — não perco a oportunidade de zombá-lo.
— Não diga besteira, AC! Só não fui ao banheiro hoje. — franze o nariz e volta a olhar para frente.
— Está triste, pois perderá a irmã! — mordo os lábios, segurando mais uma risada.
— Não perderei ninguém! Ela não é doida de se afastar! — vira para trás, me olhando bem chateado.
— Acalme-se, Dav! — Sofi toca seu braço, fazendo algumas carícias — Ela só está te zoando.
— Pois é! E mesmo que ela te abandone, tenho certeza que não ficará sozinho. — fito a mão da minha irmã, que continua no braço dele.
Ela desfaz o contato rapidamente, e os dois viram para frente, sem dizer mais nada.
— É impressão minha ou ainda está rolando um clima? — Roy sussurra em meu ouvido.
— Não é impressão! — digo, no momento em que a cerimônia começa, e Thom sai da casa, acompanhado pela mãe.
>>>><<<<
Mais um casamento 🤗😍🥰 O Roy não cansa de elogiar a amada, e eu não me canso de dizer que amo a amizade deles ♥️
Não esqueçam de clicar na estrelinha, por favor 🌟
Att.
NAP 😘
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