capítulo único
Já era a quinta vez que Miguel via Robby passar em frente à televisão com um bico enorme nos lábios e uma cara emburrada, Robby bateu a porta do quarto com força e Miguel deu um pulinho no sofá pelo susto, não demorou para que Robby abrisse a porta e voltasse a passar em frente a TV, já que esse era o caminho que ele precisava fazer para ir para a cozinha ou para o quarto.
— Amor, você ainda está bravo? — Miguel ousou perguntar mas se arrependeu no mesmo instante.
— Não Miguel, eu não estou bravo — Robby parou seu caminho para ir para o quarto, ele estava segurando um saco de batatas fritas congelada e Miguel ficou bem confuso por ele estar levando aquilo para o quarto, mas achou melhor não perguntar — eu só acho engraçado que quando o Demetri e o Eli te convidaram para o cinema você não se atrasou um minuto sequer, pelo contrário, chegou mais cedo para não perder a sessão.
Miguel não sabia que alguém segurando batata frita congelada poderia ser tão ameaçador.
— Amor, eu já disse que eu me atrasei, foi sem querer. Eu não sabia que o sensei me pediria para treinar os alunos novos na aula e...
— Não, Miguel! Eu não quero saber!
Robby e Miguel marcaram de ir ao cinema juntos hoje, já faz um tempo que eles não saem juntos por seus horários não estarem tão igualados, assim os dois mal tem tempo de estar juntos. Mas Miguel acabou se atrasando porque estava ocupado ajudando Johnny a treinar os alunos novos, ele não viu a hora passando e quando olhou no relógio já haviam se passado duas horas da sessão do filme e haviam vinte e sete ligações de Robby e trinta mensagens.
Naquele momento ele sabia que estava ferrado.
— Mas é extremamente engraçado que você sempre tem uma desculpa quando se trata de mim — Robby voltou a dizer.
— Amor, eu...
— Não, Miguel! Não fala nada porque eu não quero acabar brigando com você.
— Mas você já não está...? — murmurou baixo.
— Você poderia pelo menos ter se lembrando, poxa, combinamos isso há duas semanas, você parecia tão ansioso quanto eu, mas quando chegou o dia você simplesmente se esqueceu.
— Eu juro que não me esqueci, eu só perdi a noção do tempo, eu nunca deixaria você esperando de propósito, eu nunca faria isso com você — Miguel se levantou e foi até seu namorado — eu sei que está chateado agora, mas tenta entender o meu lado, eu não fiz de propósito — explicou com sinceridade.
Miguel achava uma graça a forma que Robby parecia uma criança com aquela carinha emburrada.
— Não quero conversar agora — Robby lhe entregou o saco de batatas congeladas e correu para o quarto com os olhos marejados.
Miguel ficou parado com a embalagem fria em suas mãos e não sabia se ia atrás dele ou se esperava um pouco mais, ele conhecia seu namorado e sabia que não ficaria bravo por muito tempo, mas não sabia se era bom lhe dar um tempo sozinho agora. E se ele pensasse demais e chegasse à conclusão de que Miguel não se importa mais com eles? Mas talvez ele queira um momento para ficar sozinho, mas e se ele apenas foi para o quarto porque está esperando que Miguel vá atrás dele e faça as pazes? Mas pode ser que ele esteja bravo e não queira ver Miguel agora.
Eram tantas coisas que passavam na mente de Miguel que ele já estava tendo um mini surto com as batatas fritas congelando seus dedos.
Ele foi até a cozinha e deixou as batatas no congelador, esperou exatos cinco minutos olhando para o microondas enquanto refletia que realmente podia ter se atentado mais ao horário porque assim como Robby ele sentia falta de sair com seu namorado. Ele sabia que a chateação de Robby não era apenas por hoje, mas sim por todos os dias que eles não puderam sair juntos porque não tinham tempo.
Mas Miguel estava disposto a mudar isso.
Caminhou os pés descalços até o quarto e bateu na porta, abrindo ela minimamente e colocando a cabeça para dentro, vendo Robby deitado na cama abraçado em uma almofada grande em formato de cachorro quente.
— Posso entrar?
— O quarto também é seu — deu de ombros.
Miguel entrou e fechou a porta, enquanto caminhava até a cama tropeçou acidentalmente na cadeira do computador e xingou baixo porque bateu seu mindinho. Robby se controlou muito para não rir.
— Cariño, não fique assim — Miguel se sentou na ponta da cama e viu as bochechas vermelhas e os olhos molhados. Isso indica que Robby chorou e isso partiu seu coração — me desculpa...
— Tá bom...
— Ah, olha pra mim... me perdoa de verdade, bebê.
Robby se sentou na cama ainda segurando a almofada e com um olharzinho triste.
— Eu deveria ter me atentado mais ao horário, eu queria muito fazer isso com você mas vacilei em não ter priorizado o nosso horário. Me desculpa por ter feito você esperar e não ter te avisado, me desculpa também por não ter tido tanto tempo para nós ultimamente, você é a pessoa mais importante para mim e eu não quero estragar tudo por causa de uma agenda apertada — Miguel disse, estava realmente arrependido.
— Não se desculpe por tudo... eu também não tenho tempo todos os dias e não é justo só você levar a culpa — Robby confessou.
— Mas se for preciso eu levo a culpa por tudo, posso até assumir a culpa pelo vaso quebrado semana passada. Eu só quero que você volte a sorrir de novo e não fique bravo ou chateado comigo.
— Miguel Diaz, foi você que quebrou o vaso?
— Isso não vem ao caso agora, meu lindo.
Robby não sabia se ria ou se atirava a almofada nele, então acabou por fazer as duas coisas.
— Eu juro que foi sem querer — Miguel choramingou enquanto rastejava sorrateiramente para perto do namorado.
— Você foi um cínico dizendo que tinha sido o gato da vizinha.
— Eu entrei em pânico, não posso negar.
Robby negou com a cabeça e Miguel abraçou sua cintura, se deitando na cama também.
— Me desculpa? Não só pelo vaso.
— Está tudo bem, eu exagerei um pouco porque fiquei bravo na hora — Robby disse.
— Você tinha razão, eu poderia ao menos ter...
— Não, Miggy — Robby abraçou seu namorado agarrado em seu corpo — já passou, não adianta mais falarmos o que deveria ter sido feito ou não. Eu entendo, eu juro.
— Mesmo?
Robby assentiu.
— Prometo que as coisas vão ser melhores agora.
— Tudo se tornou melhor desde que você entrou na minha vida — Robby disse e Miguel sorriu como um bobo — mas eu só te perdoo de verdade com uma condição.
— E qual seria?
— Quero mil beijos por dia.
Miguel sorriu bobo.
— Acho que não vou conseguir cumprir... porque você vai ganhar muito mais do que isso.
Miguel começou a dar beijos pelo rosto de Robby enquanto o outro ria, foram vários beijos nas bochechas, na testa, no queixo e até na pontinha do nariz.
Quando perceberam, Robby estava deitado na cama e Miguel por cima do seu corpo.
— Eu posso fazer isso o dia todo, Robby Keene.
— É o que veremos, Miguel Diaz.
Miguel deixou um selinho nos lábios do seu amado.
Robby sorri quando eles se afastam.
— Seu sorriso é a obra de arte mais linda que eu já vi — Miguel falou, sentiu a mão de Robby acariciar sua bochecha e deixou um beijo na mão do outro.
— Eu amo você.
Miguel encarava aqueles lindos olhos verdes e se perdia com tanta beleza.
— Eu também te amo, mais do que qualquer coisa — o cacheado disse, dessa vez recebendo um beijo.
Foram incontáveis selinhos que deram um no outro até transformarem em um beijo apaixonado, as mãos de Robby amavam se perder no meio dos cachos cheirosos e macios de Miguel, enquanto as de Miguel adoravam se perder no corpo cheio de curvas do seu namorado.
Robby recebeu muitos beijinhos naquela tarde, até que decidiram assistir um filme em casa mesmo, onde Miguel fez pipoca e eles acabaram se divertindo e percebendo que independente do lugar onde estiverem, a única coisa que realmente importa é a companhia um do outro.
O filme correu com algumas risadas, tensões e até algumas lágrimas, mas principalmente com muitos beijinhos.
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