capítulo 3

JJ saiu do quarto, seus passos pesados ecoando pelo corredor enquanto ele descia as escadas. Sua mente estava uma confusão de pensamentos, mas ele sabia que não queria ficar sozinho naquele momento. Ao chegar na cozinha, encontrou Wheezie, que agora estava mexendo no celular.

— Wheezie — ele chamou, tentando parecer mais animado do que realmente se sentia. — Você está ocupada agora?"

Ela levantou os olhos do celular e sorriu.

— Não, só estou aqui sem fazer nada. — pelo olhar de JJ ela percebeu que a conversa com Rafe não foi nada boa, mas preferiu não dizer nada — O que você tem em mente?

JJ deu de ombros, tentando pensar em algo que pudesse afastar seus pensamentos sombrios.

— O que você acha de fazermos o bolo? Não sou muito bom nisso, mas acho que poderia ser divertido.

Os olhos de Wheezie brilharam de entusiasmo.

— Eu adoraria! Vamos fazer isso! — Ela pulou da cadeira e começou a reunir os ingredientes enquanto JJ procurava por aventais.

Logo, os dois estavam misturando a massa, Wheezie guiando JJ através do processo. JJ tentou seguir as instruções, mas logo ficou evidente que suas habilidades culinárias deixavam muito a desejar. Ele derramou mais farinha do que o necessário, misturou os ingredientes na ordem errada e acabou fazendo uma bagunça enorme na bancada.

Wheezie riu, tentando esconder seu divertimento com o desajeito de JJ.

— Você realmente não faz isso com frequência, faz? — ela brincou.

JJ sorriu, sentindo-se um pouco mais leve.

— Nem um pouco. Acho que minha especialidade é comer, não cozinhar.

Eles continuaram a trabalhar no bolo, rindo e conversando. A distração era exatamente o que JJ precisava. Por um momento, ele conseguiu esquecer seus problemas e simplesmente aproveitar a companhia de Wheezie, que era uma boa amiga.

Quando finalmente colocaram o bolo no forno, JJ estava coberto de farinha e tinha um sorriso no rosto.

— Acho que não fizemos um trabalho tão ruim — ele disse, olhando para o forno.

Wheezie concordou, limpando as mãos no avental.

— Eu acho que fizemos um ótimo trabalho. E foi divertido!

JJ assentiu, sentindo-se grato pela pequena irmã de Rafe.

— Obrigado, Wheezie. Eu realmente precisava disso.

Ela sorriu, dando um pequeno abraço em JJ.

— Sempre que precisar, JJ.

[...]

— Por que escolheu justamente um filme de terror? — JJ questionou.

— Porque são os melhores! Vamos, não seja medroso, JJ — Wheezie disse.

Anoiteceu, JJ não tinha o intuito de voltar para casa, então acabou passando um longo tempo com Wheezie. Às vezes tinha uma briga interna em seu cérebro sobre ir até o quarto de Rafe de novo para saber se ele havia se acalmado, mas preferiu não procurá-lo por enquanto, também não pode negar que as palavras do loiro machucaram.

Wheezie e JJ estão na sala, depois de comerem algumas fatias do bolo de chocolate com muita cobertura e surpreendentemente bom, ela sugeriu que assistissem um filme e JJ aceitou, mas quase deu para trás quando soube que era de terror.

Eles se acomodaram no sofá da sala, com a luz da TV sendo a única iluminação do ambiente. O filme de terror começou, e JJ sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ele tentou se concentrar na tela, mas sua mente continuava a divagar, pensando em Rafe e nas palavras duras que foram trocadas.

À medida que o filme avançava, Wheezie estava completamente envolvida, enquanto JJ se mexia inquieto no sofá, tentando não mostrar o quanto estava nervoso. Ele olhava de vez em quando para a cozinha, onde a luz estava apagada, descobrindo que o escuro era ainda pior.

De repente, um grito estridente saiu da tela, fazendo JJ e Wheezie pularem de susto. JJ tentou rir para disfarçar seu nervosismo, mas antes que pudesse se acalmar, sentiu uma presença atrás dele.

Rafe apareceu silenciosamente, espiando por cima do sofá, e de repente gritou, "Boo!" no ouvido de JJ. JJ deu um salto tão alto que quase caiu do sofá, seu coração batendo descontroladamente. Wheezie também se assustou, mas foi JJ quem ficou visivelmente mais abalado.

— Rafe, seu idiota! — JJ exclamou, tentando recuperar o fôlego enquanto Wheezie ria, visivelmente aliviada por não ter sido a única a se assustar.

Rafe riu, um som que era mais ameaçador do que amigável. Ele se moveu ao redor do sofá e se jogou ao lado de JJ, que ainda tentava se recompor.

— O que vocês dois estão vendo? — Rafe perguntou, seu tom era leve.

— Apenas assistindo a um filme, — Wheezie respondeu, ainda rindo. — Você assustou a gente de verdade, idiota.

Rafe deu de ombros, sua atenção se voltando para JJ.

— Parece que alguém está meio nervoso hoje — ele disse, seus olhos azuis fixos nos de JJ.

JJ tentou manter a compostura, mas sentia-se vulnerável sob o olhar intenso de Rafe.

— Não é nada, só o filme... — JJ murmurou, desviando o olhar.

Rafe sorriu, mas seus olhos não mostravam humor.

— É melhor você se acostumar, JJ. Eu sempre estarei por perto — ele disse, JJ não respondeu.

Rafe parecia agir como se nada tivesse acontecido mais cedo, JJ odiava aquilo.

Eles passaram a assistir o filme juntos e em silêncio, com JJ apertando a almofada a cada susto que levava. Quando o filme acabou, Wheezie foi para o seu quarto, antes dando boa noite aos dois e perguntando se JJ ficaria aquela noite, onde Rafe respondeu primeiro afirmando.

Os dois ficaram sozinhos na sala e JJ não sabia o que dizer, se é que deveria dizer algo.

A tensão no ar era palpável. JJ evitava olhar diretamente para Rafe, que estava relaxado no sofá, os olhos ainda fixos na tela apagada da TV. Finalmente, Rafe quebrou o silêncio.

— Você vai ficar aí parado, ou vamos conversar? — ele perguntou, a voz carregada de uma mistura de irritação e algo que JJ não conseguia identificar.

JJ respirou fundo, reunindo coragem para enfrentar a situação.

— Sobre o que exatamente, Rafe? Sobre como você me tratou mais cedo? — JJ disse, tentando manter a voz firme.

Rafe virou a cabeça lentamente, seu olhar encontrando o de JJ. Havia um brilho de exasperação em seus olhos, mas também algo que parecia arrependimento.

— Olha, JJ... — Rafe começou, passando a mão pela cabeça. — Eu sei que fui um idiota mais cedo. Eu estava com raiva e disse coisas que não devia. — Sua voz era firme, mas havia uma tensão subjacente que JJ não pôde ignorar.

JJ cruzou os braços, tentando proteger-se emocionalmente.

— Você acha? Você sempre faz isso, Rafe. Sempre desconta em mim quando está com raiva. Eu só estava preocupado com você. — JJ soltou, sentindo a frustração borbulhando.

Rafe bufou, claramente lutando com suas próprias emoções.

— Eu não sou bom com isso, ok? Não sou bom em... pedir desculpas ou mostrar que me importo. Mas eu me importo, JJ. — Ele fez uma pausa, seu olhar se suavizando um pouco. — Eu só... não sei como mostrar isso sem parecer fraco.

JJ olhou para Rafe, vendo a sinceridade em seus olhos. Parte dele queria acreditar, mas outra parte estava cansada de sempre ser aquele que tinha que entender e perdoar.

— Eu não quero que você seja perfeito, Rafe. Eu só quero que você pare de me machucar. — JJ disse, sua voz quebrando um pouco.

Rafe se levantou do sofá, aproximando-se de JJ. Ele estendeu a mão, hesitando antes de colocar suavemente sobre a bochecha de JJ.

— Eu vou tentar. Não prometo que vou conseguir de uma hora para outra, mas eu vou tentar, JJ. — Sua voz estava mais suave agora, quase vulnerável.

JJ olhou para a mão de Rafe e depois para o rosto dele. Havia um conflito interno nos olhos de Rafe, um desejo genuíno de melhorar misturado com o medo de não conseguir.

— Tudo bem. — JJ finalmente disse, colocando a mão sobre a de Rafe. — Mas você tem que realmente tentar, Rafe.

Rafe assentiu, fazendo carinho ali antes de afastar.

— Eu sei que sou um idiota, mas é tão difícil… eu tenho medo… medo de perder você. — confessou.

— Sabe que eu não vou a lugar algum.

— Mas eles… os seus amigos, eles vão…

— Eu não vou deixar, Rafe. — JJ o interrompeu — se você soubesse metade do que eu fiz para estarmos aqui hoje…

Rafe olhou para JJ, seus olhos azuis intensos, buscando alguma resposta no rosto do loiro.

— O que você quer dizer com isso? — Rafe perguntou, seu tom um pouco mais suave.

JJ suspirou, sentindo uma mistura de frustração e carinho. Ele sabia que Rafe tinha um lado vulnerável, um lado que raramente mostrava.

— Quero dizer que lutei por nós, Rafe. E vou continuar lutando, mas você precisa fazer sua parte também. — JJ disse, sua voz firme mas carinhosa.

Rafe chegou mais perto, seus olhos fixos nos de JJ. Havia uma intensidade em seu olhar que fez o coração de JJ acelerar.

— Eu quero fazer minha parte, JJ. Só não sei como. — Rafe confessou, sua voz baixa e rouca.

— A gente pode começar com uma promessa. — JJ murmurou, seus olhos presos aos de Rafe. — Uma promessa de que vamos tentar melhorar, juntos.

Rafe segurou a mão de JJ em seu peito, apertando levemente. Seus olhos brilharam com um misto de determinação e vulnerabilidade.

— Eu prometo. — ele disse, a voz firme. — Vou tentar ser melhor, por nós dois.

JJ assentiu, sentindo uma onda de alívio e esperança. Ele sabia que não seria fácil, mas aquele momento parecia um passo na direção certa.

Rafe inclinou-se, seus lábios roçando os de JJ em um beijo suave, quase hesitante. JJ retribuiu, sentindo-se mais próximo de Rafe do que nunca. Quando o beijo se aprofundou, uma mistura de necessidade e desejo tomou conta dos dois.

Rafe puxou JJ para mais perto, suas mãos percorrendo as costas dele com possessividade, mas também com carinho. JJ se entregou, permitindo-se ser consumido pelo momento, esquecendo todas as mágoas e inseguranças.

Quando finalmente se separaram, ambos estavam sem fôlego, os olhos brilhando com uma intensidade renovada.

— Vamos subir? — Rafe sugeriu, sua voz baixa.

JJ apenas assentiu, permitindo-se ser guiado por Rafe, sentindo que talvez, só talvez, eles poderiam encontrar um caminho juntos, um onde a possessividade e o carinho pudessem coexistir.

Os dois subiram para o quarto de Rafe, onde o Cameron capturou os lábios de JJ ao que ele fechou a porta atrás de si.

— JJ… — Rafe começou, sua voz rouca e carregada de emoção. — Eu sei que fui um idiota. Mas eu não consigo suportar a ideia de te perder.

JJ suspirou, sentindo as palavras de Rafe ecoarem em seu coração. Ele colocou as mãos no rosto de Rafe, acariciando suavemente suas bochechas.

— Eu sei, Rafe — JJ murmurou, sua voz suave e carinhosa. — Eu também não quero isso.

Sem mais palavras, Rafe capturou os lábios de JJ em um beijo ardente e necessitado. Os corpos de ambos se pressionaram um contra o outro, a urgência e a paixão se manifestando em cada toque, cada respiração entrecortada.

Rafe guiou JJ até a cama, onde eles se entregaram ao calor do momento. Suas roupas foram retiradas com pressa, revelando pele quente e corpos que ansiavam por se fundir um no outro. Rafe explorou cada centímetro de JJ com devoção, suas mãos grandes e fortes deslizando por sua pele, provocando arrepios de prazer.

— Você é meu, JJ — Rafe murmurou entre beijos, sua voz rouca e carregada de possessividade. — Só meu.

JJ gemeu em resposta, entregando-se completamente ao toque de Rafe. Seus corpos se moviam em um ritmo sincronizado, uma dança de desejo e paixão que os consumia por completo. O quarto estava mergulhado em uma penumbra suave, apenas a luz fraca das velas refletindo nos corpos entrelaçados.

Suas mãos firmes seguraram JJ com uma força quase desesperada, como se temesse que o loiro pudesse escapar a qualquer momento. JJ fechou os olhos, deixando-se levar pelo toque intenso de Rafe, permitindo que as emoções conflitantes que sentia se dissipassem, ao menos por agora.

A respiração de ambos se acelerava conforme o momento se intensificava. Rafe era impetuoso, mas havia um toque de suavidade em seus gestos, como se ele quisesse compensar cada palavra rude, cada momento de tensão, com carinho e devoção. JJ correspondia, movendo-se contra Rafe com uma necessidade urgente, mas havia também uma entrega que ele raramente permitia a si mesmo sentir.

Quando Rafe finalmente se deitou sobre JJ, seus corpos se moldando perfeitamente um ao outro, o mundo pareceu se resumir àquele momento. Os movimentos de Rafe eram rítmicos, mas carregados de emoção, como se estivesse tentando expressar com cada impulso o quanto JJ significava para ele. E JJ, com cada suspiro e gemido, mostrava a Rafe que, apesar de tudo, ele estava ali, disposto a lutar pelo que sentia.

O quarto estava tomado pelo som das respirações pesadas, do farfalhar dos lençóis, e dos murmúrios baixos que escapavam dos lábios de ambos. Era um momento de redenção, de cura, onde, por breves instantes, a dor e as mágoas se dissipavam, dando lugar ao desejo e à conexão profunda que os unia.

Quando o clímax os atingiu, foi como uma explosão de emoções reprimidas, um alívio que percorreu cada fibra de seus corpos. Rafe se deixou cair ao lado de JJ, ainda tentando recuperar o fôlego. Ele puxou JJ para perto, abraçando-o com força, como se quisesse gravar aquele momento na memória.

— Eu te amo, JJ — Rafe sussurrou, a voz trêmula, como se estivesse fazendo uma promessa silenciosa.

JJ sentiu uma lágrima solitária escapar de seus olhos, mas ele sorriu, repousando a cabeça no peito de Rafe.

— Eu também te amo, Rafe. — respondeu baixinho, permitindo que, pela primeira vez em muito tempo, ele acreditasse que poderiam, de fato, construir algo melhor juntos.

Enquanto os dois ficavam ali, abraçados, o mundo lá fora parecia distante e irrelevante. Naquele momento, tudo o que importava era a promessa silenciosa de que, apesar de tudo, as coisas ficariam bem…

Até acontecer outra vez.

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