capítulo 2
— JJ! — Wheezie foi animada até JJ para abraçá-lo.
Se dissessem para JJ há meses atrás que ele estaria agora, um sábado, deixando de passar o dia na praia para ir até a casa dos Cameron passar o dia com Rafe a pedido do mesmo, ele diria que a pessoa enlouqueceu!
Mas era exatamente isso que ele estava fazendo agora, e talvez o louco fosse ele.
O sábado chegou e, bom… lá estava ele.
JJ sorriu e retribuiu o abraço de Wheezie, bagunçando seu cabelo de leve. Ela era a única pessoa da casa dos Cameron com quem ele se dava bem, além de Rafe, é claro.
— Ei, Wheezie! — ele disse, sorrindo. — Como você está?
— Estou bem! E você? Faz tempo que não te vejo por aqui. — Wheezie respondeu, soltando JJ e olhando-o com curiosidade.
— Estou bem também. — JJ disse, tentando soar mais animado do que se sentia. — Só tentando sobreviver ao Rafe, como sempre.
Wheezie riu, balançando a cabeça.
— Boa sorte com isso. Ele está lá em cima, no quarto dele. — ela disse, apontando para as escadas. — Eu sou a única em casa, então não se preocupe com o resto.
JJ assentiu, agradecendo e subindo as escadas em direção ao quarto de Rafe. Cada passo que ele dava, sentia o nervosismo crescer. Ele nunca sabia o que esperar quando se tratava de Rafe, mas uma coisa era certa: ele não conseguia ficar longe.
Chegando ao quarto de Rafe, JJ bateu levemente na porta antes de abrir.
— Rafe? — ele chamou, entrando no quarto.
Rafe estava deitado na cama, olhando para o celular, mas levantou a cabeça ao ouvir a voz de JJ. Um sorriso apareceu em seus lábios.
— Finalmente! — ele disse, levantando-se e indo até JJ. — Achei que você fosse desistir e correr para a praia.
JJ revirou os olhos, fechando a porta atrás de si.
— Eu prometi que viria, não prometi? — ele disse, cruzando os braços.
Rafe sorriu ainda mais, se aproximando de JJ e colocando as mãos em seus ombros.
— Bom saber. — ele murmurou, inclinando-se para um beijo.
JJ fechou os olhos e se entregou ao momento, sentindo a familiaridade dos lábios de Rafe contra os seus. Quando se separaram, JJ olhou nos olhos de Rafe, sentindo a intensidade do olhar dele.
— Então, o que vamos fazer hoje? — JJ perguntou, tentando aliviar a tensão.
Rafe sorriu de lado, um brilho misterioso em seus olhos.
— Tenho algumas ideias. — ele disse, puxando JJ para a cama. — Mas primeiro, preciso que me ajude em algo.
— O que é? — se sentou na confortável cama do Cameron ao seu lado e o viu pesquisando no celular algumas pranchas de surf. — Você vai começar a surfar? — perguntou surpreso, já que Rafe odeia surf.
— Não exatamente. — Rafe respondeu, o sorrisinho ainda presente em seus lábios. — Eu estava pensando em comprar uma prancha nova para você.
JJ piscou, surpreso.
— O quê? Não, você não precisa fazer isso, Rafe. Eu já tenho uma prancha, e ela está ótima.
Rafe balançou a cabeça, determinado.
— Eu quero fazer isso. Considere um presente meu para você. — ele disse, sua voz firme, mas havia um tom carinhoso por trás.
JJ suspirou, sabendo que discutir com Rafe não levaria a lugar nenhum. Ele conhecia bem aquele olhar determinado.
— Rafe, sério, eu não preciso de uma prancha nova. Eu estou bem com a que tenho. — ele insistiu, mas o olhar de Rafe não vacilou.
— Eu quero que você tenha o melhor. E, além disso, vai ser algo meu para você. — Rafe disse, a voz suavizando um pouco. — Por favor, JJ, deixa eu fazer isso por você.
JJ olhou nos olhos de Rafe, vendo a sinceridade e o desejo de agradá-lo. Ele sabia que Rafe tinha essa necessidade de controlar e proteger, mas também sabia que isso vinha de um lugar de carinho, mesmo que fosse um pouco possessivo.
— Tá bom, tá bom. — JJ disse finalmente, levantando as mãos em rendição. — Mas nada de gastar uma fortuna, ok?
Rafe sorriu, satisfeito com a resposta.
— Não seria um problema. — ele disse, voltando a olhar para o celular. — Agora, vem aqui e me ajuda a escolher.
JJ se sentou ao lado de Rafe, olhando para as pranchas que ele havia selecionado. Eles passaram algum tempo discutindo as opções, com JJ tentando escolher algo que não fosse excessivamente caro, enquanto Rafe insistia nas melhores e mais caras.
— Essa aqui. — JJ disse finalmente, apontando para uma prancha que achou perfeita. — É boa, e não é tão cara quanto as outras.
Rafe olhou para a prancha e assentiu.
— Está bem. Se você gosta dessa, então é essa que vamos comprar. — ele disse, pegando o celular e começando a fazer o pedido.
JJ observou Rafe finalizar a compra, sentindo um misto de gratidão e frustração. Ele sabia que Rafe queria o melhor para ele, mas às vezes era difícil aceitar tanta generosidade, principalmente entender seu humor.
— Obrigado, Rafe. — JJ disse, sorrindo suavemente.
Rafe olhou para ele, seu olhar suave e carinhoso.
— De nada, Loiro. — ele respondeu, puxando JJ para mais perto. — Eu só quero te ver feliz.
JJ suspirou, relaxando nos braços de Rafe. Ele sabia que a relação deles era complicada, mas momentos como esse eram bons.
— Você é impossível, sabia? — JJ murmurou, fechando os olhos e se aninhando mais perto de Rafe.
Os dois ficaram em silêncio, apenas aproveitando a companhia um do outro. JJ sabia que, apesar das complicações, estar com Rafe era onde ele queria estar. E isso, no fim das contas, era o que realmente importava.
[ . . . ]
Rafe não sabia como JJ tinha esse poder, mas estavam agora deitados na cama assistindo Barbie apenas porque JJ pediu. Rafe odiava isso, mas não era culpa sua se JJ ficava tão adorável concentrado na TV.
— Está com fome?
— Uhm? — JJ perguntou, seus olhos azuis presos na TV e Rafe queria apertar suas bochechas por ser tão fofo.
— Você não comeu desde que chegou.
— Eu estou bem.
— O que comeu em casa?
JJ pareceu pensativo, então olhou para Rafe com certa timidez.
— Nada…?
— Como assim “Nada”? — Rafe franziu a testa. — Está me dizendo que acordou às oito da manhã e não comeu nada até agora?
— Meio que sim…
— Porra, JJ.
— O que? Não é nada demais e…
— Quando foi sua última refeição? — JJ sentia o tom irritado na voz de Rafe.
— Comi um burrito ontem com a Kiara.
Rafe se irritou ainda mais pelo nome citado.
— Que horas, Maybank?
— Pela tarde, quando voltei da praia.
— Caralho, quantas vezes eu tenho que ficar repetindo pra você comer? Porra, você não faz nenhuma refeição direito porque fica ocupado demais com seus amigos idiotas.
— Como eu poderia fazer uma refeição se não tenho o que comer em casa, Rafe? A Kiara não sabia que aquele burrito que pagou pra mim era a minha primeira refeição do dia, muito menos a última.
Rafe suspirou e levou as mãos até o rosto, fechando seus olhos e esfregando ali, sentindo-se ainda mais irritado e agora culpado pela situação.
— Por que não me disse?
— Porque não é sua obrigação fazer nada a respeito.
— Porra, o seu pai é um merda.
JJ abaixou a cabeça, sentindo-se envergonhado. Ele sabia que Rafe estava certo, mas não queria admitir o quanto sua situação em casa era ruim.
— Ele é um alcoólatra e irresponsável que não dá a mínima para você. — Rafe continuou, sua voz crescendo em frustração. — Como ele pode te deixar sem comida? Isso é inaceitável!
JJ encolheu os ombros, tentando minimizar a situação.
— Eu me viro. Sempre me virei. — ele murmurou, sem olhar para Rafe.
Rafe se levantou abruptamente, andando de um lado para o outro no quarto. Ele estava furioso, e JJ podia ver a raiva brilhando nos olhos dele.
— Você não deveria ter que se virar, JJ! — Rafe explodiu. — Você é só um garoto. Seu pai deveria cuidar de você, te alimentar, te proteger!
— Rafe, por favor, calma. — JJ tentou acalmar Rafe, mas sabia que quando ele ficava assim, era difícil.
— Calma? Como posso ficar calmo sabendo que você está passando por isso? — Rafe parou de andar e olhou para JJ, seu rosto vermelho de raiva. — Ele bateu em você também, não bateu? Eu vi aquelas marcas, JJ.
JJ engoliu em seco, não querendo discutir isso, mas a expressão no rosto de Rafe era determinada.
— Ele... ele estava bêbado. — JJ admitiu, sua voz quase um sussurro. — Ele não sabia o que estava fazendo.
Rafe cerrou os punhos, seus olhos queimando de raiva.
— Isso não é desculpa! — ele gritou. — Ele não tem o direito de te machucar, nunca!
JJ ficou em silêncio, sentindo-se pequeno e vulnerável. Ele sabia que Rafe estava apenas tentando protegê-lo, mas a intensidade da raiva dele era assustadora.
— Eu deveria ir lá e dar uma lição nele. — Rafe murmurou, sua voz cheia de determinação perigosa.
— Não, Rafe, por favor. — JJ implorou, levantando-se e segurando o braço de Rafe. — Isso só vai piorar as coisas.
Rafe olhou para JJ, sua expressão suavizando um pouco, mas a raiva ainda era evidente.
— Eu só quero te proteger. — ele disse, sua voz agora baixa e cheia de dor. — Eu odeio saber que você está passando por isso e não posso fazer nada.
JJ abraçou Rafe, tentando acalmar seu coração acelerado.
— Eu sei, Rafe. — ele sussurrou. — Mas estar aqui com você já ajuda muito. Você me faz sentir seguro.
Rafe suspirou, abraçando JJ de volta com força.
— Eu vou fazer o possível para que você nunca mais passe por isso, JJ. — ele prometeu — Você merece muito mais do que isso.
— Você não precisa se preocupar.
— Por favor — ele disse baixo. — me deixe cuidar de você. — Rafe respondeu, beijando o topo da cabeça de JJ.
JJ não disse nada, apenas assentiu com a cabeça e deixou que Rafe o acolhesse em seus braços.
— Vamos descer. — Rafe se afastou apenas para segurar sua mão.
Eles saíram do quarto, descendo as escadas sentiram um cheiro de comida.
— Que cheiro é esse? — Rafe murmurou, não era comum a casa emanar esse cheiro tão bom, já que quase ninguém cozinhava ali.
— Eu não sei, mas é bom.
Eles entraram na cozinha e viram Wheezie, ocupada no fogão, preparando alguma comida. Ela olhou para os dois e sorriu, apontando para a mesa.
— Sentem-se, rapazes. O almoço está quase pronto. — ela disse com um brilho nos olhos.
Rafe levantou uma sobrancelha, olhando para a irmã mais nova.
— Você cozinhando, Wheezie? — ele provocou. — Quem diria!
Wheezie revirou os olhos, mas manteve o sorriso.
— Alguém tem que fazer isso, já que você e papai são inúteis na cozinha. — ela respondeu com um tom brincalhão.
JJ riu, sentindo-se um pouco mais à vontade com a leveza da interação.
— Então, o que estamos comendo? — ele perguntou, sentando-se à mesa.
— Fiz peixe grelhado com legumes e arroz. — Wheezie disse, voltando sua atenção para a comida. — Espero que gostem.
Rafe olhou para JJ e, apesar de estar claramente irritado com a situação, pegou um prato e começou a servir comida para ele.
— Aqui, JJ. Coma. — ele disse, colocando uma generosa porção no prato de JJ antes de fazer o próprio.
JJ sorriu agradecido, começando a comer. O peixe estava delicioso, e ele percebeu o quanto estava faminto.
— Isso está ótimo, Wheezie. Obrigado. — JJ disse, olhando para ela com gratidão.
Wheezie sorriu, satisfeita.
— Fico feliz que goste. — ela respondeu, servindo-se também.
Rafe continuou a comer em silêncio, mas a expressão em seu rosto suavizou ao ver JJ se alimentando. Ele sabia que a situação de JJ em casa era difícil, e isso apenas aumentava seu desejo de proteger o loiro.
— Não se acostume com isso. — Rafe disse, dando uma olhada em Wheezie. — Cozinhar não é sua tarefa permanente.
Wheezie revirou os olhos novamente.
— Relaxa, Rafe. Eu gosto de cozinhar de vez em quando. — ela respondeu com um sorriso.
A tensão no ar diminuiu à medida que a refeição continuava, e JJ se sentiu grato por ter momentos como esse, onde ele podia se sentir parte de uma família, mesmo que por um breve período.
— JJ, você gosta de bolo? — Wheezie perguntou, quebrando o silêncio.
— Eu adoro bolo.
— Principalmente aqueles que têm chantilly e fazem a maior bagunça — Rafe completou, descontente.
— Vamos fazer um bolo? — perguntou animada.
— Ah não — Rafe negou com a cabeça — JJ é meu convidado, não vou deixar você ficar alugando ele com coisas chatas.
— Mas ele aguenta você sendo assim insuportável, umas horinhas fazendo um bolo é a salvação dele.
JJ reprimiu uma risada.
— Você não tem nenhuma boneca pra brincar? — Rafe implicou.
— Não, mas tenho um cunhado para fazer bolo comigo. Vamos, JJ?
— Eu adoraria ajudar você, Wheezie.
— Vamos ver quem vai colocar fogo na casa primeiro — Rafe falou.
— Pare de ser chato e nos ajude também.
— Eu não sei fazer bolo.
— Eu te ensino.
— E quem disse que eu quero?
— Seria legal se nos ajudasse — JJ comentou.
— Tá, eu ajudo.
— Porque com ele você cede rapidinho? — Wheezie cerrou os olhos.
— Porque ele não é uma nanica chata.
— E porque você ama ele?
Ela sorriu como se tivesse um plano em mente e cruzou os braços, olhando para ele de forma desafiadora.
— Você me irrita. Vou pegar meu celular.
Rafe se levantou, saindo da mesa e ela riu, sendo acompanhada por JJ.
— Ele nunca fez um bolo na vida, não é?
— Nunca. Você já fez? — ela perguntou.
— Sim, mas digamos que não deu muito certo, tive um acidente com o fermento e quase explodi o forno.
— Meu Deus… teremos um grande desafio hoje.
Ouviram um barulho na sala e imaginaram que seria Rafe descendo as escadas, mas JJ levou um susto quando viu Sarah entrando na cozinha.
— Uau, que cheiro bo- JJ? — ela começou, interrompendo-se ao notar a presença dele na cozinha.
JJ virou-se rapidamente para encará-la, tentando disfarçar sua surpresa ao vê-la ali na casa dos Camerons.
— Sarah! — Wheezie exclamou, rapidamente assumindo o controle da situação. — Que bom que você chegou. Estávamos justamente falando sobre aprender a surfar.
Sarah franziu o cenho, olhando alternadamente entre Wheezie e JJ.
— A surfar? — ela repetiu, claramente confusa. — JJ, desde quando você ensina surf?
JJ sentiu o calor subir ao seu rosto, tentando pensar em uma resposta plausível. Ele não queria mentir para Sarah, mas também não queria revelar detalhes.
Seus amigos não sabiam que ele havia começado a ensinar surf para as crianças na praia, era recente e ele não teve tempo para contar.
— Bem, é uma coisa nova. Wheezie me pediu conselhos porque ela está interessada em aprender, então eu ofereci para ajudar. — ele finalmente respondeu, escolhendo suas palavras com cuidado.
Sarah olhou de JJ para Wheezie, avaliando a situação. Ela conhecia bem o irmão e sabia que ele podia ser imprevisível em suas decisões.
— Hm, interessante. Você vai ser professor de surf agora, JJ? — ela perguntou, um leve sorriso brincando em seus lábios.
JJ assentiu, tentando manter a calma apesar da crescente ansiedade. Ele sabia que Sarah não era tola e podia facilmente perceber quando algo estava diferente.
— Parece divertido. Wheezie, você vai gostar. — Sarah comentou, voltando-se para sua irmã mais nova.
Wheezie sorriu, aliviada por Sarah não ter pressionado mais sobre o assunto.
— Mal posso esperar! JJ parece ser um ótimo professor, não é mesmo? — ela disse, olhando para JJ com um olhar encorajador.
JJ sentiu um pequeno alívio com a mudança de assunto.
— Espero não decepcionar. — ele respondeu, tentando manter o tom leve.
Rafe desceu as escadas com um sorriso irônico pronto para provocar Wheezie e JJ sobre eles terem colocado fogo na casa. Mas ao ver Sarah ali, a atmosfera mudou instantaneamente. Sua expressão endureceu, uma mistura de surpresa e irritação cruzando seu rosto.
— O que está fazendo aqui? — sua voz saiu mais áspera do que pretendia.
Sarah olhou para Rafe, percebendo imediatamente a mudança de humor dele. Ela cruzou os braços, mantendo um olhar firme.
— Eu vim ver como você está, Rafe. — respondeu sarcástica, mantendo a calma apesar da clara hostilidade de Rafe. — Vim perguntar se a Wheezie quer ir fazer compras. Por que? Não posso mais frequentar minha própria casa?
Ele deu um passo à frente, aproximando-se mais de Sarah com uma expressão dura.
— Você não deveria estar aqui. — sua voz era baixa, mas carregada de intensidade. — Você não tem ideia do que está acontecendo.
Wheezie olhou preocupada de Rafe para Sarah, tentando entender o que estava acontecendo.
— Rafe, relaxa. Não há problema nenhum, ela mora aqui. — Wheezie tentou acalmar a situação.
Rafe ignorou Wheezie, seu foco totalmente em Sarah. Ele estava lutando para manter a calma, sua mente criando cenários inexistentes e girando ao redor de Pogues descobrindo sobre ele e JJ e o tirando de sua vida.
Rafe estava tenso, seus punhos cerrados ao lado do corpo enquanto encarava Sarah com uma intensidade que deixava claro seu desconforto e raiva contida. Sarah, por sua vez, não estava acostumada com esse tipo de reação de Rafe e sentiu a atmosfera tensa no ar.
— Rafe, o que está acontecendo? — Sarah perguntou, tentando manter a calma, mas também mostrando um leve tom de desafio em sua voz.
Wheezie sentiu o clima pesar e tentou intervir novamente.
— Sarah, está tudo bem. Rafe apenas teve um dia difícil. — ela tentou acalmar a situação, olhando de Rafe para Sarah com preocupação.
Rafe soltou um suspiro pesado, lutando para controlar sua raiva. Ele não queria explodir na frente de Sarah, mas sua mente estava fervendo com pensamentos e preocupações.
— Não é da sua conta, Sarah. Você não deveria estar aqui.
Sarah arqueou uma sobrancelha, acostumada com esse tipo de tratamento de Rafe.
— Eu moro aqui, Rafe. Tenho todo o direito de estar aqui. — ela respondeu, cruzando os braços em defesa.
Rafe deu um passo à frente, seus olhos fixos nos dela.
— Você não entende, Sarah. Não sabe o que está acontecendo aqui. — ele disse, sua voz começando a subir em volume.
Wheezie olhou de um para o outro, sentindo o desconforto se intensificar. Ela não queria estar no meio dessa briga, mas também não podia simplesmente ignorar a situação.
— Rafe, por favor, não faça isso. Sarah não fez nada de errado. — Wheezie tentou intervir novamente, seus olhos indo de Rafe para Sarah, implorando silenciosamente por calma.
Rafe virou-se para Wheezie, frustração clara em seu rosto.
— Você não entende, Wheezie. — ele disse, sua voz mais baixa agora, mas carregada de desespero. — Eles vão descobrir, vão tirar ele de mim.
Sarah franziu a testa, confusa com as palavras de Rafe. Ela não conseguia entender o que ele estava falando, mas algo no tom de sua voz a fez sentir um nó de preocupação se formando em seu estômago.
— Rafe, do que está falando? Quem vai tirar quem de você? — ela perguntou, sua voz mais suave agora, tentando acalmar a situação.
Rafe olhou para Sarah, um misto de raiva e medo em seus olhos.
Rafe fechou os olhos por um momento, lutando com suas próprias emoções turbulentas, sua mente estava gritando.
JJ não sabia o que fazer, não tinha ideia que Rafe pensava isso.
— Sai daqui… — murmurou baixo, seu olhar perdido. — SAI DAQUI, PORRA!
JJ sentiu um arrepio percorrer sua espinha ao ouvir Rafe gritar com Sarah daquele jeito. Ele nunca tinha visto Rafe tão fora de controle, tão desesperado. A atmosfera pesada na cozinha era palpável, e JJ se sentiu completamente perdido entre o homem que amava e sua amiga.
— Rafe, calma! — Wheezie interveio, tentando acalmar seu irmão mais velho. — Não precisa gritar assim. Sarah não fez nada.
— Rafe, eu… eu não entendo. O que está acontecendo? — ela perguntou novamente, sua voz quase um sussurro.
— Sempre que você está por perto você estraga tudo. — Rafe murmurou, Sarah nunca tinha visto Rafe a encarando daquela maneira, nem falando daquela forma. — saia daqui antes que eu mesmo faça você sair.
— Você é maluco!
Sarah saiu da cozinha com a ameaça, não entendeu o comportamento de Rafe, mas também não estava com paciência para entender.
Quando ouviu a porta da frente batendo, Rafe saiu da cozinha com sangue nos olhos, subindo as escadas e indo para o seu quarto.
— O que foi isso…? — Wheezie perguntou.
— Eu não sei…
— Eu… eu vou lavar louça. — ela se levantou.
— Eu vou conversar com ele. — JJ se levantou também.
— Tem certeza? É difícil quando ele…
— Tudo bem. — JJ disse com confiança — eu volto para te ajudar.
— Não se preocupe. Boa sorte.
JJ hesitou por um momento antes de bater suavemente na porta do quarto de Rafe. Quando a porta se abriu, Rafe estava encostado na parede, os olhos faiscando de raiva.
— Rafe, você está bem? — JJ perguntou com cautela, preocupação evidente em sua voz. Ele deu um passo adiante, querendo estar perto, querendo confortar.
JJ se afastou um pouco, desviando o olhar.
— O que você quer, JJ? Por que está aqui?
JJ franziu a testa e sentiu seu coração apertar ao ver Rafe tão fechado, tão distante.
— Eu... Eu sei que as coisas ficaram difíceis com sua irmã. Só queria saber se você quer conversar, desabafar...
— Eu não quero conversar! — Rafe explodiu, seus punhos se fechando com força — Eu não preciso da sua piedade, nem das suas perguntas.
As palavras de Rafe ecoaram pelo quarto, carregadas de uma raiva que JJ não estava acostumado a ver. Ele se sentiu como se tivesse pisado em um campo minado, cada palavra de Rafe uma explosão de frustração.
— Rafe, eu só estou tentando… — JJ começou a dizer, tentando manter sua própria voz firme apesar do aperto em seu peito.
— Eu disse para você sair! — Rafe cortou, dando um passo ameaçador na direção de JJ. — Não me faça repetir.
O coração de JJ afundou diante da dureza nas palavras de Rafe. Não estava entendend, aquele não era o seu Rafe.
— Ok, Cameron. — JJ murmurou finalmente, lutando para conter as lágrimas que ameaçavam escapar. — Eu só... Eu só me importo com você, Rafe.
Sem esperar por mais nada, JJ virou as costas e saiu do quarto. Ele podia sentir o olhar de Rafe queimando suas costas, mas não teve coragem de olhar para trás. O corredor pareceu se estreitar enquanto ele caminhava, seu coração pesando com a dor da rejeição e a amargura, as lágrimas não paravam de cair.
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