14♡

Nós chegamos finalmente no local, Theo estacionou o carro em frente ao meu restaurante favorito. Eu sempre arrasto os meninos pra cá quando eu tô com fome e não quero comer em casa, o Theo sabe que esse é tipo o meu segundo lugar favorito, não é nenhum restaurante chique ou popular, mas tem uma comida perfeita.

— Gostou? — Theo pergunta com um sorriso, assim que nos sentamos em uma mesa do lado de fora

— Claro! Já faz tipo, uma semana que eu não como aqui, isso é quase uma década pra mim. — falei sincero e ele riu

— Eu sei que aqui é o seu segundo lugar favorito, mas como não tenho dinheiro pra te levar no cinema... — ele pareceu meio constrangido e arrependido de ter falado — Enfim, Dunbar. Vamos pedir — ele pega o cardápio e faço o mesmo. O Theo sempre foi fechado quando o assunto é vida pessoal, ele não nos conta nada, mesmo que ele esteja passando pelo pior problema do mundo, ele prefere guardar tudo pra si, e isso me mata

— Como estão as coisas com seu pai? — arrisquei perguntar, deixando o cardápio de lado e encarando o rapaz a minha frente

— A mesma coisa de sempre — ele larga o cardápio e suspira — Ele briga comigo, faz eu me sentir um lixo e depois pede desculpas, pra depois na primeira oportunidade que ele tiver, dizer que fui o motivo da separação dele e da mamãe e que sou um péssimo filho — despejou tudo de uma vez — Fora isso, estamos ótimos.

O garçom veio até nós e fizemos o nosso pedido, logo ele voltou com a água que Theo havia pedido, ele saiu novamente e então voltei a encarar Theo, que estava com o olhar distante. Merda, eu sei que ele tá mal mas eu não sei o que fazer, dizer que vai ficar tudo bem não é o bastante, não deve ser nada fácil pra ele tudo isso sobre o pai dele, mas eu quero ajudar de alguma forma, eu quero ver ele bem.

— Olha, Theo... — ele olhou para mim — Eu só quero que você saiba que eu estou aqui — levei minha mão até a sua que estava em cima da mesa — Você é um cabeça dura do caralho, que insiste em guardar tudo pra você e eu tenho vontade de te socar por isso — ele riu baixinho — Mas eu tô aqui, me diz como eu posso te ajudar, eu quero isso... De verdade.

— Relaxa, baixinho — ele entrelaçou nossos dedos e senti um frio na barriga — Eu prometo que se eu precisar de ajuda, eu vou te ligar no mesmo instante

— É sério, Theo... Eu me importo com você — as palavras saíram da minha boca e quando percebi já era tarde demais — Não quero te ver triste — sinto ele acariciar minha mão com o polegar

— Obrigado... De verdade — ele sorriu, seu sorriso aqueceu meu coração — Agora vamos falar sobre o que interessa — ele soltou minha mão delicadamente e se encostou na cadeira atrás de si — Quando vai admitir que está caidinho por mim? — ele falou em um tom brincalhão e revirei os olhos

— Vai a merda, Theodore — riu. Ele se mexeu um pouco e retirou seu celular do bolso e olhou brevemente para o lado — É o Scott — diz depois de encarar a tela, logo peguei meu celular e abri a câmera

— Não se mexe — digo e ele fica parado com uma expressão assustada

— O que foi? É um bicho? Ai meu Deus, Liam, mata, mata — rio

— Não, seu idiota — encaro meu celular — Sorri, Theo — peço e ele me olha com um semblante confuso mas logo entende ao ver o aparelho em minha mão — Seja espontâneo, Theodore. — Ele sorri e um sorriso involuntário se forma em meus lábios antes de tirar a foto — A não — digo desviando o olhar do meu celular para as pessoas que acabaram de entrar no restaurante

— O que? Não ficou boa? — pergunta e nego

— Olha pra trás. — digo negando com a cabeça

Assim que ele olha, Stiles nos vê e acena de forma desajeitada e com um sorriso, ele cutuca Scott que sem novidade nenhuma, estava distraído e não nos viu, Isaac está roendo sua unha enquanto observa tudo com cara de tédio, Brett e Danny estão rindo de alguma coisa que vêem no celular.

— Só pode ser brincadeira — Theo fala se virando de volta para mim e colocando as mãos na cabeça — Tem alguma chance de eles não terem nos visto aqui?

— Eles estão vindo pra cá — digo e Theo choraminga baixinho. Nossos amigos são maravilhosos, mas quando se trata de privacidade é uma coisa complicada, uma vez eles fizeram uma aposta idiota e Scott literalmente invadiu um encontro do Stiles, e a Lydia bateu nele, literalmente socou ele.

— Que mundo pequeno — Stiles falou parando em frente a mesa

— Você viu minha mensagem? — Scott perguntou ao Theo que assentiu — Estávamos passando por aqui e de repente vimos a falsidade de Beacon Hills

— Podemos nos sentar? Obrigado, eu tô morrendo de fome — Stiles pegou uma cadeira e se sentou ao meu lado — Sentem aí, gente. Ele falou aos meninos que logo fizeram o mesmo

Theo me olhava com uma cara de desespero e encolhi os ombros.

— De quem foi a idéia de vir aqui? — Theo perguntou visivelmente irritado

— Isaac — Danny respondeu e olhamos para o Isaac

— O que? Eu estava com fome, não sabia que vocês viriam pra cá — deu de ombros

— Qual é, esse é o restaurante preferido do Liam ele sempre arrasta vocês pra cá, isso não foi uma coincidência — Theo gostoso Raeken falou

— Enfim, podemos pedir? — Scott falou reprimindo um sorrisinho. Claro que eles vieram de propósito

— Nós já pedimos — falei

Eles começaram a conversar entre si, é nítida a raiva do Theo porque os meninos aparecerem aqui só estraga o nosso "encontro perfeito". Levei minha mão até a sua que estava em cima da mesa, ele logo me olhou pelo ato e dei um sorriso para demostrar que estava tudo bem, ele sorriu de volta e acariciou minha mão.

— Ai meu Deus, eu preciso experimentar esse frango assado — Stiles disse olhando o cardápio enquanto fazia gestos com a mão

— Você poderia não gritar? — Danny pediu com cautela. O Danny é o único mais sensato aqui, não sei como os meninos convenceram ele de vir aqui estragar o nosso encontro, talvez tenham prometido pagar a comida. Bom, assim nem eu recusaria

O garçom chegou com o meu pedido e com o do Theo, o espaguete à bolonhesa do Theo e o meu hambúrguer com fritas.

— Você quer o meu, né? — Theo perguntou com uma voz de tédio enquanto eu encarava seu prato e assenti sorrindo

— Talvez você nem seja tão chato assim, né Theodore — falei enquanto trocamos nossos pratos e ele riu

— Você me ama que eu sei, Dunbar — o de olhos verdes falou convencido e revirei os olhos

— Vai nessa, Raeken.

Por mais que os meninos vieram estragar o nosso momento, não deu muito certo porque enquanto eles praticamente se matavam pra escolherem os seus pedidos, eu e o Theo conversávamos sobre coisas aleatórias e riamos loucamente ao lembrar das coisas que fizemos um com o outro quando nos odiavamos. Não que eu não o odeie agora, agh, você entendeu!

Nós terminamos de comer e os meninos ainda pediram sobremesa, o Theo literalmente me obrigou a não pagar a minha comida e ele pagou pra nós dois. Saímos do restaurante, deixando um Stiles gritando, um Danny arrependido, um Isaac faminto e um Scott e Brett bêbados em plena luz do dia.

— Que tal um sorvete? — ele pergunta enquanto entrelaça nossos dedos

— P-Pode ser. — que droga, eu gaguejei. Por que eu gaguejei?

— Nervoso, Dunbar? — aquele maldito sorrisinho de canto se formou em seus lábios

— Eu? Nervoso por causa de você? Pff... — tentei não parecer ter me importado com seu toque, mas que merda, Dunbar

— Vou fingir que acredito. — nós continuamos andando mas dessa vez em silêncio. É bom estar com o Theo, eu jamais admitiria isso mas eu gosto de estar com ele, ele se tornou uma pessoa essencial na minha vida, talvez já fosse antes mas eu não percebia.

Nós paramos em frente a sorveteria e compramos duas casquinhas de baunilha, voltamos andando e rindo até o carro

— Você é uma criança mesmo, Liam — Theo falou se aproximando e limpando o canto da minha boca com o polegar e logo levando até sua boca. Porra Theo, você é burro demais pra notar que isso foi sexy pra caralho — Vem. — disse abrindo a porta de seu carro, logo entrei e ele deu a volta e entrou no banco do motorista

— Se sujar meu carro eu te mato — ri fraco

— Impossível isso aqui ficar pior — falei rindo e senti duas mãos me agarrarem e logo eu estava no colo do Theo o encarando

— Vai se arrepender de ter falado do meu carro, Dunbar. — Theo falou sério e logo seu semblante mudou quando ele começou a fazer cócegas em mim

— Eu vou te matar, Theo — digo rindo — Me solta, por favor — continuei rindo quando meu corpo foi para trás e acabei apertando a buzina sem querer. Theo parou de me fazer cócegas e começou a rir das pessoas que estavam ao redor e se assustaram com o barulho

— Vou te levar pra casa, baixinho — ele falou pegando o sorvete da minha mão, que agora estava tipo, bem amassado e jogando pela janela

— Theo! — o repreendi

— O que? Não tem lixo aqui — justificou

— Mas podíamos ter esperado pra jogar em casa — falei.

— Teria derretido — falou e revirei os olhos

Ele abraçou minha cintura e ficou me encarando, uma de suas mãos subiu até meu rosto e começou a acaricia-lo. Cada detalhe desse idiota é tão lindo, eu me perco nesses olhos verdes todas as vezes que olho para ele, porra Raeken, o que você tá fazendo comigo?...

Nossos lábios se encontraram em um beijo lento, sua língua doce e gelada invadiu minha boca e minhas mãos foram para o seu rosto, nossa sincronia é perfeita e nosso beijo mais ainda. Nos afastamos quando o ar se fez necessário e ele estava sorrindo

— Porra, eu sou tão rend-... — parei de falar quando me dei conta do que quase falou — Vamos. — saí do seu colo e ele permanecia com aquele sorriso bobo

Logo ele deu partida no carro e fomos em silêncio até minha casa. As vezes eu tenho que segurar mais minha língua, eu quase falei que sou rendido a ele, porra, eu ia falar que sou rendido à essa droga de sorriso dele... Talvez eu realmente seja, mas eu não preciso admitir isso em voz alta.

Nós chegamos até minha casa e dessa vez o silêncio foi constrangedor

— Bom... Tchau — falei meio sem graça e ele me olhou. Quando me dei conta eu já estava em seu colo e estávamos nos beijando novamente

Ele acaricia minha cintura, o beijo é lento e sem pressa pra terminar. Uma onda de sentimentos percorre sobre mim, eu não sei explicar o tudo isso mas é bom, é muito bom. Desci minhas mãos até seu abdômen e subi de volta para o peito, quando fui me ajeitar em seu colo ele separou o beijo bruscamente, me fazendo levar um pequeno susto.

— Liam, é melhor não. — o olhei confuso

— O que aconteceu? Eu fiz alguma coisa? — perguntei preocupado e ele negou rapidamente com a cabeça

— Não, sim... Nós conversamos sobre isso Liam, eu não quero transar agora, eu... — a aposta... A maldita da aposta — Você sabe disso e ainda fica rebolando no meu colo e... — olhei pra baixo e pude ver o motivo de tanto surto, ele tá duro

— Theo, eu não estava fazendo nada, eu só queria te abraçar melhor, eu não quis causar isso — falei com sinceridade, eu realmente não tinha segundas intenções, eu estava curtindo o momento, só isso.

— Liam... — ele suspira — me desculpa...

— Olha, Theo. Eu não aguento mais isso — saí do seu colo — No começo eu estava me divertindo mas agora as coisas mudaram — Theo me olha de uma forma confusa — Porra, eu sei dessa droga de aposta! — soltei e ele arregalou levemente os olhos

— Sa-Sabe? — ele falou nervoso — Liam, eu... — o interrompi

— Ok, você é um idiota, você, o Scott e todos que concordaram com essa palhaçada. Eu descobri tudo, Theo, eu descobri tudo e estava tentando fazer você perder — comecei a falar irritado — Claramente não deu certo, você fugiu de mim em todas as oportunidades possíveis e daqui uma semana será o novo capitão do time de lacrosse — desci do carro e bati a porta, mas antes que eu pudesse entrar em casa Theo veio até mim e segurou meu braço

— Deixa eu explicar, Liam — me soltei de sua mão

— Caralho, a gente tava tendo um momento bom ali, um momento legal e você estragou. — digo irritado

— E-eu... — ele mal consegue falar

— Por todo momento eu sabia que tudo que você fazia por mim, não passava de uma obrigação, uma aposta. Mas você mente tão bem que em alguns momentos eu esquecia, eu me perdia no brilho dos seus olhos e nada mais importava — respirei fundo para não chorar — Eu não queria me envolver como me envolvi, Theo, mas aconteceu e a culpa é minha — me virei para ir até a porta

— Espera, Liam... — olhei para ele — Eu também me envolvi, me deixa explicar, me deixa falar com você — ele parece arrependido, parece triste

— Não tem o que explicar, Theo. É isso... Você ganhou a aposta e eu a droga de um coração partido. — falei por fim e entrei em casa

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top