Minha essência

Maia on.. horas antes...

Acordo com barulhos constantes. Demoro alguns segundos  para perceber que minha porta está sendo literalmente espancada por alguém. Imediatamente  me levanto, por instinto olho as horas e são 7 horas da manhã...reluto em perguntar quem está fazendo aquela algazarra  toda, mas quando finalmente  me decido por ir até a porta, ouço a voz de Alice.

– Maia pelo amor de Deus abre essa porta mulher! Precisamos conversar.

Ao abrir a porta observo Alice pedir passagem e já ir adentrando a minha casa sem mesmo me esperar responde. Alice e eu nos tornamos  bem próximas já que estamos sempre nos protegendo das investidas nojentas de nosso chefe.

- O que deu em você pra aparecer aqui essa hora e fazer esse escândalo todo? Alice é  bom você ter um bom motivo...

– O motivo é simples, O escroto. - Era assim que a gente se referia ao  patrao quando ele não estava por perto.
-  Prometeu enviar alguém para ajudar na organização final do evento de hoje a noite e escolheu você para a função amiga! – Eu a  encarava incrédula, além de todo o trabalho acumulado e de servir de interprete durante o jantar que está por vir, ainda teria que fazer isso?!

- Alice pelo amor de Deus! – Digo passando a mão na minha testa. Ela então continuou.

– Ele está vindo aí falar com você pessoalmente. Quando me disse isso, fiquei preocupada então resolvi vir antes só para o caso dele se passar novamente. Melhor se apressar e trocar logo de roupa....

Eu não posso  acreditar que ele iria vir a minha casa sem avisar.
A verdade era que aquele homem me dava medo as vezes. Só tive tempo de me vestir com roupas mais adequadas e logo ouvi as batidas na porta. Prontamente o atendi, fingindo surpresa.

- Maia...- Ia dizendo o homem enquanto entrava na minha casa. O mesmo pareceu surpreso ao ver Alice sentada numa cadeira no canto da pequena sala.
- Bom dia senhorita Alice, não sabia que estaria aqui! – Nas antes que ela pudesse responder eu a interrompi.

- Alice veio me entregar documentos importantes  para o evento de hoje. Mas me diga a que devo a honra de sua visita assim tão cedo?!

- Ah! Sim, preciso que você ajude na organização final do evento.Junte suas coisa e vá para hotel ainda de manhã pois tem muita  coisa a ser feita.
Antes que eu esqueça, fiz uma reserva pra você, quero que passe a  noite lá! – Minha expressão  assustada o fez acrescentar  rapidamente.

– Você mora muito longe para voltar aqui, se arrumar e depois ainda chegar a tempo no evento. Por tanto será melhor que fique por lá. – Eu estava pronta para retrucar. A situação inteira era muito suspeita, percebi que Alice também me olhava desconfiada. No entanto, acredito que notandando meu desconforto, ele logo tratou de se explicar.

– Você estará se hospedando em nome da empresa, por tanto as despesas  serão por minha conta. Também seria perigoso ficar perambulando por essa região a noite.

- Senhor ... .a senhora  Laura irá ao evento?- Laura era a pobre esposa daquele asqueroso. Uma senhora simpática, porém muito submissa ao marido.

- Por que está perguntado dela? Eu não tinha a intenção de leva-la... estava pensando em ter uma noite mais agradável. – O homem me olha com desejo e eu senti  nojo a cada palavra que saia daquela boca.

- Pergunto, pois sei que o evento é  importante para o senhor e seria inteligente de sua parte levar sua esposa. Sabe homens casados são muito bem vistos pela cultura coreana. Estar acompanhado de sua esposa causará boa impressão. – Falo e olho para Alice que tenta conter o riso, pois já havia entendi oque eu estava tentando fazer.

- Acha mesmo que devo levar ela?! Bom vindo de você que conviveu tanto tempo com um, talvez devo aceitar seu conselho.
- Já vou indo pois tenho uma reunião daqui a pouco e você vá se prepara pois precisa estar antes do meio dia no hotel. –  Disse ele saindo porta afora.

Rapidamente arrumo minhas coisa numa pequena mala de mão, pego os documentos  necessários  para o evento e saio de casa sendo seguida por Alice que agora não parava de falar.

– Você não acha estranho o escroto ter te mandado ficar hospedada lá?! O que será que está querendo?

-  Sinceramente  não sei, mas vou ficar atenta. Não se preocupe.

-  Eu sei que você precisa desse emprego mais que tudo, mas as coisas estão passando do limite já. Por que você não entra logo com esse processo e tenta reaver  pelo menos um pouco daquilo que te foi roubado?! – Sua voz foi ficando fraca quando a mesma viu a expressão em meu rosto, ela sabia que falar do meu passado era algo que me deixava extremamente  irritada. Era incontrolável, eu simplesmente  me fechava sempre que o assunto era trazido a tona.

- Desculpa  eu não deveria tocar nesse assunto, mas me preocupo contigo e hoje não vou estar lá pra te ajudar.-  Ela com os olhos marejados se apressa em explicar.

- Não se preocupe Alice. – Digo com carinho. – Vamos fazer assim, você deixa o seu celular ligado e se eu precisar  de qualquer coisa te chamo, Prometo.

- Combinado, assim fico um pouco mais tranquila. Aliás você quer uma carona?! Vou  passar por lá  mesmo... – Dei um sorriso largo e aceitei sua oferta, afinal o local era praticamente do outro lado da cidade.

Ao chegar ao hotel faço meu check in, recebendo um quarto no primeiro andar, numero 102. Subo o mais rápido possivel e apenas largo meus pertences de qualquer jeito  e minutos depois já estou andando pelo salão de eventos me familiarizado  com o ambiente e ajudando no que podia.
O dia passa num piscar de olhos e  confesso  que estava exausta.

Entro  naquele quarto de hotel e vou  prepara um banho relaxante, pois a noite seria longa. Enquanto estou naquela banheira, fico pensando no  contrato malicioso que o escroto quer fazer o tal grupo assinar, esse simples pensamento me causa náuseas. Meu caráter é  tudo, é minha essência! Sempre pensei assim, mas agora estaria indo contra tudo que me é  mais valioso. Saio da banheira me seco e logo visto a roupa que escolhi, decido por deixar os cabelos soltos e faço uma maquiagem que realça  meus olhos, mas nada muito exagerado. Por fim desço  rumo ao salão de eventos, que agora  já contava com  sua organização  impecável.

- Maia minha querida, você esta linda! – Disse senhora Laura vido em minha direção me abraçando. Logo atrás dela vejo Senhor Antônio, sinto seu olhar queimar sobre mim e isso me incomoda.

– Está tudo certo com os documentos? – Ele pergunta e eu apenas aceno com a cabeça em sinal de aprovação. Minha atenção se volta para a entrada do salão, vejo um  grupo de homens  orientais  adentrando ao mesmo, sinto  meu chefe me cutucar dizendo que aquele era o grupo do qual ele tanto falava.
Passei meus olhos rapidamente  entre eles enquanto  caminhava ao seu encontro sendo seguida por meu chefe e sua esposa. Meus olhos pousaram em um deles, um jovem de cabelos escuros e que sorria pra mim, aquele era de longe o sorriso mais lindo que eu já tinha visto e foi inevitável não sorrir de volta.
Ao me aproximar me curvo em sinal de respeito e me apresento.

- Olá sou Maia Duncan! - Não uso mais o sobrenome daquele homem.

-  É um prazer recebe-los aqui. Sou responsável por auxilia-los com a comunicação. – Sorrio novamente e meus olhos cruzam com os daquele rapaz, porém afasto isso do meu pensamento e continuo já com o escroto afoito atrás de mim.

– Esses são o senhor Antônio Costa e sua esposa a senhora Laura Costa. – Ambos imitam meu gesto e se curvaram. Observo então o homem mais a frente tomar a palavra.

– Ola Maia é  um prazer conhecer você, me surpreende saber que você fala tão bem nosso idioma. Eu sou   Bang si hyuk CEO da Bighit e esses são meus meninos, o BTS, esse é Kim Namjoon mais conhecido com RM, ele é  o líder do grupo. Esse aqui é  Kim Seokjin  o membro  mais velho.
Nesse momento eu ouço uma voz que me faz estremecer de ódio.

- Vejam oque temos aqui! Não acreditei no que via, por um momento pensei que era uma miragem, um devaneio meu, mas é  realmente você Maia!

Eu não me virei, tão pouco o respondi, apenas fiquei olhando o rapaz a minha frente, o mesmo olhava diretamente nos meus olhos  e mesmo com aquela situação toda me vi perdida em seu olhar...apenas por alguns instantes me senti confortável,  sendo trazida de volta a realidade quando escuto meu ex marido se dirigir ao meu chefe, agora falando em português.

– Pensei que meu e-mail tivesse sido claro quanto a você contratar ela?!  Pelo visto  escolheu  ignorar meu pedido! – Observo  o meu chefe guiar o homem para longe do grupo que ainda nos observava. Eu levei alguns segundos pra me recompôs e logo guiei o senhor Bang e o restante do grupo até sua mesa. Pedi licença e me retirei. Precisava de ar fresco se não iria enlouquecer. Fui até a varanda do salão que dava vista para o jardim do hotel. Por que diabos ele estava ali?! Aquele era um evento que visava grupos pouco conhecidos.

Narrador on

Enquanto Maia permanece na varanda, uma conversa começa na mesa do BTS.

- Ela parecia abalada quando o homem chegou! – Afirmou Namjoon  olhando os demais.

– Também percebi, pelo jeito são conhecidos de longa data. - Pontuou Yoongi.

- Acho que vou ver como ela está. – Afirma Jimin já se levantando. Mas ele é  interrompido pelo senhor Bang.

- Jimin fique aqui,  eu mesmo vou ver se está tudo bem com a moça. – Ele sentou-se novamente contrariado.

- Por que está tão interessado? – Perguntou  Jungkook  e Taehyung  logo comentou.

- Nossa vocês viram como ela é  diferente, quero dizer ela é  muito bonita. – Fazendo os outros concordarem com a cabeça.

Maia on

Já estava algum tempo ali perdida em meus pensamentos quando escuto alguém se dirigir a mim.

– Você está bem? – Me viro e vejo o senhor  Bang parado me olhando. Por algum motivo me sinto confortável  perto dele.
– Estou sim, apenas...

- Você apenas encontrou alguém que não queria encontrar, correto?!  - Ele disse antes que  pudesse completar a frase e eu apenas acenei com a cabeça concordando.

– Não se sinta mau, tenho certeza que quem saiu perdendo nessa história  toda foi ele. –  Me disse sorrindo e de algum modo aquilo me confortou.

Fomos interrompidos  pelo escroto que veio falar sobre o contrato. A contragosto traduzi tudo que ele me pediu ao senhor Bang que apenas disse que cuidaria  disso após o jantar.

Voltei a minha  mesa me sentindo péssima, não podia deixa-los assinar aquilo,  ao mesmo tempo se eu me metesse, iria ficar na rua novamente.

Para minha infelicidade  a mesa do Choi ficara praticamente de frente para a minha e eu o vi sentar acompanhado de Lana. Ali estavam na minha frente as duas pessoas em quem eu mais confiei..... me neguei a chorar, não de novo.
Me levantei para ir ao banheiro e noto aquele mesmo garoto do sorriso estonteante, ele me olha com um certo interesse  e aquilo me faz corar, isso não é  comum pra mim.... não costumo receber olhares, não que eu estivesse procurando por alguém.... mais realmente ninguém me chamou atenção nesse tempo todo, pelo menos não até vê-lo mais cedo.
Já no banheiro parada de frente para o espelho digo a mim mesmo.

- Pare com isso Maia ele deve ser pelo menos uns 10 anos mais novo que você, tire isso da cabeça.

Me refresco um pouco e volto para a mesa. Não tenho nem tempo de por minha mente em ordem e meu chefe vem com os documentos  do acordo.... sinto meu estômago revirar.
Vamos de encontro a mesa do Senhor Bang. Eu não podia fazer aquilo, não podia. Quando percebi já estava falando.

– Senhor Bang eu lhe peço desculpas antecipadas pelo que vou dizer, mas não posso levar isso a diante. – Todos me olhavam com atenção, o Senhor Antônio estava alheio ao que eu dizia já que não entendia. Prossegui.

– Não assine o contrato, eu imploro, existem outras empresas aqui que são mais confiáveis que a dele. Veja, o contrato possui clausulas embutidas e maquiadas que vão favorecer somente a parte dele, além disso ele pretende  forçá-los a quebrar o contrato, assim recebendo a multa absurda que consta aqui.
Me perdoe por ter feito parte disso até aqui. – Nesse momento ouço  Choi falando com meu chefe, ele traduzia o que eu tinha falado. O homem marcha  em minha direção furioso. Ele acaba  impedido por alguns staff que estavam por perto. Meus olhos estavam marejados, mas eu não me permitia chorar.

- Por que decidiu contar a verdade?! – Pergunta o gentil homem a minha frente.

- Só me resta uma única coisa nessa vida, meu caráter. Eu jamais conseguiria me olhar no espelho novamente sabendo que fiz parte de algo assim. – Respondo olhando em seus olhos. Ele então pergunta.

– Se você fosse me indicar uma empresa confiável aqui, de quem seria? – 3ngulo em seco e respondo.

-   A  Ten on Ten  Senhor,  Sei que é  uma empresa séria. - Ele então me analisando diz.

–  A empresa do senhor Choi?! Como tem tanta certeza? 

E eu respondo.

– Por que fui eu quem a construiu. - Me curvo e  me dirigindo  ao Antônio  que búfala no canto , olho em seus olhos e digo

– Eu me demito! – Saio do salão ainda ouvindo os protestos daquele traste e me dirijo ao bar do hotel, me sento pedindo ao Barman um drink qualquer.

– Como você pôde ser tão idiota, perdeu sua única fonte de renda, apenas pra preservar seu caráter.

- Falando sozinha?! Você não fazia isso quando estávamos juntos. – Choi tinha o costume de falar em coreano comigo quando não queria que os demais entendesse.

– O que quer? Não tem nada mais  útil pra fazer ?!

- Tenho sim querida, na verdade vim te agradecer, pois depois daquele seu discurso, sei que as portas se abriram pra mim. - Diz ele se apoiando de costas para o balcão.

- Eu não fiz isso por você, fiz por eles que não mereciam passar por aquilo. – Falo com minha cabeça apoiada em umas das mãos e levando o drink a boca com a outra.

- Tudo pra ter a consciência  limpa?! Você não muda mesmo. Bom pelo menos agora meu caminho está livre. – Ele diz parecendo se divertir com situação.

- O que você entende de caráter e consciência limpa Choi?! – Pergunto enquanto solto um risada sarcástica e soprada entre os dentes.

– Não deveria deixar minha irmãzinha Lana sozinha. – Digo isso me virando pra ele e com um olhar sínico continuo.
– Sabe, Lana possui muitas qualidades, mas paciência e polimento são coisas que faltam a ela. – Observar a expressão  de desgosto na cara dele me deixou satisfeita, afinal ele sabia que eu tinha razão.
– Imagina o escândalo  que ela pode fazer se te ver aqui.....ou pior vai que ela encontra um velho rico  interessante e resolva te trocar, afinal caráter é  mais uma das coisas que faltam nela. Vá, vai logo e me deixe em paz! – Observo o homem erguer a mão. Estava crente que levaria um tapa ali mesmo, mas somos interrompidos.

Jimin on

A cada segundo me sinto mais impaciente, por algum motivo eu tinha que saber como ela estava. Aquela mulher acabou de abrir mão do próprio emprego por nós, pessoas que ela nem conhecia. Observo o tal do Choi saindo logo atrás dela deixando a mulher que o acompanha com cara de poucos amigos. Quando vi já estava de pé e dizendo:

- Gente eu vou atrás dela, preciso saber se está tudo bem. – Percebo que todos me olham surpreso e logo começam a questionar.

– Porque está tão preocupado Jimin?! Olha só acho que alguém se apaixonou a primeira vista! – Diz Jin já dando gargalhadas. Mas ele para assim que nota meu olhar sério.

– Va ver como ela está e se aquele homem estiver com ela o tal do  Choi, mande que venha até aqui, leve um staff com você. – Diz senhor Bang  deixando todos nós surpresos. Parece que ele também  está preocupado.
Assim, logo saímos eu e o staff procurando por eles. Não demoro muito a encontrá-los no bar do hotel.

Eles conversam em coreano e estão tão distraídos que não notam minha presença o que me permite escutar parte do que falam. Fico surpreso com as respostas que a mulher da, ela de fato é muito forte, com tudo quando vejo o homem erguer a mão, os interrompo, tinha certeza que ele bateria nela.

- Desculpa  interromper. – digo  olhando diretamente nos olhos dela, ah aqueles olhos! Vejo ela olhar surpresa, mas logo um sorriso sincero preenche seus lábios, oque me faz sorrir também.

– Senhor Choi,  o CEO Bang o aguarda e me pediu para vir procura-lo. – Observo o homem me olhar logo se recompondo do diálogo que estava tendo e sorri falso, concordando com a cabeça e seguindo o staff que havia vindo comigo. Vejo Maia virar para o balcão e pedir mais uma dose, decido acompanhar ela e peço uma pra mim.

- Você não é  muito novo pra estar bebendo? – Me pergunta,  fitando o próprio copo.

– Bom sou grande o suficiente! – Sorrimos os dois juntos.

- Obrigada pelo que fez hoje. – Digo com sinceridade, é  a segunda vez hoje que vejo seus olhos marejados, porém ela não chora. Algo a impede. Logo acrescento.
– Que tal mudarmos de assunto?! – vejo ela sorrir e concordar.
- Até agora só sei seu nome e que você tem um azar muito grande com homens. – A frase saiu antes mesmo que eu pudesse pensar direito e isso  deixou envergonhado.
Ela pareceu surpresa no começo, mas logo sorriu abertamente.

- Muito bem! O que um rapaz gato como você quer saber sobre mim,?! Deixa eu ver o que posso te contar... – Ela disso cruzando os braços e virando pra mim.
Como se estivesse  se culpando, ela para e  começa a falar consigo mesma.

– Até parece que tem algo interessante  sobre uma mulher divorciada de 29 anos que agora vai morar na rua por que foi burra o suficiente pra jogar tudo fora.

Aquilo me magoou, tudo que eu via era uma mulher  delicada e muito ética a minha frente. Ela se levanta e sai  andando se desculpando comigo.

– Ei espera  onde você vai agora? – Pergunto enquanto seguro seu pulso, aquilo foi algo involuntário, mas senti uma descarga de energia  quando nossas peles se tocaram... posso afirmar que ela também sentiu por que a vi estremecer. Na sequência  tirei meu paletó e coloquei nela, lhe causando um certo espanto.

- Obrigada. Eu tenho que ir ao quarto no qual estou hospedada, buscar minhas coisas. Só estou com um pouco de receio de encontrar o Senhor Antônio  a minha espera, já que foi a empresa dele quem reservou e pagou o quarto. – Era a primeira vez que  a via sendo frágil e demonstrando medo.

– Eu vou com você,  é  o mínimo  que posso fazer depois de tudo que aconteceu. – Ela não hesitou,  apenas sorriu e saímos caminhando lado a lado.
O caminho foi silencioso, apenas apreciamos um ao outro. Lá estávamos no meio do longo corredor que fazia uma leve curva mais a frente.

- Vá entre e pegue suas coisas eu te espe...- Não consigo terminar a frase já que vejo  ela  assustada ao escutar a voz do tal homem. Ele estava se aproximando pelo lado da curva, por tanto logo nos veria. Se  aproximava esbravejando, todo o barulho que fazia anunciava a sua chegada.

Sem pensar direito eu a tomei em meus braços a girando e  encaixando nossos corpos e nossos lábios.
Fiz ela caminhar para trás sem separar nosso ósculo e a encostei na porta do outro lado do corredor. Assim me posicionei  na sua frente.

O tempo parecia ter parado. Ela retribui o beijo na mesma intensidade. Escutei os passos do homem passarem por nós, mas parecia que eles estavam tão distantes. Sinto meu rosto molhar, me afasto e a vejo derramar algumas lágrimas, eu as seco imediatamente... Eu devia pedir desculpas, mas ela como se  ela sentir isso,  me abraça sem falar nada. Permanecemos assim encaixados um no outro. Sentia meu coração acelerar muito.

- Uhuh... – Escuto alguém limpar a garganta e me viro surpreso.

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