𝟬𝟴 𖧹 Em Buscɑ de Respostɑs

❝Com meu rosto contra o chão
Eu não posso ver quem
me tirou do caminho
Eu não quero me levantar
Mas eu tenho que fazer isso❞

Slipknot ━━ XIX

NO DIA SEGUINTE AO enterro de Miranda, enquanto os familiares se reuniam, cada um carregando o peso do luto, Soraia encontrava-se à beira de um novo começo. A despedida final de sua prima não era um ponto final, mas uma vírgula em sua história compartilhada. Com a determinação que lhe era característica, ela escolheu não seguir o caminho de volta para casa com seus pais. Nova York, a metrópole pulsante que havia sido o palco dos últimos dias da jovem, agora se tornava o cenário da missão de Soraia.

Ela estava resoluta em sua decisão de permanecer, sentindo-se inclinada a permanecer na cidade que guardava as últimas memórias da universitária. Soraia estava pronta para trilhar as ruas que havia percorrido, para buscar as histórias não contadas e as verdades escondidas nas sombras da grande cidade.

Com um coração pesado, mas um espírito inabalável, ela estava disposta a desvendar, por conta própria, a verdade por trás do trágico destino de sua prima, convencida de que as respostas que procurava estavam ali, esperando para serem descobertas.

Vestida de forma simples, a bela mulher de pele morena e longos cabelos negros cacheados presos em um rabo de cavalo alto, Soraia adentrou o Café Amarelo, um local que Miranda mencionava sempre com afeto. O café era um oásis urbano, suas paredes eram um mosaico de arte colorida e as mesas de madeira carregavam as marcas do tempo.

Escolhendo um canto aconchegante, pediu um café preto ━━ Robusto e adoçado, exatamente como sua prima preferia. O aroma do café recém-preparado se entrelaçava com o cheiro doce dos pastéis que saíam do forno, enquanto Soraia desdobrava o jornal do dia. A manchete era um golpe duro, destacando destino trágico de Miranda:

"Estudante Universitária Encontrada Sem Vida em Banheira de Hotel: Suspeita de Suicídio"

A foto acompanhante mostrava Miranda radiante, um contraste doloroso com a seriedade da notícia. Soraia analisou cada frase do artigo, buscando indícios que pudessem ter passado despercebidos. Ela tinha convicção de que havia mais na história; Miranda transbordava vida e sonhos para o futuro. Apesar de seus desafios com a ansiedade, Soraia tinha certeza de que sua prima jamais escolheria terminar sua própria vida.

Absorta em pensamentos, Soraia traçava mentalmente os próximos passos de sua investigação independente.

Com o jornal agora dobrado sob o braço e a última gota de café na xícara, ela se levantou, pronta para agir. Após acertar a conta, deixou o café com uma determinação renovada. Nova York é uma metrópole de mistérios insondáveis, mas Soraia estava resoluta em desvendar a verdade, não importando os obstáculos. A memória de sua prima exigia essa busca pela verdade.

A investigação começou no quarto de hotel onde Miranda fora encontrada, um local que parecia congelado no tempo, repleto de emoções e segredos não revelados. Soraia entrou no quarto com uma respiração contida, o ambiente carregado de uma tristeza palpável.

A cama desarrumada, os lençóis revirados, como se tivessem sido palco de uma luta interna. No espelho, uma imagem turva refletia o semblante de alguém que havia chorado muito. E na mesinha de cabeceira, uma garrafa de água pela metade e vestígios de medicamentos. Soraia sentiu imediatamente que algo não se encaixava na cena diante dela.

Os funcionários do motel, cada um com sua própria história e rotina diária, tornaram-se figuras-chave na investigação de Soraia. Ela os abordou com uma mistura de empatia e determinação, sabendo que qualquer detalhe, por menor que fosse, poderia ser a chave para desvendar o mistério.

Com uma atenção meticulosa, ela observou suas reações, suas hesitações, e a maneira como seus olhos desviavam ou fixavam em pontos distantes quando questionados sobre a noite do incidente. Eles insistiram que nada anormal havia ocorrido, mas Soraia percebeu a cautela em suas vozes, uma relutância em falar que sugeria que havia mais na história do que estavam dispostos a admitir.

Quanto aos amigos de Miranda, eles eram um grupo diversificado, unidos pela amizade com a jovem estudante. Reunidos em um pequeno café que Miranda frequentava, eles compartilharam histórias e lembranças, mas quando o assunto mudou para Miles e a noite da tragédia, uma sombra de preocupação passou por seus rostos. Com paciência e sensibilidade, Soraia conseguiu quebrar as barreiras do medo que os impedia de falar abertamente.


Eles revelaram que Miles tinha um lado controlador, que ele monitorava os movimentos de Miranda, suas comunicações e até suas amizades. Essas revelações pintaram um retrato perturbador da dinâmica de seu relacionamento, adicionando uma nova camada de complexidade ao caso.

Esses encontros deixaram a mexicana com uma sensação de urgência e uma série de novas pistas para seguir. Ela sabia que cada fragmento de informação era um passo em direção à verdade, e ela estava determinada a seguir cada um deles até o fim.

Ao longo das semanas seguintes, manteve-se fiel aos princípios legais e éticos, compartilhando meticulosamente cada descoberta com a polícia local. Sua busca pela verdade a levou até a imponente mansão dos Bennett, uma estrutura de mármore cercada por jardins meticulosamente cuidados que pareciam esconder segredos tão bem quanto flores.

O herdeiro não esperava ser confrontado por alguém tão diretamente ligado a Miranda, e muito menos por alguém com um conhecimento aprofundado em direito criminal como Soraia.

Surpreso, mas tentando não demonstrar, ele se esforçou para manter a compostura, apresentando-se como cooperativo e aberto ao diálogo. No entanto, por trás de sua fachada de calma, Sánchez podia sentir a tensão ━━ A maneira como ele media cada palavra e o esforço que fazia para manter um semblante de ajuda poderia muito bem ser uma máscara cuidadosamente construída para ocultar a verdade.

Durante a conversa, Miles responde às perguntas de Soraia com respostas que parecem ensaiadas, mantendo um tom de voz estável e um olhar firme. Ele fala de sua relação com Miranda, descrevendo-a como amorosa e sem conflitos.

No entanto, a mexicana percebe pequenas inconsistências em seu relato e uma certa pressa em mudar de assunto, quando ela se aprofunda em detalhes mais específicos. Com sua intuição aguçada, ela nota que, embora Miles tente transmitir sinceridade, há momentos em que seu olhar desvia ou sua voz falha ligeiramente. Ela se mantém atenta a esses sinais, pois eles podem indicar que ele está escondendo algo ou lutando com a culpa.

Os empregados da mansão Bennett, treinados na arte da discrição, eram como sentinelas de um reino de segredos. Soraia, com sua mente analítica e olhar atento, entrevistou cada um deles, buscando qualquer fenda em suas armaduras de lealdade. Ela percebeu que, apesar de suas afirmações de não terem visto nada fora do comum, havia uma tensão subjacente em suas palavras, um medo quase imperceptível de dizer demais.

O mordomo, um homem de postura imponente e olhar calculista, mantinha-se firme, mas Soraia notou um breve tremor em suas mãos quando mencionou a noite do incidente. A governanta, uma mulher de meia-idade com olhos que pareciam carregar o peso de muitos segredos, hesitou por um instante antes de responder, seu olhar desviando-se rapidamente para a porta como se esperasse que alguém pudesse ouvir.

Soraia sabia que a verdade estava escondida nas sombras daquela mansão opulenta, e estava determinada a trazê-la à luz. Ela caminhou pelos corredores silenciosos, observando as obras de arte que adornavam as paredes, cada uma possivelmente uma testemunha muda dos eventos que se desenrolaram ali. Ela sentiu a atmosfera carregada de cada sala, como se as paredes estivessem ansiosas para revelar seus segredos.

Quando finalmente confrontou Miles, ele estava sentado em uma das salas de estar luxuosas, rodeado por retratos de antepassados que observavam a cena com expressões severas. Ele tentou manter uma fachada de calma e controle, mas a mulher percebeu a maneira como seus olhos evitavam os dela, como suas mãos se ajustavam nervosamente na cadeira. Suas respostas eram polidas, mas havia uma rigidez em sua voz, uma pressa em encerrar o assunto que não passou despercebida por ela.

Soraia deixou a mansão com mais perguntas do que respostas, mas com uma certeza crescente de que estava no caminho certo. Ela não permitiria que a influência de Bennett encobrisse a verdade sobre o que aconteceu com Miranda. Com cada passo, com cada palavra trocada, ela estava montando o quebra-cabeça, e estava cada vez mais perto de descobrir o que realmente aconteceu naquela fatídica noite.

A memória de Miranda, a justiça que ela merecia, era o farol que guiava Soraia através da escuridão, da incerteza e do medo. E ela não pararia até que cada peça estivesse no lugar, até que a verdade fosse revelada.

𝓘mperdoάvel
• Capítulo com 1447 Palavras
• Escrita por Maíra Lima
• Sem Revisão Ortográfica
• Publicado 03 de Maio de 2024
• Todos os Direitos Reservados © 𝟮𝟬𝟮𝟰

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