⚞𝐶𝑎𝑝𝑖́𝑡𝑢𝑙𝑜 7 - 𝐹𝑖𝑜 𝑣𝑒𝑟𝑚𝑒𝑙𝒉𝑜⚟

Alin e An estavam sentadas no sofá marrom, com a luz do sol entrando pelas as janelas de vidros. Alin estava com os olhos grandes, atenta no que sua mãe falava.

- O nome da lenda é "Akai ito". Acredita-se que o fio vermelho invisível que une as pessoas que estão destinadas a ficarem juntas, não importa o tempo. - ouvi minha irmã dizer para a pequena Alin. Me aproximei, as duas sorriram para mim. Peguei Alin no colo e me sentei para ouvir.

- Eu tenho esse fio vermelho? - minha sobrinha perguntou. An sorriu.

- Claro, mas ela é invisível, não dá para ver. Na outra ponta, está o amor da sua vida. - Alin sorriu batendo palmas. Ri da sua felicidade.

- E onde o fio vermelho está em mim? - Alin questionou.

- Em seu dedo mindinho. - An pegou a mãozinha de Alin e fechou os dedos dela, menos o mindinho. Alin ficou maravilhada só por ver seu dedinho.

- Por que no mindinho?

- O dedo mindinho é uma extensão de seu coração. Assim irá conectar seu coração com o da outra pessoa.

- Sua mãe também me contava sobre essa lenda o tempo todo. - contei para Alin - Mas ela sempre me dava fios vermelhos para ilustrar. - admiti, fazendo An ficar boquiaberta.

- Para seu governo, eu tenho fios vermelhos. - ela riu, se levantando.

Assistimos ela abrir uma gaveta do armário que tinha na sala e tirar de lá uma caixa branca.

An se sentou em nossa frente, abriu a caixa e lá, estava emaranhados de fios vermelhos.

- Tome, Alin. - ela segurou a ponta do fio, quase saltitando em meu colo - Agora, sua alma gêmea também está vendo o fio vermelho. - Alin sorriu grandemente.

Ela enfiou a mão na caixa e tirou mais um fio vermelho, se voltou para mim e disse:

- Aqui, tio. Fique com seu fio vermelho. Sua alma gêmea está vendo também. - agarrei o fio, beijei sua testa, agradecendo-a.

- Obrigado, querida. Agora preciso ir para a universidade. - ela estalou um beijo em minha bochecha.

Peguei minha mochila e fechei a porta de casa atrás de mim.

Um barulho no lado esquerdo do jardim, me despertou a atenção. Caminho em passos lentos, sentindo o sol aquecer meu rosto. De uma distância não muito distante, vi meu pai regar as flores do jardim. Sua atenção estava por completo nas graciosas flores que cultivava. Cores diversas enfeitavam o jardim, trazendo beleza.

- Olá, pai. - cumprimentei, ele assentiu.

- Oi, garoto. Não foi para a universidade ainda? - perguntou, mexendo na terra.

- Ainda está cedo. Porque não pede ajuda? - ele balançou a cabeça.

- Estou bem, não preciso. - falou, firme. Dei de ombros.

- Já que o senhor diz...

- Quem é aquele garoto que você está andando? - me surpreendi com sua pergunta.

- Como você sabe dele?

- Vocês andam sempre juntos. - disse, ajeitando os óculos. Limpei a garganta, apertando as alças da mochila.

- Somos amigos. - ele soltou o ar.

- Ele é perigoso, In. O pai dele, é. Não quero que ande com esse rapaz. - sempre me falam isso, que ele é perigoso.

- Mas, pai...

- Sem mas, In. Não quero te ver ou saber que está andando com esse garoto. - disse firme - tome cuidado com sua vida e da sua família.

- Não vai acontecer nada! - falei, ele revirou os olhos, vi impaciência em seu semblante.

- Você é muito ingênuo. Essas pessoas são perigosas, In. Temos que tomar cuidado. Agora, vá estudar. - concluiu, se voltando para as flores.

Simplesmente, girei os calcanhares e segui meu caminho.

Sei que nosso relacionamento está fadado ao fracasso por causa das pessoas que nos cercam. Se não fossem por eles, P'Korn e eu não teríamos que nos preocupar.

Respiro fundo sempre que imagino as pessoas falando para ficar longe dele, mas não era uma opção, eu ficaria com ele até o fim. Ele é... Ele é a pessoa mais complexa e intrigante que conheço, seus olhos transbordam de mistério.

Imagino que em sua mente há infinitos mundos para ele viver enquanto seu verdadeiro mundo é um caos. Ele me contou que seu pai não era uma pessoa boa, todos os boatos que falavam sobre sua família eram verdade.

Ele e seus irmãos, são pessoas boas que crescem em um lar hostil. Imagino que eles terão que lutar muito para conseguir ser o que querem, principalmente o P'Korn.

Parei em meio a calçada ao ver P'Korn, sentado em uma troco de uma árvore, lendo. Estávamos no parque da faculdade, um lugar tão lindo que nunca via as pessoas ficarem por lá, só o P'Korn fazia isso. Sorri vendo seus cabelos dançarem no ar pelo vento, seus olhos estavam fixados na página que lia.

É... Por ele, vale a pena passar por qualquer desafio!

Em passos confiantes fui me aproximando, deixei minha mochila escorada em uma árvore e peguei o fio vermelho que Alin tinha me dado. Amarrei uma ponta em meu pulso com certa dificuldade.

Sua atenção estava completa na história que lia. O sol iluminava sua pele, os contrastes das luzes se encontrando dava uma impressão mágica ao cenário em que estávamos.

Fui me aproximando sentindo meus sapatos esmagarem a grama. Envolvi o fio vermelho em seu pulso com cuidado, dando um nó logo em seguida, onde foi assim, que ganhei sua atenção. Senti o peso do seu olhar em mim quando terminei de amarrar o fio vermelho.

- O que está fazendo? - perguntou, levantando um pouco seu braço.

- Só... Amarrando o fio vermelho. - P'Korn encarou o fio e depois me encarou.

- Sempre com brincadeiras. Você sabia? Algumas pessoas acreditam que amarrar o fio vermelho nos pulsos assim, dá azar. - disse, sério. Apertei os lábios vendo que ele estava um pouco irritado com isso.

- Mas... Minha irmã disse que o fio vermelho mantém os casais unidos. Por isso estou amarrando em nossos pulsos. - admiti. P'Korn suspirou e desviou o olhar, parecia que estava cedendo a minha explicação.

Ele voltou a mim e disse:

- Que seja. É só uma crença. - sua falta de fé me comoveu, parecia que a palavra esperança não era recorrente em sua vida ao falar que é só uma crença.

Para todos a lenda do fio vermelho era importante, queria que P'Korn tivesse a fé que a maioria de nós temos.

Segurei sua mão, entrelacei nossos dedos, o fio vermelho amarrado em nossos pulsos, trazia conforto e confiança para dentro de mim. Ele encarou nossas mãos e me olhou logo em seguida, serenamente.

- Eu vou te fazer acreditar. Essa é a promessa do fio vermelho. Ela vai nos amarrar juntos. - sorri grandemente, acreditando em minha palavras.


Vi P'Korn sorrir e dizer com ironia:

- Que cafona. - revirei os olhos tentando não rir - Você não precisa amarrar nossos pulsos. Eu não vou a lugar algum. Nós vamos ficar juntos para sempre. Para sempre. - enfatizou, seus olhos negros me mostravam sinceridade.

Me encolhi vendo seu sorriso de lado que tanto sonhei que fossem para mim, e está sendo! Tê-lo por perto era vislumbrar um pedaço do futuro que tanto sonho com ele.

Assenti para P'Korn que não demorou para voltar a encarar o livro que lia.

- Em que página você está? - perguntei. Ele me olhou e disse:

- Página 60.

- É divertido? - ele sorriu e respondeu:

- É claro. Quer ler comigo? - antes que eu pudesse responder, só ouvi um grito do Krit.

- Iiiiiiiin! - olhei para trás e o vi diminuir seus passos e apoiar suas mãos nos joelhos, ele estava respirando fundo, era óbvio que ele tinha corrido muito - Tá na hora da aula! Perdi as calorias que eu precisava te procurando. - gritou para que eu ouvisse. Ri baixo da cena.

Me virei para P'Korn que tentava não rir do Krit.

- Nos vemos depois, P'Korn. - apertei os lábios. Ele assentiu sorrindo.

- Claro que sim. - falou, com convicção. Assisti ele olhar para os lados e não demorou para sentir seus lábios beijarem meus cabelos que estavam em frente a minha testa.

Um beijo demorado e cheio de promessas, ele acariciava minha nuca, suspirei sentindo o carinho que esse gesto mostrava.

Juntamos nossas testas, sentindo a respiração um do outro, P'Korn aproximou seu nariz no meu e disse:

- Você é a razão do meu sorriso, In. Não vejo a hora de te olhar de novo e sorrir. - disse com um timbre suave. Uma explosão de sentimentos ocorreu dentro de mim, atingindo meu coração em cheio. Sorri com os olhos fechados tentando manter a calma, queria chorar por ter ouvido frases tão sinceras.

Segurei sua nuca, olhei em seus olhos que estavam brilhantes e falei:

- Então, fique para sempre comigo. Sempre te farei feliz. - ele sorriu e suspirou ao mesmo tempo, P'Korn beijou minha bochecha como prova que ele faria o que eu disse.

- Ei, só pra avisar que estou aqui! - gargalhamos quando ouvimos essa frase do Krit - Vamos logo porque eu ainda quero me formar. - falou, pegando minha mochila e indo na frente, ele certamente estava com raiva de mim por eu ter feito ele correr toda a faculdade.

- É melhor ir. - disse P'Korn. Assenti apertando os lábios e em segundos segui o Krit para mais um dia de aula.

O fio vermelho... A importância que essa lenda tem pra essa história é enorme!

Espero que estejam gostando. Até mais e não esqueçam de votar!

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