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Ana

Vi minha vida toda passando em minha frente, memórias que eu nem sabia que existiam em minha mente, apareceram. Me lembro de quando eu era pequena, da minha pré- adolescência e de coisas que aconteceram antes de chegar em Alexandria.

Eu senti uma agulha furar minha pele e atravessar minha carne, e retirando meu sangue. Já estava fraca e sentir minhas forças se esvaindo em gotas de sangue me fizeram piorar. A voz do meu pai e o toque de suas mãos em meus braços enquanto isso acontecia, me fizeram sentir ainda mais nojo e raiva dele e da minha mãe.

Ouvi quando Daryl disse para ele que seu tempo tinha acabado e ele saiu, senti minha mão tremer e minha garganta secar mais ainda. Eu não tinha forças para abrir os olhos, não tinha força para falar ou me movimentar.

— Hey, sou eu a Enid. - ouço a voz dela próxima a mim — Vim falar que Rick está tentando arrumar sangue para você. Ele está procurando alguém que possa doar e te fazer ficar bem de novo.

Rick era um homem tão bom, ele não merecia ter passado por tudo que passou, não merecia esse mundo.

— Carl está se sentindo culpado. Ele terminou com a Ellen, graças a Deus. Bom, eu vou ir, você tem que descansar.

Ouço a porta se fechar mais uma vez e tento me movimentar, mais uma vez em vão. Meu corpo estava paralisado, apenas minha mente e meus sentidos que trabalhavam arduamente. Eu queria abrir os olhos ou simplesmente falar algo, mesmo que fosse um simples sussuro. 

O silêncio ficou tão grande que eu podia ouvir as batidas aceleradas do meu coração dentro do meu peito. Eu podia ouvir os pássaros cantando nas árvores mais distantes de Alexandria.

(...)

Não sei quanto tempo eu tinha dormido e ficado sem me mexer. Eu só acordei em um dia nublado e sozinha no quarto, sem consciência de se era cedo ou tarde,  com uma bolsa de sangue ligada ao meu corpo pela agulha e mangueira que levavam o mesmo para dentro do meu quarto.

Eu ouvia passos rápidos no corredor, indo e voltando. Meus olhos encaravam o teto e se acostumavam com a pouca luz que havia no recinto.

Me levantei da cama sentindo o chão frio embaixo dos meus pés, o corpo doer e minha visão perder um pouco do foco momentaneamente. Arranquei a agulha e segui até a porta, parando ao ver meu reflexo no espelho que estava dentro do banheiro. Eu estava pálida, com olheiras não tão fundas no rosto e com marcas em meu pescoço. Elas pareciam dedos. Só que eu não me lembrava de como elas tinham sido feitas.

Calcei o sapato que havia ao lado do guarda - roupa e caminhei até a porta, pegando na macaneta gelada e a torcendo. A porta se abriu e me deparei com um grande corredor, cheio de portas e com alguns retratos.

Eu reconhecia a casa, só que ela estava calada demais.

Desci as escadas sem pular nenhum degrau. A sala estava vazia, parecia não haver ninguém na casa, só parecia, minha cabeça se virou para a cozinha seguindo o som que vinha de lá. 

Michonne, Tara e Denise estavam na cozinha, elas mexiam nos armários procurando por algo.

— O que estão procurando? - digo.

Parecia que tinha tanto tempo que eu não ouvia minha voz, que eu me assustei com ela.

— Você acordou. - Michonne diz — Isso é  maravilhoso. Venha se sente aqui, você não pode ficar muito tempo em pé, ainda não se recuperou por completo.

— Quantos dias?

— Quatro. - Tara responde deixando a panela sobre o fogão — Você teve 6 bolsas de sangue em seu corpo, só que eram como se não estivesse fazendo efeito. Você ficava cada vez mais fraca, seu pai...Ele te visitava todos os dias e dizia que você estava fraca ainda.

— Onde eles estão? - falo me levantando.

— Eles sumiram ontem a noite. Estamos arrumando grupos de busca e...

— Não precisa de grupos de busca - digo segurando uma das facas — Eles saíram porque quiseram. Vão morrer sem a ajuda de ninguém.

Eu devia contar. Eu sentia que devia, só que preferi varrer pata debaixo do tapete, para poder tentar entender o por que ele tirava meu sangue todas às vezes.

— Michonne eu...Ana - Carl estava em minha frente, sem seu chapéu e com um sorriso enorme no rosto. — Eu senti tanto sua falta.

Os braços de Carl rodearam minha cintura e ele me puxou para ele, me abraçando apertado.

Oi
Como estão? Os salvadores estão cada vez mais próximos e muitas coisas vão ser reveladas diante deles. Deixem seus comentários e votos. Vamos fazer esse livro crescer, muitos parecem ter esquecido dele.

Beijos e fuiii



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