𝘿𝙖𝙣𝙘𝙚 𝙬𝙞𝙩𝙝 𝙙𝙚𝙖𝙩𝙝
Dança com a morte
Era loucura. Mas naquele momento eu não pensei em mais nada.
Canibal voou de encontro com os cinco dragões, batendo de frente com Caraxes que nos atacou ferozmente, mordidas eram desferidas contra o pescoço cumprido dragão vermelho que revidava implácavelmente, e junto dele Sheepstealer e Vhermitor abriam fogo contra o dragão preto que recebia abocanhadas das três feras enfurecidas.
Nós dançavamos pelo ar.
Eu sabia que era uma luta perdida, mas eu resistiria até meu último suspiro.
Canibal soltou Caraxes mordendo com toda a força que tinha o rosto de Vhermitor, enquanto Assas-Prata uma dragão fêmea esbranquiçada também entrou no meio me fazendo se abaixar ao ver a boca do dragão quase se fechando contra minha cabeça.
Mas quando eu menos esperava olhei para lado vendo as patas de Sheepstealer baterem forte contra mim me fazendo perder o controle sobre as rédias de Canibal e escorregar pelos céus.
Naquele momento a única coisa que consegui ver foi o olhar desesperado de meu pai que tentou voar até mim me fazendo ficar cara a cara com o seu dragão vermelho enquanto eu sentia meu corpo despencar sobre a Rua da Seda.
Era uma bela visão no fim, os dragões que se movimentavam pelo ar ne uma valsa feroz, seria tão mágico e bonito se não fosse destruitivo.
A última coisa que senti foi uma dor agúda em minha cabeça e depois apensa a escuridão. E derrepente já não havia mais nada.
— Luke...
[...]
Rhaenyra se deseperou ao ver sua filha caindo de seu dragão, apesar de tudo, o sentimento materno tomou conta da mulher a fazendo voar rápido com Syrax pousando na rua movimentada e vendo uma multidão se formar ao redor da princesa, o povo formou um circulo resguardando a garota de cabelos brancos, se virando contra a Rainha Negra e começando a desferir diversos xingamentos contra ela. A princesa que um dia fora o deleite do reino agora era apelidada de "Maegor com tetas" pelas pessoas que um dia a amarram.
Um motim começava a se formar quando Daemon pousou ao lado de sua esposa pulando de seu dragão e adentrando a multidão enfurecida sem medo de ser linchado, ele pegou a filha no colo, sentindo o povo começar a jogar coisas em sua direção, o principe quase não conseguiu sair do meio das pessoas se não fosse pelos Mantos Dourados que apareceram contendo os cidadãos que não tinham medo da fúria dos dois dragões a sua frente.
Mas tudo se silênciou quando a sombra de Canibal cobriu o sol, a criatura já não era ela mesma, ele tinha ódio em seu olhar que amedontrava qualquer um da cidade, mas a fera só tinha um inimigo no momento, Sheepstealer, na cabeça do animal foi culpa dela que sua dona havia caido. Culpa dela o dragão já não estar mais sentindo Rhaenys...
Neetles, a garota morena que montava o animal amarronzado não teve o que fazer a não ser fugir o mais rápido que pode da besta feroz que voou com uma fúria dos sete infernos sua direção, a garota sentia tanto medo, e se não fosse por Vhermitor e Assa-Prata, os outros dois dragões do lado preto sem dúvidas ela teria morrido.
Os três voaram atacando Canibal que lutou até seu último momento, só parando quando não tinha mais forças para suportar o próprio peso.
A besta negra despencou sobre a Baixada das Pulgas, ele já não tinha uma de suas assas, seu rabo fora arrancado e sua garganta estava completamente dilacerada, mas juntando suas últimas forças ele ainda pode deixar um último rúgido escapar de sua boca que emanava fumaça.
Canibal o dragão mais selvagem de Westeros, estava morto.
Enquanto isso, já na Fortaleza Vermelha, Rhaenyra e Daemon foram recebidos por um grito de desepero de Alicent ao ela ver o estado da garota de cabelos prateados no colo do Targaryen de armadura, a mulher de verde tentou se aproximar, mas um empurrão violento de Rhaenyra a fez ir direto ao chão.
— O QUE VOCÊS FIZERAM? Ela está grávida... — Todos ficaram estáticos naquele momento. A única coisa que todos sentiram foi a culpa arrebatando cada pessoa presente no grande salão.
— Salvem ela! — Daemon suplicou desesperado aos curandeiros que no mesmo instante começaram a tentar conter o sangramento da cabeça da princesa que já não tinha quase nem um sinal de vida além de uma respiração fraca e sófrega.
Rhaenyra não soltou a mão da garota um minuto sequer, assim como Daemon que tinha lágrimas nos olhos. Ele nunca havia sentido tanta dor em seu coração como sentia agora, nem mesmo quando Laena morreu ele se sentiu tão incapaz como se sentia agora, e colocando a mão sobre seu próprio rosto ele se arrependeu, se arrependeu de tudo o que fez com a filha durante todos esses anos.
Pensou como foi tolo em deixa-lá ir embora naquele dia em Harrenhal quando ele poderia ter simplesmente a abraçado e a obrigado a ficar ao seu lado. Mas não, o Principe Rebelde estava cego pela raiva e a deixou ir.
Uma parte dele morreu naquele dia.
[...]
Uma semana havia passado. Uma semana desde a queda da princesa, uma semana desde a conquista de King's Landing. Uma semana que Rhaenyra Targaryen ascendia ao Trono de Ferro.
— Olá querida. — A voz da mulher de cabelos prateados era triste, tão triste que até o céu chorou naquele dia.
Uma tempestade tomou as ruas, lavando todo o sangue de sua calçadas pecaminosas e cheias de ratos. As gotas de chuva lavavam tudo, menos a memória do povo que sussurava pelos becos, culpando e praguejando a Rainha que nesse momento estava sentada ao lado do corpo pálido e vegetativo da filha.
Rhaenys não tinha mais salvação, com três costelas quebradas e uma rachadura em seu crânio a princesa apenas aguardava a momento certo para partir, deitada em uma cama cercada pelo sofrimento daqueles que ainda restaram de sua família.
— Não posso te perder meu amor, você é minha única garotinha... — Rhaenyra tinha lágrimas em seus olhos, e passando as mãos carinhosamente pelos cabelos brancos da filha continou.
— Você não tem culpa de nada minha querida, você apenas lutou pelo que achou ser o certo, eu nunca deveria ter te mandado para o Ninho da Águia e espero que um dia me perdoe por isso.
A culpa é minha de você ter perdido seu filho...
Eu sinto muito por ter colocado minha ambição acima de sua felicidade, eu nunca deveria ter te abandonado, nunca deveria ter passado a herança de Driftmark ao Luke, mas eu tinha medo minha filha, tinha medo de que você se tornasse igual a mim.
E quero que saiba que se eu estivesse no seu lugar teria feito tudo igual. Você lutou pelo seu amor e sei que o Aemond cuidou muito bem de você minha garotinha, ele foi bom para você diferente de mim. — Lágrimas já rolavam pelo rosto da mais velha que não conseguiu conter sua dor. — Você pode descançar se quiser meu bem, já chega de lutar, vá encontrar os seus irmãos e voar com Canibal pelos céus. E saiba que eu te amo mais que tudo.
A Targaryen colocou a mão sobre a própria boca tentando conter seus soluços, ela não aguentava perder mais um filho. Seu coração estava despedaçado e nada poderia concerta-lo.
E quando ela viu que a filha parava de respirar aos poucos ela a abraçou uma última vez colocando a cabeça em seu peito enquanto sentia seu mundo desabar pela quarta vez. Ela não conseguiu salvar sua própria filha e iria eternamente se culpar por isso.
Rhaenys agora conseguira finalmente descançar em paz, quando teve o que tanto desejava desde o dia que cometera sua traição, o perdão e arrependimento de seus pais.
[...]
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