1.29 || Papai (Não Revisado)

Naomi's Pov

A arrumadeira está doente e Marcel disse que eu deveria ir até a lavanderia para poder deixar as roupas para lavar. No jardim, a caminho da lavanderia, encontro com Daryl. Ele estava com sua besta e outros homens ao redor dele. Um desses homens era Jace.

- O que está acontecendo? Está encrencado? - Comecei a procurar machucados ou sinal de luta pelo corpo do Daryl.

- Parece uma mãe preocupada. - Disse me fazendo dar uma risada. - Vou sair para fazer uma busca. - Fiz uma careta de reprovação. - Não faça essa cara de cão chupando manga azeda. Sabe que eu não posso escolher não ir.

- Eu sei. Só não gosto da ideia de você sair com eles, sem mais ninguém confiável perto.

- Vai ficar tudo bem, Naomi. Eu vou voltar. Prometo.

Subi na ponta dos pés para poder abraçar Daryl. O homem retribuiu o abraço envolvendo minha cintura em seus braços. Jace pigarreou avisando que estava na hora de ir. Tudo bem, ele prometeu que vai voltar. A lavanderia era um lugar silencioso apesar dos murmúrios. Dois guardas vigiavam a lavanderia. Dois guardas? Como se elas fossem pegar as roupas e sair matando todos com camisas e cuecas. Um dos guardas aponta para duas moças e manda eu ir entregar as minhas roupas para as duas. Elas eram lindas. Uma era alta, com cabelos encaracolados e pele escura, a outra, tinha olhos amarelados e pequenas sardas envolvendo seu rosto inteiro.

- As flores estão se abrindo. - A de olhos amarelados tinha uma voz doce.

- O verde está florescendo. - A de cabelo encaracolado dizia enquanto esfregava uma blusa cinza.

- Com licença. - Sorri para as duas. No mesmo instante a de olhos amarelados e sardas recolheu o cesto de roupas sujas da minha mão e murmurou alguma coisa qual eu não consegui entender. - Posso ajudar em alguma coisa?

- Não. - A mulher alta respondeu com um sorriso. - Volte no final do dia para buscar.

- Naomi. - a voz masculina ressoou atrás de mim me fazendo revirar os olhos.

- Querido Marcel. - me virei para o homem musculoso. - A que devo sua presença?

A presença de Marcel não deveria ser usual, não na lavanderia. As mulheres paravam de fazer o que estavam fazendo para olhar o homem, até mesmo os guardas ajeitavam a própria postura.

- Me acompanhe, por favor. - Me despedi das mulheres e caminhei até Marcel. - Está atrasada para o seu almoço. - O homem colocou sua mão nas minhas costas me conduzindo para fora da área de serviço.

- Veio até aqui para dizer que eu estou atrasada para comer? – O homem gargalhou.

– Estou te levando para almoçar. – Fuzilei o homem com o olhar. – Relaxa, Naomi. Não é um encontro. Preciso de você com força para o nosso treino de amanhã.

– Amanhã? E o de hoje?

– Vou sair para pegar materiais para a reforma do laboratório. Cortesia da sua amiga pequena. Seu pai vai querer te ver as sete para um jantar.

– Quem janta as sete?

– Ele sim. Agora sente com os seus amigos, tome um banho, faça o que quiser. Não vou estar te vigiando pelas próximas horas.

– Grande alívio. – Forcei um sorriso para Marcel.

O almoço passou bem rápido. Maven e Davina pareciam um pouco mais próximos do que de costume, nunca vi Davina sorrir tanto para ele em um pouco período de tempo. Conheci uma mulher chamada Hannah e ela é uma graça, animada para a chegada da primavera. Rick almoçou conosco pela primeira vez desde que chegamos aqui e por algum motivo ele não queria demonstrar afeto em público. Alguma coisa que Jace fez, provavelmente. Depois converso com Rick sobre isso. Houveram carícias secretas por baixo da mesa e toques discretos que ninguém jamais saberia sobre, ninguém além de mim e do xerife. Seis e cinquenta Fred bateu na porta do meu quarto para me levar até o jantar. Meu pai parecia mais velho, mas ainda tinha a mesma cara de quando eu tinha doze anos. Me sentei na ponta oposta da mesa cruzando os braços enquanto o silêncio dominava a sala. Logo trouxeram comida e eu comecei a brincar com a comida no meu prato. Um estrondo ecoou pela sala enquanto os guardas se ajeitavam e esticando cada centímetro das suas costas. Sangue pingava das roupas do homem que passava por mim com rapidez.

- Fomos cercados, senhor. - Jace falava baixo com pesar. - Perdemos dois corredores, um guarda e o grandão.

- Quantos sobreviventes?

- Apenas eu e Steinfeld. - meu pai enterra o rosto nas mãos e murmura alguma coisa.

Daryl prometeu que voltaria. Ele prometeu. Se recomponha Naomi, não vai chorar na frente do seu pai.

- Sente-se. - meu pai aponta em direção da cadeira e Jace se senta no centro, como um cãozinho obediente.

- Qual o propósito desse jantar? - empurro o prato quase vazio para frente e cruzo os braços.

- Ora... Ficar com você e te conhecer melhor.

- Me conhecer? - gargalhei com deboche enquanto uma mulher chegou com uma bandeja prateada com comida para Jace. - Pensei que o Jace já tinha te contado tudo visto que... - Jace arregalou os olhos e negou com a cabeça discretamente. Ele não queria que eu falasse sobre o meu passado com ele.

- Visto que? - Meu pai levantou o garfo casualmente enquanto esperava uma resposta.

- Visto que ele é sua cadela.

- Todos. - meu pai limpou a garganta. - Todos são minhas cadelas.

- Então Jace é sua cadela favorita. Cadela do Tony. Jace é sua vadia. - Não pude conter um sorriso perigoso de se formar em meus lábios.

- Chega! - Anthony elevou a voz. - Vai falar alguma coisa que preste?

- Vejamos... - Jace enfiou a cara no copo tentando evitar o que vai acontecer em seguida. - Onde está meu tio? Estou doida para ele te cobrir de porrada. -Jace engasgou.

- Meu irmão... - Meu pai teve uma grande dificuldade de dizer "irmão". - me culpa pela morte da sua mãe e de você ter parado em um orfanato e não queria nem olhar na minha cara antes do apocalipse acontecer.

- Nossa! Parece que eu e meu tio estamos na mesma página.

- Naomi Scott Stark. - Meu pai tentou me dar uma bronca.

- Anthony Scott Stark. Isso é apenas um nome, se você acha que eu vou abaixar a cabeça, pensar "Aí pela mãe! Papai brigou comigo! Sou uma garota muito má" e fazer chorinho está muito enganado. Você perdeu o privilégio de me dar bronca quando eu tinha doze.

- Você é ainda inacreditável. - sorri.

- Sabe o que eu acho inacreditável, papai? Acho inacreditável que mamãe tenha trocado o tio por você. Acho que ela gostava de merda, não me surpreende o porque dela ter apodrecido em uma cama de hospital enquanto você enchia a cara no bar.

- Fora. - Tony disse ríspido.

- O que foi, papai? Não te ouvi bem.

O jantar acaba e o Jace diz q ela não deve contar nada pra ninguém se não os amigos dela vão pegar.

- Fora! - dessa vez ele falou alto o suficiente para quem estivesse do lado de fora pudesse ouvir. - Jace, tire ela daqui.

Antes que Jace pudesse chegar até mim, taquei o meu prato perto o suficiente da cabeça de Anthony para fazê-lo se esquivar. Jace revirou os olhos enquanto me conduzia para foda da sala apertando o meu braço com as mãos.

- Você não tem senso, vergonha, juízo ou noção. - Jace começou com a pequena bronca em meus ouvidos enquanto apertava o meu braço com força. - Eu não quero ficar chegando perto de você, Naomi, mas toda vez que você é descuidada assim o seu pai manda eu dobrar a minha atenção sob você. Sabe o quanto que é difícil ter que ficar de olho em você enquanto eu sei que você não me quer por perto? - Ele me conduzia rápido entre as pessoas e pelo caminho ele estava me levando para meu quarto. - Você é tão inteligente, mas consegue ser tão estúpida. Você é considerada líder do seu pessoal, cada vez que você é desleixada, o cuidado com você aumenta e se o cuidado com você aumenta, a vigilância também recai sobre os seus amigos. - A porta do meu quarto já estava a vista. - Você está me entendendo? Você não consegue ser mais esperta e fingir pelo menos suportar ficar um jantar com o seu pai? Ele quer informações, Naomi. Quem você acha que ele vai querer que pegue as informações? Eu. Como foi mesmo que você disse... - As pessoas nos encaravam enquanto ele me puxava pelo braço até o meu quarto. - A cadela do Tony. Acha que eu quero bisbilhotar e ser sua babá? Entre. - Ele disse abrindo a porta e entrando logo em seguida. Fiz o mesmo. - Eu não posso ficar perto de você.

- Eu... - não sei o que responder.

- Me poupe. - Jace fechou a porta. Ele se aproximou de mim e encostou sua testa na minha, me deixando cada vez mais sem reação. - Não posso ficar perto de você. - Jace sussurrou.

- Jace. Nós não estamos mais juntos, gostaria de um pouco de espaço pessoal. - Jace fechou os olhos e suspirou. - Por favor. - Ele se afastou e caminhou até a porta.

- Eu sei que não estamos mais juntos. - Jace abriu a porta. - Você o ama? - Ele me perguntou olhando de cima do ombro.

Ele não precisou dizer o nome, sei de quem ele está falando.

- Amo. Mais que tudo. - Sem dizer mais nada ele saiu e fechou a porta do quarto me deixando sozinha.

Que merda foi essa? Vou até o banheiro lavar o rosto e tento prender o cabelo. Logo em seguida o coque desaba, meu cabelo é muito liso e mesmo que tenha crescido um pouco ainda é muito curto. Olho para o cesto de roupas vazio no chão banheiro. Minhas roupas já devem estar secas. Pego o objeto de plástico e sigo até a lavanderia. Quando chego lá vejo que não são as mesmas pessoas trabalhando, exceto pela menina de pele escura e a menina de olhos amarelados de mais cedo. Minhas roupas secavam perto delas e eu fui até o varal para pegar as minhas peças.

- As flores estão se abrindo. - A de olhos amarelados dizia enquanto dobrava uma camiseta laranja.

- O verde está florescendo. - A de cabelo encaracolado respondeu. Do mesmo jeito e com a mesma entoação de antes.

- Com licença. - Interrompi a conversa delas discretamente. - O que está acontecendo aqui? - As duas mulheres se entreolharam.

- Nada, minha senhora. - A moça com o cabelo encaracolado e calça na mão respondeu.

- Estamos apenas lavando a roupa. - A outra respondeu casualmente.

- Sei.

Termino de pegar as minhas roupas e volto para o quarto. "O verde está florescendo." A mesma frase dita da mesma forma, não foi por acaso. Elas queriam que alguém escutasse. Quem? Me perco nos pensamentos quando eu vejo já está na hora de dormir. Tomo um banho rápido e escovo os dentes. Saio do banheiro apenas de camiseta e calcinha quando sinto uma mão tampar a minha boca.

- Não grite. - A voz feminina ordenou e soltou a mão devagar.

- Que diabos? - perguntei ao ver Steinfeld parada dentro do meu quarto.

- Apostei com Lily que você demoraria semanas para captar a mensagem, mas lily estava certa. Você é esperta.

- O que a Lily tem a ver com isso? Está falando sobre o verde florescer, não é? - A mulher de cabelos castanhos assentiu.

- Sou membro de algo maior que isso tudo, Naomi. - Hailee abriu os braços conforme falava. - Estou falando sobre tirar seu pai do poder. Está dentro?

- Estou.

- Bem-vinda a maré verde.

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