A luz e a mariposa.
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Meu primeiro amor
Você nunca mais vai voltar?
Espero por você todos os dias
Como se magicamente você fosse...
Aparecer.
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A três anos atrás, eu conheci um homem na faculdade, ele era um da queles homens que parecem sair direto de livros de romance, um cavalheiro, inteligente, espontâneo, carinhoso, ambicioso, romântico, características únicas, uma voz gutural, um corpo esplêndido... Tudo nele é completamente inacreditável, surpreendente e inesquecível.
Inesquecível...
Essa palavra gira em minha mente tantas vezes ao dia que parece se eternizar, se agravar, quase como se estivesse tatuada em meu Hipocampo.
Eu conheci Namjoon em uma festa da faculdade, embora eu não fosse um grande fã de festas - na verdade costumo pegar minha bebida e sumir em algum canto a fim de não ser visto nem descoberto - eu gostava de ir para acompanhar meus colegas do curso de gastronomia.
Então lá estava eu, sentado num dos estofados bebendo uma lata de cerveja quando senti mais um peso no estofado, olhei para o lado e vi um homem bem vestido porém ainda despojado, de cabelos pretos um pouco longos e com um cigarro nas mãos, ele me encarou de volta e sorriu brevemente.
- te vi sozinho aqui, fiquei curioso - falou com calma, aquela voz rouca, aquele sorriso bonito e as covinhas.. céus, aquelas covinhas fizeram meu coração dar três mortais.
- curioso? Com o que? - respondi me fazendo de pouco afetado pela sua beleza.
- normalmente, homens bonitos não ficam sozinhos em festas.. estão sempre acompanhados - ele relaxou no sofá e esticou o braço para enfim descansar no encosto do mesmo, parecia muito a vontade.
- bem, mas eu estou acompanhado - falei com um sorriso sarcástico nos lábios e vi como o homem ao meu lado pareceu ficar um pouco tenso com a minha fala.
- está?
- claro! Não vê? - levantei a garrafa que estava na minha mão e bebi um gole vendo o homem rir e negar com a cabeça, em seguida tragando aquele cigarro.
- você é engraçado - ele me olhou novamente - me chamo Namjoon
- muito prazer! Sou Seokjin - sorri levemente
- bem, Seokjin, o cheiro lhe incomoda? - mexeu o cigarro de vagar como se o indicasse.
- não, não incomoda
Aproveitei de nosso silêncio para prestar mais atenção no rosto da quele homem que parecia tão confortável, mesmo com o som alto, o cheiro de bebida misturada com cigarro e talvez maconha, não prestei atenção nisso. Não quando se tinha Namjoon ali para admirar.
A forma confortável como sentava, os olhos bem desenhados e escuros, a boca carnuda e hidratada, o maxilar bem desenhado, o nariz pequeno, as covinhas bem marcadas, a forma como segurava o cigarro com os dedos cheios de anéis, a barba um pouco aparente, a pele bronzeada. A luz do ambiente parecia dar mais brilho a quele homem.
Nunca fui do tipo que ia a festar conhecia alguém e me interessava, na verdade isso nunca ocorreu, eu ia as festas apenas por ir, para acompanhar meus amigos e quem sabe ficar um pouco bêbado, nada abundante, nada que um banho gelado e um café preto bem forte não resolvesse. Também não é como se eu virasse a noite nestes lugares, ficava cerca de uma hora e ia embora, não é tão interessante quanto parece.
Mas na quele momento, olhando para Namjoon, só conseguia pensar em como alguém que mal troquei dez palavras conseguia chamar tanto que atenção.
- Seokjin? - a voz grave dançou nos meus ouvidos e eu finalmente percebi que fiquei tempo de mais admirando o homem.
- ah? Ah! Desculpe - senti minhas bochechas esquentarem, provavelmente estava ruborizado de vergonha.
Ele riu de mim, parecia contente, e apagou o cigarro.
- o que tem de tão interessante no meu rosto uh? - ele se aproximou um pouco.
- m-me desculpe... Eu não tinha a intenção de encarar você...
- o que? Não tem problema... - ele sorriu de canto.
Demorei um pouco para absorver tudo aquilo e respirei fundo a fim de que isso ajudasse a ficar menos nervoso.
Senti aqueles olhos escuros me encarando, como se lesse minha alma, como se soubesse o que eu pensava, chegava a ser assustador.
Assustador a forma como também devolvi o olhar, assustador a forma como vi estrelas no fundo das iris negras, assustador como tudo que eu queria era que aqueles olhos me devorassem, engolissem minha alma para seu profundo abismo.
Senti como se uma bolha nos envolvesse, como se estivéssemos em outro lugar, foi como se nossos olhares passassem a mesma vibração, como se eu pudesse entender tudo que ele queria dizer e ao mesmo tempo precisasse desvendar aquele mistério que seus olhos escondiam.
Não percebi o tempo passar.
Não percebemos o tempo passar.
Não percebi quando ele se aproximou.
Não percebi quando sua mão tocou levemente na minha.
Não percebi quando... Quando um maldito bêbado gritou e despertou a atenção de todos para o meio da quela multidão de gente. Maldito seja os bêbados.
Não quis prestar atenção no que aquele homem falava, provavelmente nada de importante sairia de sua boca. Desde quando bêbados são importantes mesmo?
- bem.. Namjoon - chamei sua atenção, logo vendo seu rosto risonho se virar para mim.
- sim?
- o que você cursa?
- Literatura, e você? - disse com um sorriso orgulhoso, certamente amava o seu curso, admiro isso.
- literatura.. sempre fui ruim nessa matéria - ri leve - curso gastronomia - sorri igualmente orgulhoso.
- e eu sempre fui péssimo na cozinha!
Rimos da coincidência.
- acho que nos completamos? - falei sem perceber, talvez na brincadeira, embora parte de mim ao pensar nisso tenha dado um grito.
- uh.. quem sabe - sorriu para mim - tem quantos anos garoto?
- vinte três, e você?
- oh! Está fazendo o que na faculdade?
- como? - arqueei minha sombrancelha sem entender sua fala.
- achei que o curso de gastronomia levasse dois anos, não?
- oh sim! E leva, eu acabei entrando um pouco tarde.. tive alguns problemas com mudança de cidade e tudo mais, acabei entrando tarde.. mas você não me disse sua idade!
- ah sim, claro! Eu tenho vinte e quatro.
- também é jovem, irá se formar esse ano?
- sim - sorriu - um veterano!
- de fato... Você não quer ir lá fora? Aqui tem muito barulho.. acho que seria melhor se fossemos..
- nem me diga! Vamos sair logo da qui, o cheiro de maconha parece infestar esse lugar, medo de que tenha empregado nas minhas roupas
Ri de sua fala e nos levantamos, amassei a lata de cerveja e coloquei na lixeira. Fomos para o lado de fora do lugar, como era uma casa perto do campus apenas começamos a andar e conversar até chegar a um banco, por sorte os postes de luz eram potentes e a iluminação era agradável, ainda não havia me acostumado com a cidade, morar na capital é muito diferente de morar no interior.
Ficamos cerca de duas horas conversando sobre qualquer idiotice, ou não. Foi tão leve que eu poderia dizer que conhecia Namjoon a anos. Me sentia tão confortável e bem vindo, eu poderia jurar estar a beira mar em um dia de primavera, sentado em uma toalha na areia comendo bolinhos de siri ouvindo uma melodia leve e alegre.
Era como una brisa fresca em meio ao calor, como as ondas calmas do oceano em um dia de sol, me sentia hipnotizado.
Seria ridículo falar que foi "amor a primeira vista", quem é que realmente acredita nisso?. Mas algo despertou dentro de mim, uma faísca acendeu no meu coração.
E eu não sabia que essa pequena faísca se tornaria um grande incêndio, fazendo uma enorme bagunça na minha vida. Não que eu odiasse o caos que foi formado, na verdade eu poderia viver neste caos por toda a minha vida.
- então você é do interior? - perguntou Namjoon.
- uhum!
- seus pais são fazendeiros?
- sim... Eu sempre ajudava eles mas não é meu sonho, não é meu futuro... Meu irmão gosta mais dessas coisas do que eu
- entendo.. você é mais gastronômico então?
- digamos que sim! Mas e você? Da onde veio?
- Ilsam
- é uma cidade bonita.. fui para lá uma vez quando criança
- eu gosto de lá, mas nunca vamos crescer na vida se continuarmos no mesmo lugar pra sempre - falou com tanta calma e pareceu que está frase não o abalou nem um pouco, mas chegou aos meus ouvidos com muito impacto.
- é... Você tem razão.. - respirei fundo - quer dizer que você quer ser escritor?
- acho que já sou, de certo modo
- como? - arregalei meus olhos surpreso com sua fala.
- eu já escrevi um livro, não é nada de mais na verdade.. eu era muito novo e nem é um livro tão conhecido - disse risonho, provavelmente pela minha expressão de surpreso - o que foi? Parece tão impossível assim que eu tenha escrito alto?
- não! Claro que não! Você cursa literatura afinal.. ou ama muito ler e escrever, ou só é estranho!
- ei! - ele riu alto e eu me deixei levar também, rindo junto - você cursa gastronomia! Ou é louco por comida ou é só estranho!
Dei um leve tapa em seu braço rindo alto - uma mania - e Namjoon riu mais ainda, provavelmente pela forma escandalosa como eu sempre rio, mas não me incomodei nenhum pouco, fiquei mais do que feliz de fazê-lo rir.
- certo certo! - respirei fundo me acalmando da risada - o que você escreveu?
- escrevi um livro pequeno de contos.. eu era um adolescente quando o fiz, mas até deu certo porque foi publicado.. não faço ideia sobre aonde tem, mas ainda ganho um certo cachê pelo livro, então tem uma venda mediana.. são contos infantis sabe? Da queles bobos mas nada de príncipes e princesas
- oh! Sim, gosto desses livros... Não são tão genéricos nem tão previsíveis, mas dão uma sensação de conforto quando lemos..
- obrigado - sorriu - foi o que eu quis passar com ele.. algo divertido e fácil de ler.. algo que as pessoas podem usar para dar uma escapada da vida real
- e você continua escrevendo?
- sim, as vezes são coisas rápidas, ideias que simplesmente vieram prontas na minha cabeça.. mas tenho dois livros que futuramente pretendo publicar..
- isso é legal.. queria ter um talento assim! Escrever é algo muito louco e acho que nem todos os escritores tem um real talento para escrever e ser reconhecido por isso..
- tenho medo disso! Nem me diga algo assim! - ele escondeu seu rosto por de baixo de suas mãos como se estivesse nervoso e logo riu.
- não pense assim! Pensamentos negativos atrapalham nosso desempenho!
- aah tem razão.. mas é difícil! Porém eu já tenho um segundo plano qualquer coisa!
- vejamos um homem bem planejado!
- engraçadinho! Mas e você? O que quer fazer depois de se formar?
- pretendo ser chefe de cozinha.. sei que tenho que correr muito, não é algo fácil.. e poucas pessoas realmente dão importância para esse trabalho, mas um dia eu vou conseguir ser conhecido, talvez não famoso... Mas algo por aí - sorri - e talvez seja muito ambicioso da minha parte, mas eu gostaria de ter um restaurante.. meu irmão e eu sempre falamos disso
- você tem brilho nos olhos...
- como? - o olhei confuso.
- você... Agora falando com você, vejo um brilho nos seus olhos, não um brilho comum, mas algo como determinação, ambição e paixão.. Seokjin você vai chegar aonde quiser! Apenas acredite em si mesmo e nunca deixe que apaguem esse brilho que você carrega.
O olhei surpreso, nunca me falaram isso, talvez porque raramente reparam no que eu digo. Mas eu entendo, quem vai prestar atenção nos meus olhos quando se tem tanta gostosura no resto do corpo?
Sorri com oq ele disse, sua fala foi muito bem anotada em minha mente, um homem que não está interessado em te levar para a cama, mas sim em sentar em um lugar aleatório nem um dia aleatório e conversar sobre diversas coisas, te fazer esquecer que existe um mundo fora da li. Apenas sentir.
- você também tem um brilho nos olhos joon.
- eu tenho? E oq eles dizem? - me olhou profundamente, com aquele sorriso de canto. Muito confiante, muito determinado em me desestabilizar.
- eles dizem que você é capaz de mover o mundo.. - sorri tímidamente e desviei o olhar por alguns segundos - seus olhos brilham como uma galáxia, são tão escuros e profundos, imensuráveis! Mas tem um brilho tão incomum, exatamente como uma galáxia...
Foi assim, sob a luz da lua, em um parque vazio, com o vento frio correndo pelas ruas, que juntamos nossos lábios.
A princípio um selinho curto, sem muitos toques, nos distanciamos um pouco, mas sem sucesso algum, logo em seguida nossas bocas estavam juntas mais uma vez, em um beijo calmo, sem pressa alguma. Nossas línguas dançavam em um ritmo lento e gostoso, o encaixe perfeito.
Ficamos mais próximos, uma de suas mãos seguravam minha cintura enquanto a outra acariciava meus cabelos, levei uma de minhas mãos para a lateral de seu pescoço acariciando seu maxilar com o polegar enquanto minha outra mão parou sobre a coxa grossa do outro Kim.
Infelizmente, o ar fez falta. Em meio a sorrisos e uma leve risada nos separamos.
- você é a pessoa mais incrível que eu já conheci. - foi o que Namjoon disse, sem mover um músculo para se afastar.
- você mal me conhece - eu ri e ele me olhou indignado.
- Você é estragou o clima! - me acusou com uma cara indecifrável mas de nada serviu pois em poucos segundos estávamos rindo como dois bocós.
Talvez tenha sido na quele dia, na quela noite, na quel mês... Mas foi assim, de noite, sob a luz da lua que eu entendi, Kim Namjoon e eu, jamais seríamos amigos.
Porque ele era luz, e eu uma mariposa.
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Oi! Demorei muito pra escrever mais um capítulo, andava com muito bloqueio criativo para escrever e até mesmo para fazer capas, mas recentemente falando com meu amigo a criatividade apareceu!!
Ando com muitas coisas para fazer, a princípio estarei livre por volta da terceira semana deste mês. Tentarei continuar escrevendo, até pq tenho muitos projetos para fazer aqui na plataforma.
Sem revisão.
Votem!
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