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𝐋𝐀𝐋𝐈𝐒𝐀 𝐌𝐀𝐍𝐎𝐁𝐀𝐍
Finalmente posso dizer que estou no meu lar. Com minha família. Esperei tanto por esse momento, estava morta de saudade deles. Principalmente da minha menina, sinto que um pedaço do meu coração fica com ela e quando a vejo, o vazio se preenche.
ㅡ Line, hoje a mamãe vai te levar no balé ㅡ Meu sorriso murchou, ao ver sua expressão triste.
ㅡ Não vou hoje, mamãe.
ㅡ Por que não, amor?
ㅡ Hoje é dança para os pais. Eu não tenho papai para ir me ver ㅡ Mordeu seu pedaço de bolo, preguiçosamente.
Ouvir ela dizer isso, me afeta mais do que um dia eu imaginei. Eu estava começando a me preparar para quando ela entrasse na escola e começasse a dizer essas coisas, mas não esperava que fosse tão rápido.
ㅡ Biscoitinho, eu disse que iria ver você dançar ㅡ Meu pai disse a ela.
ㅡ Mas vovô, é para os papais de verdade.
ㅡ O vovô ajuda a te criar, então ele é seu papaizinho também, filha.
Ela me olhou com os olhos pequenos e puxados que herdou daquele traste. É a única coisa que teve dele e é oque eu mais amo nela. Não por me lembrar Woo, pelo contrário. Mas sim como um lembrete da força que eu tive por ela e que devo continuar tendo para todo sempre.
ㅡ É diferente, mamãe...
ㅡ Está bem, então eu vou!
Celine e meus pais me olharam com a mesma expressão confusa, oque me fez rir.
ㅡ Filha, quando uma criança não tem um papai de "verdade", a mamãe faz papel de pai e mãe. Então eu vou na sua apresentação de balé!
ㅡ Como minha pãe?!
Nós rimos da expressão usada por ela.
ㅡ Sim, vou ser sua pãe hoje.
ㅡ Que legal! ㅡ Pulou da cadeira e veio me abraçar.
Sentei ela no meu colo e a abracei tão forte, que ela só conseguia rir enquanto eu enchia ela de beijinhos.
ㅡ Eu amo você, filhinha.
ㅡ Te amo também, vou me arrumar! ㅡ Pulou do meu colo e correu escadas acima.
Suspirei, sentindo um sentimento meio estranho que não sei explicar. Minha mãe alisou minha mão, sorrindo para me passar conforto.
ㅡ Coloca para fora, filha.
ㅡ Já acertei todos os detalhes para a mudança dela para a Itália, agora é real mesmo ㅡ Meus olhos marejaram ㅡ Sempre falo com ela que vou levar ela para morar comigo um dia, só que agora é verdade. Tenho tanto medo dela não se adaptar ao país, ou sofrer muito com a falta de vocês e querer voltar.
ㅡ Filha, o processo de adaptação não vai ser fácil, por isso é bom você dedicar bastante do seu tempo a ela no início. Quando ela entrar na escola, vai ser muito mais fácil para ela lidar, Celine é muito boa em criar laços ㅡ Meu pai me disse.
ㅡ Eu consegui matricular ela na pré-escola. Lá as aulas começam no mês que vem.
ㅡ Isso é ótimo, filha! Ela vai amar! Vai fazer novas amizades.
ㅡ Espero mesmo que ela goste.
ㅡ Quando ela se muda?
ㅡ Semana que vem é minha última semana de trabalho, vou entrar de férias. No sábado eu venho buscá-la.
ㅡ Vai contratar babá por lá?
ㅡ Não sei ainda. As aulas dela irão das oito às três da tarde e eu trabalho das dez até às cinco.
ㅡ Pede para mudar seu horário de trabalho para duas horas mais cedo, assim você sai o mesmo horário que ela.
ㅡ Ah, bem pensando, mãe.
ㅡ Mamãe, vem me ajudar! ㅡ Celine me gritou do andar de cima.
ㅡ Estou indo!
ㅡ Aproveita e conversa com ela sobre a mudança. E tranquiliza o coração, filha. Vai dar tudo certo.
ㅡ Amo vocês demais. Acho que nunca vou conseguir expressar o quanto sou grata por terem criado a Celine nesses quase dois anos.
ㅡ E nós faríamos tudo de novo sem pensar duas vezes. Amamos vocês, filha.
Me levantei e dei um beijo nos dois antes de subir. Entrei no quarto bege cheio de pelúcias e encontrei uma menina lutando para fechar seu body rosa bebê.
ㅡ Deixa eu te ajudar.
Abotoei o body e ajudei ela a prender a saia e calçar as sapatilhas. Nos sentamos na cama, Celine no meio das minhas pernas para eu pentear seus cabelos e fazer o coque.
ㅡ Line, lembra que a mamãe sempre fala que um dia você vai ir morar comigo na Itália?
ㅡ Sim mamãe.
ㅡ Então, daqui uns dias você vai se mudar comigo, está bem?
ㅡ Nós vamos morar juntas todos os dias?! ㅡ Se virou para mim com os olhinhos brilhando de expectativa.
ㅡ Sim meu amor! Todos os dias, só eu e você.
ㅡ Vou sentir falta do vovô e da vovó... Mas nós vamos vim ver eles né, mamãe?
ㅡ Vamos ㅡ Falei, colocando bastante gel nas minhas mãos ㅡ A mamãe vai voltar para casa sozinha amanhã, mas daqui uma semana volto para te buscar. E aí vamos levar seus brinquedos favoritos e suas roupinhas para sua casa nova.
ㅡ Que cor vai ser meu quarto?
ㅡ Quando você chegar podemos decorar seu quarto do jeito que você quiser e juntas comprar coisas novas, assim você pode ter dois quartos diferentes.
ㅡ Isso é muito legal, vou ter dois quartos!
ㅡ Sim ㅡ penteei seus fios para trás ㅡ Você vai ir para escolinha, lá vai fazer novos amigos e aprender coisas legais.
ㅡ Vou poder fazer balé lá, mamãe?
ㅡ Se você quiser, sim.
ㅡ Eba!
•🏁•
Quando cheguei com Celine na escola de balé, tinha vários pais com suas filhas esperando para entrar e eu sou a única mulher aqui. Tudo bem, não me incomodo nem um pouco, ainda mais que Celine está se importando menos ainda.
ㅡ As lindas bailarinas podem entrar por favor, preciso prepará-las antes.
ㅡ Tenho que ir, mamãe!
ㅡ Ei, ei, espera ㅡ Segurei sua mãozinha e me abaixei para falar com ela ㅡ Dança bem bonito e se divirta, está bem? Não liga pra mais nada, a mamãe vai tirar fotos lindas.
ㅡ Está bem! ㅡ Beijou minha bochecha e saiu correndo junto com as outras meninas.
Uma mulher veio nos chamar e mostrou onde seria a apresentação. Era um auditório pequeno, que acomodava no máximo umas cinquenta pessoas, o palco era mediano e tinha uma decoração atrás escrito "feliz dia dos pais".
Me acomodei na primeira fileira para que Celine pudesse me ver bem.
ㅡ Lisa?
Ergui os olhos, enxergando através das lentes um homem alto e bonito que eu conhecia bem, apesar de não ver a muito tempo.
ㅡ Marco! ㅡ Ele me cumprimentou com um abraço, se sentando ao meu lado.
Marco foi meu melhor amigo de infância, dez anos atrás tivemos um namorinho de adolescentes, até ele ir pra faculdade e em decorrência disso nos afastamos e cada um seguiu sua vida, mas sem desavenças. É a primeira vez que o vejo desde então.
ㅡ É muito bom te ver.
ㅡ Igualmente ㅡ Eu sorri ㅡ Não sabia que tinha uma filha.
Sabia sim. Foi a fofoca da última vez que vim aqui, entre minha mãe, eu e minha irmã.
ㅡ Tenho sim, a Camila. Ela e Celine são bem amigas.
ㅡ Sério? Ah, Line cria amizades por onde vai.
ㅡ É sua filha mesmo ㅡ Disse, me fazendo rir.
ㅡ E sua esposa, como vai?
Marco perdeu um pouco do brilho, encarando as próprias mãos. Não tem aliança.
Ah não me fale que a mulher morreu.
ㅡ A gente se separou.
ㅡ Ah.
Na hora que eu fechei a boca, uma luz se acendeu no palco e as crianças começaram a entrar, tomando suas posições. Todos bateram palmas e logo a música começou. Era um balé clássico, mas as crianças apesar de pequenas, conseguiam se sair muito bem com a dança.
Minha menina quando me viu abriu um sorriso enorme e acenei para ela, os olhos enchendo de lágrimas. As vezes penso se estou sendo egoísta demais por ter que tirar Celine de uma vida que ela ama e já se acostumou, para viver algo completamente diferente em outro país. Mas aí eu paro e entendo que filhos devem ser criados com os pais, e vou me esforçar para que ela tenha a vida mais feliz possível, mesmo que seja só nós duas.
A música acaba e uma nova começa. Agora é uma mais agitada e as crianças aproveitam para se divertirem mais. Pego minha câmera de dentro da bolsa e decido gravar ao invés de tirar fotos. Quero ter guardado pra sempre esse sorriso que Celine exibe, que a faz fechar os olhinhos e a forma como ela ri e se diverte com tudo isso.
•🏁•
Depois de outras duas apresentações de crianças maiores, o festival acabou. Celine desce correndo as escadas do palco e vem até mim.
ㅡ Mamãe, você gostou?
Pego ela no colo, a abraçando bem apertado.
ㅡ Eu amei meu amor, você arrasou! ㅡ Dei beijinhos em suas bochechinhas rosadas de suor.
ㅡ Obrigada, foi tão legal!
Coloquei ela no chão e segurei sua mão.
ㅡ Vamos tirar uma foto ㅡ Me abaixei ao lado dela e peguei o celular.
ㅡ Quer que eu tire? ㅡ Ergo os olhos, vendo Marco de mãos dadas com sua filhinha.
ㅡ Sim, por favor ㅡ Entreguei o celular para ele.
Celine envolveu meu pescoço com os bracinhos e a abracei pela cintura. Nós duas exibindo nossos maiores sorrisos.
ㅡ Prontinho.
Me levantei pegando o celular com ele para conferir as fotos.
ㅡ Ficaram lindas, obrigada.
ㅡ Cami, olha a minha mamãe ㅡ Celine disse para a amiga, cutucando minha coxa.
ㅡ Oi, princesa ㅡ Eu sorri para a menina ㅡ Eu sou a Lisa.
ㅡ Oi! Eu sou a Cami ㅡ Acenou ㅡ Você conhece o meu papai?
ㅡ Sim filha. Lisa é uma velha amiga do papai.
ㅡ Mas ela não é velha ㅡ Fez uma careta, fazendo a gente rir.
ㅡ Não, ela não é. Quero dizer que somos amigos antigos.
ㅡ Ah tá. Papai, podemos ir tomar sorvete?
Piscou os olhinhos e Celine me olhou com a mesma carinha.
ㅡ Podemos ir também, mamãe? ㅡ Assenti.
ㅡ Tem uma sorveteria aqui nessa rua, vamos lá ㅡ Marco disse e as meninas pularam de alegria dando as mãos.
ㅡ Celine, não corre.
Assim que saímos da escola de balé, tivemos que caminhar um pouco para chegar até a sorveteria.
ㅡ Fiquei sabendo que você está trabalhando na Ferrari, hein?
ㅡ Pois é ㅡ Eu ri ㅡ Modesta parte, é o emprego dos sonhos.
ㅡ Você é foda. Imagino que trabalhar lá não seja para qualquer um.
ㅡ Não é impossível, mas também não é fácil de conseguir. Pelo menos consegui me estabilizar lá e finalmente vou poder levar Celine para morar comigo.
ㅡ Vai levar ela? ㅡ Assenti.
ㅡ Meu foco em trabalhar lá sempre foi esse.
ㅡ Está certa, não tiro sua razão jamais ㅡ Coçou a barba ㅡ Agora me fala uma coisa, como é trabalhar com o Jeon?
Arregalei os olhos. Por que ele tinha que perguntar logo dele?
ㅡ Ah... ㅡ É delicioso. Eu quis responder, mas meu senso é maior ㅡ Ele é uma pessoa incrível. Não sei oque as pessoas pensam dele como pessoa, mas ele é muito legal. É uma das pessoas com o coração mais puro que conheço.
Marco me olhou, com um sorriso contido e me senti envergonhada por um momento. De onde tirei essas coisas?
ㅡ Vocês devem ser bem próximos.
ㅡ Eu trabalho lá faz quase dois anos e quase todos os dias estou com ele nos "bastidores" ㅡ Fiz aspas com os dedos ㅡ Ser fotógrafa é ver os lados que ninguém mais vê, então...
ㅡ Ele é foda... ㅡ Me olhou e sorriu ㅡ Me arruma um autógrafo dele.
Eu gargalhei e Marco riu.
ㅡ É sério?
ㅡ Sério!
ㅡ Tá bom, quando eu voltar te entrego.
ㅡ Já falei que você é foda?
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